Noémia Delgado

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Noémia Delgado
Nascimento 7 de junho de 1933
Huíla
Morte 2 de março de 2016 (82 anos)
Lisboa
Cidadania Portugal
Cônjuge Alexandre O'Neill
Ocupação diretora de cinema, Editor de filme, roteirista, diretor de documentários

Noémia de Freitas Delgado (São Pedro da Chibia, 7 de Junho de 1933 - Lisboa, 2 de Março de 2016) foi uma realizadora portuguesa da época do Novo Cinema, que usava técnicas do cinema directo, praticante da antropologia visual, tanto em obras de ficção como no documentário.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Noémia nasceu em São Pedro de Chibia em Angola e era filha de Luís Delgado e de Judite da Conceição de Freitas. Com um ano de idade vai com a família para Moçambique, tendo estudado na cidade de Lourenço Marques, no Instituto Portugal. [1][2][3]

Ainda como estudante integrou o núcleo de arte plásticas que ficou conhecido como Novos de Moçambique, entre eles estava o realizador Ruy Guerra, José Gil e Rui Knopfli.[4][5]

Depois de terminar a escola trabalhou na câmara municipal, no gabinete do arquitecto Nuno Craveiro Lopes que a convenceu a estudar Belas Artes em Lisboa. Assim, em 1955 veio para Portugal e frequentou o Curso de Escultura da Escola Superior de Belas Artes de Lisboa. Neste período convive com os alunos do curso de Arquitectura nomeadamente com Zé Almada Negreiros e Pitum.[6][7]

Em Julho de 1956 vai estudar para Paris na Escola Superior de Belas Artes de Paris mas a falta de dinheiro faz com que regresse a Portugal. [6] Durante a sua primeira passagem por Paris, Noémia conheceu e conviveu com Mário Pinto de Andrade e o escritor Castro Soromenho que será padrinho no seu casamento. [6][7][8]

Ao regressar a Portugal retoma o curso de escultura e a 27 de Dezembro de 1957, casou com Alexandre O'Neill, com quem teve um filho, o fotógrafo Alexandre Delgado O'Neill de Bulhões (1959-1993).[9][10][8] Este viria a morar e estudar em Boston, Condado de Suffolk, Massachusetts, e a morrer solteiro e sem geração, em Lisboa a 4 de Janeiro de 1993. Alexandre O'Neill divorcia-se dela pouco antes do seu segundo casamento, a 15 de Janeiro de 1971.[7][3]

O seu percurso no cinema inicia-se em 1963, altura em que vai trabalhar em montagem na produtora de António Cunha Teles. Em 1965 começa a trabalhar como realizadora. Neste ano concorre ao subsidio do SNI (Secretaria Nacional de Informação) para poder frequentar a London School of Film Technique onde foi aceite. Viu o SNI anular o concurso por motivos políticos. Noémia tinha estado presa entre Maio e Junho de 1962 na prisão de Caxias, onde comunicava com as outras presas através de batidas na parede (código Morse).[6][7]

Trabalhava na montagem do filme O Passado e o Presente de Manuel de Oliveira, quando consegue uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian e vai estagiar como assistente de realização de Jean Rouch, assim regressa a França em 1971. Em 1975 realiza o seu primeiro filme etnográfico Máscaras financiado pelo Instituto Português de Cinema, nele cruza a linguagem da ficção com a do documentário e filme etnográfico. Este filme acabou por ter um efeito imprevisto que foi a revitalização das tradições associadas às festas de inverno de Trás-os-montes. [11][3][7][12][13][14]

No ano seguinte, 1976, vai trabalhar para Roma no filme Torre Bela sobre Portugal, do realizador Thomas Harlan. Dois anos depois volta para Portugal e é convidada a fazer 4 documentários para a série documental Palavras Herdadas do produtor João Martins, sobre escritores portugueses.[6][15][1][7][3][16]

A par da escrita de guiões elabora projectos para a televisão e no inicio dos anos 80, consegue com o apoio do então director da Cinemateca Portuguesa, Luís Pina, financiamento para realizar a série Contos Fantásticos.[17][7]

Em 1982 assume a relação que tem com o arquitecto Teixeira Lopes, passando a viver em união de facto.[7]

Jacarandá no coração é o título do livro de poemas que publicou em 1986.[18][6] Em 1999, edita e publica um livro onde reúne as fotografias e os catálogos das exposições realizadas pelo o seu filho. [19]

Realizou o seu ultimo filme em 1988. Quem Foste, Alvarez?, é nome do documentário que Fernando Lopes a convidou, a fazer para uma série sobre pintores portugueses para a RTP.[3][7][20][12]

Filmografia[editar | editar código-fonte]

Montagem[editar | editar código-fonte]

