Nelson Tanure

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Nelson Sequeiros Rodriguez Tanure (Salvador, 1951) é um empresário brasileiro que atua em vários setores, como infraestrutura, telecomunicações, tecnologias da informação, novas mídias e entretenimento.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Filho de pai espanhol e mãe brasileira, Nelson Tanure graduou-se em Administração de Empresas pela Universidade Federal da Bahia. Iniciou sua vida empresarial ao lado do pai, José Sequeiros, numa empresa do setor imobiliário, a Cinasa. Em 1977, aos 25 anos de idade, mudou-se para o Rio de Janeiro.[1]

Na década de 1980, no Rio de Janeiro, o empresário comprou participação minoritária na empresa Sequip, especializada em serviços de engenharia para a indústria do petróleo. Em 1986, adquiriu o estaleiro Emaq, então em situação falimentar. As atividades do estaleiro, na época com somente 140 empregados, estavam paralisadas. O Emaq, atual Eisa (Estaleiro Ilha S/A), foi vendido em 1994.

Ainda na década de 1980, Nelson Tanure tornou-se sócio da empresa francesa Comex, de serviços de petróleo, e da canadense Hydrospace. Na mesma época, tornou-se representante e sócio minoritário da filial brasileira do grupo francês CGEE Alsthom, com atuação na área de energia elétrica, especialmente no fornecimento de produtos para hidroelétricas.

Na década de 1990, Nelson Tanure adquiriu o estaleiro Verolme, um dos maiores do mundo, instalado no Rio de Janeiro. A empresa enfrentava, em 1991, processo de concordata na Justiça e estava com suas atividades paralisadas. Contava, à época, com menos de 50 funcionários. Sob a liderança do empresário, em 1994, o Verolme fundiu-se ao estaleiro japonês Ishibras. Nelson Tanure também comprou a Sul América de Engenharia S/A, que pertenceu à General Electric (GE), como empresa especializada em linhas de transmissão de energia. Adquiriu a Vigesa (Villares-General Electric S/A), especializada em produção de turbinas e geradores de energia. Instalada em Araraquara (SP), a indústria foi, naquele tempo, a maior fábrica de bens de capital do Brasil. Em 1997, o empresário vendeu a Sul América de Engenharia e a Vigesa. Em 1999 foi acusado de tentar intimidar e perseguir jornalistas que publicavam matérias de seu desagrado[2].


Em 2000, Nelson Tanure, até então sócio minoritário da histórica Companhia Docas de Santos (SP), comprou o controle da família Paula Machado e tornou-se, assim, sócio majoritário. O empresário fez uma série de associações com outros grupos empresariais e deu-lhe nova denominação, Docas Investimentos S.A.. A Docas Investimentos passou, então, a incorporar empresas em diferentes áreas (petróleo, reparação naval, energia elétrica, empreendimentos imobiliários e projetos internacionais de telecomunicações).

Em 2001, assumiu, por arrendamento, o histórico Jornal do Brasil (JB) da família Nascimento Brito, em situação pré-falimentar. O Jornal do Brasil, sob sua administração, fez também ampla parceria com o New York Times. Em 2003, o empresário negociou a mesma operação de arrendamento da marca Gazeta Mercantil, jornal de economia fundado em 1920, que até então era dirigido por seu proprietário Luiz Fernando Levy. Em 2009, Tanure exerceu direito de rescisão contratual do arrendamento da marca Gazeta Mercantil e restituiu-a à empresa de Luiz Fernando Levy. Desde então, a Gazeta Mercantil não tem sido publicada. O empresário possui dívidas milionárias com veículos de comunicação.[3] Uma reportagem da TV Bandeirantes sobre a gestão empresarial de Tanure causou atrito entre a emissora e o Jornal do Brasil.[4][5]

Em 2009, Nelson Tanure mudou o foco de seus investimentos da mídia jornalística para outras áreas de comunicação. Vendeu todos seus títulos de revistas e outras publicações, mantendo, no entanto, o Jornal do Brasil. Em abril do mesmo ano, negociou a fusão da Intelig com a TIM do Brasil, tornou acionista da nova empresa. As dívidas estimadas em R$ 100 milhões obrigaram Tanure a encerrar a circulação da versão impressa do Jornal do Brasil, que passou a ter apenas a versão da Internet.[6]

