Museu da Escola Catarinense
| Museu da Escola Catarinense (MESC) | |
|---|---|
A sede atual, localizada no edifício histórico da Escola Normal Catharinense, inaugurado em 1926. | |
| Informações gerais | |
| Tipo | História, Local histórico |
| Inauguração | 16 de novembro de 1992 (33 anos) |
| Website | udesc.br/museudaescola |
| Geografia | |
| País | |
| Cidade | Florianópolis |
| Localidade | Rua Saldanha Marinho, 196, Centro |
| Coordenadas | 27° 35′ 49″ S, 48° 32′ 53″ O |
| Localização em mapa dinâmico | |
O Museu da Escola Catarinense (MESC) é um museu localizado em Florianópolis, focado principalmente na memória da educação. A instituição foi criada em 1992 e é ligada a Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC).[1]
Sua atual sede é um prédio no Centro da cidade que é histórico para o ensino do estado de Santa Catarina: sua função original era sediar a Escola Normal Catharinense, uma instituição que mais tarde se tornaria o Instituto Estadual de Educação, e também foi a sede da primeira Faculdade de Educação do país, a FAED/UDESC, que ocupou o prédio até 2007, quando o museu – que já era sediado lá desde 2000 – passou a ocupar totalmente o local. Reformado em 2013 após uma mostra de arquitetura, abriga, além do acervo e salas preservadas, exposições de artes, cursos e apresentações e eventos culturais diversos.[2]
O edifício
[editar | editar código]Arquitetura
[editar | editar código]O prédio fica no alto da rua Saldanha Marinho, com a fachada voltada para esta. Seu porão alto usa a diferença de nível em relação a Avenida Hercílio Luz, que fica mais abaixo, na lateral norte, indo ainda mais alto que a Saldanha Marinho, o que levou a colocação de uma escadaria na entrada. Tem estilo neoclássico, com colunas gregas duplas ornamentais, capitéis junto aos frontões e módulos em ressalto. Os dois frontões são conectados visualmente por uma platibanda, com um embasamento alto e um friso dividido em dois pavimentos.

O interior do prédio é centralizado por um átrio aberto, iluminado por uma claraboia. Toda a sua estrutura interna é de ferro.[3] O edifício é tombado em nível municipal, junto com outros prédios do conjunto histórico do Centro, em nível máximo (P1, onde deve ser preservado interna e externamente)[4] e também em nível estadual.[5]
A história escolar
[editar | editar código]A Escola Normal Catharinense era uma instituição de ensino criada junto ao Lyceu de Artes e Ofícios, uma instituição de ensino criada em 1892 e que funcionava no Palácio do Governo. Uma sede própria, em estilo neoclássico, foi planejada, mas levou anos para, de fato sair do papel, com o prédio sendo concluído apenas em 1926.

Com os anos, a instituição seguiu suas atividades, mas mudou de nome algumas vezes: virou Instituto de Educação, e mais passa a se chamar Instituto de Educação e Colégio Estadual Dias Velho, com o colégio ocupando o prédio vizinho. É neste período que Antonieta de Barros leciona e se torna diretora. Na década seguinte começa a construção da sede do Instituto Estadual de Educação, que seria concluída e transferiria a escola para a Avenida Mauro Ramos em 1964.
No mesmo ano de 1964, a Faculdade de Educação, criada no ano anterior, passa para o prédio histórico, sendo que neste período ela ainda estava vinculada ao Instituto de Educação, iniciando as atividades do curso de Pedagogia e do Centro de Estudos e Pesquisas Educacionais – CEPE, antecessor da DAPE - Direção de Pesquisa e Extensão da Faculdade de Educação. No ano seguinte, foi criada a Universidade para o Desenvolvimento do Estado de Santa Catarina – UDESC e a Faculdade de Educação (FAED) passa a fazer parte dela.
Em paralelo, em 1992, o Museu da Escola Catarinense é criado, inicialmente ocupando um espaço usado pela DAPE na Praça Getúlio Vargas.
Com o passar dos anos, novos cursos são criados na FAED, como Estudos Sociais, Biblioteconomia e Educação Artística – que viria a se desmembrar no CEART. Com poucas mudanças, como a conversão do curso de Estudos Sociais em curso de História e curso de Geografia – a FAED se mantêm com a mesma estrutura no local até 2007, quando um prédio foi construído no Campus Itacorubi, onde está a maior parte dos cursos da UDESC em Florianópolis, e a faculdade se muda para lá. Com a saída da FAED, o Museu da Escola Catarinense, que havia se mudado para o prédio em 2000, passa a ocupar totalmente a edificação.
Seis anos mais tarde, uma mostra de arquitetura, a Mostra Casa Nova, realiza uma recuperação do prédio visando seu uso, deixando o prédio revitalizado. Ao final, o Museu da Escola Catarinense reocupa os espaços, agora em melhores condições.[3]
O museu
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Os objetivos do museu são relacionados a preservação do patrimônio cultural catarinense ligado à educação, além de usar o espaço do prédio como um centro cultural, abrigando exposições, cursos, oficinas, workshops, apresentações cênicas e musicais e outros eventos culturais.[6] O prédio tem um acervo de mobiliário relacionado a educação e a infância e também guarda um acervo de dados do mesmo tema, sendo também um centro de pesquisa.[7]
O museu faz parte tanto do Sistema Estadual de Museus quanto do Cadastro Nacional de Museus (CNM) do Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM).[8]
Espaços
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O prédio possui diversas salas e espaços. Cada espaço tem um nome, geralmente relacionados a mitologia greco-romana ou a um homenageado: o átrio central se chama Ítaca, as entradas principais são chamadas Hebe (esquerda) e Jano (direita) e o portão do estacionamento recebeu o nome de Cérbero. O museu pode ser dividido em locais de exposição permanente, de exposições temporárias e os espaços administrativos.