Mostras[editar | editar código-fonte]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Arte, Cinema 7ª (6 de março de 2020). «Cinema português no feminino: muitos dias sem deus». Comunidade Cultura e Arte. Consultado em 21 de maio de 2020 
  2. Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «Noémia Delgado». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 21 de maio de 2020 
  3. a b c d e f g «Morreu a realizadora Noémia Delgado, pioneira do Cinema Novo - DN». www.dn.pt. Consultado em 21 de maio de 2020 
  4. «Portugal. Agência Geral do Ultramar. Divisão de Publicações e Biblioteca». Boletim geral do ultramar, Volume 27. 1952. Consultado em 21 de maio de 2020 
  5. Melo, Guilherme (1981). A sombra dos dias. Lisboa: Circulo de Leitores. pp. 96,129 
  6. a b c d e f Castro, Ilda (2000). Cineastas Portuguesas. Lisboa: Câmara Municipal de Lisboa, Ministério da Cultura, Instituto do Cinema, Audiovisual e Multimédia. pp. 12–77 
  7. a b c d e f g h i j Alvão, Luísa (8 de fevereiro de 2018). «Noémia Delgado». Enquadramento - Revista do Cineclube de Guimarães. ISSN 2183-1734. Consultado em 21 de maio de 2020 
  8. a b Oliveira, Maria Antónia (2007). Alexandre O'Neill: uma biografia literária. Lisboa: Dom Quixote. pp. 154,214,317. ISBN 978-972-20-3056-4 
  9. «Reportagem nos Açores - Livro - WOOK». www.wook.pt. Consultado em 21 de maio de 2020 
  10. volupianatabacaria (12 de março de 2012). «fotografia de Alexandre Delgado O'Neill». Volúpia na Tabacaria. Consultado em 21 de maio de 2020 
  11. Raposo, Paulo (2005). «Masks, Performance and Traditions: Local Identities and global contexts» (PDF). Etnográfica. Consultado em 21 de maio de 2020 
  12. a b c Liz, Mariana; Owen, Hilary (2020). Women's Cinema in Contemporary Portugal. Londres: Bloomsbury Academic. p. 26-32. ISBN 9781501349737 
  13. Castelo-Branco, Salwa El-Shawan; BRANCO, JORGE FREITAS (2003). Vozes do Povo: a folclorização em Portugal. Oeiras: Celta. 266 páginas. ISBN 972-774-174-6 
  14. Allan, Elkan (1985). A Guide to world cinema. London: Whittet Books, British Film Institute,. pp. 355, 356, 653 
  15. a b c Portugal, Rádio e Televisão de. «"Máscaras", de Noémia Delgado, exibido em Podence». "Máscaras", de Noémia Delgado, exibido em Podence. Consultado em 21 de maio de 2020 
  16. Da Cal, Ernesto Guerra (1975). Lengua y estilo de Eça de Queiroz: Bibliografía queirociana sistemática y anotada e Iconografía artística del hombre y la obra. Coimbra: Biblioteca Geral da Universidade de Coimbra. 418 páginas. ISBN 9789726160861 
  17. a b c d Portugal, Rádio e Televisão de. «Contos Fantásticos - Filmes - RTP». www.rtp.pt. Consultado em 21 de maio de 2020 
  18. «Biblioteca Nacional de Portugal». catalogo.bn.pt. Consultado em 21 de maio de 2020 
  19. «Biblioteca Nacional de Portugal». catalogo.bn.pt. Consultado em 21 de maio de 2020 
  20. a b Arte, Cinema Sétima (9 de março de 2020). «CINEMA PORTUGUÊS NO FEMININO: MUITOS DIAS SEM DEUS». Interior do Avesso. Consultado em 21 de maio de 2020 
  21. a b c d «Film Database» (PDF). Portuguese Women Directors. Consultado em 21 de maio de 2020 
  22. «Camilo Castelo Branco». Consultado em 21 de maio de 2020 
  23. «Camilo Pessanha: entre os dois abismos». Consultado em 21 de maio de 2020 
  24. «Almeida Garrett 1799-1854: escrever é lutar». Consultado em 21 de maio de 2020 
  25. «Eça de Queiróz: notas breves sobre». Consultado em 21 de maio de 2020 
  26. Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme Nascimento. «A Princesinha das Rosas». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 21 de maio de 2020 
  27. A Princesinha das Rosas, consultado em 21 de maio de 2020 
  28. Nascimento, Frederico Lopes / Marco Oliveira / Guilherme. «Tiaga ou a Reencarnação Deliciosa». CinePT-Cinema Portugues. Consultado em 21 de maio de 2020 
  29. «O Ladrão do Pão». Consultado em 21 de maio de 2020 
  30. O Visconde, consultado em 21 de maio de 2020 
  31. Ruy de Carvalho, consultado em 21 de maio de 2020 
  32. «Quem Foste, Alvarez?». Consultado em 21 de maio de 2020 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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