Nelson Pereira dos Santos

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Nelson Pereira dos Santos
Em 1971.
Nascimento 22 de outubro de 1928
São Paulo, SP
Morte 21 de abril de 2018 (89 anos)
Rio de Janeiro, RJ
Nacionalidade brasileiro
Ocupação Diretor de cinema
Prêmios

1977: Melhor diretor, por Tenda dos Milagres 1977: Melhor filme (Tenda dos Milagres)

1964: Prêmio OCIC, por Vidas Secas 1984: Prêmio FIPRESCI, por Memórias do Cárcere

1975: Melhor filme (O Amuleto de Ogum)

1984: Gran Coral por Memórias do Cárcere

1985: Melhor filme: Memórias do Cárcere

Em 1998.
Em “Como era gostoso meu francês”.

Nelson Pereira dos Santos (São Paulo, 22 de outubro de 1928Rio de Janeiro, 21 de abril de 2018) foi um diretor de cinema brasileiro.[1] Tendo sido um dos fundadores do movimento do Cinema Novo, sua produção atravessa um período de 60 anos na história do Brasil.

Considerado um dos mais importantes cineastas do país, foi fortemente influenciado pelas obras da geração de 1930 do modernismo literário brasileiro, tendo adaptado para o cinema obras de Graciliano Ramos e Jorge Amado. Seu filme Vidas Secas, baseado no romance de Graciliano, é um dos filmes brasileiros mais premiados em todos os tempos, sendo reconhecido como obra-prima.

Formação e primeiros trabalhos no cinema[editar | editar código-fonte]

Nascido em 1928 na cidade de São Paulo, Nelson foi batizado em homenagem ao Almirante Horatio Nelson. Frequentador assíduo de salas de cinema, o pai de Nelson o teria levado para uma delas pela primeira vez quando ele ainda era uma criança de colo.

Aos 15 anos de idade, no colégio secundarista, Pereira dos Santos, já aficionado pela literatura, torna-se integrante do Partido Comunista Brasileiro original e aproxima-se do intelectual Astrogildo Pereira, um de seus integrantes. O Partido, na época, era classificado como clandestino pelo governo de Getúlio Vargas.

Em 1950, realiza "Juventude", um documentário encomendado pelo Partido sobre a historia do mesmo. Primeiro trabalho de Nelson enquanto cineasta, "Juventude" é considerado um filme perdido, sem cópias existentes atualmente.

Nelson se graduou em um bacharelado em direito pela Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo, na turma de 1952. Com vontade de fazer cinema e após algumas experiências trabalhando em estúdios paulistanos, Nelson decide mudar-se para o Rio de Janeiro. Ainda em 1952 foi lançado o filme "Balança, Mas Não Cai", comédia na qual atuou como assistente de direção. No ano seguinte, foi assistente de Alex Viany na produção "Agulha no Palheiro".

Estudou por um ano no IDHEC, escola francesa de formação de cineastas, mas não gostou da experiência, decidindo aprender sobre a arte tornando-se crítico de cinema.

A polêmica de "Rio, 40 Graus" e a fundação do Cinema Novo[editar | editar código-fonte]

O primeiro longa-metragem de ficção que Nelson realiza enquanto diretor é "Rio, 40 Graus". O filme foi parcialmente fundado pelo Partido Comunista, por meio do produtor João Tinoco. Fundos para a realização do longa também foram adquiridos quando seu diretor apresentou, para um produtor tradicional de cinema, um roteiro relativo a uma comédia musical que supostamente seria feito caso ele conseguisse arrecadar o dinheiro necessário. A equipe de filmagens teria trabalhado mediante pouco ou nenhum pagamento, e as câmeras utilizadas na produção do longa foram emprestadas pelo Instituto Nacional do Cinema por meio de um de seus funcionários mais célebres, o cineasta Humberto Mauro. Entre os integrantes dessa equipe estava o sambista Zé Kéti, autor da canção "A Voz do Morro", que, em uma versão com arranjos orquestrados, serve como abertura para "Rio, 40 Graus".

O filme passou meses detido pela polícia do Rio de Janeiro, chefiada pelo coronel Geraldo Menezes Côrtes. A justificativa oficial para a censura do filme seria a de que, no Rio de Janeiro, a sensação térmica nunca teria atingido os 40 graus do título da produção. Os motivos reais, entretanto, estavam na forma como o filme retratava a desigualdade social na cidade e abordava a cultura popular brasileira. A censura de "Rio, 40 Graus" virou notícia em todo o Brasil, gerando uma campanha pela liberação do filme, que foi eventualmente lançado em 1955.

Depois de todo o escândalo envolvendo “Rio, 40 Graus”, a Metro Goldwyn-Mayer comprou o filme para distribuí-lo, crendo que a polêmica daria lucro. O filme foi para circuito luxuoso no eixo Rio-São Paulo, estreando no Cinema Metro Passeio, e grande parte do público saiu do filme durante sua primeira meia hora. "Rio, 40 Graus" foi um fracasso financeiro, não conseguindo se pagar. Apesar disso, o filme ecoou por jovens intelectuais ao redor do Brasil, que entusiasmaram-se com as inovações estéticas e temáticas do filme de Nelson. Através dessas mentes, em poucos anos se desenvolveria o movimento do Cinema Novo brasileiro.

