Narcolepsia

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Narcolepsia
A concentração de neuropeptídeos de orexina-A no líquido cefalorraquidiano das pessoas com narcolepsia é geralmente muito baixa
Especialidade neurologia
Sintomas Sonolência excessiva durante o dia de segundos a minutos, perda súbita de força muscular[1]
Complicações Acidentes de viação, quedas[1]
Início habitual Infância[1]
Duração Crónica[1]
Fatores de risco Antecedentes familiares[1]
Método de diagnóstico Baseado nos sinais e sintomas e estudos de sono[1]
Condições semelhantes Apneia do sono, depressão nervosa, anemia, insuficiência cardíaca, consumo de álcool, falta de sono[1]
Prevenção não existe
Tratamento Sestas curtas e regulares, higiene do sono[1]
Medicação Modafinil, oxibato de sódio, metilfenidato[1]
Prognóstico não curável
Classificação e recursos externos
CID-10 G47.419, G47.41
CID-9 347
OMIM 161400
DiseasesDB 8801
MedlinePlus 000802
eMedicine neuro/522
MeSH D009290
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Narcolepsia é uma perturbação neurológica crónica caracterizada pela diminuição da capacidade de regulação do ritmo de sono e de despertar.[1] O sintoma mais comum é sonolência excessiva durante o dia, que pode ocorrer a qualquer hora e geralmente dura de alguns segundos a alguns minutos.[1] Cerca de 70% das pessoas afetadas também manifesta episódios de cataplexia, uma perda súbita de força muscular.[1] Os sintomas podem ser espoletados por emoções intensas.[1] Ainda que de forma pouco comum, pode também ocorrer paralisia do sono ou alucinações ao adormecer ou acordar.[1] As pessoas com narcolepsia tendem a dormir aproximadamente o mesmo número de horas que as restantes pessoas, embora a qualidade do sono tenda a ser pior.[1]

Desconhece-se a causa exata da narcolepsia, existindo diversas potenciais causas.[1][2] Em cerca de 10% dos casos existem antecedentes familiares da condição.[1] Nas pessoas com a condição é frequente observar-se baixos níveis do neuropeptídeo orexina, o que pode ser devido a uma perturbação autoimune.[1] Eventuais traumas, infeções, toxinas ou stresse psicológico podem também estar implicados.[1] O diagnóstico geralmente baseia-se nos sinais e sintomas e em estudos de sono, depois de serem descartadas outras potenciais causas.[1] A sonolência excessiva durante o dia pode também ser causada por outras condições que perturbam o sono, como apneia do sono, depressão nervosa, anemia, insuficiência cardíaca, consumo de álcool e não dormir horas suficientes.[1] A cataplexia pode ser confundida com ataques epilépticos.[1]

Embora não exista cura, os sintomas podem ser atenuados mediante diversas alterações no estilo de vida e medicamentos[1], a saber:

  • Mudanças de estilo de vida . Nem todas as pessoas com narcolepsia podem consistentemente manter um estado de alerta totalmente normal usando medicamentos atualmente disponíveis. A terapia medicamentosa deve acompanhar várias mudanças no estilo de vida. As seguintes estratégias podem ser úteis:
  • Tome cochilos curtos . Muitos indivíduos fazem cochilos curtos e programados regularmente, às vezes, quando tendem a sentir-se mais sonolentos.
  • Mantenha um horário regular de sono . Ir para a cama e acordar todos os dias à mesma hora, mesmo nos fins de semana, pode ajudar as pessoas a dormir melhor.
  • Evite cafeína ou álcool antes de dormir . Os indivíduos devem evitar álcool e cafeína por várias horas antes de dormir.
  • Evite fumar , especialmente à noite.
  • Exercite-se diariamente . O exercício durante pelo menos 20 minutos por dia, pelo menos 4 ou 5 horas antes de deitar, também melhora a qualidade do sono e pode ajudar as pessoas com narcolepsia a evitar o excesso de peso.
  • Evite refeições grandes e pesadas antes de dormir .  Comer muito perto da hora de dormir pode dificultar o sono.
  • Relaxe antes de dormir . Atividades relaxantes, como um banho quente antes de dormir, podem ajudar a promover a sonolência. Também certifique-se de que o espaço para dormir seja frio e confortável.
  • Precauções de segurança, particularmente ao dirigir, são importantes para todos que sofrem de narcolepsia. Pessoas com sintomas não tratados são mais propensas a estar envolvidas em acidentes automobilísticos, embora o risco seja menor entre indivíduos que estão tomando medicação apropriada. SDE e cataplexia podem levar a ferimentos graves ou morte se não forem controlados. De repente, adormecer ou perder o controle muscular pode transformar ações que normalmente são seguras, como descer um longo lance de escadas, em perigos.
  • O Americans with Disabilities Act exige que os empregadores ofereçam acomodações razoáveis ​​para todos os funcionários com deficiência. Adultos com narcolepsia muitas vezes podem negociar com os empregadores para modificar seus horários de trabalho para que possam tirar cochilos quando necessário e realizar suas tarefas mais exigentes quando estão mais alertas. Da mesma forma, crianças e adolescentes com narcolepsia podem ser capazes de trabalhar com administradores escolares para acomodar necessidades especiais, como tomar medicamentos durante o dia escolar, modificar horários de aula para se encaixar em um cochilo e outras estratégias. Além disso, grupos de apoio podem ser extremamente benéficos para pessoas com narcolepsia que desejam desenvolver melhores estratégias de enfrentamento ou se sentem socialmente isoladas devido ao constrangimento com seus sintomas. Grupos de apoio também fornecem aos indivíduos uma rede de contatos sociais que podem oferecer ajuda prática e apoio emocional.

Entre as alterações no estilo de vida estão sestas curtas e regulares e medidas de higiene do sono.[1] Os medicamentos usados incluem modafinil, oxibato de sódio e metilfenidato.[1] Embora os medicamentos sejam eficazes numa fase inicial, ao longo do tempo a pessoa pode desenvolver tolerância aos seus benefícios.[1] A cataplexia pode ser melhorada com antidepressivos tricíclicos e inibidores seletivos de recaptação de serotonina.[1]

A doença afeta entre 0,2 e 600 em cada 100 000 pessoas.[3] Na maior parte dos casos a condição tem início na infância,[1] e afeta homens e mulheres em igual proporção.[1] Caso não seja tratada, a narcolepsia aumenta o risco de acidentes de viação e de quedas.[1] O termo "narcolepsia" foi usado pela primeira vez em 1880 por Jean-Baptiste-Édouard Gélineau e tem origem no grego νάρκη (narkē), significando "dormência" e λῆψις (lepsis) com o significado de "ataque".[4]

Referências

  1. a b c d e f g h i j k l m n o p q r s t u v w x y z aa ab ac ad «Narcolepsy Fact Sheet». NINDS. NIH Publication No. 03-1637. Consultado em 19 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 27 de julho de 2016 
  2. «Narcolepsy Information Page». NINDS. Consultado em 7 de janeiro de 2017. Cópia arquivada em 7 de janeiro de 2017 
  3. Goswami, Meeta; Thorpy, Michael J.; Pandi-Perumal, S. R. (2016). Narcolepsy: A Clinical Guide (em inglês) 2 ed. [S.l.]: Springer. p. 39. ISBN 9783319237398. Cópia arquivada em 23 de agosto de 2016 
  4. Harper, Douglas (2010). «Narcolepsy». Dictionary.com. Online Etymology Dictionary. Consultado em 19 de agosto de 2016. Cópia arquivada em 8 de setembro de 2017