N/T Santa Maria

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Santa Maria
Carreira   Bandeira da marinha que serviu
Data de encomenda Abril 1951
Construção Société Anonyme John Cockerill (Bélgica)
Batimento de quilha 2 de Junho de 1951
Lançamento 1953
Patrono Santa Maria de Belém
Porto de registo Lisboa
Número de registo H 421
Indicativo de chamada CSAL
Armador(es) Companhia Colonial de Navegação
Período de serviço 1953 - 1973
Estado Abatido
Características gerais
Tipo de navio Navio a turbinas de passageiros
Arqueação 21 356 t (bruta)
12 398 t (líquida)
Deslocamento 21 750 t
Comprimento 185,6 m
Boca 23,09 m
Calado 8,41 m
Propulsão 2 grupos de turbinas com 25 500 cv
2 hélices
Velocidade 22 nós
Tripulação 293
Passageiros 1182

O N/T Santa Maria foi um paquete português. Pertenceu à Companhia Colonial de Navegação (CCN), a quem serviu entre 1953 e 1973.

História[editar | editar código-fonte]

Foi construído nos estaleiros da Société Anonyme John Cockerill, na Bélgica, entre 1952 e 1953. A sua encomenda inseriu-se dentro do Plano de Renovação da Marinha de Comércio - conhecido por Despacho 100 - implementado por Américo Tomás, então ministro da Marinha de Portugal, a partir de 1946. Ao abrigo desse plano, foram construídos 56 novos navios para a marinha mercante portuguesa - entre os quais vários grandes paquetes como o "N/T Santa Maria" - que ficaram conhecidos como "navios do Despacho 100".

O seu projeto era similar ao do "N/T Vera Cruz", também pertencente à CCN, e que entrara ao serviço em 1951.

Lançado ao mar, a sua viagem inaugural decorreu em novembro de 1953, ligando Portugal ao Brasil, Uruguai e Argentina, levando a bordo o ministro Américo Tomás.

Durante a sua carreira foi empregue na ligação entre Portugal e as Américas (do Norte, Central e do Sul). Foi o único paquete português com ligações regulares a portos dos Estados Unidos da América.

O "Santa Maria" ficou célebre pelo seu sequestro, de 21 para 22 de janeiro de 1961, por um grupo de 23 exilados políticos portugueses e espanhóis - integrantes da Direção Revolucionária Ibérica de Libertação (DRIL) -, que então faziam oposição política aos governos ditatoriais de António de Oliveira Salazar e de Francisco Franco, sob o comando do capitão Henrique Galvão e de Jorge de Soutomayor, desencadeando a chamada "Operação Dulcineia". O paquete foi então chamado de "Santa Liberdade".[1] Durante a ação foi assassinado[2] o 3.º piloto, o oficial João José Nascimento Costa. A embarcação acabou por fundear no porto do Recife, no Brasil, em 2 de fevereiro seguinte. O episódio constitui-se no primeiro sequestro político de um transatlântico na história contemporânea.

Em 1973, apesar de ainda relativamente novo, foi vendido para ser desmantelado na República da China.

Referências

  1. O assalto ao ‘Santa Maria’ inː http://antt.dglab.gov.pt/exposicoes-virtuais-2/o-assalto-ao-santa-maria/ Consultado em 16 mai 2017.
  2. O assalto ao ‘Santa Maria’, eficaz golpe publicitário. Inː Diário de Notícias, 13 set 2014. Disponível emː http://150anos.dn.pt/2014/09/13/o-assalto-ao-santa-maria-eficaz-golpe-publicitario/ Consultado em 16 mai 2017.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • GALVÃO, Henrique. Santa Maria. My crusade for Portugal. London: Weidenfeld & Nicolson, 1961.
  • ZEIGER, Henry A. The seizing of the Santa Maria. New York: Popular Library, 1961.
  • SOUTOMAIOR, Jorge: Eu roubei o Santa Maria. Relato de uma aventura real, Vigo: Galaxia, 1999, ISBN 84-8288-271-6

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]