Natália Naryshkina
| Natália Naryshkina | |||||
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| Czarina Consorte da Rússia | |||||
| Reinado | 1 de fevereiro de 1671 a 29 de janeiro de 1676 | ||||
| Predecessora | Maria Miloslavskaia | ||||
| Sucessora | Agáfia Grushetskaia | ||||
| Dados pessoais | |||||
| Nascimento | 1 de setembro de 1651 | ||||
| Morte | 4 de fevereiro de 1694 (42 anos) | ||||
| Sepultado em | Catedral do Arcanjo São Miguel, Moscou, Rússia | ||||
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| Marido | Aleixo da Rússia | ||||
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| Casa | Naryshkin (por nascimento) Romanov (por casamento) | ||||
| Pai | Kirill Naryshkin | ||||
| Mãe | Ana Leontieva | ||||
| Religião | Igreja Ortodoxa Russa | ||||
Natália Kirilovna Naryshkina (1 de setembro de 1651 – 4 de fevereiro de 1694) foi a segunda esposa do Czar Aleixo da Rússia e Czarina Consorte do Czarado da Rússia de 1671 até 1676, quando enviuvou.[1][2]
Natália Naryshkina era filha de Kirill Poluektovich Naryshkin e de sua esposa Anna Leontyevna Leontyeva. Seus avós maternos eram: Leonty Dimitriyevich Leontyev e sua esposa Praskovya Ivanovna Rayevskaya, nobres de maior projeção que o pai de Natália. Ela foi criada como afilhada na casa de um grande boiardo de inclinação ocidental, Artamon Matveyev, que era um parente importante de sua mãe através de importantes linhagens matrilineares e casamentos entre as famílias Leontyev e Matveyev e como era de costume na época, na Rússia do século XVII, as linhagens maternas eram fundamentais para criar alianças. Como a família do pai de Natália, os Naryshkin, eram da pequena nobreza e tinham poucos recursos, havia uma prática entre a pequena nobreza russa da época, era comum enviar os filhos para serem criados em casas de parentes mais abastados e influentes. Os filhos de um clã menos influente como o do pai de Natália, eram apadrinhados por alguém mais influente, com o qual houvesse ligação de parentesco, para assumir a educação e instrução dos filhos mais promissores, garantindo-lhes maiores chances de ascenção social na corte de Moscou, a família da mãe de Natália era mais bem relacionada por conta da rede de casamentos com nobres mais influentes do que a família de seu pai, por isso ela e seus irmãos foram enviados pela mãe, com o consentimento de seu pai Kirill Naryshkin, para serem criados na casa de Artamon Matveyev, seu padrinho, que era primo de sua mãe, com o qual havia uma boa relação familiar. Ela e seus irmãos chamavam Artamon Matveyev de tio, por ele ser um parente mais velho, mas na verdade Matveyev era um primo de segundo grau, pelo lado da mãe deles, na cultura russa da época, era comum e respeitoso chamar de tio, um parente mais velho e influente que exercia o papel de guardião legal. Matveyev era uma das figuras mais poderosas da corte do Czar Aleixo, ele era o chefe do Posolsky Prikaz, o equivalente ao Ministério das Relações Exteriores, ele acolheu Natália e seus irmãos, como sobrinhos em sua casa em Moscou, agindo como protetor, padrinho e mentor intelectual. Foi durante uma festa noturna na casa de Matveyev, que ocorreu o primeiro encontro entre Natália e o Czar Aleixo, que estava viúvo e teria ficado encantado com a jovem Natália, sobrinha de Matveyev. O casamento foi uma vitória política gigantesca para Matveyev, pois colocou sua protegida no trono e assim também houve a consequente ascensão social do clã Naryshkin. Natália era uma jovem adorável, mas sem a influência política de seu benfeitor Artamon Matveyev, ela nunca teria chegado nem perto do Czar. Para manter a tradição, o Czar Aleixo, mandou organizar um desfile de noivas para escolher uma nova esposa, mas sua escolhida era Natália Naryshkina desde o início.
Artamon Matveyev era casado com uma mulher escocesa, sua casa era conhecida por ser ocidentalizada e sua esposa serviu de exemplo para Natália, na casa de Matveyev, ela não vivia isolada no Terem, o aposento fechado das mulheres russas tradicionais, ela foi exposta a livros, conversas políticas e costumes ocidentais, o que chamou muito a atenção do Czar. Natália Naryshkina recebeu uma educação mais livre e influenciada pelo Ocidente do que a maioria das mulheres russas da época. Ela foi a mãe do Imperador Pedro I da Rússia e após a morte de seu marido o Czar Aleixo da Rússia, ela se tornou o centro de uma facção política dedicada a colocar seu filho Pedro no trono russo, apoiada por seus parentes e associados que ampliaram sua influência política.[1][2]
O pai de Natália era proveniente da família Naryshkin, uma família de pequenos nobres russos de ascendência tártara, sem muita influência e sua mãe era da família Leontyev nobres mais influentes e bem relacionados com a nobreza mais influente, ela se casou com Aleixo da Rússia em fevereiro de 1671 depois da morte da primeira esposa dele, Maria Miloslavskaia. Somente após seu casamento com o Czar Aleixo da Rússia é que a família Naryshkin ganhou maior projeção e destaque na corte russa. Natália teve três filhos com o Czar Aleixo: Pedro, o Grande, Natália Alexeievna da Rússia e Teodora Alexeievna da Rússia, esta última faleceu ainda na primeira infância. Ela ficou viúva em 1676 e imediatamente após a morte de Aleixo da Rússia, os seguidores de Natália, conhecidos como o partido Naryshkin tentaram obter o trono para Pedro, mas quem assumiu o trono foi um filho do casamento anterior de seu marido o czar Aleixo da Rússia, que ascendeu ao trono russo como Teodoro III da Rússia. Teodoro e seu irmão Ivã V da Rússia tratavam a madrasta com carinho, sempre se referindo a ela como "Mamãe", o mesmo não se pode dizer de suas enteadas, as filhas mais velhas do Czar Aleixo, que a tratavam com desdém, não aceitando com conformidade a posição de Natália como a segunda esposa do pai delas, por ela ser pouco mais velha que elas e estar ocupando o lugar que era da falecida mãe das czarevnas.
