Niamey

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Niamey
—  Cidade e Região  —
Niamey à noite
Niamey à noite
Niamey está localizado em: Níger
Niamey
Localização de Niamey no Níger
Coordenadas 13° 31' 17" N 2° 6' 19" E
País Níger
Fundação século XVIII
Administração
 - Governador da Comunidade Urbana de Niamey (CUN) Kané Aichatou Boulama [1]
 - Prefeito Assane Seydou Sanda [1]
Área [2]
 - Total 239,30 km²
Altitude 227 m (745 pés)
População (2011) [3]
 - Total 1 302 910
Fuso horário +1 (UTC)

Niamei[4][5][6] ou, em francês, Niamey (AFI [njaˈmɛ])[7] é a capital do Níger. É a maior cidade do país, encontrando-se junto ao Rio Níger. É um centro administrativo, cultural e econômico.

A cidade localiza-se numa região de produção de mexoeira, enquanto as indústrias de manufatura incluem o fabrico de tijolo, bens de cerâmica, cimento e têxteis.

Niamei foi fundada provavelmente no século XVIII, mas teve pouca importância até os franceses desenvolverem um posto colonial na última década do século XIX.[8] Com a ocupação francesa, a cidade rapidamente cresceu até se tornar num importante centro. Em 1926 tornou-se a capital do Níger e a população cresceu gradualmente, de cerca de 3 000 habitantes em 1930 para cerca de 30 000 em 1960, 250 000 em 1980 e – segundo algumas estimativas – 800 000 em 2000. A maior causa deste aumento tem sido a imigração durante as secas. Os dados para 2011 estimam uma população de 1.302.910 habitantes.[3]

História[editar | editar código-fonte]

Niamey foi provavelmente fundada no século XVIII, mas, por muito tempo, possuiu pequena importância para a região até o desenvolvimento colonial francês, por volta da década de 1890.[8] A partir disso, a região de Niamey entrou em constante crescimento. Tornou-se capital do Níger em 1926, mantendo-se sede administrativa do país após a independência em 1960[9].

Entre os anos de 1970 e 1988, o rápido crescimento da economia do Níger refletiu na cidade, impulsionada pelas receitas que provinham das minas de urânio de Arlit.[10] Ainda na década de 1970, a cidade passou por rápida expansão, anexando a sua área vilas próximas. [11]

Como capital do país, a cidade passou por vários golpes e substituições de poder. Em 2010, uma junta militar acabou por derrubar o presidente Mamadou Tangja, que já estava há dez anos em seu mandato.[12]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Animais pastando em uma ilha do rio Níger, visto de uma ponte de Niamey.

Niamey está localizada no sudoeste do Níger, em ambas as margens do rio de mesmo nome.[13] A cidade foi fundada na margem leste do rio, que corre em direção ao sul. O rio Níger é uma das principais fontes de água na região, cujo clima é semiárido.[14] Cerca de 2.688 hectares da área urbana são de área verde[15] e 255 hectares são considerados como área de reserva florestal.[16]

Com altitude média de 227 metros[17] Niamey é um distrito capital do Níger, chamado de Comunidade Urbana de Niamey[18] encravado na região de Tillabéri[19] A cidade está dividida em cinco comunas, sendo estes Niamey I, Niamey II, Niamey III e Niamey IV, na margem leste, e Niamey V na margem oposta. Há em Niamey 99 Bairros.[20] Na cidade, também se encontram 27 aldeias administrativas, 27 aldeias tradicionais, 21 aldeias e o campo militar Tondibiah[21].

