Nobres

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Disambig grey.svg Nota: Para o título nobiliárquico, veja Nobreza.
Município de Nobres
"Capital do Calcário"
Visão aérea da cidade

Visão aérea da cidade
Bandeira de Nobres
Brasão indisponível
Bandeira Brasão indisponível
Hino
Aniversário 1 de Maio
Emancipação 11 de novembro de 1963
Gentílico nobrense
Lema Trabalho e progresso
Prefeito(a) Leocir Hanel (PSDB)
(2017 – 2020)
Localização
Localização de Nobres
Localização de Nobres em Mato Grosso
Nobres está localizado em: Brasil
Nobres
Localização de Nobres no Brasil
14° 43' 12" S 56° 19' 40" O14° 43' 12" S 56° 19' 40" O
Unidade federativa Mato Grosso
Mesorregião Norte Mato-grossense IBGE/2008[1]
Microrregião Alto Teles Pires IBGE/2008[1]
Municípios limítrofes Alto Paraguai, Diamantino, Nova Mutum, Rosário Oeste, Santa Rita do Trivelato
Distância até a capital 142 km
Características geográficas
Área 3 859,509 km² [2]
População 15 338 hab. estimativa IBGE/2018[3]
Densidade 3,97 hab./km²
Altitude 200 m
Clima Tropical
Fuso horário UTC−4
Indicadores
IDH-M 0,699 médio IBGE/2010[4]
PIB R$ 571 477 000 IBGE/2014[5]
PIB per capita R$ 37 318 IBGE/2014[5]
Página oficial
Prefeitura Website oficial
Câmara Website oficial

Nobres é um município brasileiro do estado de Mato Grosso.

História[editar | editar código-fonte]

Avenida Juscelino Kubitschek em 1968

A região do atual município de Nobres foi ponto de passagem, no início do movimento garimpeiro em Mato Grosso, no sentido sul/oeste, que começou em 1747, entre Cuiabá e Diamantino. É Território habitado imemorialmente por povos indígenas da nação bacairis. Nobres é região rica em belezas naturais. Nos meandros da Serra do Tombador escondem-se verdadeiras maravilhas esculpidas pela natureza, com inúmeras cachoeiras e grutas, e algumas totalmente inexploradas. Existem sítios arqueológicos de grande valor científico, onde proliferam pinturas e inscrições rupestres, que atestam a antiguidade da vida humana na região.

No ponto onde situa-se a sede municipal, principiou uma povoação chamada de Seis Marias, talvez numa referência aos moldes de divisão de lotes no período provincial - sesmarias. Posteriormente lugar passou a ser conhecido como Bananal, tendo como proprietário Antônio Ferreira Lemes.

Na pesquisa histórica do Prof. Wagner Teixeira Florentino, em seu livro, "A História do Município de Nobres", consta que os primeiros moradores de Nobres de que se tem notícia foram Baldoíno Nicreta, Bernardo de Campos, João de Campos, José Benedito e Chico Ramos. Dentre outros nomes que a historigrafia não registrou.

O município de Nobres se formou à base de três sesmarias: Bananal, Francisco Nobre e Pontezinha. Do nome Nobre nasceu a denominação destinada a perdurar. O termo, usado no plural, designa as pessoas da família Nobre: Os Nobres.

A sesmaria do Bananal, de 13.300 hectares, foi assinalada por três marcos , ou seja, uma marco de locação e mais dois, de testemunhas, que indicavam as linhas de rumo, no Requeijão, em confinação com Rosário Oeste e no Cuiabá, avançando até o Córrego Fundo, tocando a sesmaria de Francisco Nobre.

A sesmaria de Francisco Nobre confinada com Diamantino e Chapada dos Guimarães, na região que mais tarde passou a pertencer ao município de Sorriso, criado em 1986.

Ao passo que a sesmaria de Potezinha pertencia inicialmente a Diamantino, depois passou para Rosário Oeste, para, por fim, despender de Nobres.

Enquanto Pontezinha pertencia a Rosário Oeste e produzia muito diamante, Josino Serra, Aparício Rondon e Pedro Soares, que ali trabalhavam, adquiriram gado e progrediam na vida. Deram impulso a Nobres. O povo mais desprevenido de bens vivia da fartura do peixe do Rio Cuiabá e dos córregos afluentes desse rio.

Na Divisão Territorial do Estado de Mato Grosso, de 31 de dezembro de 1936, o povoado de nobres aparece como distrito do município de Rosário Oeste.

