Nilcea Freire

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Nilcea Freire
Nilcea Freire em 2007.
2.ª Ministra-Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres do Brasil
Período 27 de janeiro de 2004
a 1º de janeiro de 2011
Presidente Luiz Inácio Lula da Silva
Antecessor(a) Emília Fernandes
Sucessor(a) Iriny Lopes
Reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Período 2000 a 2004
Vice-reitora da Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Período 1996 a 1999
Dados pessoais
Nascimento 14 de setembro de 1953
Rio de Janeiro
Morte 28 de dezembro de 2019 (66 anos)
Rio de Janeiro
Alma mater Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ)
Prêmio(s) Ordem de Rio Branco[1]
Cônjuge Eduardo Faerstein
Filhos 2
Partido PCB (1971–1989)
PT (1989–2016)
PSOL (2016–2019)
Profissão médica, pesquisadora, política

Nilcea Freire GCRB (Rio de Janeiro, 14 de setembro de 1953Rio de Janeiro, 28 de dezembro de 2019) foi uma médica, acadêmica, pesquisadora e política brasileira filiada ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL).[2][3] Foi ministra-chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres durante o governo Lula.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Nilcea graduou-se em medicina pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), sendo contratada a priori para o departamento de patologia, posteriormente tornou-se professora além de ocupar cargos administrativos na universidade como a assessoria da Sub-Reitoria de Pós-Graduação e Pesquisa, diretora de Planejamento e Orçamento e vice-reitora entre 1996 e 1999. Em 2000, tornou-se a primeira mulher a ocupar o cargo de reitora em uma universidade pública no estado do Rio de Janeiro.[4][5][6]

Durante sua gestão da reitoria, a UERJ implantou o sistema de quotas que reserva vagas para alunos negros de baixa renda e formados por escolas públicas.[7][8]

Secretaria de Políticas para as Mulheres[editar | editar código-fonte]

Filiada ao Partido dos Trabalhadores (PT) desde 1989, em 27 de janeiro de 2004 foi empossada Ministra-Chefe da Secretaria de Políticas para as Mulheres do governo Lula.[9][10]

Em julho de 2004, realizou a I Conferência Nacional de Políticas para as Mulheres,[9] que reuniu mais de 120 mil mulheres de todo o país e, em consequência dessa mobilização, publicou, no final de 2004, o Plano Nacional de Políticas para as Mulheres. Sob sua condução, foram implementadas as mais relevantes políticas públicas voltadas às mulheres da história do Brasil até o momento.

A lei Maria da Penha, seguida da formulação e execução do Pacto Nacional de Enfrentamento à Violência contra a Mulher, e programas como Gênero e Diversidade na Escola e Pró-Equidade de Gênero são exemplos disso. Além disso, Nilcea conduziu, ao longo dos sete anos em que esteve à frente da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, uma forte articulação internacional sobre o tema, tornando o Brasil uma liderança na área.[11]

Em 2005, foi admitida pelo presidente Lula já ao último grau da Ordem de Rio Branco, a Grã-Cruz suplementar.[1]

Em fevereiro de 2017, tornou-se diretora executiva do Museu do Samba.[12]

Atuação política[editar | editar código-fonte]

Durante a ditadura militar brasileira foi filiada ao Partido Comunista Brasileiro (PCB). Na clandestinidade política imposta pelos militares, foi exilada para o México entre 1975 e 1977.[13][14]

Foi filiada ao Partido dos Trabalhadores entre 1989 a 2016.[15] Apoiou a campanha do então candidato, Sérgio Cabral (PMDB) ao governo do Rio do Janeiro em 2006.[16]

Em 2016, filiou-se ao Partido Socialismo e Liberdade (PSOL),[17] partido pelo qual candidatou-se a a vereadora na cidade do Rio de Janeiro. No entanto, alcançou pouco mais de 5 mil votos, terminando na quinta suplência da coligação.[18]

Vida pessoal[editar | editar código-fonte]

Foi casada com Eduardo Faerstein e teve dois filhos.[19]

Morte[editar | editar código-fonte]

Faleceu em 28 de dezembro de 2019, vítima de um câncer no sistema nervoso aos 66 anos.[20][21] Nilcea recebia tratamento em sua residência.[22]

Referências

  1. a b BRASIL, Decreto de 25 de agosto de 2005.
  2. «Nilcea Freire (1953 - 2019) - Morre Nilcea Freire, ex-ministra e líder feminista». Folha de S.Paulo. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 29 de dezembro de 2020. (pede subscrição (ajuda)) 
  3. «Ex-ministra Nilcéa Freire morre aos 67 anos». Poder360. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  4. «ISTOÉ Gente». www.terra.com.br. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  5. «Professora Nilcéa Freire». UERJ - Universidade do Estado do Rio de Janeiro. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  6. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «FREIRE, Nilcea». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  7. «Cotas completam 15 anos: primeira turma da Uerj reflete sobre os desafios». O Globo. 21 de abril de 2019. Consultado em 30 de dezembro de 2019 
  8. «Arquivos cotas». Baobá. Consultado em 30 de dezembro de 2019 
  9. a b «Morre a ex-ministra Nilcéa Freire». G1. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  10. «Saiba quem foram as ministras do período democrático no Brasil». EBC. 16 de maio de 2016. Consultado em 30 de dezembro de 2019 
  11. «'Como sobrevivi a duas tentativas de assassinato pelo marido e mudei as leis do Brasil'». Terra. Consultado em 30 de dezembro de 2019 
  12. «Ex-ministra Nilcea Freira é a nova diretora do Museu do Samba». Extra Online. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  13. «Nilcea Freire (1953 - 2019) - Morre Nilcea Freire, ex-ministra e líder feminista». Folha de S.Paulo. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  14. Hann, Sandra (30 de dezembro de 2019). «NILCEA FREIRE (1953-2019): "A DOR DA GENTE NÃO SAI NO JORNAL"». Jornalistas Livres. Consultado em 12 de fevereiro de 2021 
  15. «Morre a ex-ministra Nilcéa Freire». G1. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  16. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «FREIRE, Nilcea». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  17. «Morre a líder feminista Nilcéa Freire, ex-ministra e ex-reitora da UERJ». Brasil de Fato. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  18. Eleições 2016: candidata Nilceia Freire
  19. Brasil, CPDOC-Centro de Pesquisa e Documentação História Contemporânea do. «FREIRE, Nilcea». CPDOC - Centro de Pesquisa e Documentação de História Contemporânea do Brasil. Consultado em 30 de janeiro de 2020 
  20. «Morre ex-ministra Nilcéa Freire, aos 67 anos». O Globo. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 29 de dezembro de 2019 
  21. Morre a ex-ministra Nilcéa Freire, consultado em 30 de dezembro de 2019 
  22. «Ex-ministra Nilcéa Freire morre aos 67 anos». Poder360. 29 de dezembro de 2019. Consultado em 30 de dezembro de 2019 

Precedido por
Emília Fernandes
Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres
2004–2011
Sucedido por
Iriny Lopes