Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos

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Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos
Tipo museu
Inauguração 2013 (8 anos)
Website oficial
Geografia
Coordenadas 19° 56' 32.003" S 43° 57' 41.915" O
Localização Belo Horizonte
País Brasil

O Museu dos Quilombos e Favelas Urbanos, abreviado de Muquifu, é um museu localizado no Aglomerado de Santa Lúcia, na região Sul de Belo Horizonte, Minas Gerais. O museu foi fundado em 2013 pelo Padre Mauro Luiz Silva e se tornou foco de estudos da Museologia social devido à sua abordagem de temas relacionados à raça e classes sociais.[1]

Origem[editar | editar código-fonte]

No início de 2000, o Padre Mauro Luiz Silva se tornou o novo responsável pela paróquia Nossa Senhora do Morro. No final do mesmo ano, o Morro do Papagaio foi tomado por policiais após o tenente Ruy Malta Rabello Júnior ter sido morto devido a disputas entre traficantes e a polícia.[2] O Morro permaneceu ocupado por catorze dias, durante os quais um homem inocente foi morto por possuir nome semelhante ao do suspeito.[3] Este incidente levou o padre a criar a Comissão da Paz, com o intuito de trazer mais segurança para os moradores da região, o que resultou no evento "O Quilombo do Papagaio – Três Semanas de Paz e Cidadania", realizado anualmente entre novembro e dezembro.[2]

Em dezembro de 2012, em resposta à demanda pela preservação da história e memória por parte dos moradores da região, foi anunciado o Memorial do Quilombo do Papagaio, o qual foi realizado pelo Padre Mauro, membros da paróquia e membros da Juventude Unida da Barragem. No mesmo ano, Silva estava concluindo um curso pela Universidade de Pádua, e seu trabalho de conclusão tratava sobre a criação de um museu sobre a situação nas favelas.[4]

Após um ano de existência, o projeto foi transformado no Muquifu, permanecendo em um anexo junto à Igreja Maria Estrela do Amanhã.[5]

Exposições[editar | editar código-fonte]

Em maio de 2015, foi apresentado um "Mapa Gastronômico do Morro do Papagaio", com pratos típicos de restaurantes do Aglomerado Santa Lúcia. O projeto fez parte da Semana Nacional de Museus e foi idealizado por duas moradoras da região.[6]

Em agosto de 2019, o Muquifu realizou uma exposição fotográfica chamada "Comunicação na Quebrada". A mostra foi realizada pela Associação Imagem Comunitária e consiste na exposição de fotos produzidas por jovens moradores do Morro do Papagaio. Foram exibidos também três documentários sobre racismo e preconceito.[7]

Em setembro de 2019, o museu lançou o seu primeiro catálogo, Habemus Muquifu, com obras do acervo de 2012.[8]

Referências

  1. Prates, Lucas. «Museu vivo: Espaço no Aglomerado Santa Lúcia se destaca pela aproximação com a comunidade». HOME. Consultado em 8 de junho de 2020 
  2. a b Freitas, Kelly Amaral de. As forças culturais do Museu de Quilombos e Favelas Urbanos e o poder ressonância nos objetos biográficos. 2016. Dissertação (Mestrado em Educação) – Faculdade de Educação, UEMG. 2016. 183 f.
  3. Pereira, Thiago (25 de outubro de 2013). «Outra ideia de alta cultura». O Tempo. Consultado em 8 de junho de 2020 
  4. Tomasella, Giuliana (2019). «Periferie sociali e memorie in estinzione: un esperimento museografico a Belo Horizonte». In: Castiglioni, Benedetta; Zaggia, Stefano. Monastero e territorio: periferie dello spirito e dello spazio. Itália: Padova University Press. pp. 113–126 
  5. Rocha, Rafael (31 de maio de 2019). «Museu situado na periferia da capital se destaca em pesquisa nacional». O Tempo. Consultado em 8 de junho de 2020 
  6. Alvarenga, Lucas (24 de maio de 2015). «Sabores do Morro do Papagaio são mapeados em exposição». O Tempo. Consultado em 8 de junho de 2020 
  7. «Fotos produzidas por jovens do Morro do Papagaio estão expostas em Museu de BH». G1. Consultado em 8 de junho de 2020 
  8. «Museu lança catálogo com exposições que contam histórias de favelas e quilombos urbanos em Belo Horizonte». G1. Consultado em 8 de junho de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]