Nicolau Mesarita

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Nicolau Mesarita
Nascimento 1163/1164
Morte após 1216
Nacionalidade Império Bizantino

Nicolau Mesarita (em grego: Νικόλαος Μεσαρίτης; transl.: Nikólaos Mesarítes); ca. 1163/1164 – após 1216) foi um clérigo e escritor bizantino, que posteriormente ascendeu ao ofício de metropolita do Éfeso no Império de Niceia.

Vida[editar | editar código-fonte]

Nascido ca. 1163/1164, Mesarita é registrado pela primeira vez em 1200, durante um fracassado golpe de João Comneno, o Gordo. Pelo tempo, Mesarita foi escevofílax da Igreja da Virgem do Farol no Grande Palácio de Constantinopla, e escreveu um relato como testemunha ocular dos eventos.[1] Após a captura de Constantinopla pela Quarta Cruzada em 1204, ele inicialmente permaneceu na cidade.[2]

No final de 1206, junto com seu irmão João, participou nas discussões entre o clero da Igreja Ortodoxa e as novas autoridades latinas, representadas pelo patriarca latino de Constantinopla Tomás Morosini e pelo legado papal, o cardeal Benedito de Santa Susana. A discussão falhou em resolver a cisão entre os dois partidos, com os gregos se recusando a subordinar-se ao clero latino.[2] Após a morte de seu irmão em fevereiro de 1207, Mesarita deixou o Império de Niceia, onde foi nomeado metropolita do Éfeso logo depois.[1]

Como metropolita do Éfeso, chefiou uma missão em 1214/1215 para Constantinopla para discussões com o novo enviado papal, o cardeal Pelágio de Albano. Mesarita escreveu um relato de suas discussões com Pelágio, onde destaca sua intransigência, intolerância quando ao clero da Igreja Ortodoxa e insistência na primazia papal.[1] Em 1216, oficiou o casamento de Irene Lascarina, a filha mais velha do imperador de Niceia Teodoro I Láscaris, e Andrônico Paleólogo.[3]

Escritos[editar | editar código-fonte]

O estilo de escrita de Mesarita, distinguido por "seu interesse em detalhes vívidos e em seu próprio papel nos eventos" (A. Kazhdan), marca uma partida consciente das convenções da literatura bizantina, que ele zomba.[1] Isso é particularmente evidente em sua descrição do golpe de 1200, que é mais vívido e imediato que os tratamentos mais estilizados e abstratos do mesmo evento feito por outros escritores contemporâneos.[4] O epitáfio composto para seu irmão contém também um relato ocular da queda de Constantinopla e eventos contemporâneos.[5][6] Mesarita também deixou uma descrição valiosa da Igreja dos Santos Apóstolos e da escola que funcionou em suas instalações.[7]

Referências

  1. a b c d Kazhdan 1991, p. 1346.
  2. a b Harris 2003, p. 169.
  3. Macrides 2007, p. 149–150 (nota 3).
  4. Kazhdan 1985, p. 218–220.
  5. Macrides 2007, p. 114 (nota 3).
  6. Harris 2003, p. 166.
  7. Kazhdan 1985, p. 125, 224.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Harris, Jonathan (2003). Byzantium and the Crusades (em inglês). Londres: Hambledon and London. ISBN 1-85285-298-4 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich (1991). The Oxford Dictionary of Byzantium. Nova Iorque e Oxford: Oxford University Press. ISBN 0-19-504652-8 
  • Kazhdan, Alexander Petrovich; Epstein, Ann Wharton (1985). Change in Byzantine Culture in the Eleventh and Twelfth Centuries. Berkeley e Los Angeles: University of California Press. ISBN 0-520-05129-7 
  • Macrides, Ruth (2007). George Akropolites: The History – Introduction, Translation and Commentary. Oxford: Oxford University Press. ISBN 978-0-19-921067-1