Museu do Louvre

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Musée du Louvre
Tipo Galeria de arte
Museu de Design/Têxtil
Local histórico
Inauguração 10 de agosto de 1793 (224 anos)
Visitantes 8,1 milhões (2017)[1]
Diretor Jean-Luc Martinez
Curador Marie-Laure de Rochebrune
Website www.louvre.fr
Geografia
País  França
Cidade Paris
Localidade Palais du Louvre
Coordenadas 48° 51' 41" N 2° 20' 6" E
Geolocalização no mapa: França
Musée du Louvre está localizado em: França
Musée du Louvre

O Museu do Louvre (em francês: Musée du Louvre), é o maior museu de arte do mundo e um monumento histórico em Paris, França. Um marco central da cidade, está localizado na margem direita do rio Sena, no 1.º arrondissement. Aproximadamente 38.000 objetos, da pré-história ao século XXI, são exibidos em uma área de 72.735 metros quadrados.[2] Em 2017, o Louvre foi o museu de arte mais visitado do mundo, recebendo 8,1 milhões de visitantes.[1]

O museu está localizado no Palácio do Louvre, originalmente construído como uma fortaleza no final do século XII ao XIII sob o reinado de Filipe II. Os restos da fortaleza são visíveis no porão do museu. Devido à expansão urbana da cidade, a fortaleza acabou por perder sua função defensiva e, em 1546, foi convertida por Francisco I na residência principal dos reis franceses.[3] O prédio foi ampliado muitas vezes até formar o atual Palácio do Louvre. Em 1682, Luís XIV escolheu o Palácio de Versalhes como sua residência, deixando o Louvre principalmente como um lugar para exibir a coleção real, incluindo, a partir de 1692, uma coleção de esculturas antiga grega e romana.[4] Em 1692, o edifício foi ocupado pela Académie des Inscriptions et Belles-Lettres e pela Academia Real de Pintura e Escultura. A Académie permaneceu no Louvre por 100 anos.[5] Durante a Revolução Francesa, a Assembleia Nacional Constituinte decretou que o Louvre deveria ser usado como um museu para exibir as obras-primas da nação.

O museu foi inaugurado em 10 de agosto de 1793 com uma exposição de 537 pinturas, sendo a maioria das obras da realeza ou de propriedades confiscadas da igreja. Por causa de problemas estruturais com a construção, o museu foi fechado em 1796 até 1801. A coleção foi aumentada sob o governo de Napoleão e o museu foi renomeado pelo "Museu Napoleão", mas, após a sua abdicação, muitas obras apreendidas por seus exércitos napoleônicos foram devolvidas aos seus proprietários originais. A coleção foi aumentada ainda mais durante os reinados de Luís XVIII e Carlos X e, durante o Segundo Império Francês, o museu ganhou 20 mil peças. As participações cresceram constantemente através de doações e legados desde a Terceira República. A coleção é dividida entre oito departamentos curadores: antiguidades egípcias; antiguidades do Oriente Médio; antiguidades gregas, etruscas e romanas; arte islâmica; escultura; artes decorativas; pinturas; impressões e desenhos.

História[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Palácio do Louvre

Idade Média e Renascença[editar | editar código-fonte]

Porções medievais do Louvre ainda são visíveis no subsolo

O primeiro palácio real neste local foi fundado por Filipe II em 1190, como uma fortaleza para defender Paris a oeste contra os ataques dos viquingues. No século seguinte, Carlos V transformou-o num palácio, mas Francisco I e Henrique II demoliram-no para construir um palácio real; as fundações da torre original da fortaleza estão sob a Salle des Cariatides (Sala das Cariátides) agora. Mais tarde, reis como Luís XIII e Luís XIV também dariam contribuições notáveis para a feição do atual Palácio do Louvre, com a ampliação do Cour Carré ("Quadrilátero") e a criação da colunata de Perrault.[6]

