Nossa Senhora das Dores de Chandavila
Nossa Senhora das Dores de Chandavila
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| Imagem da Virgem das Dores de Chandavila em seu santuário em La Codosera | |
| Instituição da festa | 22 de agosto de 2024 pelo Cardeal Víctor Manuel Fernández |
| Venerada pela | Igreja Católica |
| Principal igreja | Santuário de Nossa Senhora das Dores de Chandavila, La Codosera, Espanha |
| Festa litúrgica | 27 de maio |
| Atribuições | Dores de Nossa Senhora |
| Padroeira de | La Codosera |
| «"Minha filha, eu sou a Mãe de Deus, a Virgem das Dores. Volte esta tarde para fazer uma penitência que lhe direi na presença dos habitantes deste lugar."» Mensagem da Virgem das Dores a Marcelina Barroso (04/06/1945)[1] | |
Nossa Senhora das Dores de Chandavila é uma das advocações que a Virgem Maria recebe desde suas aparições no ano de 1945 a duas crianças — Marcelina Barroso Expósito e Afra Brígido Blanco — perto de La Codosera, na Espanha. Em agosto de 2024, a Igreja Católica aprovou a devoção relacionada a estas aparições.[2][3]
As aparições
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Em 1945, duas meninas, Marcelina Barroso Expósito, de dez anos, e Afra Brígido Blanco, de dezessete anos, afirmaram ter testemunhado aparições da Virgem Maria na aldeia de Chandavila, parte da cidade espanhola de La Codosera.[4]
A primeira, Marcelina, viu a Virgem Maria em seu título de Nossa Senhora das Dores nos galhos de um castanheiro, enquanto Afra viu a cruz de Jesus. Ambas aparições ocorreram a partir de maio de 1945 no local onde hoje se encontra o atual santuário. Segundo Marcelina, a Virgem estava "rodeada de luminosas constelações, com manto negro bordado de estrelas, mãos juntas e belo rosto, que se refletia na tristeza mortal e divina".[5]
Marcelina recebia de sua mãe um olhar de reprovação ao mostrar interesse na fé católica e total resistência ao relatar ser confidente das aparições da Virgem. Tal oposição partira desde que seu esposo fora morto no contexto da Guerra Civil Espanhola, quando a Igreja se identificou como o "lado vitorioso" do conflito. Na época, Marcelina tinha 3 ou 4 anos e sua mãe estava grávida do irmão.[4]
Em 4 de junho de 1945, a Virgem das Dores ordenou que Marcelina retornasse às três da tarde para comunicar uma mensagem aos fiéis. No respectivo horário, a jovem retornou ao local onde teve a visão – um terreno com pedras estriadas que cortam e repleto de cascas de castanhas, que teriam ferido gravemente suas pernas –, ali recebendo da Virgem Maria a pergunta: "Você quer vir comigo?", ao qual Marcelina responde: "Sim, Senhora".[4] Em seguida, a Virgem Maria lhe disse que poderia voltar, sem desviar o olhar de sua aparição. Sua mãe, ao ver que a filha não tinha nenhum arranhão, começou a gritar: "Eu perdoo!". Estima-se que cerca de 6.000 ou 7.000 pessoas compareceram junto com a menina.[4]
Após essa conversa com a Virgem e o evento dos joelhos íntegros, Marcelina teve várias outras visões. A Virgem pediu a Marcelina que uma missa mensal fosse celebrada ali pedindo reparação, ao lado do castanheiro onde ela apareceu, e que uma capela fosse construída para que as pessoas pudessem rezar. Afra, por sua vez, entrava muitas vezes em êxtase ao refletir sobre a paixão de Jesus e trouxe em seu corpo os estigmas da cruz até o fim de sua vida.[4]
O Santuário de Chandavila
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O Santuário de Nossa Senhora das Dores de Chandavila é um santuário mariano localizado no município de La Codosera, província de Badajoz, Extremadura, na Espanha. Está erguido no local onde duas jovens, Marcelina Barroso Expósito e Afra Brígido Blanco, afirmaram ter presenciado as aparições da Virgem Dolorosa.[6][7]
