Navalha de Occam

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde fevereiro de 2018). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Wikitext.svg
Esta página ou seção precisa ser wikificada (desde fevereiro de 2018).
Por favor ajude a formatar esta página de acordo com as diretrizes estabelecidas.

A Navalha de Occam é um princípio lógico e epistemológico que afirma que a explicação para qualquer fenômeno deve assumir a menor quantidade de premissas possível. O princípio é frequentemente designado pela expressão latina Lex Parsimoniae (Lei da Parcimônia), enunciada como: entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem (as entidades não devem ser multiplicadas além da necessidade); apesar disso, considera-se que a navalha de Occam é apenas uma dentre várias navalhas filosóficas que podem ser consideradas "princípios de parcimônia".[1][2]

Originalmente um princípio da filosofia reducionista e do nominalismo, é hoje tido como uma das máximas heurísticas (regra geral) que aconselham economia, parcimônia e simplicidade, especialmente nas teorias científicas.[3]

A Navalha de Occam é um princípio metodológico, e não uma lei que diz o que é verdade e o que não é. Ela não sugere que as explicações mais simples são sempre as verdadeiras e que as mais complexas devem ser refutadas em qualquer situação. A explicação mais simples, portanto, nem sempre é a mais correta, apesar da grande chance. [4]

Expressões latinas[editar | editar código-fonte]

Nos textos antigos, existem várias frases que definem o princípio de Occam. Entre elas, destam-se as seguintes:

  • Pluralitas non est ponenda sine neccesitate ("A pluralidade não deve ser posta sem necessidade")
  • Entia non sunt multiplicanda praeter necessitatem ("As entidades não devem ser multiplicadas além do necessário"). Esta frase foi cunhada em 1639 por John Ponce de Cork.

O conceito[editar | editar código-fonte]

A "Navalha de Occam" defende a intuição como ponto de partida para o conhecimento do universo. William de Occam defendia o princípio sob a justificativa de que a natureza é por si mesma econômica, optando invariavelmente pelo caminho mais simples. A origem desta tese pode ser traçada a John Duns Scotus (1265-1308), Robert Grosseteste (1175-1253), ou mesmo desde Aristóteles.

William de Occam, por outro lado, achava que a aplicação muito restrita desse princípio limitaria o poder de Deus, que deveria, supostamente, ter o poder de estabelecer caminhos mais complexos para o funcionamento de certas coisas se assim desejasse. Ainda assim, defendia que o homem, nas suas teorias, deveria sempre eliminar conceitos supérfluos. Este princípio ficou conhecido como "navalha de Occam" a partir do século XIX, através dos trabalhos de Sir William Hamilton.

O princípio chega a nós com a obra Ordinatio. Esta postulava que todo conhecimento racional tem por base a lógica, de acordo com os dados proporcionados pelos sentidos. Uma vez que só conhecemos entidades palpáveis e concretas, nossos conceitos não passam de meios linguísticos para expressar uma ideia; portanto, precisam de comprovação através da realidade física.

Apesar de Occam não ter sido o primeiro a pregá-lo, o nome dele, por causa do frequente uso do argumento em vida durante debates filosóficos, petrificou-se historicamente. Já o termo "navalha" ou "lâmina" é uma metáfora que surgiu muito depois dele.[5]

Argumentos contra a navalha de Occam[editar | editar código-fonte]

Walter Chatton, contemporâneo de Occam, afirmava que "se três entes não forem suficientes para verificar uma afirmação acerca de algo, então um quarto deve ser acrescentado, e assim por diante". Este princípio é conhecido como Navalha de Hume.

Leibniz (1646-1716) e Karl Menger (século XX) também discordaram da navalha de Occam. O primeiro afirmou que "a variedade de seres não pode ser diminuída". O segundo formulou a lei contra a avareza, segundo a qual "as entidades não podem ser reduzidas até ao ponto da inadequação", e "é inútil fazer com pouco o que requer mais".

Nenhuma destas afirmações contraria realmente o sentido da Navalha de Occam, mas servem antes como alerta contra o excesso de zelo na aplicação do princípio. Deve-se eliminar o supérfluo, mas apenas isso.

Em ciência[editar | editar código-fonte]

Este princípio foi adotado pelo que viria a ser conhecido como método científico. É uma ferramenta lógica que permite escolher, entre várias hipóteses a serem verificadas, aquela que contém o menor número de afirmações não demonstradas, o que facilita a verificação da teoria, constituindo assim um dos pilares do reducionismo em ciência.

Ao longo da história da ciência a navalha de Occam foi usada de diversas formas. Uma delas consiste na escolha da teoria mais simples para explicar um fenômeno, como na escolha da teoria do eletromagnetismo de James Maxwell em lugar da teoria do éter luminoso.

Como princípio matemático, a navalha de Occam foi aplicada pelo matemático soviético Andrei Nikolaevich Kolmogorov para definir o conceito de sequência aleatória, criando a área que ficou conhecida como complexidade de Kolmogorov.

A navalha de Occam é antecessora do chamado princípio KISS, Keep It Simple, Stupid ou em português “simplifique, estúpido” uma vulgarização da máxima de Albert Einstein de que "tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso", também expressa por Antoine de Saint-Exupéry como: "a perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar".

Ver também[editar | editar código-fonte]

Portal A Wikipédia possui o:
Portal de Filosofia

Referências

  1. NetSaber. «A 'navalha De Occam' E A Simplicidade Da Teoria Espírita». Consultado em 02 de janeiro de 2013.  Verifique data em: |acessodata= (ajuda)
  2. Capitão Travis Patriquin, Exército dos EUA (2007). «O Princípio da Navalha de Occam para Vincular Fatos» (PDF). Military Review. Consultado em 2 de janeiro de 2013. 
  3. Reductionism: Occam's Razor, Reductionism, Monism, Reduction, Type Physicalism, Dialectical Monism, Separation of Concerns. [S.l.]: General Books. 2010. 96 páginas. ISBN 1156581338 
  4. Bruno Lazaretti (18 de julho de 2014). «O que é a Navalha de Occam ?». Mundo Estranho. Consultado em 15 de maio de 2017. 
  5. mundoestranho.abril.com.br/ O que é a Navalha de Occam?

Ligações externas[editar | editar código-fonte]