As transformações nunca cessaram na sua história, e a antiga fortaleza militar medieval acabaria por se tornar um colossal complexo de prédios, hoje devotados inteiramente à cultura. Dentre as mais recentes e significativas mudanças, desde o lançamento do projeto "Grand Louvre" pelo presidente François Mitterrand, estão a transferência para outros locais de órgãos do governo que ainda funcionavam na ala norte, abrindo grandes espaços novos para exposição, e a construção da controversa pirâmide de vidro desenhada pelo arquiteto chinês I. M. Pei no centro do pátio do palácio, por onde se faz agora o acesso principal. O museu reorganizado reabriu em 1989.[6]

O Palácio do Louvre foi a sede do governo monárquico francês desde a época dos Capetos medievais até o reinado de Luís XIV. A transformação do complexo de edifícios em museu iniciou em 1692, quando Luís XIV ordenou a criação de uma galeria de esculturas antigas na Sala das Cariátides. No mesmo ano, o palácio, então desabitado, tendo a corte se transferido para Versalhes, recebeu a Academia Francesa, e logo a Academia Real de Arquitetura, a Academia Real de Música e a Academia Real de Pintura e Escultura também ali se instalaram. No prédio, também aconteceram, a partir de 1699, os tradicionais salões de arte promovidos pela Academia de Pintura e Escultura, que atraíam multidões. De início organizados na Grande Galeria, os salões, de 1725 em diante, passaram a acontecer do Salão Quadrado (Salon Carré), de onde derivou o nome destas exposições - Salão.[7]

Por outro lado, entre 1750 e 1785, espaços no Palácio de Luxemburgo foram reservados para exibição de obras-primas selecionadas das coleções reais, numa exposição que teve grande sucesso. Em vista disso, o Marquês de Marigny, Superintendente Geral dos Edifícios do Rei, e seu sucessor, o Conde de Angivillier, desenvolveram a ideia de tornar o Louvre um museu permanente.[8] O projeto se transformou em lei em 6 de maio de 1791, quando a Assembleia Revolucionária decretou que o palácio deveria ser um repositório de todos os monumentos das ciências e das artes.[7]

Inauguração[editar | editar código-fonte]

Assim, foi o museu inaugurado como Museu Central das Artes em 10 de agosto de 1793, com um acervo formado principalmente por pinturas confiscadas à família real e aos aristocratas que haviam fugido da Revolução Francesa, exibidas na Grande Galeria e no Salão Quadrado.[9] O público tinha acesso gratuito, mas apenas nos fins de semana, ficando os outros dias reservados para o trabalho dos artistas que desejavam, ali, estudar as obras dos grandes mestres, determinação que ficaria em vigor até 1855. Gradualmente, a coleção foi expandida e ocupou muitas outras salas do complexo.[7]

No período imperial, o museu adotou o nome de Museu Napoleão, sendo, Dominique-Vivant Denon, seu primeiro diretor. Napoleão ordenou reformas e embelezamentos no edifício, e suas conquistas sobre outros países renderam uma grande quantidade de novas peças para o Louvre, embora, com a queda do imperador em 1815, as nações espoliadas reclamassem seus tesouros, despovoando as galerias do museu.[10]

A "Mona Lisa", de Leonardo da Vinci, óleo sobre madeira de álamo, 1503-19, provavelmente concluída enquanto o artista estava na corte de Francisco I. É uma das obras mais conhecidas do acervo do museu

Em 1824, foi criado o Museu da Escultura Moderna na Galeria d'Angoulême, com cinco salas para exibição de peças provenientes do Museu dos Monumentos Franceses e do Palácio de Versalhes. Em 1826, Champollion se tornou o diretor do novo Departamento de Antiguidades Egípcias. No ano seguinte, foi criado o Museu Carlos X no primeiro pavimento da ala sul do Cour Carré, com uma coleção de antiguidades egípcias, bronzes antigos, vasos etruscos e artes decorativas medievais e renascentistas, ao mesmo tempo em que na ala norte se instalava o Museu da Marinha.[6]

Por um breve período, entre 1838 e 1848, uma importante coleção de mais de 400 pinturas espanholas foi mostrada na Galeria Espanhola, criada por Luís Filipe, até ser vendida em Londres poucos anos depois. Não obstante, a presença desta coleção na França, que pouco conhecia da arte espanhola, foi uma influência decisiva sobre artistas como Corot e Manet.[6]

