Imigração neerlandesa no Brasil

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Neerlando-brasileiro)
Ir para: navegação, pesquisa
Broom icon.svg
As referências deste artigo necessitam de formatação (desde Janeiro de 2014). Por favor, utilize fontes apropriadas contendo referência ao título, autor, data e fonte de publicação do trabalho para que o artigo permaneça verificável no futuro.
Neerlando-brasileiros
Países BaixosBrasil
Josewilker10082006.jpgLobao.jpgJoao mauricio wanderley.jpg
Nelson Angelo Piquet.jpgIldi Silva 01.jpgIsmael Nery - Auto-retrato, 1930.jpg
Notáveis Neerlando-brasileiros:
José Wilker · Lobão · João Maurício Wanderley
Nelson Angelo Piquet · Ildi Silva[1] · Ismael Nery
População total
Regiões com população significativa
Nordeste e Sudeste
Línguas
Predominante Português. Minorias falam neerlandês.
Religiões
Protestantes e Católicos
Grupos étnicos relacionados
Teuto-brasileiros, Neerlandeses, Neerlando-americanos, Neerlando-canadenses, Flamengos e Frísios

Imigração neerlandesa no Brasil foi o movimento migratório ocorrido nos séculos XIX e XX de neerlandeses para várias regiões do Brasil. Apesar da imigração neerlandesa ter sido menos expressiva do que a de outros grupos de imigrantes, os imigrantes neerlandeses formaram cooperativas e empresas agrícolas em todas as regiões onde se estabeleceram colaborando assim com o desenvolvimento da economia brasileira.

Neerlando-brasileiro (popularmente denominado holando-brasileiro) é um brasileiro que possui ascendentes neerlandeses. Também são consideradas neerlando-brasileiros as pessoas nascidas nos Países Baixos mas radicadas no Brasil. A maioria dos neerlando-brasileiros residem em São Paulo (Holambra), Pernambuco e Paraíba. Nestes dois últimos tendem, a se concentrar no centro-oeste destes estados, para onde parte dos colonos neerlandeses foram, durante as guerras neerlandesas). [2][ligação inativa] mas também encontram-se pequenos grupos em Goiás,Maranhão, Mato Grosso do Sul e Minas Gerais.[3]Rio Grande do Norte,Ceará (onde inclusive foi fundado o forte de Schoonenborch, dando origem à capital Fortaleza) e, estado dominado por holandeses durante décadas, e teve Mauricéia (atual cidade do Recife) como a capital holandesa no Brasil.

Antecedentes[editar | editar código-fonte]

Invasão neerlandesa ao Brasil[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Invasões holandesas no Brasil

Não necessariamente em um movimento migratório consentido e natural, mas não menos importante do ponto de vista histórico-cultural e até genético, durante o século XVII, por cerca de um pouco mais de duas décadas, em torno de oitenta mil holandeses invadiram e colonizaram a Capitania de Pernambuco,[4] que compreendia os territórios dos atuais estados de Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte, Ceará, Alagoas e a porção ocidental da Bahia, e posteriormente invadiram a capitania do Maranhão, atuais estados do Maranhão e do Piauí.

Após a invasão militar, muitos holandeses imigram incentivados pela Companhia Holandesa das Índias Ocidentais para o novo território conquistado, para se dedicar a atividade de comerciantes e de senhores de engenho. A ausência de mulheres holandesas estimulou a união e mesmo o casamento de oficiais militares e colonos holandeses com filhas de abastados senhores de engenho luso-brasileiros, e mais informalmente, dos praças militares holandeses com índias, negras, caboclas e mulatas locais, segundo o historiador Eduardo Fonseca, estas uniões teriam gerado na atualidade, cerca de um milhão de brasileiros nordestinos com ascendência holandesa,[5] e que esta origem teria inclusive influenciado parte da cultura nordestina, acredita-se que em suas manifestações culturais, o violino holandês teria sido incorporado, lá sendo chamado de rabeca.[5]

Esses imigrantes invasores eram divididos em dois grupos: os Dienaaren ("servidores", sobretudo militares a serviço da Coroa Holandesa) e os Vrijburghers ("homens livres", os colonos que vieram exercer a função de comerciantes).

