Nacional-liberalismo

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Nacionalismo liberal
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O Nacional-liberalismo é um movimento político que emergiu da filosofia continental após a Revolução Francesa.[1] O liberalismo nacional também é uma variante do liberalismo, combinando políticas e questões liberais com elementos do nacionalismo[2][3] e/ou um termo usado para descrever uma série de partidos políticos europeus que foram especialmente ativos no século XIX em vários contextos nacionais, como a Europa Central, os países nórdicos e o sudeste da Europa. O nacionalismo liberal também prevê a integração regional.[4]

Definição[editar | editar código-fonte]

Liberalismo nacional, cujos objetivos eram a busca da liberdade individual / econômica e da soberania nacional,[5] refere-se principalmente a uma ideologia e um movimento do século 19,[6] mas os partidos nacional-liberais existem também no século XXI.[7][8]

József Antall, um historiador e democrata cristão que serviu como o primeiro primeiro-ministro pós-comunista da Hungria, descreveu o liberalismo nacional como "parte e parcela do surgimento do Estado-nação" na Europa do século XIX.[9]

Segundo Oskar Mulej, "em termos de ideologias e de tradições partidárias, pode-se argumentar que, nas terras da Europa Central, um tipo distinto de liberalismo, peculiar a essa região, evoluiu ao longo do século XIX".[10] e citando Maciej Janowski, "a palavra 'nacional' agia como mais ou menos sinônimo de 'liberal'" ("apenas" o termo nacional era suficiente para despertar suspeitas de associações com liberais").[11] Ainda de acordo com Mulej, no sudeste da Europa, os "liberais nacionais" também desempenhavam papéis visíveis, se não centrais, mas com características diferentes, específicas da região, o que os distingue consideravelmente de suas contrapartes centro-européias".[10][12]

Em seu livro Up From Conservatism, Michael Lind define "liberalismo nacional" de uma forma que The Progressive descreve como o uso do termo "Centro Vital" pelo historiador Arthur M. Schlesinger Jr.[13] O próprio Lind define "liberalismo nacional" como unindo "conservadorismo social moderado com liberalismo econômico moderado.[14] Gordon Smith, um importante estudioso da política europeia comparada, entende o liberalismo nacional como um conceito político que perdeu popularidade quando o sucesso dos movimentos nacionalistas na criação de Estados-nação tornou desnecessário especificar que um ideal liberal, partido ou político era "nacional".[15]

Percussores[editar | editar código-fonte]

Espinoza é descrito como um liberal que criticava o cosmopolitismo do antigo testamento e suas influências da Vulgata.[16]

Alemanha[editar | editar código-fonte]

Havia liberais nacionalistas na Alemanha, apesar de quem ter guiado a unificação foi a elite proprietária de terras, perdendo membros para o SPD.[17][18][19][20]

Mais tarde o Martin Heidegger se declarou liberal também apesar do discurso dele não ser coerente com o liberalismo, inclusive criticando a globalização como alienação.[21] Os filósofos Kierkegaard, Nietzsche,[22] Ludwig Wittgenstein,[23] e Hegel[24] e Schopenhauer[25] também fizeram contribuições para o liberalismo alemão.[26]

Durante a República de Weimar, a PNL foi sucedida pelo Partido do Povo Alemão (DVP), cujo principal líder foi Gustav Stresemann, chanceler (1923) e ministro das Relações Exteriores (1923-1929). O DVP, ao qual se juntaram alguns elementos moderados do Partido Conservador Livre (FKP) e da União Económica (WV),[27] era geralmente pensado para representar os interesses dos grandes industriais alemães e foi classificado como um partido liberal nacional por vários observadores.[28][29][30] Sua plataforma enfatizava os valores da família cristã, educação secular, tarifas mais baixas, oposição a gastos sociais e subsídios agrários e hostilidade ao "marxismo" (isto é, tanto o Partido Comunista quanto o Partido Social-Democrata). Após a morte de Stresemann, o DVP, cujas fileiras incluíam vários anti-republicanos, desviou-se bruscamente para a direita.[31]

O atual Partido Democrático Livre, que foi o sucessor conjunto do DVP e do Partido Democrata Alemão (DDP), originalmente socialista, apresentou esforços conservadores e parcialmente nacionalistas, que foram particularmente fortes em algumas associações estaduais até a década de 1950.[32] e mais ocasionalmente depois disso (um exemplo interessante é o de Jürgen Möllemann, líder do partido na Renânia do Norte-Vestfália em 1983-1994 e 1996-2002).[33] e ainda inclui uma facção nacional-liberal,[34] que mantém uma posição consistentemente eurocética, diferentemente do resto do partido.[35] Alguns elementos de direita, incluindo Sven Tritschler (ex-líder do Stresemann Club),[36] recentemente se juntaram à Alternativa para a Alemanha (AfD),[37] que alguns analistas consideram um partido nacional-liberal.[38][39][40]