Clima[editar | editar código-fonte]

O clima de Niamey é semiárido[14][22] No ano de 2007, foram registrados 47 dias de chuva com precipitação de 523,3mm[16] e temperaturas mínimas por volta de 23 graus Celsius e máximas por volta de 36,6 graus Celsius.[16]

Dados climatológicos para Niamey
Mês Jan Fev Mar Abr Mai Jun Jul Ago Set Out Nov Dez Ano
Temperatura máxima absoluta (°C) 39 43 44 46 46 46 40 38 41 43 43 40 46
Temperatura máxima média (°C) 32,5 35,7 39,1 40,9 40,2 37,2 34 33 34,4 37,8 36,2 33,3 36,2
Temperatura média (°C) 24,3 27,3 30,9 33,8 34 31,5 29 27,9 29 30,8 27,5 25 29,3
Temperatura mínima média (°C) 16,1 19 22,9 26,5 27,7 25,7 24,1 23,2 23,6 24,2 19,5 16,7 22,4
Temperatura mínima absoluta (°C) 8 10 11 17 19 19 18 17 19 16 12 9 8
Precipitação (mm) 0 0 3,9 5,7 34,7 68,8 154,3 170,8 92,2 9,7 0,7 0 540,8
Dias com precipitação (≥ 1 mm) 0 0 0,2 0,8 2,9 5,9 9,9 12,2 7,4 1,6 0,1 0 41
Umidade relativa (%) 22 17 18 27 42 55 67 74 73 53 34 27 42,4
Horas de sol 297,6 263,2 269,7 252 279 267 257,3 235,6 235,6 285,2 282 279 3 202,2
Fonte: Deutscher Wetterdienst,[23] Hong Kong Observatory (1961-1990),[24] World Meteorological Organization (1961-1990).[25]

Demografia[editar | editar código-fonte]

A população estimada para o ano de 2011 foi de 1.302.910 habitantes.[3] Dois fatores foram decisivos para o rápido crescimento populacional de Niamey nas últimas décadas: o forte crescimento demográfico no Níger[26], devido as altas taxas de natalidade e o declínio da mortalidade infantil no país[27], e o êxodo rural que vêm ocorrendo nas últimas décadas por diversos motivos, como a seca que atingiu a região entre os anos 1970 e 1980, e as recuperações econômicas do país graças ao uránio de Arlit, que promoveram não só o crescimento demográfico em Niamey, como de urbanização em todo o território do Níger[28]

Os maiores grupos étnicos na cidade são o Songhai e Zarma, que juntos são 51,1% da população, seguidos pelos Hauçá~s, com 34,4%.[16] A capital está localizada numa área tradicionalmente Songhai e Zarma, o que faz com que, desde a Independência, haja disputas entre os grupos étnicos e com que a cidade se torne dividida, na qual os Hauçás vivem de um lado do rio Níger e os Songhais e Zarmas do outro.[28] Apesar disso, a nível nacional, o grupo ético predominante são os hauçás e os Fulas.[16][29] Em Niamey, os Fulas representam 7,5% da população e vários outros grupos étnicos compõem o restante da população.[30]

Religião[editar | editar código-fonte]

A Grande Mesquita de Niamey.

A maioria da população de Niamey é muçulmana, assim como em todo o Níger.[31] A principal mesquita da cidade é a grande mesquita no distrito de Niamey III, construída na década de 1970.[32] A mesquita foi construída com recursos vindos da Líbia, e conta com um minarete cuja escada possui 171 degraus.[33]

Há também, desde 2007 a sede da Arquidiocese de Niamey, representando a população cristã católica, que constitui uma minoria religiosa em todo o país.[31] Entre outras minorias religiosas presentes na cidade, estão os baha'is, batistas, entre outros.[34]

Em 2015, diversas igrejas cristãs foram atacadas e incendiadas em Niamey durante manifestações contra as charges da revista francesa Charlie Hebdo que mostravam o profeta Maomé.[35]


Política[editar | editar código-fonte]

Niamey vista a partir de um dos Satélites SPOT.

A Comunidade Urbana de Niamey (em francês: Communauté Urbaine de Niamey, CUN) tem estatuto de região separada no Níger[18] Dessa maneira, à frente de sua administração se encontra o governador, que representa toda a região de Niamey e arredores, e á apontad pelo governo nacional, e um prefeito que representa a cidade de Niamey em si.[1] Assim como no restante do país, Niamey tem passado por uma descentralização governamental desde 2000, sendo mais concretizada em 2010 com o novo sistema de eleição do prefeito da capital.[1] Dessa maneira, o prefeito é eleito após a eleição de 45 conselheiros por voto popular, que depois, votam para escolher o prefeito de Niamey. [1] O prefeito e o Conselho têm poderes menores, se comparados ao governador do CUN. Em julho de 2011, foi empossado o primeiro prefeito nesse novo sistema, Oumarou Dogari Moumouni, pelo governador da Comunidade Urbana Aïchatou Boulama Kané, juntamente com o Conselho da cidade.[1][36]

Comunas e bairros[editar | editar código-fonte]

Rua de terra em Niamey. Assim como na maioria das cidades africanas, grande parte do sistema viário de Niamey não é pavimentado.

