Museu da Música

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Museu Nacional da Música
Tipo Galeria de arte
Música
Inauguração 26 de julho de 1994 (23 anos)
Visitantes 8.000 (1º semestre de 2015)[1]
Diretor Graça Ludovice (2014 - presente)
Website http://www.museudamusica.pt/?lang=pt
Geografia
País  Portugal
Cidade Lisboa
Localidade Rua João de Freitas Branco, Estação do metropolitano Alto dos Moinhos

O Museu Nacional da Música é o museu nacional de Portugal dedicado a música, possui uma das mais importantes coleções de instrumentos da Europa. Alguns destes instrumentos estão classificados como Tesouros Nacionais. como é o caso do Violoncelo Stradivarius Chevillard - Rei de Portugal, do Cravo Antunes, ou do Cravo de Pascal Taskin.

Além de instrumentos musicais, os visitantes podem encontrar no Museu documentos, fonogramas e iconografia. O Museu Nacional da Música possui também um Centro de Documentação e acolhe uma vasta programação de extensão cultural, com destaque para os concertos, as visitas temáticas e os ateliers.

O museu esta instalado, desde 1994, na estação do metropolitano Alto dos Moinhos, em Lisboa    

Coleção Instrumental[editar | editar código-fonte]

O Museu Nacional da Música possui uma coleção de mais de mil instrumentos musicais dos séculos XVI a XX, sobretudo europeus, mas também africanos e asiáticos, de tradição erudita e popular. Grande parte do seu acervo provém das antigas coleções de Alfredo Keil, Michel’angelo Lambertini e Carvalho Monteiro.

Fazem parte da coleção instrumentos raros e de elevado valor histórico e organológico, de que são exemplo o piano (Boisselot & Fils) que Franz Liszt trouxe de França em 1845, a trompa de Marcel-Auguste Raoux, construída para Joaquim Pedro Quintela, 1.º conde de Farrobo, o violoncelo de António Stradivari, que pertenceu e foi tocado pelo rei D. Luís, o violoncelo de Henry Lockey Hill, pertença da violoncelista Guilhermina Suggia ou o cravo francês de Pascal Taskin construído a pedido do Rei Luís XVI, mais tarde pertença da Marquesa do Cadaval.

O Museu destaca-se também pela quantidade e qualidade de instrumentos de fatura portuguesa, entre eles o cravo de Joaquim José Antunes (Lisboa, 1758), as flautas transversais da família Haupt (XVIII-XIX) ou os clavicórdios setecentistas das oficinas lisboetas e portuenses.

Há também exemplares curiosos, como é o caso dos violinos de algibeira, das flautas bengala, da flauta de vidro, do melofone de Jean Louis Olivier Cossoul ou das trombetas marinhas.

Coleção Iconográfica[editar | editar código-fonte]

O Museu Nacional da Música possui nas suas coleções vários exemplos de material iconográfico em cerâmica, desenho, escultura, fotografia, gravura e serigrafia, ou pintura.

A pintura engloba alguns óleos, dos séculos XVI a XIX. Entre outros, podem ser apreciados a "Assunção da Virgem" de Gregório Lopes (século XVI); um retrato do compositor João Domingos Bomtempo (1814) pintado por Henrique José da Silva; um outro da mezzo-soprano, Luísa Todi, da autoria de Marie Louise Elisabeth Vigée-Lebrun. Merecem ainda especial destaque as telas de José Malhoa, de 1903, consagrando Beethoven e a Música, e quatro medalhões do mesmo autor dedicados a Bach, Mozart, Schumann e Brahms.

Na escultura encontramos anjos músicos tocadores de alaúde (século XVIII), e um conjunto de putti de biscuit (séculos XIX / XX), tocando e dançando. No que diz respeito à fotografia, integram o acervo vários retratos de personalidades do meio musical da segunda metade do século XIX, princípios do século XX, como José Viana da Mota, Guilhermina Suggia ou Ferruccio Busoni.

Entre a cerâmica e o desenho, são de referir os pratos "ratinhos" de Coimbra, contendo representações de tocadores ou inscrições alusivas às práticas musicais, e um desenho da autoria de António Carneiro, representando Bernardo Valentim Moreira de Sá.

O Museu possui ainda cerca de 150 gravuras e serigrafias de figuras ligadas ao mundo do teatro e da música, como compositores (ex. Marcos Portugal), instrumentistas (ex. Liszt) e cantores de ópera dos séculos XVIII e XIX (ex. Adelina Patti), da autoria de gravadores célebres como Henri Thomassin ou Francesco Bartolozzi, entre outros.