No primeiro pavimento, o lado norte (esquerdo) tem a lojinha do museu, a Sala Atena, da administração, a Sala Elpídio Barbosa, que é o Almoxarifado de Eventos, e a Sala Victor Meirelles. Ao fundo, logo após os lavabos Crono e Hera, ficam os Espaços Aldo Nunes, voltado a exposições temporárias.[9] O lado direito tem a Biblioteca Vitor Lima, a Sala Aníbal Nunes Pires, que abriga uma segunda biblioteca e a Sala Clio, do Núcleo Educativo. Junto a entrada, de frente para a lojinha, fica o café do museu.

O segundo pavimento pode ser acessado por uma escadaria ao fim do átrio. A parte leste, ao fundo, é o Espaço Expositivo Mutações, junto aos banheiros Apolo e Tália, e o lado sul (direito) é formado pelo Auditório Mnemosine e pela Sala Selene, que preserva o cenário de uma sala de aula do período do governo de Getúlio Vargas (1932-1954).[10][11] Nesse mesmo corredor ainda há ainda a Sala Urânia, já na frente do prédio. Uma coleção de poltronas dos Móveis Cimo e um piano ficam no Auditório Mnemosine, e uma coleção de mobiliário escolar, também da Cimo, empresa catarinense que foi notória na área dos mobiliários em toda a América Latina, estão preservados na Sala Osvaldo Rodrigues Cabral, esta já do lado norte do prédio, que é composto por mais três salas: Cassandra, Euterpe e Maria das Graças Vandresen. Uma coleção de miniaturas destes mobiliários estão junto de outras coleções na Sala Maria das Graças Vandresen.[11] A coleção de material escolar guarda materiais do período em que o prédio foi uma escola, e a coleção de quadros de formatura da Academia de Comércio de Santa Catarina tem quadros com as fotos dos alunos recém-formados na instituição que foi uma das antecessoras da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) ficam na Sala Euterpe. A mesma instituição também doou ao museu materiais didáticos, como quadros demonstrativos de produtos agrícolas. Outros materiais didáticos, como quadros parietais, livros e outros estão espalhados pelas salas, como a Sala Osvaldo Ferreira de Melo, que reproduz uma sala de ciências e fica na parte oeste, junto a fachada, ao lado da sala da diretoria, a Saleta Antonieta de Barros, é uma recriação preservada do período em que a professora Antonieta de Barros foi a diretora do Instituto, e inclui móveis originais e um busto dela.[12]
O Espaço Expositivo II - Harmonia, que é um mezanino, guarda diversas coleções, como a "Brinquedos da minha infância”, que foi doada por Aldo Nunes, ex-aluno e professor.[11] No porão ficam as partes de apoio, como despensa, cozinha, almoxarifado, sala de engenharia, caixas d'água, depósito e despensa do depósito – todas também com nomes greco-romanos: Deméter, Perséfone, Pandora, Minerva, Poseidon, Lete e Cócito, respectivamente.[13]
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Museu da Escola Catarinense (MESC)». sc.gov.br. Consultado em 11 de setembro de 2025
- ↑ «Museu da Escola Catarinense». visitefloripa.com.br. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ a b «Patrimônio Histórico Tombado». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Decreto Nº 521/89». Leis Municipais. 21 de setembro de 1989. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Diário Oficial de Santa Catarina» (PDF). Museu da Escola Catarinense. 30 de outubro de 1996. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Museu da Escola Catarinense promove atividades culturais em Florianópolis». CBN. 25 de setembro de 2024. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Biblioteca e acervo virtual». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Dados Cadastrais do MESC». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Salas Administrativas». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Sala Selene». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ a b c «Coleções». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Saleta Antonieta de Barros». Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
- ↑ «Planta do Museu» (PDF). Museu da Escola Catarinense. Consultado em 12 de setembro de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- Beatriz Goudard; Marli Henicka; Sandra Makowiecky. Museu da Escola Catarinense da UDESC e outros museus do mundo: memória e história visual. Florianópolis: UDESC, 2021. ISBN 978-65-88565-32-2