Com o desenvolvimento da arqueologia e novas escavações e aquisições no Oriente, uma quantidade de relíquias da antiguidade foi transportada para o museu, dando origem à fundação no Louvre do primeiro museu de assiriologia da Europa, inaugurado em 1847. Este foi seguido em breve pela criação do Museu Mexicano, do Museu Etnográfico e do Museu da Argélia, atendendo ao gosto pelo exótico que se tornava uma voga na época, e ao crescente interesse dos estudiosos pelas artes tradicionais de outros povos, sendo instalados no Pavilhão de Beauvais. Também nesta época se acrescentaram três novas grandes galerias ricamente decoradas.[6]

Sob Napoleão III, foi aberto o Museu dos Soberanos na Colunata de Perrault, dedicado a exibir as relíquias da monarquia francesa desde Quilderico I até Napoleão, constituindo um acréscimo importantíssimo ao Departamento de Artes Decorativas. Também foi terminada a ala norte, ligando o Louvre e o Palácio das Tulherias, incluindo outras alas menores internas e pátios, conformando o Cour Napoleon, finalizado em 1857, com decoração acabada em 1861. Outro acréscimo importante foi a aquisição da coleção do Marquês de Campana, com mais de 11 mil peças de pintura, artes decorativas, esculturas e antiguidades, formando o Museu Napoleão III. Durante a Comuna de Paris, o Palácio das Tulherias, um grande símbolo da monarquia, foi incendiado, e o fogo chegou a ameaçar o Louvre.[6]

Depois de longa hesitação entre a reconstrução do palácio perdido ou sua demolição, decidiu-se por esta, marcando o início do Louvre moderno. Foram reconstruídas as extremidades do antigo Palácio das Tulherias, hoje os Pavilhões de Flora e Marsan, e duplicou-se a ala norte. Escavações no Oriente trouxeram novas peças para o Departamento de Antiguidades do Oriente Próximo recentemente criado, sendo apresentadas ao público em 1888 em salas novas.[6]

Século XX[editar | editar código-fonte]

Generalfeldmarschall Gerd von Rundstedt observa um modelo de gesso da Vênus de Milo,[11] enquanto visita o Louvre com o curador Alfred Merlin em 7 de outubro de 1940

O início do século XX viu nascer o Museu de Artes Decorativas, criado em função das Exposições Universais de Paris. Na sequência, uma grande doação da Baronesa Delort de Gléon, e mais a reunião de outras peças similares anteriormente dispersas nas seções de artes decorativas, levou em 1922 à abertura de uma galeria exclusivamente para Arte Islâmica no Pavilhão do Relógio, e logo o diretor dos Museus Nacionais, Henri Verne, lançou um plano ambicioso de expandir os espaços disponíveis para arte no palácio, que até então abrigava também diversos escritórios da administração pública. Assim, foram reorganizadas várias galerias para escultura antiga, escultura europeia, pinturas, arte egípcia e do Oriente Próximo, e artes decorativas.[6]

Com a eclosão da Segunda Guerra Mundial, as coleções foram evacuadas, com exceção das peças mais pesadas, que permaneceram protegidas por sacos de areia. O acervo foi inicialmente depositado no Castelo de Chambord e, a seguir, foi disperso entre vários locais, permanecendo constantemente em mudança, por medidas de segurança. Mesmo esvaziado, o museu reabriu ao público em 1940 com uma coleção de cópias em gesso de estátuas célebres. Em 1943, com a coleção ampliada, o Museu da Marinha foi transferido para o Palácio de Chaillot.[6]

Depois da guerra, se iniciou um plano para reorganização geral de todas as coleções estatais de arte. A coleção de arte asiática do Louvre foi designada para o Museu Guimet, e foi incorporado o pavilhão do Jeu de Paume como Museu do Impressionismo. Com a saída do Ministério das Finanças do Pavilhão de Flora em 1961, tornou-se livre um grande espaço adicional, possibilitando a melhor acomodação de seções de pintura, desenhos e do Departamento de Escultura, instalando-se também laboratórios de restauro e oficinas. Os espaços liberados foram inaugurados oficialmente em 1968 com uma exposição de arte gótica da Europa.[6]