Coleção Documental[editar | editar código-fonte]

O Museu Nacional da Música possui inúmeros documentos gráficos, entre os quais algumas centenas de partituras impressas e manuscritas dos séculos XIX e XX, peças de composição, excertos de teatro ligeiro e obras de autores como Fernando Lopes Graça, Armando José Fernandes, Cláudio Carneiro, José Viana da Mota, Óscar da Silva, entre muitos outros.

De assinalar também as monografias e publicações periódicas sobre música e organologia, os libretos, os programas de concertos e as cartas de variadíssimas personalidades do meio musical, documentos que integram vários conjuntos, nomeadamente os espólios de Alfredo Keil; do seu colaborador e autor de obras de teatro ligeiro, Luís Filgueiras; de Michel'angelo Lambertini; Josefina Andersen; Pedro Prado; do cantor lírico Tomás Alcaide; do violinista Júlio Cardona e do seu pai Ferreira da Silva; da pianista Ella Eleanore Amzel e do maestro José de Sousa.

História[editar | editar código-fonte]

A história do Museu Nacional da Música remonta ao início do século XX e espraia-se ao longo dos anos, num percurso atribulado que levaria a coleção de espaço em espaço até à instalação na estação do metropolitano Alto dos Moinhos, onde funciona desde 1994.

1911-1931 - O museu instrumental de Michel’angelo Lambertini[editar | editar código-fonte]

As primeiras ideias para criação de um museu instrumental em Portugal terão partido do Rei D. Luís I e, um pouco mais tarde, de Alfredo Keil, detentor de uma importante coleção de instrumentos musicais. No entanto, seria o musicólogo Michel'angelo Lambertini quem verdadeiramente assumiria o desafio.

Em 1911, na sequência da implantação da república, Lambertini consegue fazer-se nomear pelo governo para iniciar a recolha de instrumentos musicais, partituras e peças de iconografia musical dispersos em edifícios públicos e religiosos, projeto a que se dedica com todo o entusiasmo.

Contudo, rapidamente o musicólogo se depara com a falta de vontade da classe governante e, em 1913, um despacho oficial afasta-o das funções que vinha desempenhando. Re-equaciona então o projecto do museu, procurando a ajuda de particulares.

Em 1915, Teófilo Braga, então Presidente da República, assina um decreto que instituía, no edifício da Rua dos Caetanos, o Museu Instrumental do Conservatório. Lambertini é convidado a inventariar e organizar os objectos reunidos, sem qualquer vencimento, convite que aceita. Porém, o Museu não tinha instalações apropriadas nem a protecção orçamental indispensável.

Regressa, portanto, à ideia de criar o Museu Instrumental de Lisboa com a ajuda de particulares. Em 1916, recorre a António Carvalho Monteiro, também colecionador, para que adquirisse a coleção de Keil, em perigo de sair para o estrangeiro. Vende-lhe a sua própria coleção e propõe-lhe avançarem com o projeto em conjunto.

Carvalho Monteiro aceita e cede um espaço para acomodação dos espécimes num edifício da Rua do Alecrim, onde se reúnem o conjunto das coleções Lambertini, Alfredo Keil e Carvalho Monteiro. A recolha continuaria até à morte de ambos, em 1920, altura em que a coleção perfaz um número superior a 500 espécimes.

Com as mortes de Carvalho Monteiro e de Lambertini, o projeto de criação do museu instrumental fica adiado. Como consequência, o acervo reunido permanece nas caves do edifício na Rua do Alecrim até 1931.

1931-1971 - Museu Instrumental do Conservatório[editar | editar código-fonte]

Face ao valor da coleção reunida por Lambertini e ao seu abandono, o Estado procura adquiri-la com a intenção de fazer avançar o Museu Instrumental do Conservatório, criado por decreto em 1915. Tomás Borba, conservador do então Museu e Biblioteca do Conservatório Nacional, é encarregado de proceder à aquisição da coleção aos herdeiros de Carvalho Monteiro. Concluído este processo em 1931 esta é transferida para o Conservatório Nacional, então dirigido por Viana da Mota.

Mais tarde também os instrumentos que haviam pertencido ao rei D. Luís, e que se encontravam no Palácio da Ajuda, se juntam à coleção, bem como algumas peças vendidas durante o período de abandono na Rua do Alecrim, adquiridas em leilões pelo Conservatório Nacional.

O património do Museu Instrumental do Conservatório é enriquecido com importantes aquisições de instrumentos, partituras e outros materiais acessórios relacionados com música, alargando-se a recolha a instrumentos afro-asiáticos. É nesta altura que, pela primeira vez, se cria um espaço para exposições, ao mesmo tempo que se procede ao restauro de alguns instrumentos e se promove a sua utilização em recitais de música barroca.