Chéquia[editar | editar código-fonte]

A Chéquia possui um partido nacional-liberal, Partido Democrático Cívico (ODS) na República Tcheca.[41]

Eslováquia[editar | editar código-fonte]

O movimento liberal-libertário, nacionalista e eurocético Liberdade e solidariedade é a maior força de oposição do país desde as eleições de 2016.[42] e libertário[43][44][45]

Áustria[editar | editar código-fonte]

O nacional-liberalismo surgiu como um movimento pan-germânico na Áustria mas que foi destruúido pela derrota na guerra e a ascensão do nazismo que roubou o discurso de direita do partido.[10][46][47][48][48] Em 1949 refundam o partido liberal no país.[49][50][51][52][53][54]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Reinhart Koselleck. Crítica e Crise. Uma contribuição à patogênse do mundo burguês. Rio de Janeiro: EDUERJ, Contraponto, 1999.
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  • ISRAEL, Jonathan. A Revolução das Luzes. O Iluminismo radical e as origens intelectuais da Democracia moderna. São Paulo: EDIPRO, 2013.
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  • ROUSSEAU, Jean-Jacques. O Contrato Social. São Paulo: M. Fontes, 1996. Livro I

Referências

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  2. Luke Mastin (2008). «Liberalism - By Branch / Doctrine - The Basics of Philosophy». Philosophybasics.com. Consultado em 20 de julho de 2017 
  3. Pera, Marcello (2011). Why We Should Call Ourselves Christians: The Religious Roots of Free Societies (em inglês). [S.l.]: Encounter Books. ISBN 9781594035654. Consultado em 20 de julho de 2017 
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  5. Lothar Gall und Dieter Langewiesche - Liberalismus und Region, München 1995, pp. 4–10.
  6. Nilsson, Göran B. (2005). The Founder: André Oscar Wallenberg (1816-1886), Swedish Banker, Politician & Journalist (em inglês). [S.l.]: Almqvist & Wiksell International. p. 80. ISBN 9789122021025. Consultado em 20 de julho de 2017 
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  8. «EU vote: Where the cabinet and other MPs stand». 22 de junho de 2016 – via www.bbc.co.uk 
  9. Özsel, Doğancan (2011). Reflections on Conservatism. [S.l.]: Cambridge Scholars Publishing. p. 255. ISBN 1443833959. Consultado em 16 de maio de 2017 
  10. a b c Oskar Mulej. «NATIONAL LIBERALS AND THEIR PROGENY APPROACHING THE PECULIAR DEVELOPMENTS IN CENTRAL EUROPEAN LIBERAL PARTY TRADITIONS, 1867–1918» (PDF). rcin.org.pl. Acta Poloniae Historica 111, 2015 
  11. Maciej Janowski, ‘ Wavering Friendship : liberal and national ideas in nineteenth century East-Central Europe’, Ab Imperio , 3–4 (2000), 69–90, 80.
  12. Oskar Mulej (15 de maio de 2014). «National Liberal Heirs of the Old Austria: "Deviations" in Liberal Party Traditions, 1867-1918 | IWM». iwm.at. Institute for Human Sciences. Consultado em 20 de julho de 2017 
  13. Harvey, Kaye (outubro de 1966). «Wobbling around the center». The Progressive. Consultado em 16 de maio de 2017 
  14. Lind, Michael (2013). Up from Conservatism. [S.l.]: Simon and Schuster. p. 32. ISBN 1476761159. Consultado em 16 de maio de 2017 
  15. "Between Left and Right: The Ambivalence of European Liberalism," pp. 16–28, in Liberal Parties in Western Europe, Emil J. Kirchner, ed., Cambridge University Press, 1988, ISBN 0521323940.
  16. Mark S. Gignilliat, A Brief History of Old Testament Criticism: From Benedict Spinoza to Brevard Childs (Zondervan, 2012)
  17. Farmer, Alan (2017). My Revision Notes: Edexcel A-level History: Germany, 1871-1990: united, divided and reunited (em inglês). [S.l.]: Hodder Education. ISBN 9781471876653. Consultado em 20 de julho de 2017 
  18. Flynn, John F. (1988). «At the Threshold of Dissolution: The National Liberals and Bismarck 1877/1878». The Historical Journal. JSTOR 2639216 
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  20. «Germany - The Tariff Agreement of 1879». Countrystudies.us. Consultado em 20 de julho de 2017 
  21. Scheuerman, William (8 de dezembro de 2018). Zalta, Edward N., ed. The Stanford Encyclopedia of Philosophy. [S.l.]: Metaphysics Research Lab, Stanford University – via Stanford Encyclopedia of Philosophy 
  22. A obra dele apesar de ter sido mal interpretada como antissemita, atualmente é descrita como liberal a partir de sua época, vide: “Romanticism and War”: Contextualising a Theory of Interpretation
  23. Wittgenstein, Ludwig (1968), Philosophical Investigations, 260 pp. New York: Macmillan.
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