Em maio de 1947, iniciou-se a construção de uma pequena capela onde se encontra o tronco de castanheiro onde a Virgem teria aparecido, posteriormente substituída por uma igreja maior em que se contempla uma imagem de Nossa Senhora das Dores.[7] Todos os anos, no dia 27 de maio, acontece uma peregrinação religiosa com pessoas da Espanha e de Portugal.[8]
Em 2020, a Santa Sé concedeu um Ano Santo Jubilar ao santuário, por ocasião do 75º aniversário das aparições da Virgem Maria naquele local.[9] No dia 15 de setembro de 2024, Dom José Rodríguez Carballo, o arcebispo de Mérida-Badajoz, presidiu uma missa na qual torna a ermida de Chandavila como um "Santuário Diocesano".[10]
Reconhecimento
[editar | editar código]Em uma carta publicada em 22 de agosto de 2024, o Dicastério para a Doutrina da Fé chama Nossa Senhora das Dores de Chandavila de uma "bela devoção" com "muitos aspectos positivos", incluindo conversões, curas e outros sinais visíveis da ação do Espírito Santo nos peregrinos que visitam o santuário.[11]
A carta aprovada pelo Papa Francisco e divulgada pelo cardeal Víctor Manuel Fernández durante uma audiência realizada no dia 22 de agosto, autoriza o santuário mariano de Chandavila a "continuar a oferecer aos fiéis que desejam se aproximar dele um lugar de paz interior, consolo e conversão".[11]
Ver também
[editar | editar código]Referências
- ↑ Blasco, Francisco José Cortes (30 de abril de 2020). «Principales apariciones marianas en España (VII)» (em espanhol). Centro Medjugorje. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «Virgem das Dores de Chandavila: aprovação do Dicastério para a Doutrina da Fé». Vatican News. 23 de agosto de 2024. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «Santa Sé aprova devoção a Nossa Senhora das Dores de Chandavila na Espanha». ACI Digital. 23 de agosto de 2024. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ a b c d e «Chandavila, un mensaje de perdón y amor a la Cruz» (em espanhol). omnes. 31 de agosto de 2024. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «27 de Maio – Nossa Senhora das Dores de Chandavila, Espanha». 27 de maio de 2023. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ Historia de La Codosera Arquivado em 14 de novembro de 2012, no Wayback Machine. - El Santuario de Chandavila
- ↑ a b «Aparición mariana de La Codosera» (em espanhol). Estremadura Misteriosa. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «Peregrinação de Chandavila». Serras de San Pedro - Los Baldíos. 2 de junho de 2023. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «La Santa Sede concede un Año Santo Jubilar al Santuario de La Codosera» (em espanhol). Religión Digital. 22 de maio de 2020. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ «Chandavila ya es Santuario Diocesano» (em espanhol). Arzobispado de Mérida-Badajoz. 24 de setembro de 2024. Consultado em 10 de julho de 2025
- ↑ a b Víctor Manuel Fernández (22 de agosto de 2024). «"UMA LUZ EM ESPANHA". Carta ao Arcebispo de Mérida Badajoz (Espanha) sobre a experiência espiritual de Chandavila». Santa Sé. Consultado em 10 de julho de 2025
Bibliografia
[editar | editar código]- José de la Cueva; Prodigios de La Codosera. Reportagem do Diario Informaciones de Madrid (1945), 47 pp.
- Un Devoto de la María; La aldea de la Virgen (La Codosera). Editora Juan Bravo, Madrid (1948), 216 pp.
- Fray Antonio Corredor, O.F.M.; ¿Qué ocurrió en La Codosera?. Edições Cruzada Mariana, Padres Franciscanos, Cáceres (1972).
- Francisco Barroso Silva; Chandavila: "Aquello... sucedió". Editora Cofradía de Nuestra Señora de los Dolores de Chandavila (2015), 240 pp.