A partir de 1946, com a reabertura do Conservatório após obras de melhoramento, o museu é inaugurado oficialmente, conhecendo um período de desenvolvimento da vertente museológica e da preocupação com o acesso por parte do público que se prolonga até 1971.

1971-1975 - Palácio Pimenta[editar | editar código-fonte]

No princípio da década de 70, o espaço ocupado pelo museu no Conservatório torna-se necessário, em virtude da criação de três novas escolas - Dança, Cinema e Educação pela Arte. Tendo em vista a possibilidade de possuir um espaço próprio, as 658 peças, que então constituíam a coleção, são transferidas, em 1971, para o Palácio Pimenta no Campo Grande que, mais tarde, viria a acolher o Museu da Cidade. Ali permanecem até 1975, em condições precárias. Nesse ano, por decisão de João de Freitas Branco, então Secretário de Estado da Cultura, e da Escola de Música do Conservatório, são novamente transferidas, desta vez para a Biblioteca Nacional.

1975-1991 - Biblioteca Nacional[editar | editar código-fonte]

Na Biblioteca Nacional o musicólogo Santiago Kastner é nomeado Diretor e dá início à inventariação dos espécimes. A partir de 1977, já sob a orientação do inspector Humberto d’Ávila, Diretor do Departamento de Musicologia, procede-se à aquisição de vários tipos de instrumentos, partituras, gravuras, pinturas, programas de concertos, etc.

Apesar de alojado na Biblioteca Nacional o Museu volta a estar aberto ao público, mantendo a designação de Museu Instrumental do Conservatório.

Durante este período, comissões criadas discutem qual o melhor local para instalar o museu e acolher condignamente o seu acervo que continua a aumentar. Vários edifícios são apontados como hipótese, mas por várias razões nenhum deles viria a acolher o museu.

1991-1993 - Da Biblioteca Nacional ao Alto dos Moinhos[editar | editar código-fonte]

Em 1991, por decisão da Secretaria de Estado da Cultura, e correspondendo à vontade da direção da Biblioteca Nacional, alegando falta de espaço, as coleções são empacotadas e transferidas mais uma vez. Os instrumentos são embalados e enviados para o Palácio Nacional de Mafra, os registos sonoros para o Museu Nacional de Etnologia e a coleção de gravura para o Museu Nacional de Arte Antiga, permanecendo nas mesmas instalações apenas o acervo bibliográfico.

1993-2018 - Museu da Música[editar | editar código-fonte]

Com a assinatura, a 1 de Outubro de 1993, Dia Mundial da Música, de um protocolo, ao abrigo da lei do mecenato, entre o Instituto Português de Museus (atual Direcão-Geral do Património Cultural) e o Metropolitano de Lisboa, reúnem-se as condições para a instalação do Museu na estação de metro Alto dos Moinhos por um período de 20 anos (1993-2013).

Na sequência do protocolo assinado, iniciam-se as obras, sendo o Museu da Música inaugurado a 26 de Julho de 1994. Durante este período, o Museu desenvolve a sua atividade, apresentando com regularidade exposições temporárias, organizando eventos diversificados, dinamizando atividades de extensão cultural, estudando, inventariando e desenvolvendo as suas coleções…

Apesar da aparente normalidade, a natureza temporária da sua instalação no Alto dos Moinhos estaria sempre presente no horizonte, pelo que ao longo dos anos se renovam as discussões sobre qual deverá ser o seu futuro.

Em 2007, a propósito do PRACE (Programa de Reforma da Administração Central do Estado) discute-se a criação do Museu do Som, estrutura que deveria englobar o Museu da Música e um arquivo sonoro nacional e que ficaria responsável pelo Depósito legal de fonogramas. Com a mudança do titular da pasta da Cultura em Janeiro de 2008, esta ideia cai por terra.

Três anos mais tarde, em 2010, o então Secretário de Estado da Cultura, Elísio Sumavielle, anuncia, no Dia Internacional dos Museus, que o Museu da Música será transferido para o Convento de São Bento de Cástris, em Évora, num processo a decorrer até 2014.

Esta decisão seria revertida por outro secretário de Estado da Cultura (Jorge Barreto Xavier), em 2014, anunciando-se antes a instalação no Palácio Nacional de Mafra, o que deveria acontecer até novembro de 2017.

Entretanto, assinala-se no final de 2013 a passagem dos 20 anos protocolados com o Metropolitano de Lisboa para permanência na estação Alto dos Moinhos. Face a esta situação, o protocolo é renovado por mais 5 anos, até ao final de 2018, garantindo-se assim que o Museu, promovido em Maio de 2015 a Museu Nacional, poderá continuar a desenvolver a sua atividade.

Referências

Ligações externas[editar | editar código-fonte]