Nervo frênico

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Nervo: Nervo frênico
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O nervo frênico e suas relações com outros nervos.
Latim nervus phrenicus
Gray's subject #210 928
Inerva    Diafragma
Ramo do C3-C5 do plexo cervical

O nervo frênico é um nervo que se origina no pescoço (C3-C5) e passa entre o pulmão e o coração para alcançar o diafragma. É importante para a respiração, pois ele passa as informações motoras para o diafragma e recebe informações sensoriais do mesmo. Existem dois nervos frênico, um esquerdo e um direito.

O nervo frênico se origina do 4º nervo cervical, (C4), com contribuições do 3º e 5º nervos cervicais (C3 e C5).[1] Assim, o nervo frênico recebe inervação das partes de ambos o plexo cervical e o plexo braquial.

Possui fibras nervosas simpáticas, motoras e sensoriais.[2] Estes nervos fornecem a única fonte motora do diafragma, assim como a sensação do tendão central. No tórax, cada nervo frênico provê para a pleura mediastinal e o pericárdio.

Estrutura[editar | editar código-fonte]

O nervo frênico desce obliquamente com a veia jugular interna através do escaleno anterior, para a camada pré-vertebral da fáscia cervical profunda e as artérias cervical transversa e supraescapular. À esquerda, o nervo frênico cruza para a primeira parte da artéria subclávia. À direita, encontra-se na parte anterior do músculo escaleno e cruza para a segunda parte da artéria subclávia. Em ambos os lados, o nervo frênico segue posterior a veia subclávia conforme ela entra no tórax, onde ela segue anterior para a raiz do pulmão e entre o pericárdio fibroso e da face mediastinal da pleura parietal.[1]

Encontrado no meio do mediastino, ambos os nervos frênicos seguem a partir dos nervos C3, C4 e C5 ao longo do músculo escaleno anterior para a bainha carotídea.

As artérias e veias pericardiacofrênicas viajam com seus respectivos nervos frênico.

O nervo frênico pode ser marcado por uma linha que liga estes dois pontos:

  1. O 1º ponto pode ser rotulado a 3,5 centímetros no nível da cartilagem tireóide do plano sagital mediano.
  2. O 2º ponto é na extremidade medial da clavícula.
Dorsal scapular nerve (rhomboids, levator scapulae) Suprascapular nerve (supraspinatus, infraspinatus) Nervo do músculo subclávio (subclavius) Lateral pectoral nerve (pectoralis major) Musculocutaneous nerve (coracobrachialis, brachialis, biceps brachii) Axillary nerve (deltoid, teres minor) Median nerve (forearm flexors except FCU and ulnar part of FDP, thenar muscles) Ulnar nerve (FCU and ulnar part of FDP, most intrinsic hand muscles Nervo cutâneo medial do antebraço Nervo cutâneo medial do braço Radial nerve (triceps brachii, supinator, anconeus, forearm extensors, brachioradialis) Lower subscapular nerve (lower part of subscapularis, teres major) Thoracodorsal nerve (latissimus dorsi) Medial pectoral nerve (pectoralis major, pectoralis minor) Nervo subscapular superior (upper part of subscapularis) Nervo torácico longo (serratus anterior) Nervo espinhal da coluna cervical 5 Nervo espinhal da coluna cervical 6 Nervo espinhal da coluna cervical 7 Nervo espinhal da coluna cervical 8 Primeiro nervo torácico
Ilustração anatômica do plexo braquial identificando as áreas das raízes, troncos, divisões e os cordões. Clique sobre os nomes para acessar os respectivos artigos. Outra imagem de referência aqui.


Variação[editar | editar código-fonte]

A contribuição do 5º nervo cervical pode vir a partir de um nervo frênico acessório. O nervo frênico perto da sua origem, é um ramo de comunicação para raiz C5 do plexo braquial. O nervo frênico, no nível da raiz do pescoço, pouco antes de entrar no tórax, fica a frente da veia subclávia. Normalmente, é colocado de forma posterior, entre a veia e a artéria subclávia.[3]

Na maioria das vezes é um ramo do nervo para a subclávia e pode conter várias fibras nervosas frênicas. Se o nervo frênico acessório está presente, encontra-se na lateral do principal nervo e desce posterior e, ocasionalmente, de inferior para a veia subclávia. O acessório do nervo frênico se conecta ao nervo frênico no tórax ou na raiz do pescoço.[1] Em caninos, o nervo frênico surge a partir de C5-C7 com algumas pequena contribuições de C4.[4] Em gatos, cavalos, bois e de pequenos ruminantes, o nervo frênico surge de forma variável a partir de C4-C7.

Função[editar | editar código-fonte]

Ambos estes nervos fornecem fibras motoras para o diafragma e fibras sensoriais para o pericárdio fibroso, cápsula de glisson,[5] pleura mediastinal, e o peritônio diafragmático. O frênico supre toda a parte motora do músculo diafragma, o frênico direito a cúpula direita e o esquerdo a cúpula esquerda, e a parte sensitiva da região central desse músculo. Supre a pleura mediastinal e o pericárdio. A total dependência motora do músculo diafragma desse nervo o torna extremamente importante, visto que o músculo é o principal responsável pelo movimento de inspiração.[2] Se divide em 3 ramos, anterior, posterior e lateral.