Destaca-se que após a derrota para os brasileiros, uma estratégia de sobrevivência dos holandeses também influenciou a ser muito sutil a presença de descendentes de holandeses nas capitais nordestinas, com a vitória brasileira, a maior parte das tropas e colonos holandeses fugiu de volta à Holanda, mas um grande contingente de holandeses não conseguiu ou não quis retornar a Europa, principalmente comerciantes e numerosos soldados desertores do Exército Holandês,[6] muitos destes já estava há mais de vinte anos no Brasil, totalmente adaptados, falavam português, uniram-se com brasileiras e tinham filhos nascidos no Brasil, e seus negócios eram no Brasil. Com isso, muitos holandeses e suas famílias fugiram para o interior, o mais longe possível das capitais e grandes centros urbanos, principalmente para cidades litorâneas,[7] do interior do chamado nordeste setentrional, principalmente em Pernambuco, Rio Grande do Norte e Ceará, onde ocultavam ou "aportuguesavam" seus nomes de origem holandesa, para fugir das tropas brasileiras e também da Inquisição católica, que também os perseguia por serem em maioria calvinistas ou judeus.[6]

Segunda Guerra Mundial[editar | editar código-fonte]

Com a abolição da escravatura no Brasil, o governo brasileiro passou a procurar substitutos para a mão-de-obra escrava na Europa com o objetivo de desenvolver o interior do país. As causas para a imigração neerlandesa ao Brasil encontram-se na miséria, no desemprego e na devastação causada pela Segunda Guerra Mundial nos Países Baixos.[8]

A posse rural e a possibilidade de formar núcleos agrícolas foram os principais fatores que atraíram os imigrantes neerlandeses ao Brasil.[9]

Imigração[editar | editar código-fonte]

A imigração neerlandesa no Brasil teve início em 1858 com a chegada dos primeiros imigrantes neerlandeses ao Brasil, oriundos da província Zelândia, que fundaram em 1860 a colônia Holanda no Espírito Santo. Os imigrantes formaram uma companhia com o objetivo de vender os bens produzidos. Porém os bens produzidos só foram utilizados para o autoconsumo devido às dificuldades encontradas pelos imigrantes, impedindo a expansão da colônia.[10][11]

Auge[editar | editar código-fonte]

Memorial da Imigração Holandesa em Castro, no Paraná

O auge da imigração neerlandesa ocorreu entre 1899 e 1940, quando cerca de 8.200 neerlandeses imigraram ao Brasil. O governo brasileiro iniciou um projeto de colonização para a instalação de imigrantes europeus. Em 1908, imigrantes neerlandeses, vindos da província Holanda do Sul, estabeleceram a colônia Gonçalves Júnior em Irati no Paraná. Os imigrantes neerlandeses encontraram diversas dificuldades como matas densas, endemias, pragas de gafanhotos, porcos-do-mato e ratos, que resultaram na dispersão da colônia.[12]

Em 1911, um grupo de 450 imigrantes neerlandeses da província Holanda do Sul, entre eles colonos de Gonçalves Júnior em Irati, estabeleceram-se em Castro, onde fundaram a colônia Carambeí, atualmente um município emancipado. Os imigrantes neerlandeses fundaram em 1925 a Sociedade Cooperativa Hollandeza de Laticínios Batavo, a primeira cooperativa de laticínios do Brasil, nacionalmente conhecida como Batavo desde 1941 e considerada uma cooperativa exemplar.[13][ligação inativa][14] A Cooperativa Batavo, junto à Cooperativa Castrolanda e à Cooperativa Agropecuária Arapoti, formaram a Cooperativa Central de Laticínios do Paraná, também localizada em Carambeí e responsável por uma das maiores bacias leiteiras do Brasil.