Niamey possui 99 bairros em 5 comunas:[20]

Comuna Bairros Mapa
Niamey I
20 Bairros
Commune I (Niamey Map).png
Niamey (district map).png
Niamey II
17 Bairros
Commune II (Niamey Map).png
Niamey III
17 Bairros
Commune III (Niamey Map).png
Niamey IV
17 Bairros
Commune IV (Niamey Map).png
Niamey V
28 Bairros
Commune V (Niamey Map).png

A região da Comunidade Urbana de Niamey também inclui antigas cidades que ficavam à volta da capital, que aos poucos, foram sendo anexadas, como Soudouré, Lamordé, Gamkallé, Yantala, e Gaweye.[37]


Educação e ciência[editar | editar código-fonte]

Em Niamey, existem 410 escolas primárias, das quais 145 são privadas. A taxa de conclusão do ensino primário foi de 94,4% em 2009, muito maios que a média do país, que não chega a 50%.[38] Na cidade também está localizada a Universidade de Abdou Moumouni, antiga Universidade de Niamey.

Referências

  1. a b c d e f Laouali Souleymane (1 de julho de 2011). «Assane Seydou Sanda-elu-maire-de-la-ville-de-niamey&catid=34:actualites&Itemid=53 Installation du Conseil de ville de Niamey et élection des membres : M. Assane Seydou Sanda, élu maire de la ville de Niamey». Le Sahel (Niamey). Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em francês)
  2. Abdoulaye Adamou (2005). «Parcours migratoire des citadins et problème du logement à Niamey» (PDF). REPUBLIQUE DU NIGER UNIVERSITE ABDOU MOUMOUNI DE NIAMEY Faculté des Lettres et Sciences Humaines DEPARTEMENT DE GEOGRAPHIE. Consultado em 30 de dezembro de 2016  (em francês)
  3. a b c «Annuaire statistique du Niger» (PDF). 1 de julho de 2011. Consultado em 27 de novembro de 2016  (em francês).
  4. Serviço das Publicações da União Europeia. «Anexo A5: Lista dos Estados, territórios e moedas». Código de Redacção Interinstitucional. Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  5. Porto Editora. «Niamei». Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa da Infopédia – Enciclopédia e Dicionários Porto Editora. Consultado em 18 de janeiro de 2012 
  6. Lusa, Agência de Notícias de Portugal. «Prontuário Lusa» (PDF). Consultado em 10 de outubro de 2012 
  7. «Como pronunciar Niamey». Forvo. 16 de aneiro de 2010. Consultado em 31 de dezembro de 2016  Verifique data em: |date= (ajuda)
  8. a b Caroline Regina Rodrigues Sena (2012). «Françafrique: A Presença Francesa na África Diante dos Processos Descolonizatórios» (PDF). Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Consultado em 27 de novembro de 2016 
  9. Siomara Martínez (3 de agosto de 2010). «Niger, de la independencia al país más pobre del mundo». El Mundo. Consultado em 27 de novembro de 2016  (em espanhol)
  10. Daniel Flynn (13 de abril de 2014). «Enquanto o urânio não enriquece o Níger». Público.pt. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  11. Aloko-N'Guessan, Jérôme; Diallo, Amadou; Motcho, Kokou Henri (2010). Villes et organisation de l'espace en Afrique. KARTHALA Editions. pp. 30–31. ISBN 2-8111-0339-2 
  12. «Após golpe militar, tanques cercam palácio presidencial no Níger». G1. 19 de fevereiro de 2010. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  13. «Niamey is dusty streets and ornate mosques». Lonely planet. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em inglês)
  14. a b «Projeto na Bacia do Níger melhora a gestão de recursos hídricos na região». Por dentro da África. 5 de novembro de 2015. Consultado em 30 de dezembro de 2016 