A década de 1970 foi marcada pela crescente necessidade de adequar os espaços de exposição aos novos conceitos museológicos e de se oferecer melhores instalações para os visitantes. Destarte, em 1981, o presidente François Mitterrand lançou o projeto do Grande Louvre, para devotar o palácio do Louvre em sua inteireza às artes. Como consequência, os escritórios do Ministério das Finanças que ainda permaneciam na Ala Richelieu foram deslocados para outros edifícios e finalmente o Louvre pôde dispor de todos os seus espaços. Foram iniciadas grandes renovações em todo o museu, cujo coroamento visível é a Grande Pirâmide que ora serve de entrada principal. A reestruturação do acervo, mais coleções do Museu Nacional de Arte Moderna, deram origem ao Museu d'Orsay.[6]

Enquanto isso, as reformas continuavam no complexo principal em torno do Cour Carré, com a reforma da Ala Richelieu, a inauguração da Ala Sackler para antiguidades do Oriente Próximo e a abertura de grandes espaços novos para as antiguidades egípcias. Em 1996, foi anunciada a criação de um museu para a arte étnica, inaugurado em 2000 no Pavillon des Sessions com cerca de 100 peças representativas de suas culturas, e continua em curso a reacomodação de todo o Departamento de Arte Islâmica.[6]

Pirâmides[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Pirâmide do Louvre

O Palácio do Louvre é uma estrutura quase retangular, composto pela praça do Cour Carrée e duas alas que envolvem o Cour Napoléon a norte e ao sul. No coração do complexo, está a Pirâmide do Louvre, acima do centro dos visitantes. O museu é dividido em três alas: a Ala Sully a leste, que contém a Cour Carrée e as partes mais antigas do Louvre, a Ala Richelieu ao norte, e a Ala Denon, que faz fronteira com o Rio Sena para o sul.[12]

Em 1983, o presidente francês François Mitterrand propôs um plano o Grand Louvre a fim de renovar o prédio e transferir o Ministério da Fazenda, permitindo que se exibisse todo o edifício. O Arquiteto I. M. Pei foi premiado com o projeto e propôs uma pirâmide de vidro para o pátio central.[13] A pirâmide e seu átrio subterrâneo, foram inaugurados em 15 de outubro de 1988. A segunda fase do plano do Grand Louvre, La Pyramide Inversée (A Pirâmide invertida), foi concluída em 1993. A partir de 2002, o atendimento dobrou desde a sua conclusão.[14]

Em 2004, o Louvre iniciou um programa de expansão extramuros, a fim de aliviar o excesso de obras depositadas no complexo principal, abrindo, então, alguns museus-satélite. Um museu ficará em Lens, para onde está prevista a instalação de cerca de 600 obras.

O Louvre Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, inaugurado em 2017 em troca de 1,1 bilhão de dólares americanos, receberá de 200 a 300 obras de arte do Louvre e de outros museus franceses em caráter rotativo.[15]

A Pirâmide do Louvre, inaugurada em 1989.

As coleções[editar | editar código-fonte]

O acervo do Museu do Louvre possui mais de 380 mil itens e mantém em exibição permanente mais de 35 mil obras de arte, distribuídas em oito departamentos. A seção de pintura é a segunda maior do mundo, logo atrás da do Museu Hermitage, com quase 12 mil peças, sendo que delas 6 mil estão em exposição permanente.[16]

Antiguidades egípcias[editar | editar código-fonte]

Esfinge exibida na coleção do museu

Com mais de 50 mil objetos, que atestam o profundo interesse francês na área da egiptologia no século XIX, abrange os períodos desde o Antigo Egito até a arte copta, incluindo os períodos helenístico, romano e bizantino, e seu conjunto oferece uma ampla visão da cultura e sociedade egípcias em todos os seus aspectos. Este departamento foi criado em 1826 por decreto de Carlos X, impressionado pela atuação do egiptólogo Jean-François Champollion. O acervo cresceu com as remessas de achados arqueológicos das expedições francesas ao Egito.