Segunda fase[editar | editar código-fonte]

A segunda fase da imigração neerlandesa ocorreu de 1946 a 1976, quando 6.098 neerlandeses imigraram ao Brasil.[9]

A devastação causada pela Segunda Guerra Mundial fez com que o governo neerlandês estimulasse a emigração de neerlandeses para a Austrália, Brasil, Canada e França. Estes imigrantes trouxeram consigo tratores, máquinas agrícolas e cabeças de gado.

Um grupo de aproximadamente 500 imigrantes neerlandeses, oriundos da província Brabante do Norte, imigram para o Brasil e fixam-se na antiga fazenda Ribeirão em São Paulo. Lá os imigrantes neerlandeses fundam em 14 de julho de 1948 a colônia Holambra I e a Cooperativa Agro Pecuária Holambra. Em 1951 inicia-se o cultivo de flores, expandido entre 1958 e 1965.[15] Em 1989 é instalado o Veiling Holambra, o maior centro de comercialização de plantas e flores do Brasil.[16] Holambra, nacionalmente denominada "a cidade das flores", é o maior produtor e exportador florícola do Brasil.[17]

Em 1949 um grupo de aproximadamente 23 famílias,[18] com cerca de 125 imigrantes[19] neerlandeses do norte dos Países Baixos, mais precisamente das regiões da Frísia, da Holanda do Norte e de Groninga,[19] fixaram-se na Fazenda Monte Alegre (em Telêmaco Borba, no Paraná)[19][19][19] que foi adquirida pela empresa Klabin em 1934, formando ali uma colônia entre as localidades de Lagoa e Mina de Carvão,[19] localidade que ficou conhecida como Colônia de Holandeses.[20] A Klabin colocou a fazenda à disposição destes imigrantes para que fornecessem laticínios aos seus funcionários. A colônia chegou a ser visitada pelo presidente Getúlio Vargas durante sua passagem à Klabin em 1953.[21] O término do contrato com a empresa na década de 1970 resulta na dispersão da colônia, onde alguns acabaram indo para outras localidades no Paraná e a maioria retornando aos Países Baixos ou reimigrando[18] para o Canadá ou África do Sul.[19]

Em 1949, imigrantes neerlandeses estabelecem-se em Não-Me-Toque no Rio Grande do Sul. Os neerlandeses foram o último grupo de imigrantes, depois dos portugueses, alemães e italianos, a fixarem-se em Não-Me-Toque. Eles adquirem as terras desgastadas e rejeitadas pelos imigrantes alemães, estabelecendo modernas empresas agrícolas. Os neerlandeses iniciam o plantio de batata e milho, posteriormente tornando-se grandes produtores de soja e trigo.[22]

Um grupo de imigrantes neerlandeses, oriundos das províncias Drente e Overijssel, junto aos filhos dos colonos de Carambeí estabeleceram em 1951 a colônia Castrolanda, no Paraná.[23] No mesmo ano fundaram a Sociedade Cooperativa Castrolanda, considerada a mais produtiva e avançada bacia leiteira do país[24][ligação inativa] e responsável por uma considerável produção de grãos.

Em 1960, um novo grupo de imigrantes neerlandeses junto à colonos de Castrolanda e Carambeí estabeleceram-se em Arapoti, no Paraná. Lá, fundaram a Cooperativa Agropecuária Arapoti (Capal), cuja principal atividade econômica é a suinocultura.[25]

Imigrantes neerlandeses, oriundos da província Brabante do Norte, junto à descendentes dos colonos de Holambra fundam em 1960 a colônia Holambra II (mais tarde renomeada como Campos de Holambra) em Paranapanema, São Paulo. Os imigrantes fundaram a Cooperativa Agroindustrial Holambra, cuja principais atividades econômicas incluem a produção de flores e de frutas que são comercializadas através de um leilão.[26]

Declínio[editar | editar código-fonte]

A imigração neerlandesa para o Brasil continua, mas com menos vigor que antes, quando era estimulada e apoiada pelo Governo.[27]

A situação econômica do Brasil entre a década de 1980 e o início da década de 2000 também contribuiu para o declínio da imigração neerlandesa para o Brasil.