Além dos pioneiros já ditos, outros nomes que ajudaram a fazer a história nobrense foram: José Rondon, Antônio Ferreira Lemes, Tomé da Silva Campos, José Elias de Arruda, Joaquim de Arruda, Felismino José Santana, Silvestre da Silva Nonato, Matutina da Silva Campos, Honorata de Campos, Justino de Paiva Coimbra, José Leite da Rocha, além de tantos outros.[6]

Combates de 1901[editar | editar código-fonte]

Um fato interessante que faz parte da história de nobres é que em 1901 houve um conflito entre forças representando o Estado de Mato Grosso e forças separatistas diamantinenses na serra do tombador onde ainda é possível encontrar resquícios da batalha como barricadas, rifles e cartuchos.[7] Este conflito faz parte de uma série de revoltas que assolaram o estado desde 1899 fazendo parte das Disputas Oligárquicas que ocorreu entre os anos 1892-1906. As tropas diamantinenses foram rechaçadas na Serra do Tombador por virtude de um traidor que mostrou o caminho para as forças do estado, pegando-os de surpresa. As tropas vencedoras seguiram para diamantino e lá saquearam-na e destruíram suas casas. Os moradores fugiram para as matas.[8]

Visita de Theodore Roosevelt[editar | editar código-fonte]

Em 1913 a Expedição Científica Rondon-Roosevelt passou pela região acampando numa fazenda na Serra do Tombador.[9][10]

Passagem da Coluna Prestes[editar | editar código-fonte]

Em 1926, a Coluna Prestes, que ficou conhecida historicamente como "os revoltosos[11]", cruzou o chão de Mato Grosso. Tencionavam chegar à Bolívia, numa fuga desesperada da força legalista. O grosso da tropa acompanhava o rio Manso, em busca do Rio Paraguai, vinha em seu encalço, nada encontrasse de útil para a base bélica. Moradores antigos da cidade contam que seus pais e avós ao saberem da chegada dos revoltosos fugiam desesperados para a mata.[12][13] Segundo o relato de alguns, um homem chamado Hemenegildo Galvão, inspetor de quarteirão do distrito, tentou sozinho barrar a chegada da coluna. Este foi capturado e amarrado com cordas em um cavalo e arrastado por centenas de metros.[14] Não consta morte nessa passagem. Isso vai de encontro com o que é relatado sobre o propósito da coluna de que os integrantes da Coluna Prestes denunciavam a pobreza da população e a exploração das camadas mais pobres pelos líderes políticos. Na verdade os relatos de testemunhas chegam mais perto do relato da escritora Eliane Brum em seu livro Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios).[15]

Geografia[editar | editar código-fonte]

Localiza-se à latitude 14º43'13" sul e à longitude 56º19'39" oeste, estando à altitude de 200 metros. Possui área de 7341,31 km² e sua população estimada em 2018 era de 15 338[3] habitantes, conforme dados do IBGE.

O município está localizado junto ao rio cuiabá tendo os rios serragem e nobres, que atravessam a cidade, desaguando no Cuiabá. Desta maneira nobres faz parte da Região Metropolitana do Vale do Rio Cuiabá. O solo apresenta uma grande variedade de grupos como por exemplo tossolos, Podizólicos, Hidromórficos Gleizados, Aluviais e Lateríticos indiscriminados. Entre os grupos prevalece, o Podzólico Vermelho-Amarelo TB Entrófico Abrúptico A moderado textura média/argilosa. Devido a predominância de calcário o município é servido de muitas grutas e cavernas, destacando a gruta da lagoa azul em Bom Jardim. A região de nobres é cortada por diversas serras como as Serras da Quitanda e Cancela, mais ao centro as Serras do Quebó e Furnas, ao Norte as Serras de Santa Rita e Cuiabazinho, ao sudoeste a Serra do Tombador ou Caixa Furada.[16]

Infraestrutura[editar | editar código-fonte]

Avenida Getúlio Vargas

Mídia[editar | editar código-fonte]

Os principais meios de comunicação são a internet, rádio,[17] jornal impresso[18] e televisão (TV aberta: TV Centro América, Gazeta, SBT e TV fechada: Oi TV, Claro TV, SKY, entre outras)

Transporte[editar | editar código-fonte]

Não há transporte público urbano visto que a cidade é pequena, táxis suprem a demanda. Há algumas empresas que fazem o transporte de passageiros da área rural, das vilas (Bom Jardim e Coqueiral), das aldeias indígenas Bakairi.[19] Algumas empresas de ônibus fazem o transporte rodoviário entre Nobres e Cuiabá: TUT Transportes, Verde Transportes, Viação Ouro e Prata, etc. De acordo com o Detran-MT a frota de veículos do município é de 8.176.[20]

Detran[editar | editar código-fonte]

54ª Ciretran

Há um posto do Detran-MT,[21] a 54ª Ciretran na Av. Getúlio Vargas, 1552, Centro. Lá os contribuintes poderão emitir taxas, fazer transferências de veículos, emitir 2ª vias, renovação de cnh dentre outros serviços.[22]

Educação[editar | editar código-fonte]

O município tem 5 escolas estaduais, 6 municipais, 2 particulares e 1 APAE: EE Marechal Cândido Rondon na Vila Roda D'água; EE Inocência Rachid Jaudy no bairro São José; EE Dr. Fábio Silvério Farias e EE Porf. Nilo Póvoas no Centro; EE Pref. Mário Abraão Nassarden no bairro Jardim Glória. Escola Municipal Marechal Cândido Rondon na vila Roda D'água; CEBM Prof. Maria Honorata de Campos no bairro Jardim Paraná; Escola Municipal Zeferino Dornelles da Costa na vila Bom Jardim; Escola Municipal Indígena Cel. Olavo Mendes Carvalho na Aldeia Santana; Escola Municipal Dalci Cândida de Souza no bairro Jardim Petrópolis; Creche Municipal Alda Pacheco Serra no bairro Jardim Carolina; Centro Educacional Cooperativo - CEC no bairro Aeroporto;[23] Colégio Nova Era - CNE no Centro e APAE Escola Nova Vida no bairro Jardim Paraná.[24]

