Norbert Rillieux

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Norbert Rillieux
"Ele fez nossa vida mais doce"
Conhecido(a) por inventor do evaporador de efeito múltiplo
Nascimento 17 de março de 1806
Nova Orleans, Louisiana, Estados Unidos
Morte 8 de outubro de 1894 (88 anos)
Paris, França
Nacionalidade Estados Unidos Estadunidense
Cônjuge Emily Cuckow
Alma mater École Centrale Paris
Prêmios National Inventors Hall of Fame (2004)
Campo(s) Engenharia e invenção

Norbert Rillieux (Nova Orleans, 17 de março de 1806Paris, 8 de outubro de 1894) foi um engenheiro e inventor estadunidense. Seu maior feito foi a invenção do evaporador de efeito múltiplo, um meio mais eficiente de evaporação da água, que foi um avanço importante para a crescente indústria açucareira. Norbert era primo do pintor Edgar Degas.[1]

Família[editar | editar código-fonte]

Norbert nasceu em uma proeminente família crioula em Nova Orleans. Era filho de Vincent Rillieux, um fazendeiro branco, engenheiro e inventor, com Constance Vivant, uma negra livre.[2] Norbert era o mais velho de sete crianças. Seus irmãos eram Barthelemy, Edmond, Marie Eugenie, Louis, Marie Eloise, e Cecile Virginie. A tia de Norbert, por parte de pai, era a avó do pintor Edgar Degas.[3]

Como um crioulo, Norbert teve acesso à educação e a privilégios não existentes para negros pobres e escravos. Batizado na Igreja Católica, ele recebeu educação em colégios católicos privados antes de viajar para Paris no início da década de 1820 para estudar em uma proeminente escola francesa, a École Centrale Paris. Lá ele estudou física, mecânica e engenharia, tornando-se um especialista em máquinas a vapor e publicou vários artigos sobre o uso do vapor em máquinas. Estes primeiros ensaios se tornaram a fundação da tecnologia que viria a ser implementada em seu evaporador. Aos 24 anos, Norbert se tornou o mais jovem professor da École Centrale, ensinando mecânica aplicada.[4] Era também um competente ferreiro, maquinista e falava fluentemente o francês.

Refino do açúcar[editar | editar código-fonte]

Na primeira parte do século XIX, o processo do refino do açúcar era lento, caro e pouco eficiente. Pegava-se a cana-de-açúcar e a prensava para extrair o caldo que era então fervido e deixado lá até a água evaporar. Os trabalhadores, em geral escravos, transferia o caldo grosso para jarros menores enquanto ele continuava engrossando.[5] Cada vez que o líquido era derramado, parte do açúcar se perdia. Uma quantidade considerável de açúcar também se perdia pela dificuldade de monitorar e manter os níveis de calor apropriados para os jarros. Era também um processo perigos para os trabalhadores, que constantemente precisava transferir o caldo quente.[1]

Cada vez que o líquido foi derramado, parte do açúcar foi perdido. Uma quantidade considerável de açúcar também foi queimada porque era difícil monitorar e manter níveis de calor apropriados para os potes. O processo também era perigoso para os trabalhadores, que tinham de rotineiramente transferir o líquido quente.

Na França, Norbert começou a procurar maneiras de melhorar o processo do refino. Enquanto isso, na Louisiana, seu irmão, Edmond, junto de um primo arquiteto, Norbert Soulie, começaram a trabalhar para Edmund Forstall para erguer uma nova refinaria de açúcar na cidade. Em 1833, Forstall, ouvindo falar da pesquisa de Nobert na França, ofereceu a ele um cargo como engenheiro chefe da ainda não pronta refinaria. Norbert aceitou a oferta, retornando para a Louisiana, porém a refinaria nunca foi terminada devido a desentendimentos entre os diretores, especialmente entre Edmond Rillieux, seu pai, Vincent Rillieux, e Edmund Forstall.[3] O ressentimento entre as famílias Rillieux e Forstall permaneceu por bastante tempo.