Em dezembro de 2013, Nelson Tanure comprou uma participação relevante na HRT, tornando-se o principal acionista da petroleira, com 19,25% do capital. Desde que o empresário adquiriu os primeiros lotes de ações da companhia, o papel teve uma valorização superior a 80%. Em março de 2014, em assembleia geral extraordinária, os acionistas da HRT aprovaram a chapa para o conselho de administração indicada pela administração da empresa. O novo conselho, presidido pelo ex-ministro Helio Costa, tem o apoio de Tanure. Em janeiro de 2015, a HRT teve um reposicionamento de sua marca e passou a se chamar PetroRio.[7]. Simultaneamente, a companhia anunciou a compra dos 80% da Shell nos campos de Bijupirá & Salema, localizados na Bacia de Campos.[8] A empresa busca também parceiros para a sua operação na Namíbia, onde tem dez blocos. Em maio, a PetroRio fechou a venda de seus ativos na Bacia do Solimões para a russa Rosneft, em uma negociação de US$ 55 milhões.[9]A estratégia da companhia está focada na atividade de produção e na compra de campos maduros[10].

Tanure sempre busca oportunidades para diversificar seus negócios, comprando empresas mal geridas, mas com potencial de crescimento no mercado. Em maio de 2013, começou a comprar ações da GPC Participações S/A, que foi um dos maiores conglomerados petroquímicos do país. Hoje o empresário faz parte de um bloco de minoritários que detém 35% das ações ordinárias. A ideia é trocar a desastrosa gestão da família Peixoto de Castro, que causou enormes prejuízos à companhia, fez negócios sem retorno para os acionistas e remunerou de forma incompatível seus administradores.

Amante de música clássica e de ópera, Tanure é dono de uma das principais coleções de discos do gênero do país. Em 1998, arrematou a coleção do ex-ministro Mario Henrique Simonsen (1935-97), que por dez anos foi crítico de música clássica de Veja, além de presidente da Fundação OSB. Leitura é outro passatempo do empresário, um apaixonado pelos clássicos, como William Shakespeare e Fiodor Dostoievski.

Nelson Tanure foi por muitos anos vice-presidente da Orquestra Sinfônica Brasileira, no Rio. É cidadão do Rio de Janeiro (RJ), cidadão de Manaus (AM), e foi agraciado com a Medalha Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro.

Nelson Tanure publicou artigo sobre música clássica na versão online do Jornal do Brasil em 8/7/2014, deixando claro o seu definitivo e inquestionável amor pelo gênero de música. A íntegra do artigo foi reproduzida por coluna de crítica musical.[11]

Referências

  1. «Protagonistas da Imprensa Brasileira - Nelson Tanure», Jornalistas & Cia, consultado em 15 de dezembro de 2010 .
  2. «Jornalistas perseguidos por Nelson Tanure têm audiência hoje». Sindicato dos Jornalistas de SP. 29 de novembro de 1999. Consultado em 9 de junho de 2016 
  3. «Nelson Tanure tem dívidas milionárias com veículos de comunicação», Bandeirantes, Jornal da Band, consultado em 15 de dezembro de 2010 .
  4. «Tanure irá processar Band e repórteres por matérias sobre sua empresa», Midiacon News, consultado em 15 de dezembro de 2010 .
  5. «Tanure diz que Band tentou se aliar a Erenice Guerra para censurar imprensa», O Repórter, consultado em 15 de dezembro de 2010 .
  6. «'Jornal do Brasil' deixará de circular e terá apenas versão na Internet», accessdate = 15 de dezembro de 2010, O Globo, 12 de setembro de 2010 .
  7. «HRT vira PetroRio e amplia ativos» online ed. , Valor Econômico, consultado em 29 de junho de 2015 .
  8. «PetroRio, a ex-HRT, planeja mais aquisições» online ed. , Abril, Veja, consultado em 29 de junho de 2015 .
  9. «PetroRio confirma venda de ativos no Solimões por US$ 55 mi», Reuters Brasil, consultado em 29 de junho de 2015 .
  10. Petro Rio tem interesse em ativos de venda da Petrobrás, diz diretor, Globo, maio de 2015, consultado em 29 de junho de 2015 .
  11. «A música clássica encanta Nelson Tanure», Jornal do Brasil, consultado em 8 de julho de 2014 .