Instalado na Ala Denon e em salas do Cour Carré, a coleção inclui arte, papiros, múmias, amuletos, vestuário, joalheria, instrumentos musicais, jogos e armas. Dentre as peças mais interessantes estão o famoso Escriba sentado, uma faca de pedra e marfim de Gebel-el Arak com punho decorado com cenas de guerra e de caça, a Estela do Rei Serpente, a cabeça do rei Djedefre, a estátua de Amenemhatankh, o Portador de oferendas, o busto de Aquenáton, e a estátua da deusa Hator, além de sarcófagos ricamente pintados, frascos para cosméticos e objetos votivos.

Antiguidades do Oriente Próximo[editar | editar código-fonte]

Este departamento se concentra na história e arte do Oriente Próximo desde as primeiras civilizações até antes da presença muçulmana na região, e seu desenvolvimento acompanhou o desenvolvimento da arqueologia oriental na França. As primeiras aquisições ocorreram por obra de Paul-Émile Botta, que em 1843 realizou uma expedição a Chorsabad, e seus achados deram origem ao Museu Assírio do Louvre. O conjunto foi ampliado com as peças encontradas por Claude Schaeffer em Ras-Shamra e por André Parrot em Mari, na Síria. A coleção é particularmente notável pelas peças da Suméria e da cidade de Acádia, como a Estela dos Abutres, as estátuas de Gudea e de Ebih-Il, touros alados de Chorsabad, capitéis tauromorfos e painéis de azulejos esmaltados de Susa, e o Código de Hamurabi.

Arte grega, romana e etrusca[editar | editar código-fonte]

Sua coleção inclui peças de toda a região do Mediterrâneo desde o Neolítico até o Helenismo, passando pela Civilização Cicládica e a cultura cipriota. O conjunto começou a ser formado no tempo de Francisco I, e neste início se concentrava em esculturas. Mais tarde passou a receber vasos, cerâmicas, marfins, afrescos, mosaicos, vidros e bronzes de várias procedências. Pontos altos deste vasto departamento são a Dama de Auxerre, a Vitória de Samotrácia, a Vênus de Milo, os retratos de Agripa, Marco Cláudio Marcelo e Marco Aurélio, o Gladiador Borghese, o Apolo de Piombino, a Diana de Versalhes, o Hermes amarrando as sandálias, e o vaso Hércules e Anteu, de Eufrônio.

Arte islâmica[editar | editar código-fonte]

Vitral francês, do século XIII, representando São Brás

É o departamento mais recente do museu, mas sua coleção de mais de 6 mil itens cobre 13 séculos de história da arte islâmica da Europa, Ásia e África, entre vidros, metais, madeiras, tapetes, cerâmicas e miniaturas. Das suas peças, se destacam como principais: a Píxide de al-Mughira, uma caixa de marfim da Andaluzia; o Batistério de São Luís, uma bacia de metal do período mameluco; fragmentos do Épica dos Reis, um poema épico de Ferdusi escrito em persa, e o Vaso Barberini, um vaso de metal da Síria.

Artes decorativas[editar | editar código-fonte]

Este departamento cobre desde a Idade Média até meados do século XIX, tendo sido criado como uma subseção do Departamento de Esculturas, e incorporando obras confiscadas na Revolução Francesa e outras oriundas da Basílica de Saint-Denis, o mausoléu da monarquia francesa. O departamento recebeu grandes acréscimos com a aquisição das coleções Durand, Revoil, Sauvageot e Campana.

As peças são exibidas no primeiro pavimento da Ala Richelieu e na Galeria de Apolo. Dentre seus itens mais preciosos estão a coroa de Luís XV, o cetro de Carlos V, o bronze Nesso e Djanira de Giambologna, o Vaso Suger, a tapeçaria A caça de Maximiliano, a coleção de vasos de Sèvres da Madame de Pompadour e a decoração dos apartamentos de Napoleão III.

