Nacionalismo liberal

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Nacionalismo liberal ou Cívico é um dos tipos de nacionalismo, formulado por filósofos políticos que defendem uma forma não-xenofóbica de nacionalismo, compatível com valores de liberdade, tolerância, igualdade e direitos individuais.[1] Ernest Renan[2] e John Stuart Mill[3][4]  são os fundadores do nacionalismo liberal.Nacionalistas liberais tipicamente defendem a importância de uma identidade nacional para que os indivíduos tenham uma vida significativa e autônoma,[5] e que democracias necessitam de identidade nacional para funcionar bem.[6]

História[editar | editar código-fonte]

Nacionalismo liberal é uma forma de nacionalismo, em que o estado deriva a legitimidade política a partir da participação ativa dos seus cidadãos (ver soberania popular), na medida em que ele representa a "vontade geral". Ele é muitas vezes visto como proveniente de Jean-Jacques Rousseau e, especialmente, o contrato social teorias que tomar o seu nome a partir de sua 1762 livro O Contrato Social.

Nacionalismo liberal encontra-se dentro das tradições do racionalismo e do liberalismo, mas como uma forma de nacionalismo é contrastado com o nacionalismo étnico. Pertencer a uma nação é considerada uma escolha voluntária, como na clássica definição de Ernest Renan em "Qu'est-ce qu'une nation?" da nação como um "plebiscito diário", caracterizado pela "vontade de viver juntos".[7] Os ideais do nacionalismo liberal influenciaram o desenvolvimento da democracia representativa em países como os Estados Unidos e a França (ver o Estados Unidos Declaração de Independência de 1776, e a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão de 1789).

Estados em que formas liberais de nacionalismo predominam são muitas vezes (mas não sempre) ex-colônias, como os Estados Unidos, Canadá, México, Brasil e Argentina, em que o nacionalismo étnico é difícil construir em conta a diversidade de etnias dentro do país. Uma exceção notável é a Índia, onde o nacionalismo liberal tem predominado devido à diversidade linguística, religiosa e étnica do país.  Países nacionalistas liberais são muitas vezes caracterizados pela adoção do jus soli (direito do solo), para a concessão de cidadania no país, considerando todas as pessoas que nascem dentro da integral do território do estado, cidadãos e membros da nação, independentemente de seu país de origem. Isso serve para vincular a identidade nacional não com pessoas, mas sim com o território e sua história, e a história de anteriores ocupantes do território alheio aos atuais ocupantes são, muitas vezes, de apropriação de mitos nacionais.

No Reino Unido, o Partido Nacional Escocês[8] e Plaid Cymru (O Partido do país de Gales), que defendem a separação do Reino Unido, proclamam-se partidos nacionalistas liberais[9] além do UKIP.[10]

O nacionalismo liberal Ucrânia após a União Soviética, tem prevalecido desde a Revolução Laranja.[11]

Em Flandres, Bélgica o Nova Aliança Flamenga é considerada uma defensora do nacionalismo liberal, enquanto que na Catalunha, uma região autônoma da Espanha, entidades como a Oic e a Esquerra Republicana de Catalunya são os dois maiores partidos nacionalistas liberais. Além disso, na Espanha, há o Eusko Alkartasuna que está se tornando cada vez mais liberal.

Fora da Europa, o nacionalismo liberal também tem sido utilizado para descrever o Partido Republicano da época da Guerra Civil Americana.[carece de fontes?]

Nacionalismo liberal contrasta com formas mais restritivas formas, como o nacionalismo étnico.[carece de fontes?]

Fernando Pessoa

Portugal[editar | editar código-fonte]

Em Portugal, um dos mais célebres nacionalistas liberais foi Fernando Pessoa. Em 1935, ele escreveu que:[12]

A essência do Nacionalismo Liberal encontra-se resumida nas seguintes frases: Tudo pelo Indivíduo, nada contra a Sociedade; tudo pela Humanidade, nada contra a Nação; tudo pela Igualdade, nada contra a Liberdade.