Há também uma extensão/polo da Universidade Paulista UNIP em Nobres no CREAS do município.[25]

Economia[editar | editar código-fonte]

A principal fonte de economia é a industria[26] formada em quase sua totalidade por fábricas de calcário. Somente no município de Nobres há 9 fábricas responsáveis por 60% da produção de calcário do estado de Mato Grosso. São mais de 3 milhões de toneladas. As fábricas começaram a se instalar no município na década de 80 devido ao grande crescimento da agricultura no norte do estado facilitando, assim, a instalação.[27]Há também uma fábrica de cimentos da Votorantim iniciando suas atividades em agosto de 1991.[28][29] O turismo tem potencial de ser uma grande fonte de economia, basta que o governo tenha mais atenção a tal.

Turismo[editar | editar código-fonte]

O turismo em Nobres tem um grande potencial devido a variedades de pontos ecológicos, históricos e também culturais. Há parques estaduais como o Águas do Cuiabá e a Gruta da Lagoa Azul bem como diversos pontos turísticos no distrito de Bom Jardim.[carece de fontes?]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Divisão Territorial do Brasil». Divisão Territorial do Brasil e Limites Territoriais. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 1 de julho de 2008. Consultado em 11 de outubro de 2008. 
  2. IBGE (10 out. 2002). «Área territorial oficial». Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Consultado em 5 dez. 2010. 
  3. a b «Estimativa populacional 2018 IBGE». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). 29 de agosto de 2018. Consultado em 5 de setembro de 2018. 
  4. «Ranking decrescente do IDH-M dos municípios do Brasil». Atlas do Desenvolvimento Humano. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). 2010. Consultado em 3 de abril de 2017. 
  5. a b «Produto Interno Bruto dos Municípios 2014». Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Consultado em 3 de abril de 2017. 
  6. Ferreira 2001.
  7. Florentino 2002, pp. 23, 24.
  8. Rodrigues Vacari de Arruda, Larissa. «Disputas Oligárquicas: As práticas políticas das elites mato-grossenses 1892-1906» (PDF). Universidade Federal de São Carlos. Consultado em 11 de maio de 2017. 
  9. «BREVE HISTÓRICO DO MUNICÍPIO» (PDF). FUNBIO. Consultado em 18 de outubro de 2017. 
  10. Florentino 2002, pp. 26, 27.
  11. «Os Revoltosos de 1926». Recanto das Letras 
  12. «O que foi a Coluna Prestes? | Mundo Estranho». Mundo Estranho. 18 de abril de 2011 
  13. Narloch, Leandro (2009). Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil. [S.l.]: Leya 
  14. Florentino 2002, p. 27.
  15. Coluna Prestes: o avesso da lenda. [S.l.]: Artes e Ofícios. 1994. ISBN 9788585418380 
  16. «Geografia Nobres MT  -  Ache Tudo e Região». www.achetudoeregiao.com.br. Consultado em 4 de maio de 2017. 
  17. «Rádio Nobres FM 95.1». www.nobresfm.com.br (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2017. 
  18. «Tribuna de Nobres». www.tribunadenobres.com.br (em inglês). Consultado em 3 de maio de 2017. 
  19. «Comunidade indígena Bakairi – uma história de 130 anos em Nobres». Agitos Nobres - Notícias 
  20. «Total da frota de Mato Grosso por Município - 2017» (PDF). Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso. 8 de março de 2017. Consultado em 3 de maio de 2017. 
  21. «Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso». DETRAN MT. Consultado em 31 de julho de 2017. 
  22. «Google Maps». Google Maps. Consultado em 31 de julho de 2017. 
  23. «Escolas públicas e particulares de Nobres/MT. Endereço e telefone». www.educacao.cc. Consultado em 4 de maio de 2017. 
  24. «Apae de Nobres - Inclusão de Pessoa com Deficiência». Apae Brasil. Consultado em 4 de maio de 2017. 
  25. «POLO NOBRES - Página do Polo - UNIP EaD - Processo Seletivo 2016». www.unip.br. Consultado em 26 de maio de 2017. 
  26. «IBGE | Cidades | Infográficos | Mato Grosso | Nobres | Economia». cidades.ibge.gov.br. Consultado em 26 de abril de 2017. 
  27. «Indústrias de calcário de Mato Grosso adotam posição cautelosa em 2015». Agro Debate. 17 de janeiro de 2015 
  28. «Nobres Dicas Pantanal: Votorantim Fábrica de Cimento - Nobres Dicas do Pantanal». Nobres Dicas Pantanal. Consultado em 17 de maio de 2017. 
  29. «votorantim nobres - Pesquisa Google». www.google.com.br. Consultado em 17 de maio de 2017. 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

  • Conteúdo relacionado com Nobres no Wikimedia Commons