Apesar do fracasso, Norbert manteve-se focado em melhor o processo de refino, desenvolvendo uma máquina entre 1834 e 1843, quando registrou sua patente. O evaporador de efeito múltiplo foi assim nomeado devido ao processo ser seguro para os trabalhadores e pela transferência e aplicação desigual de calor. O sistema utiliza uma câmara a vácuo ou um recipiente que reduz o ar para abaixar o ponto de evaporação dos líquidos. Dentro ele possui várias panelas empilhadas para conter o caldo da cana. Conforme a panela na parte de baixo ferve, ela libera vapor que transfere calor para as panelas acima. Como é necessária apenas uma fone de aquecimento, a baixas temperaturas, é mais fácil controlar o processo. Isso também impede que o açúcar queime ou fique descolorido. Como não havia necessidade de transferir o caldo da cana, os trabalhadores corriam menos risco de queimaduras.[1]

Vários anos depois de patentear o sistema, Norbert o instalou com sucesso na fazenda de Theodore Packwood. Pouco depois, foi instalado em Bellechasse, parceiro de negócios de Packwood, Judah P. Benjamin, que se tornou grande amigo de Norbert.[3]

Após o sucesso inicial, Norbert convenceu outras 13 fábricas de açúcar da Louisiana a instalar sua invenção. Em 1849, Merrick & Towne, na Philadelphia, ofereciam aos fazendeiros três sistemas diferentes de evaporadores. Eles podiam escolher máquinas que podiam produzir de 2 a até 8 toneladas de açúcar por dia. O novo método era tão eficiente que os custos da compra da máquina eram logo pagos pelos lucros obtidos com a venda do açúcar produzido com este sistema.[1]

Outros trabalhos[editar | editar código-fonte]

Norbert também aplicou seus conhecimentos em engenharia na epidemia de febre amarela que atingiu Nova Orleans em 1850. Ele apresentou um plano à cidade que eliminaria os criadouros dos mosquitos transmissores, abordando problemas no sistema de esgoto da cidade e secando os pântanos na área. O plano foi vetado por Edmund Forstall. Anos mais tarde, em uma nova epidemia, engenheiros brancos lidaram com o problema de maneira extremamente parecida com a de Norbert.

Retorno à França[editar | editar código-fonte]

Norbert retornou para Paris no final da década de 1850, tendo interesse em egiptologia e hieróglifos, tendo estudado com a família de Jean-François Champollion. Passou a década seguinte trabalhando na Bibliothèque Nationale.[4]

Em 1881, aos 75 anos, Norbert fez uma última contribuição à evaporação do açúcar, adaptando sua invenção para a beterraba. O processo patenteado por ele tinha maior autonomia de combustível do que aquelas em uso na França. Antes de sua invenção, dois engenheiros desenvolveram um método semelhante ao seu, mas a máquina não funcionou corretamente devido ao uso de vapor em locais errados na máquina. O processo de Rillieux consertou os erros no processo anterior, mas Norbert perdeu os direitos à patente.

Morte[editar | editar código-fonte]

Norbert faleceu aos 88 anos em 8 de outubro de 1894. Ele foi enterrado no cemitério Père Lachaise, em Paris. Sua esposa, Emily Cuckow, faleceu em 1812 e foi enterrada ao seu lado.

Em sua homenagem, um memorial foi erigido no Museu da Louisiana, com os dizeres: "Em homenagem a Norbert Rillieux, nascido em Nova Orleans, Louisiana em 17 de março de 1806 e morto em Paris, França, em 8 de outubro de 1894. Inventor do evaporador de efeito múltiplo e de suas aplicações na indústria açucareira".[6]

Referências

  1. a b c d American Chemical Society National Historic Chemical Landmarks (ed.). «Norbert Rillieux and the Multiple Effect Evaporator». ACS. Consultado em 25 de novembro de 2016 
  2. «French Creoles». Consultado em 20 de fevereiro de 2013 
  3. a b c Benfey, Christopher (1997). Degas in New Orleans. [S.l.: s.n.] 
  4. a b «Rillieux Biography». Consultado em 20 de fevereiro de 2013 
  5. Wayne, Lucy B (2010). Sweet Cane: The Architecture of the Sugar Works of East Florida. [S.l.: s.n.] 
  6. Chenrow, Fred; Chenrow, Carol (1974). Reading Exercises in Black History. Elizabethtown, PA: The Continental Press, Inc. p. 52. ISBN 978-0845421079 

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • University of Michigan. (1993). Brodie, James M., Created Equal: The Lives and Ideas of Black American Innovators (pp 42–44)
  • MIT Press. (2005). Pursell, Carl W., A Hammer in Their Hands: A Documentary History of Technology and the African-American Experience (pp 59–70)
  • University of California (1999). Benfrey, Christopher., Degas in New Orleans: Encounters in the Creole World of Kate Chopin and George Washington Cable

Ligações externas[editar | editar código-fonte]