O jovem critico de cinema baiano Glauber Rocha foi uma das pessoas que interessaram-se por Pereira dos Santos, vindo ao Rio de Janeiro na intenção de trabalhar com ele. Glauber acabou sendo assistente de direção do próximo longa de Nelson, "Rio, Zona Norte" (1957). O filme conta a historia do sambista Espírito da Luz, interpretado por Grande Otelo, sendo livremente inspirado na história de vida de Zé Kéti, que também é o autor de todas as músicas que aparecem ao longo da narrativa. Para retribuir o favor, Nelson é montador de "Barravento", primeiro longa-metragem de Glauber Rocha, lançado em 1962.

"Rio, 40 Graus" e "Rio, Zona Norte" são considerados longas de importância basilar para a fundação do Cinema Novo. Tendo realizado os dois filmes e participado da estreia de Glauber Rocha no longa-metragem, Nelson rapidamente passou a ser visto como uma figura paterna entre os diretores cinemanovistas.

Trabalho como educador[editar | editar código-fonte]

Nelson foi professor de Cinema na Universidade de Brasília. Uma de suas alunas foi a cineasta Tizuka Yamasaki, que participou da produção do curta "Fala, Brasília (1966).

Foi fundador, em 1968, do o cinema do Centro de Artes da Universidade Federal Fluminense, no prédio do antigo Cassino Icaraí, e do curso de graduação em Cinema da UFF. Também atuou como professor do Instituto de Arte e Comunicação Social, na mesma instituição.

Eleição para a ABL[editar | editar código-fonte]

Olivenkranz.png Academia Brasileira de Letras[editar | editar código-fonte]

Em 2006 foi eleito para a Academia Brasileira de Letras (ABL), ocupando a cadeira 7, cujo patrono é Castro Alves. Foi o primeiro cineasta brasileiro a se tornar membro da ABL, onde realizou, em 2009, o documentário "Português, a Língua do Brasil". Após seu falecimento, a cadeira 7 da ABL foi ocupada por Carlos Diegues, colega cineasta de Nelson e, como ele, integrante do movimento do Cinema Novo.

Falecimento, memória e homenagens[editar | editar código-fonte]

Morreu em 21 de abril de 2018, aos 89 anos, em decorrência de um câncer de fígado diagnosticado 40 dias antes e, também, de falência múltipla de órgãos em consequência de uma pneumonia.[2] O velório aconteceu na Academia Brasileira de Letras, no Rio de Janeiro, o enterro foi no mausoléu da ABL, no Cemitério São João Batista, Zona Sul do Rio. Teve seu nome homenageado (in memoriam) na cerimônia do Oscar 2019.

O Centro de Artes da UFF, fundado por Nelson, o homenageou fazendo uma mostra que exibiu "Rio, Zona Norte", "Vidas Secas", "O Amuleto de Ogum", "Memórias do Cárcere" e "A Música segundo Tom Jobim", alguns deles em cópias 35mm emprestados do Arquivo Nacional. Além de celebrar a vida e obra de Nelson Pereira dos Santos, a mostra também fez parte da celebração de 50 anos da fundação do cinema da UFF.

O conservador-chefe da Cinemateca do Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro, Hernani Heffner, ministrou o curso "Petrobrás 4xNelson", dividido em 4 aulas, fazendo um panorama geral sobre a trajetória do cineasta. O curso foi programado em paralelo com uma mostra de filmes de Nelson na Cinemateca, e havia sido originalmente planejado com Nelson ainda vivo. A ideia seria que o cineasta participasse do curso.

Quando Carlos Diegues fundou o cineclube da Academia Brasileira de Letras, que tem como objetivo atravessar a história do cinema brasileiro através de exibições e debates, um dos filmes exibidos foi o "Rio, 40 Graus" de Nelson Pereira dos Santos.

Nelson com sua morte deixou um filme que estava em produção. O filme retrataria a vida do segundo e ultimo monarca brasileiro, Dom Pedro II do Brasil. A Longa-metragem se basearia no livro do José Murilo de Carvalho, Dom Pedro II — Ser ou não ser.[3][4]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. Morre Nelson Pereira dos Santos, diretor de 'Rio, 40 Graus' e 'Vidas Secas'. Precursor do cinema novo, cineasta paulista tinha 89 anos
  2. «Nelson Pereira dos Santos, diretor de 'Vidas Secas', morre aos 89 anos». G1. 21 de abril de 2018. Consultado em 21 de abril de 2018. Arquivado do original em 22 de abril de 2018 
  3. Braziliense, Correio; Braziliense, Correio (20 de janeiro de 2012). «Cineasta Nelson Pereira dos Santos mergulha na vida de Tom Jobim em filmes». Correio Braziliense. Consultado em 6 de agosto de 2020 
  4. AdoroCinema. «Nelson Pereira dos Santos prepara filme sobre Dom Pedro II». AdoroCinema. Consultado em 6 de agosto de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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Sérgio Correia da Costa
Olivenkranz.png ABL - nono acadêmico da cadeira 7
2006 — 2018
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Cacá Diegues