Quando seu enteado Teodoro III que a tratava com respeito e consideração morreu em 1682, Natália perdeu influência na corte e sua outra enteada, a czarevna Sofia Alexeievna, articulou a ascensão de seu irmão Ivã V, com o apoio do clã de sua mãe, a família Miloslavsky e também o apoio dos Streltsy que eram a guarda militar de elite russa. Havia intensa rivalidade entre os clãs Miloslavsky e Naryshkin, as respectivas famílias de cada uma das duas esposas do falecido Czar Aleixo da Rússia, que morreu em 1676. Os irmãos de Natália Naryshkina, persuadiram o Patriarca de Moscou a proclamar seu filho de dez anos, Pedro, como o novo Czar da Rússia, sob a alegação de que o meio-irmão mais velho de Pedro, fruto do primeiro casamento de seu pai, tinha a saúde frágil, sendo incapacitado de assumir o trono russo por si só, mas o partido Naryshkin perdeu influência para o clã Miloslavsky, da primeira esposa do Czar Aleixo. Seu filho Pedro de 10 anos tornou-se czar em conjunto com seu meio-irmão Ivã e assim ambos os filhos do Czar Aleixo da Rússia, foram proclamados Czares juntos, Ivã V era o primeiro Czar e Pedro I era o segundo Czar, Natália tornou-se regente em nome de seu filho Pedro, tendo como conselheiro seu pai adotivo, Artamon Matveyev, que havia sido exilado pela influência dos Miloslavsky e foi chamado de volta do exílio por Natália. A sua primeira regência não durou muito e Natália foi deposta por sua enteada Sofia que assumiu a regência em nome dos dois irmãos menores de idade, Ivã V e seu filho Pedro I. Foi construído um trono duplo para os dois e a czarevna Sofia foi instituida como regente em nome dos irmãos até atingirem a maioridade e com ascenção de sua enteada Sofia ao posto de regente, Natália Naryshkina, foi destituída de sua primeira regência em nome de seu filho Pedro. Natália foi duas vezes regente da Rússia como mãe do Czar Pedro I da Rússia. Ela tornou-se regente pela primeira vez durante a menoridade de seu filho Pedro, em 7 de maio de 1682, sendo deposta do cargo por sua enteada Sofia. Após a deposição de Sofia em agosto de 1689, Natália Naryshkina foi reinstaurada como regente, sua segunda regência em nome de seu filho Pedro I durante as viagens dele durou até sua morte em 1694.
Durante a revolta dos Streltsy em 15 de maio de 1682, muitos soldados se rebelaram contra Natália e sua família, dois de seus irmãos e seu padrinho Artamon Matveyev foram mortos, e seu pai biológico, Kirill Naryshkin, foi forçado a se tornar monge em um mosteiro. Quando Natália foi deposta de sua primeira regência, ela foi perseguida por sua enteada a czarevna Sofia, regente em nome de Ivã V e Pedro I e co-monarca governante, devido a menoridade de ambos. Durante o reinado de sua enteada, Natália passou por muitas dificuldades e passou a viver na obscuridade e no ostracismo à margem da corte, com seus filhos, mas sempre teve o apoio de sua família.
Seu filho Pedro, viu seus familiares literalmente serem mortos na frente dele quando ainda era criança, a mando da família da primeira esposa de seu pai, os Miloslavsky, pois os irmãos de Natália defendiam o direito de seu filho Pedro ao trono russo. Sem o apoio da família de Natália, Pedro, o Grande, provavelmente não teria chegado à idade de assumir o trono e depor sua meia-irmã Sofia, pois a regente Sofia tramava contra a vida do meio-irmão Pedro, para permanecer como co-monarca no posto de regente em nome de seu irmão Ivã V, que devido as suas limitações de saúde não tinha interesse em governar. Posteriormente com a ascensão de Pedro ao trono, os sobreviventes da família Naryshkin foram muito favorecidos em reconhecimento à lealdade e o apoio à sua mãe. Pedro, o Grande sempre foi muito apegado ao Clã Naryshkin de sua mãe e sempre tratou Natália e sua família com grande respeito, ele não interferiu muito na Política da Rússia enquanto sua mãe ainda era viva.
Referências
- 1 2 Kanski, Jack J. (2018). History of Russia and Eastern Europe (em inglês). Kibworth: Troubador Publishing Ltd. p. 18
- 1 2 The Encyclopedia Americana (em inglês). 21. [S.l.]: Americana Corporation. 1976. p. 657