Pintura[editar | editar código-fonte]

Sua grande coleção de pinturas enfatiza a arte francesa, que compõe cerca de dois terços do total, mas as seções de pintura do norte da Europa e da Itália são extremamente significativas. O conjunto começou a ser reunido por Francisco I, ainda no tempo em que o Louvre era uma fortaleza, com a aquisição de obras-primas de Rafael Sanzio e Michelangelo, além de ter atraído Leonardo da Vinci para sua corte.

A reorganização das coleções do museu na década de 1980 dividiu o conjunto de pinturas, e as peças produzidas após 1848 foram transferidas para o Museu d'Orsay. O restante permanece exposto na Ala Richelieu, no Cour Carré e na Ala Denon.

Da seção de pintura francesa, são especialmente notáveis: a Pietá de Avignon, de Enguerrand Quarton; o Retrato do Rei João, o Bom, de Jean Fouquet; o Retrato de Luís XIV de Hyacinthe Rigaud; a Coroação de Napoleão e O Juramento dos Horácios, de Jacques-Louis David; a Grande banhista, de Ingres; e A Liberdade guiando o Povo, de Eugene Delacroix. Outros autores de nomeada presentes nesta seção são: Nicolas Poussin, com grande número de peças em cinco salas exclusivas para sua produção; Georges de La Tour; Charles Le Brun; François Boucher; Antoine Watteau; Jean-Honoré Fragonard; Jean-Baptiste Chardin; Jean-Baptiste Greuze; Horace Vernet; Camille Corot; Jean-François Millet; e Antoine-Jean Gros.

Do norte da Europa, há um grande conjunto, e são célebres: O astrônomo e A rendeira, de Vermeer; a Nau dos Insensatos, de Hieronymus Bosch; a Virgem do Chanceler Rolin, de Jan van Eyck; A Ceia de Emaús e o Autorretrato, de Rembrandt; o grande ciclo de pinturas sobre Maria de Médici, de Rubens; além de peças de Rogier van der Weyden, Frans Post, Hans Holbein, o Jovem, Albrecht Dürer, Hans Memling, Antoon van Dyck, Quentin Massys, Pieter Brueghel o velho, Gérard David, Petrus Christus, Lucas van Leyden, Frans Hals, Meindert Hobbema e Gerard ter Borch.

Na pintura italiana, se destacam: o Calvário, de Mantegna; As bodas de Caná, de Paolo Veronese; a Mona Lisa e a Virgem das Rochas, de Da Vinci; a Morte da Virgem, de Caravaggio; e composições de Sandro Botticelli, Giambattista Pittoni, (Bacchus et Ariane, La Continence de Scipion, Le Christ donnant les clefs du Paradis à saint Pierre, Mars et Vénus, Polyxène devant le tombeau d'Achille, Suzanne et les vieillards, Tombeau allégorique de l'archevêque John Tillotson), Canaletto, Giambattista Tiepolo, Giovanni Bellini, Ticiano, Giotto, Paolo Uccello, Domenico Ghirlandaio, Bernardino Luini, Fra Angelico, Lorenzo Lotto, Alesso Baldovinetti, Benozzo Gozzoli, Cimabue, Pietro Perugino, Vittore Carpaccio, Jacopo Pontormo e Guido Reni. A pequena seção de pintura espanhola, embora menos importante, possui obras expressivas de El Greco, Velásquez, Ribera e Zurbarán.

Gravuras e desenhos[editar | editar código-fonte]

A origem deste grande departamento, com mais de 100 mil peças, está nas coleções reais. Foi sendo aumentado com aquisições e doações, e foi primeiro aberto ao público em 1797. Hoje, está organizado nas seguintes seções: o antigo Cabinet du Roi (Gabinete do Rei) e seus acréscimos posteriores; as gravuras em metal; e a grande doação de Edmond de Rothschild, com mais de 40 mil obras, hoje exibidas no Pavilhão de Flora. Em virtude da sensibilidade do papel à luz, apenas uma pequena parte desta coleção se encontra em exposição, e as peças são constantemente substituídas, mas consultas podem ser efetuadas mediante agendamento. Alguns autores importantes com obras em desenho ou gravura são Antoine-Louis Barye, Dürer, Leonardo da Vinci, Rembrandt, Jacques-Louis David, Jean-Baptiste Chardin, Claude Gellée, Fragonard, Ingres, Delacroix e Charles Le Brun.

