NRP Augusto de Castilho (1915)

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Disambig grey.svg Nota: Se procura a unidade homónima da Marinha de Guerra Portuguesa, veja Classe João Coutinho.

NRP Augusto de Castilho
Carreira   Bandeira da marinha que serviu Bandeira da marinha que serviu
Construção Cochrane & Sons Shipbuilders, Selby (Inglaterra)
Lançamento 1909
Patrono Augusto Vidal de Castilho Barreto e Noronha
Período de serviço 1909 - 1916 (serviço civil)
1916 - 1918 (serviço militar)
Fatalidade 14 de outubro de 1918
Estado Afundado em combate
Características gerais
Deslocamento 801 t
Comprimento 48,76 m
Propulsão Máquina alternativa a vapor de 704 hp
Velocidade 9 nós
Tripulação 42

O NRP Augusto de Castilho foi um navio de guerra ao serviço da Marinha de Guerra Portuguesa durante a Primeira Guerra Mundial. Apesar de ser, frequentemente, referido como caça-minas, o Augusto Castilho era, na realidade, um patrulha de alto mar.[1] Foi afundado em combate, originando as últimas baixas portuguesas naquele conflito.

De observar que, em 1970, a Marinha Portuguesa voltou a utilizar a designação Augusto de Castilho para baptizar uma corveta da classe João Coutinho.

História[editar | editar código-fonte]

Originalmente a embarcação era o arrastão de pesca Elite, pertencente à empresa Parceria Geral de Pescarias Lda.. Lançado em 1909, foi o primeiro arrastão português para a pesca do bacalhau.[2]

A 13 de junho de 1916, devido à Primeira Guerra Mundial, o Elite foi requisitado pela Marinha Portuguesa para ser usado em missões de patrulha e escolta oceânica. Sendo classificado como navio-patrulha de alto mar, o navio recebeu uma peça de artilharia de 65 mm à vante e outra, de 47 mm à ré. O navio foi rebatizado em homenagem ao almirante Augusto Vidal de Castilho Barreto e Noronha.

Antes do combate que lhe provocou o afundamento, o Augusto Castilho já, por duas vezes tinha enfrentado submarinos inimigos. A 23 de março de 1918, sob o comando do primeiro-tenente Augusto de Almeida Teixeira, escoltando o vapor Loanda entre Lisboa e o Funchal, atacou a tiro um submarino inimigo que, imediatamente, mergulhou.[3] A 21 de agosto de 1918, sob o comando do primeiro-tenente Fernando de Oliveira Pinto, ao largo do cabo Raso, bombardeou um submarino inimigo de grandes dimensões que rapidamente desapareceu.

No final da guerra, recebeu como comandante o primeiro-tenente Carvalho Araújo, zarpando de Lisboa na tarde do dia 8 de outubro de 1918, com a missão de escoltar o vapor N/T Beira, em viagem para a Ilha da Madeira, onde chegaram a 11 do mesmo mês. O navio ficou em quarentena ao largo do "Lazareto", no Funchal, dado que em Lisboa grassava uma epidemia de pneumonia. Ali recebeu a missão de escoltar o vapor N/T S. Miguel, da Empresa Insulana de Navegação, de partida para Ponta Delgada, nos Açores, com 206 passageiros a bordo.

Afundamento[editar | editar código-fonte]

Tendo zarpado ao pôr do sol do dia 13 de outubro, na velocidade de cruzeiro de 9 nós, às 06h15 do dia 14 ouviu-se o primeiro tiro contra o vapor N/T S. Miguel, pelo U-Boot alemão U-139, sob o comando de Lothar von Arnauld de la Perière.[4] Para protegê-lo, esgotadas as caixas de fumo que lançara para despistar o inimigo, o Augusto de Castilho avançou diretamente sobre o submarino alemão, passando a receber o fogo inimigo e dando tempo ao vapor para se distanciar. Após duas horas de combate, com vítimas fatais no convés, a artilharia danificada, a munição quase esgotada e tendo perdido a telegrafia e as máquinas, o navio imóvel, rendeu-se. Um último tiro do submarino, entretanto, vitimou fatalmente o comandante Carvalho Araújo.[2]

Dada a ordem de abandonar o navio pelo imediato, o guarda-marinha Armando Ferraz, os sobreviventes conseguiram lançar ao mar um salva-vidas onde se comprimiram trinta e seis homens. Doze outros sobreviventes, em uma jangada improvisada, conseguiram autorização dos alemães para retornar a bordo e pegar um bote. O caça-minas foi então afundado pelos alemães, com o corpo do comandante coberto pela bandeira de Portugal e os dos demais auxiliares mortos em combate.

O salva-vidas conseguiu atingir, em quarenta e oito horas, a ilha de Santa Maria, com trinta e cinco sobreviventes: um dos feridos não resistiu, tendo o seu corpo sido lançado ao mar. O bote com os demais náufragos alcançou a ponta do Arnel, na ilha de São Miguel, a 20 de outubro.

Em 1920 foi publicado o relatório do comandante alemão, onde se tecem largos elogios à coragem de Carvalho Araújo, facto que, aparentemente, permitiu ao Parlamento Português conceder à viúva significativa pensão.[5]

Referências

  1. INSO, Jaime do (Cte.). Marinharia Portuguesa na Grande Guerra; MONTEIRO, Saturnino (Cte.). Batalhas e Combates da Marinha Portuguesa.
  2. a b «Marinha de Guerra Portuguesa em 1918, ,O Escolta "NRP Augusto de Castilho"». Momentos de História. Consultado em 12 de janeiro de 2014 
  3. A Capital de 4 de Abril de 1918
  4. Guðmundur Helgason. «Ships hit during WWI, Augusto De Castilho» (em inglês). uboat.net. Consultado em 12 de janeiro de 2014 
  5. SIMÕES, Luís J. in "Duzentas Milhas a Remos", 1920. apud Naufrágios, Viagens e Batalhas. Lisboa: Imprensa Nacional / Casa da Moeda, 1980 (Biblioteca de Autores Portugueses).

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • BENTO, Carlos Melo. História dos Açores (vol. III). Ponta Delgada (Açores): Câmara Municipal de Ponta Delgada, 2003. 196p. fotos p/b p. 83-86.
  • COSTA, Sousa. Páginas de Sangue: Buiças, Costas e C.ª. (II vol.). Lisboa: Livraria Editora Guimarães & Companhia, s/d.
  • FERNANDES, Albino. Carvalho Araújo - herói sem mácula. Lisboa: (ed. do autor), 1961. 254p.
  • RAPOSO, A. da Cunha. Mandado para a Morte? in: Os Grandes Enigmas da Primeira Guerra Mundial (v. 3). Lisboa: Amigos do Livro, s.d. (Colecção "Os Grande Enigmas Históricos do Nosso Tempo). p. 11-65.
  • SIMÕES, Luis José (Ten.). 200 milhas a remos. Lisboa: s.e., 1920. 79p.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]