Neferquerés VI

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Neferquerés VI
Cartucho de Neferquerés VI na lista real de Abido
Faraó do Egito
Reinado Desconhecido (VII ou VIII dinastia (?))
Antecessor(a) Nicaré I (?)
Sucessor(a) Nefercamim II (?)
 
Religião Politeísmo egípcio
Titularia
Nome
G39N5<
N5nfrD28Q3
Q3
iiS29n
D58
>
(Nfr-k3-Rˁ pjpj snb)
"Perfeito é o de , Pepi está saudável"
<
nfrD28G7
>G7A17G7S29n
D58
A1
(Nfr-k3-Rˁ ẖrd snb)
Cânone de Turim
"Neferquerés, o Jovem está saudável"
Título

Neferquerés VI ou Nefercaré VI (em egípcio: nfr k3 rˁ), cujo nome era Neferquerés ou Nefercaré Pepisenebe (em egípcio: Nfr-k3-Rˁ pjpj snb) ou Neferquerés ou Nefercaré Querede Senebe (em egípcio: Nfr-k3-Rˁ ẖrd snb), foi um faraó da VII[1] ou VIII dinastia durante o início do Primeiro Período Intermediário (2181–2055 a.C.).[2] De acordo com os egiptólogos Kim Ryholt, Jürgen von Beckerath e Darrell Baker, foi o décimo segundo faraó da VIII dinastia.[3] De acordo com a última leitura de Ryholt do Cânone de Turim, ele reinou pelo menos um ano.[4][5]

Atestação[editar | editar código-fonte]

O nome Neferquerés Pepisenebe é atestado na Lista Real de Abido (número 51), mas não em outro lugar. No entanto, Jürgen von Beckerath propôs que Neferquerés Pepisenebe seja identificado com um "Neferquerés Querede Senebe" que aparece no Cânone de Turim.[1] Como tal, Neferquerés Pepisenebe seria o primeiro rei da VIII dinastia, seguindo Netiquerete (que pode ser Netjercaré), cujo nome aparece no Cânone de Turim após uma grande lacuna no documento que afeta os reis intermediários da dinastia.[4][5]

Nome[editar | editar código-fonte]

O epíteto Querede dado a Neferquerés Pepisenebe no Cânone de Turim significa "criança" ou "jovem". Consequentemente, "Neferquerés Querede Senebe" é traduzido de várias maneiras como Neferquerés, a Criança é Saudável, Neferquerés, o Jovem é Saudável ou Neferquerés Júnior é Saudável.[5]

Várias hipóteses foram levantadas por egiptólogos sobre este epíteto. Hratch Papazian propõe que o fato do faraó ter sido chamado de Querede no Cânone de Turim sugere sua juventude ao ascender ao trono.[6] Alternativamente, Darell Baker e Kim Ryholt propõem que o epíteto é o resultado de um erro cometido pelo copista que escreveu o cânone, confundindo "Pepisenebe" com "Querede Senebe", já que as formas hieráticas de "pepi" e "querede" podem se assemelhar se danificadas.[4] Portanto, esse erro pode ser devido a algum dano que afetou o documento anterior do qual o cânone estava sendo copiado no Período Raméssida.[5]

Outra hipótese apresentada por Ryholt explica que "Querede" é que este epíteto é, neste contexto, sinônimo de "Pepi". Na verdade, o "Pepi" de "Pepisenebe" poderia ser Pepi II Neferquerés, último faraó do Reino Antigo e que pode ter tido o reinado mais longo de qualquer monarca da história com 94 anos no trono (2278–2184 a.C.). Além disso, este faraó, que deve ter sido bem lembrado tão perto de seu reinado, ascendeu o trono quando era uma criança, quando tinha apenas cerca de 6 anos. Ryholt, portanto, propõe que o "filho" (Querede) referido no nome de Neferquerés Pepisenebe no cânone é Pepi II. Uma vez que, adicionalmente, o nome de Pepi II era Neferquerés, Neferquerés Senebe, Querede Senebe e Pepisenebe podiam todos se referirem a ele e significar "Pepi II é saudável". Esta hipótese é possivelmente justificada pelo determinante divino (sinal de Gardiner G7) anexado ao epíteto "Querede" no cânone. Isso normalmente é reservado para nomes de faraós e deuses e pode indicar que o epíteto foi entendido como uma referência a um faraó específico.[4]

Referências

  1. a b Papazian 2015, p. 416.
  2. Beckerath 1999, p. 66-71; 284.
  3. Beckerath 1999, p. 48, 186.
  4. a b c d Ryholt 2000, p. 91.
  5. a b c d Baker 2008, p. 268-269.
  6. Papazian 2015, p. 415.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Baker, Darrell D. (2008). The Encyclopedia of the Pharaohs: Volume I - Predynastic to the Twentieth Dynasty 3300–1069 BC. Londres: Stacey International. ISBN 978-1-905299-37-9 
  • Beckerath, Jürgen von (1999). Handbuch der ägyptischen Königsnamen. Münchner ägyptologische Studien. Mogúncia: Philip von Zabern. ISBN 978-3-8053-2591-2 
  • Papazian, Hratch (2015). «The State of Egypt in the Eighth Dynasty». In: Manuelian, Peter Der. Towards a New History for the Egyptian Old Kingdom: Perspectives on the Pyramid Age. Leida e Nova Iorque: Estudos Egiptológicos da Harvard; Brill 
  • Ryholt, Kim (2000). «The Late Old Kingdom in the Turin King-list and the Identity of Nitocris». Zeitschrift für Ägyptische Sprache und Altertumskunde. 127 (1): 87–119. ISSN 2196-713X