  15. Ndèye Fatou Diop Guèye. Moussa Sy: Agriculteurs dans les villes ouest-africaines. Enjeux fonciers et accès à l’eau.. [S.l.]: IAGU Dakar., 2009. 109 p. ISBN 978-2-8111-0179-4 (em francês)
  16. a b c d e «Annuaire statistique 2003–2007» (PDF). Institut National de la Statistique. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em francês)
  17. «Map of Niamey, Niger». Climatemps. Consultado em 30 de dezembro de 2016  (em inglês)
  18. a b «Niger Regions.». statoids. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em inglês)
  19. Jolijn Geels. Niger: The Bradt Travel Guide. [S.l.]: Bradt, 2006. 116 p. IBSN 978-1-8416-2152-4 (em inglês)
  20. a b Adamou Abdoulay (2005). «Parcours migratoire des citadins et problème du logement à Niamey» (PDF). Département de Géographie, Faculté des Lettres et Sciences Humaines, Université Abdou Moumouni de Niamey. Consultado em 28 de dezembro de 2016 (em francês)
  21. «Répertoire National des Communes (RENACOM)». Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em francês)
  22. Adriano Lima Troleis, Ana Claudia Ventura dos Santos. Estudos do semiárido. [S.l.]: Universidade Federal do Rio Grande do Norte, 2011. IBSN 978-85-7273-869-9
  23. «Klimatafel von Niamey (Aéro) / Niger» (PDF). Federal Ministry of Transport and Digital Infrastructure. Consultado em 30 de dezembro de 2016  (em alemão)
  24. «Climatological Normals of Niamey». Hong Kong Observatory. Consultado em 30 de dezembro de 2016  (em inglês)
  25. «Climatological Information - Niamey». World Weather Information Service. Consultado em 30 de dezembro de 2016  (em inglês)
  26. Fernando Nobre (9 de junho de 2014). «Níger: Um país agrilhoado por uma demografia galopante». Visão - Solidária. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  27. AFP (23 de outubro de 2013). «Níger é o país que mais avançou no combate à mortalidade infantil». G1, Bem Estar. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  28. a b Thomas Krings. Sahelländer. [S.l.]: WBG, Darmstadt, 2006. ISBN 3-534-11860-X
  29. «Niger Ethnic groups». Index mundi. 8 de outubro de 2016. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em inglês)
  30. «Annuaire statistique 2003–2007 p.84"» (PDF). Institut National de la Statistique. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em francês)
  31. a b «Níger» (PDF). ACN. Consultado em 31 de dezembro de 2016 
  32. Rosen, Armin (9 de outubro de 2015). «Niger's desert north is a glimpse into the destructive brilliance of Gaddafi's 42 years in power». Business Insider. Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em inglês)
  33. «Sights in Niamey». LonelyPlanet. Consultado em 31 de dezembro de 2016  (em inglês)
  34. Dominique Auzias, Jean-Paul Labourdette.. Níger 2009.. [S.l.]: Nouvelle édition de l’Université, Paris 2009., 2009. ISBN 2-7469-1640-1 (em francês)
  35. «Igrejas cristãs brasileiras estão entre as 45 atacadas no Níger». G1 São Paulo. 19 de janeiro de 2015. Consultado em 27 de dezembro de 2016 
  36. «Oumarou Dogari elected new Mayor of Niamey». PanaPress. 1 de julho de 2011. Consultado em 28 de dezembro de 2016 (em inglês)
  37. Samuel Decalo. Historical Dictionary of the Niger (3rd ed.). [S.l.]: Boston & Folkestone: Scarecrow Press., 1997. 225-227 p. ISBN 0-8108-3136-8 (em inglês)
  38. «Statistiques de l'éducation de base. Annuaire 2009–2010» (PDF). Consultado em 27 de dezembro de 2016  (em francês)


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