Museu das Reduções

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Uma atração turística de Minas Gerais oferece um passeio por 15 estados dos Brasil, a partir de réplicas que contam parte da história da arquitetura nacional. São esculturas de edificações que retratam o período do barroco até os modernos e futuristas projetos da capital federal. Ao todo são 29 réplicas reduzidas e que cabem dentro de um único lugar, o Museu das Reduções, situado no distrito de Amarantina, em Ouro Preto, na região central de Minas.

A história do Museu das Reduções começa com a família Vilhena, que escolheu o distrito para desenvolver um projeto que envolve também arte e história. Os irmãos Ênnio, Sylvia, Evangelina e Décio deixaram de herança um empreendimento que hoje completa 16 anos. A administração atual é feita por um dos descendentes, filho de Ênnio. Carlos Alberto de Vilhena conta que, com mais de 60 anos e aposentados, eles deixaram de lado o antigo ofício para se aventurar num novo propósito. Ênnio e Sylvia eram bancários; Evangelina funcionária pública e Dênio piloto de aviação comercial.

Carlos Alberto de Vilhena assumiu o museu em 2004, pediu demissão do banco onde trabalhava e mudou-se do Rio de Janeiro para Minas. A morte de Evangelina no mesmo ano foi "como uma ruptura", conta o sobrinho, e os irmãos abandonaram o trabalho à frente do museu. Antes, foram muitos anos de dedicação para criar peças incríveis, ricas em detalhes e construídas com o mesmo material empregado nas construções originais.

A primeira escultura é de 1978. É uma réplica da Igreja das Dores, de Campanha, terra-natal dos quatro irmãos. Na época, era um hobby. Virou um trabalho sério quando as duas irmãs voltaram de uma viagem à Holanda, onde conheceram um parque temático de réplicas. Cheios de inspiração, os Vilhenas viajaram com recursos próprios pelo Brasil afora fotografando monumentos.

A partir do que era fotografado, a planta dos imóveis era desenhada. Um trabalho que custou caro, segundo Carlos Alberto de Vilhena. “Eles voltaram às cidades várias vezes para tirar dúvidas. O objetivo era a fidelidade e os detalhes”, disse. Para executar o trabalho, foi preciso criar formas e pequenas ferramentas que permitissem esculpir cada elemento, por menor que fosse. O trabalho envolveu cálculo, marcenaria fina, artesanato com metal, pintura e técnicas de desenho. Para Carlos Alberto de Vilhena, a habilidade visível nas peças foi adquirida pelo pai e tios na infância, numa época em que ainda se fabricava os próprios brinquedos.

A última obra ficou inacabada, por volta de 2001. Sem telhado, a réplica da Igreja de São Francisco de Ouro Preto ganhou um significado especial. “É a linha divisória do trabalho deles. Hoje serve para mostrar a técnica utilizada”, disse o atual presidente do museu.Os recursos usados impressionam os visitantes.A bancária Cristiana Lacerda saiu de Belo Horizonte com a família especialmente para conhecer o acervo. Ela, os três filhos e o marido estiveram em Amarantina no feriado de 12 de outubro. “Belíssimo. Muito interessante os materiais utilizados, a pedra, o ferro, vidro pintadinho à mão. É diferente das maquetes de madeiras. É fantástico”, disse Cristiana.

O tempo dedicado a cada réplica foi variado. Foi gasto cerca de um ano e meio para terminar a do Convento de São Francisco de Assis, de Olinda (PE), cujo telhado é composto por seis mil peças. De tamanho e complexidade menores, o Museu de Arqueologia e Etnologia de Paranaguá (PA) levou cerca de três meses para ficar pronto.

A bióloga Clarice Jardim e o filho Davi, de dois anos, também conheceram o Museu das Reduções. “Já tinha ouvido falar e tinha curiosidade”, disse. Ela já morou no Rio de Janeiro, perto da histórica Paraty, cidade retratada no acervo. “Reconheci as casas que ficam no centro velho de Paraty, na parte histórica. Estava reparando os detalhes, são bem reais”, disse Clarice, que chamou atenção para a riqueza dos detalhes das portas e janela da obra chamada Casa Coloniais.

Também é evidente a contribuição intelectual do acervo. “O objetivo era só a preservação da memória, difusão da arte, da cultura e turismo. Descobrimos de 2004 para cá o conteúdo pedagógico”, falou Carlos Alberto de Vilhena. De acordo com ele, as peças estão imbuídas de história, falam de cinco anos de arquitetura, da história das colonizações. “Uma boa atração turística está sendo transformada em fonte de conhecimento”, disse.

Hoje, a média de público não vai muito bem. São cerca de 500 visitantes por mês, número que já chegou a 2,4 mil no período. Segundo o administrador, o museu ganhou um prêmio em 2006, que incentivou bastante o turismo. Um dos motivos do público reduzido é a dificuldade de acesso. Por isso, um dos projetos é levar o museu para mais perto da estrada que dá acesso a Ouro Preto. O novo terreno foi doado pela iniciativa privada e tem 30 mil metros quadrados, espaço que será preenchido por novos sonhos. “Vão ser criados um Centro de Convenções, uma galeria de arte e um núcleo de Educação Patrimonial”, disse Carlos Alberto de Vilhena.

O museu recebe também visitas periódicas de escolas públicas de Ouro Preto, Mariana, Itabirito e Nova Lima. Eles participam de uma aula sobre educação patrimonial. O atual gestor reconhece a responsabilidade social de iniciativas privadas, que ajudam a manter projetos como o Museu das Reduções. Hoje, o acervo é mantido com o patrocínio de uma empresa de terceirização de equipamentos de informática com sede em Nova Lima e que atuação nacional. O museu já recebeu recursos de lei de incentivo para manutenção e até de uma organização não-governamental alemã, que atuou na construção do prédio.

Obras em destaque[editar | editar código-fonte]