Tancredo Neves, 1983

Brasil[editar | editar código-fonte]

No Brasil, um dos mais célebres nacionalistas liberais foi Tancredo Neves, declarando no seu discurso de vitória de 1985:[13]

Ao mesmo tempo, fenômeno típico do desenvolvimento industrial e da expansão do capitalismo, surge nova realidade supranacional nas grandes corporações empresariais. Aparentemente desvinculadas de suas pátrias de origem, tais organizações servem, fundamentalmente, a seus interesses. Ao lado da ordem constitucional, que é tarefa prioritária, temos que cuidar da situação econômica. A inflação é a manifestação mais clara da desordem na economia nacional. Iremos enfrentá-la desde o primeiro dia. Não cairemos no erro, grosseiro, de recorrer à recessão como instrumento deflacionário. Ao contrário: vamos promover a retomada do crescimento, estimulando o risco empresarial e eliminando, gradativamente, as hipertrofias do egoísmo e da ganância. O ritmo de nossa ação saneadora dependerá unicamente da colaboração que nos prestarem os setores interessados. Contamos, para isso, com o patriotismo de todos. Retomar o crescimento é criar empregos. Toda a política econômica de meu Governo estará subordinada a esse dever social. Enquanto houver, neste País, um só homem sem trabalho, sem pão, sem teto e sem letras, toda a prosperidade será falsa. Cabe acentuar que o desenvolvimento social não pode ser considerado mera decorrência do desenvolvimento econômico. A Nação é essencialmente constituída pelas pessoas que a integram, de modo que cada vida humana vale muito mais do que a elevação de um índice estatístico. Preservá-la constitui, portanto, um dever que transcende a recomendação de caráter econômico, tão indeclinável quanto a defesa das nossas fronteiras. Nessas condições, temos de reconhecer e admitir, como objetivo básico da segurança nacional, a garantia de alimento, saúde, habitação, educação e transporte para todos os brasileiros. O bem-estar que pretendemos para a sociedade brasileira deve assentar-se sobre a livre iniciativa e a propriedade privada. Exatamente por isso adotaremos medidas que venham a democratizar o acesso à propriedade e à proteção das pequenas empresas. A defesa do regime de livre iniciativa não pode ser confundida, como muitos o fazem, com a proteção aos privilégios de forças econômicas e financeiras. Defender a livre iniciativa e a propriedade privada é defendê-las dos monopólios e do latifúndio.

Partidos nacionalistas liberais[editar | editar código-fonte]

  • Escócia: Scottish National Party
  • País de Gales: Plaid Cymru
  • Irlanda: Fianna Fáil and SDLP

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. Tamir, Yael (3 de julho de 1995). Liberal Nationalism (em inglês). [S.l.]: Princeton University Press. ISBN 1400820847 
  2. «What Is a Nation». Wikipedia (em inglês) 
  3. «Considerations on Representative Government». Wikipedia (em inglês). 19 de maio de 2017 
  4. «On Liberty». Wikipedia (em inglês). 5 de abril de 2018 
  5. Kymlicka, Will (1996). Multicultural Citizenship: A Liberal Theory of Minority Rights (em inglês). [S.l.]: Clarendon Press. ISBN 9780198290919 
  6. Miller, David (5 de outubro de 1995). On Nationality (em inglês). [S.l.]: Clarendon Press. ISBN 9780191521133 
  7. "Qu'est-ce qu'une nation?"
  8. Brubaker, Rogers; Brubaker, Professor of Sociology and UCLA Foundation Chair Rogers (2004). Ethnicity Without Groups (em inglês). [S.l.]: Harvard University Press. ISBN 9780674015395 
  9. EU vote: Where the cabinet and other MPs stand
  10. [https://www.libdemvoice.org/is-there-room-in-this-party-for-a-probrexit-liberal-53905.html Is there room in this party for a pro-Brexit liberal?]
  11. Rozin, Igor (24 de janeiro de 2014). «Radicais levam sistema ucraniano a impasse» 
  12. Barreto, José (30 de novembro de 2013). «José Barreto – O nacionalismo liberal de Fernando Pessoa» 
  13. daniel@loverde.com.br, Daniel Arantes Loverde -. «DISCURSO DE TANCREDO NEVES - 1985». www.historiadobrasil.net. Consultado em 28 de maio de 2018.