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. «Ildi Silva - Gatas de a a Z». Terra. 
  2. http://www.terrabrasileira.net/folclore/influenc/holanda.html
  3. «Imigração Holandesa no Brasil». unicamp.br. 
  4. «Brasileiros na Holanda -». brasileirosnaholanda.com. 
  5. a b [holandesa.http://www.brasileirosnaholanda.com/novo/coluna.php?codColuna=214]
  6. a b Revisando a História. «Revisando a História». revisandoahistoriabrasil.blogspot.com. 
  7. Pena, Sérgio D. J.; Denise R. Carvalho-Silva, Juliana Alves-Silva, Vânia F. Prado, Fabrício R. Santo. (Abril 2000). "Retrato Molecular do Brasil". Ciência Hoje 27 (159): 17-25. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Visitado em 16 de junho de 2015.
  8. «NewsLetters». es.gov.br. 
  9. a b Scherer, Rudinéia Rejane. A presença neerlandesa no município de Não-me-Toque, RS. Disponível em:<http://www.semina.clio.pro.br/4-2-2006/> como Formato de Documento Portátil (PDF).
  10. «Nederlanders in Brazilie - Holanda». wazamar.org. Arquivado desde o original em 14 September 2013. 
  11. «Morro do Moreno - Imigração no ES - Imigrantes Holandeses». morrodomoreno.com.br. 
  12. «De nazaten van Jan Vriesman in Brazilië». wazamar.org. Arquivado desde o original em 17 May 2014. 
  13. http://www.coodetec.com.br/artigos.asp?id=78
  14. «Prefeitura Municipal de Carambeí - Conteudo». pr.gov.br. Arquivado desde o original em 2 June 2009.  soft hyphen character character in |title= at position 33 (Ajuda)
  15. «Prefeitura Municipal da Estância Turística de Holambra». sp.gov.br. Arquivado desde o original em 23 April 2008. 
  16. «Aprendendo a Exportar Flores». aprendendoaexportar.gov.br. 
  17. «Rotas e Trilhas». globo.com. Arquivado desde o original em 12 July 2007. 
  18. a b Fernando Lázaro de Barros Basto (Digitalizado em 16 de outubro de 2007). «Síntese da história da imigração no Brasil». Consultado em 10 de setembro de 2015.  horizontal tab character character in |data= at position 13 (Ajuda)
  19. a b c d e f g Diva Benevides Pinho (1963). «Cooperativeas e desenvolvimento econômico: o cooperativismo na promoção do desenvolvimento econômico do Brasil, Edições 7-8». Universidade de São Paulo. Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Consultado em 10 de setembro de 2015.  Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes Erro de citação: Código <ref> inválido; o nome "" é definido mais de uma vez com conteúdos diferentes
  20. «Folhas Topográficas 1:100.000 - Folhas: MI2806; MI2807». Instituto de Terras, Cartografia e Geociências. 1967. Consultado em 10 de setembro de 2015. 
  21. Altiva Pilatti Balhana (1968). «Campos Gerais». Universidade Federal do Paraná. Consultado em 10 de setembro de 2015. 
  22. «Nederlanders in Brazilie - Nao me toque». wazamar.org. Arquivado desde o original em 21 June 2007. 
  23. «Revista de Antropologia - Religião e parentesco na colônia Castrolanda». scielo.br. 
  24. http://www.laticinio.net/noticias.asp?cod=3833
  25. http://web.archive.org/web/20130719032150/http://www.wazamar.org/Nederlanders-in-Brazilie/Plaatsnamen/families-in-arapoti.htm
  26. «Cooperativa Agro Industrial Holambra». holambra.com.br. Arquivado desde o original em 26 May 2010. 
  27. http://web.archive.org/web/20091007125329/http://pt.shvoong.com/humanities/1654373-imigra%C3%A7%C3%A3o-neerlandesa-brasil/

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Sorgdrager, Bart, Nederlandse Landbouwkolonies in Brazilë. Amsterdã: Fragment Uitgeverij, 1991. ISBN 9065790764

Ligações externas[editar | editar código-fonte]