Esculturas[editar | editar código-fonte]

Visitantes observando a Vitória de Samotrácia

Concentrado nas peças de escultura criadas antes de 1850 que não se enquadram no departamento de antiguidades etruscas, gregas e romanas. Desde o início, o Palácio do Louvre foi um depósito de obras escultóricas, mas a sistematização de suas peças só aconteceu depois de 1824. Seu acervo primitivo era, na verdade, reduzido a cerca de 100 peças, por causa da mudança da corte para Versalhes, e assim permaneceu até 1847, quando Léon Laborde assumiu o controle do departamento, ampliando a seção de arte medieval, mas nesta época as obras ainda faziam parte do Departamento de Antiguidades. Somente na administração de Louis Courajod, a partir de 1871, a representação de esculturas cresceu, especialmente em peças francesas. Com a criação do Museu d'Orsay, parte do acervo recolhido até então foi transferida para lá, permanecendo, no Louvre, as criadas antes de 1850. Atualmente, as peças francesas estão expostas na Ala Richelieu, e as estrangeiras na Ala Denon.

O conjunto de escultura da França oferece um painel amplo e farto desta modalidade de arte desde a Idade Média até meados do século XIX, com uma grande seção de retratos e bustos oficiais. A Idade Média é ricamente ilustrada com fragmentos de arquitetura e estatuária sacra, em grande parte anônima, e onde a Tumba de Philippe Pot, o par representando Carlos V e Joana de Bourbon, a Tumba de Philippe de Chabot, a Fonte de Diana, e o magnífico conjunto de Madonnas góticas são pontos altos.

Dos autores mais recentes e ilustres cujos nomes se conhecem, se contam Jean Goujon, Simon Guillain, Jean-Louis Lemoyne, Germain Pilon, Antoine Coysevox, Guillaume Coustou, Nicolas Coustou, Étienne Maurice Falconet, Louis Petitot, Philippe-Laurent Roland, Pierre-Nicolas Beauvallet, Edmé Bouchardon, Jean Antoine Houdon, Augustin Pajou, Jean-Jacques Pradier, Jean-Baptiste Pigalle e François Rude. Dentre os estrangeiros, são, figuras principais, Gregor Erhart, Antonio Canova, Giambologna, Adriaen de Vries, Francesco Laurana, Andrea e Giovanni della Robbia, Lorenzo Bartolini e Michelangelo.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «8,1 millions de visiteurs au Louvre en 2017» (em francês). Louvre. 8 de janeiro de 2018 
  2. Museu do Louvre, ed. (18 de setembro de 2014). «"Pyramid" Project Launch» (PDF). Consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  3. «Louvre Museum». Inexhibit. Consultado em 15 de outubro de 2016. 
  4. «Louvre Website- Chateau to Museum, 1672 and 1692». Louvre.fr. Consultado em 21 de agosto de 2011.. Arquivado do original em 15 de junho de 2011 
  5. «Louvre Website- Chateau to Museum 1692». Louvre.fr. Consultado em 21 de agosto de 2011.. Arquivado do original em 15 de junho de 2011 
  6. a b c d e f g h i j k l Museu do Louvre (ed.). «History of the Louvre». Consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  7. a b c Nora, p. 278
  8. Carbonell, p. 56
  9. Oliver, p. 35
  10. Mignot, p. 52
  11. LIFE (4 November 1940), p. 39.
  12. Mignot, p. 13
  13. Mignot, p. 66
  14. «BW Online». Business Week Online. 17 de junho de 2002. Consultado em 25 de setembro de 2008. 
  15. «Louvre abre filial em Abu Dhabi». 8 de novembro de 2017. Consultado em 23 de fevereiro de 2018. 
  16. «Egyptian Antiquities». 35,000 works of art. Musée du Louvre. Consultado em 27 de setembro de 2008. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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