Relevância clínica[editar | editar código-fonte]

Paralisia dos nervos frênicos esquerdos (lado direito da imagem) em fluoroscopia: inspiração forçada com a boca fechada leva a elevação do diafragma esquerdo paralítico, enquanto o lado direito saudável se move para baixo.

Dores decorrentes de estruturas inervadas pelo nervo frênico é, muitas vezes,"referida" para outras regiões somáticas atendidas pelos nervos espinhais C3-C5. Por exemplo, um abcesso subfrênico sob o diafragma direito pode causar um paciente a sentir dor no ombro direito.

Irritação do nervo frênico (ou os tecidos inervados por ele) leva a um soluço reflexo. Um soluço é uma contração espasmódica do diafragma, que puxa o ar contra as dobras fechadas da laringe.

O nervo frênico deve ser identificado durante cirurgia torácica e preservado. Para confirmar a identidade do nervo frênico, uma manipulação suave elicita uma resposta diafragmática.[6] O nervo frênico direito pode ser esmagado pelo grampo da veia cava durante um transplante de fígado.[7] O rompimento do nervo frênico, ou uma frenectomia,[8] paralisa o lado do músculo do diafragma correspondente.[2] A paralisia do diafragma é demonstrada por meio de ultrassonografia.[7] A respiração será mais difícil, mas vai continuar, desde que o outro nervo esteja intacto.

O nervo frênico surge a partir do pescoço (C3-C5) e inerva o diafragma, que é inferior. Portanto, pacientes que sofrem lesões medulares abaixo do pescoço ainda são capazes de respirar de forma eficaz, apesar de qualquer paralisia dos membros inferiores.

Lesões do plexo braquial podem causar paralisia para várias regiões do braço, antebraço e mão, dependendo dos nervos cortados. A paralisia resultante tem sido tratada clinicamente, usando o nervo frênico como um doador para neurotização do nervo musculocutâneo e o nervo mediano.[9] Este tratamento tem uma alta taxa de sucesso (84.6%) com restauração parcial a completa da inervação do nervo lesado.[9] Além disso, este procedimento resulta em restituição dos nervos do plexo braquial com o mínimo de impacto para a função respiratória do nervo frênico. As instâncias onde a capacidade vital pulmonar é reduzida têm sido tipicamente um resultado do uso do frênico direito como o doador para a neurotização enquanto que o uso do nervo frênico esquerdo não foi significativamente associado à redução da capacidade vital pulmonar.[10]

Imagens adicionais[editar | editar código-fonte]

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c Moore, Keith L. (1999). Clinically oriented anatomy (Philadelphia: Lippincott Williams & Wilkins). ISBN 0-683-06141-0. [falta página]
  2. a b c MOORE, Keith. Anatomia orientada para clínica. 4ª ed. 2001. Editora Guanabara Koogan. Pgs. 903 e 919.
  3. Prakash; Prabhu, L. V.; Madhyastha, S; Singh, G (2007). «A variation of the phrenic nerve: Case report and review» (PDF). Singapore Medical Journal [S.l.: s.n.] 48 (12): 1156–7. PMID 18043847. 
  4. Evans, Howard (1979). Miller's Anatomy of the Dog (Philadelphia, PA: W. B. Saunders Company). p. 978. ISBN 0-7216-3438-9. 
  5. Barral, Jean Pierre (2004). Visceral Manipulation II (Paris: east land press). p. 96. 
  6. Dalman, Ronald; Thompson, Robert (2015). «7. Neurogenic Thoracic Outlet Syndrome Exposure and Decompression: Supraclavicular». Operative Techniques in Vascular Surgery (Philadelphia, PA: Wolters Kluwer Health). p. 50. ISBN 9781451190205. 
  7. a b McAlister, Vivian C.; Grant, David R.; Roy, Andre; Brown, William F.; Hutton, Linda C.; Leasa, David J.; Ghent, Cameron N.; Veitch, James E.; Wall, William J. (1993). «Right phrenic nerve injury in orthotopic liver transplantation». Transplantation [S.l.: s.n.] 55 (4): 826–30. doi:10.1097/00007890-199304000-00027. PMID 8475559. 
  8. Hine, Maynard Kiplinger (1975). Review of dentistry: questions and answers 6th ed. Mosby [S.l.] p. 421. ISBN 0-8016-2196-8. 
  9. a b Yu-Dong, G., Min-Ming, W., Yi-Lu, Z., Jia-Ao, Z., Gao-Meng, Z., De-Song, C., Ji-Geng, Y. and Xiao-Ming, C. (1989), Phrenic nerve transfer for brachial plexus motor neurotization. Microsurgery, 10: 287–289. doi: 10.1002/micr.1920100407
  10. Luedemann, Wolf, Michael Hamm, Ulrike Blömer, Madjid Samii, and Marcos Tatagiba. "Brachial Plexus Neurotization with Donor Phrenic Nerves and Its Effect on Pulmonary Function." Journal of Neurosurgery 96.3 (2002): 523-26. Web.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]