Nova Marabá

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Nova Marabá
  Distrito do Brasil  
Rodovia Transamazônica entre as Folhas 33 e 32.
Rodovia Transamazônica entre as Folhas 33 e 32.
Estado Pará Pará
Município Marabá
Criado em 1974
Área
 - Total 2104 km²
População (PMM/2000[1])
 - Total 51 501
    • Densidade 24,62 hab./km²

A Nova Marabá é um distrito urbano do município de Marabá. Hoje um distrito urbano, foi planejado para funcionar como um único bairro (Nova Marabá), e subdividido em setores, denominados de "folhas".

O bairro original foi concebido e planejado pelo urbanista Joaquim Guedes, e estabelecido na década de 1970.[2] Com o crescimento de áreas suburbanas ao bairro planejado, foi convertido em um distrito em 2006, sendo suas "folhas" convertidas em bairros, contudo permanecendo as denominações anteriores.

Histórico[editar | editar código-fonte]

A sede municipal de Marabá sofre com recorrentes cheias, que alagam vastas áreas de grande concentração demográfica na cidade. Desde a década de 1930 foram feitas tentativas de transferir a cidade para uma área não vulnerável a enchentes.[3]

O coronel da Guarda Nacional, Carlos Leitão, foi o primeiro a verificar a situação de vulnerabilidade da Velha Marabá. O velho distrito era estratégico comercialmente, mas não poderia suportar áreas residenciais, visto sua condição vulnerável às enchentes. Leitão preferiu construir seu primeiro acampamento na área que denominou de Quindangues (atual Cidade Nova). Pouco tempo depois construiu um acampamento definitivo a 10 km da foz do Itacaiunas, da qual denominou de Burgo do Tacay-Una.[4]

A primeira tentativa de desativação ou transferência do velho distrito foi feita pelo brigadeiro Lysias Rodrigues na década de 1930, mas além de não despertar muita atenção, encontrou forte resistência da população local. Rodrigues chegou a implantar o primeiro aeroporto da cidade na futura área da Nova Marabá para atrair interessados. Este aeroporto (ou pista de pouso), foi a primeira grande construção do futuro distrito.[5]

Diversos engenheiros, como Américo Barbosa de Oliveira (1938), Orlando Valverde e Catharina Vergolino Dias (1967) propuseram sem sucesso que o centro da cidade fosse transferido para partes mais altas, onde hoje se assentam a Cidade Nova e a Nova Marabá. Os engenheiros destacavam a má influência das enchentes para a cidade, que prejudicava até mesmo a coleta e o armazenamento dos produtos extrativistas.[5]

Projeto de 1970[editar | editar código-fonte]

Via Principal nº 7 (VP-7), entre as Folhas 20 e 21.

A proposta de solução definitiva ocorreu na década de 1970 quando o governo federal, por intermédio da SUDAM, promoveu as primeiras ações de planejamento urbano e desenvolveu um projeto urbanístico para Marabá. Estudos de viabilidade foram feitos para a definição do melhor sítio para a expansão da cidade e para a implantação da "Nova Marabá". Este projeto ficou conhecido como Plano de Expansão Urbana de Marabá (PEUM). [6]

Três sítios foram selecionados para implantar a Nova Marabá: o primeiro localizado na margem direita do rio Tocantins (São Félix); o segundo localizado na margem esquerda do Itacaiunas (Cidade Nova); e o terceiro onde se localizava o antigo aeroporto do município. Foi escolhido o terceiro sítio.

O terceiro sítio, dispondo de uma grande quantidade de terras disponíveis na área escolhida, levou à concepção de um projeto baseado no equacionamento da drenagem urbana por meio da utilização da declividade natural. A implantação prevista manteve distanciamento das margens dos rios, e procurou evitar as áreas de várzea e igapó.

Concepção urbanística[editar | editar código-fonte]

Foi realizado um concurso para seleção da concepção urbanística, tendo vencido a proposta de Joaquim Guedes. A proposta selecionada reforçou a noção de hierarquização das ruas, pelo sistema de folhas, constituído por uma malha ligeiramente deformada de avenidas de maior velocidade que modulam o distrito e contêm as unidades menores (folhas), onde as ruas acompanham declividades e geralmente recorrem ao cul-de-sac, para limitar a interferência do tráfego nas moradias, em total conformidade com a concepção urbanística difundida pelo movimento moderno. Foi proposta uma ocupação extensiva do solo, que permitia a reserva de espaços não edificáveis suficientes para atuarem como "esponjas" de absorção das águas das chuvas, associadas a grotas e varjões existentes.[7]

Esteticamente foi inspirada em uma estrutura vegetal, que lembrava uma árvore, onde os troncos seriam os "eixos viários periféricos", os galhos "o sistema viário principal de penetração" e as "folhas" as comunidades localizadas que correspondem aos bairros. Tal planta permitiria a expansão futura da cidade de modo "sistematizado", sendo mantido o contato com a floresta por meio de áreas de preservação.[7]

Processo de ocupação[editar | editar código-fonte]

A grande enchente de 1980 fez com que o governo federal agilizasse as obras. No entanto, logo após o estabelecimento do distrito, ele abandonou o projeto, forçando a SUDAM a incorrer na mesma atitude. A área foi transferida em 1981 para o município, assim como a responsabilidade de garantir a ocupação ordenada das folhas não implantadas.[3]

A intensa ocupação das áreas onde hoje se concentra o centro comercial da Nova Marabá representou um problema. A instalação das instituições públicas, comerciais, bancárias e de áreas vivência, supervalorizou algumas folhas, como é o caso das Fls 32, 31, 30, 26, 27, e 28, que ficam nas avenidas-tronco VP-8, VP-7 e Verdes Mares (VE-8). Em compensação, as áreas ás margens das avenidas tronco VP-3, VE-1 e VE-2 não tiveram a mesma atenção, e acabaram por alojar áreas periféricas no início do processo de ocupação.[5]

Dessa forma, no momento em que se iniciou a ocupação, desvirtuou-se a proposta urbanística da Nova Marabá. As folhas ocupadas posteriormente acabaram por refletir a desorganização que ocorreu na ocupação dos primeiros lotes do distrito. Dificuldades de gerenciamento existentes, devido as transformações que estavam em curso nos âmbitos político (fim do regime militar), econômico (estagflação brasileira) e social (reorganização dos movimentos sociais), o plano tornou-se inútil, e incapaz de aplicar os mecanismos de espacialização do capital na cidade ao espaço projetado, típico da concepção modernista. Tornou-se impossível gerir a ocupação da Nova Marabá.[5]

Grade urbana[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Anexo:Lista de bairros de Marabá
Paço municipal, na Folha 31

Em seu planejamento inicial, a grade urbana da Nova Marabá nasceu para funcionar como uma "grande árvore", com as "Vias Principais" e "Especiais" funcionando como troncos de ocupação ordenada, e as vias menores (capilares) servindo para a ligação com as folhas.[7]

Com a conversão da Nova Marabá em um distrito, no plano diretor, houve a definição de três áreas de ocupação distintas:[8]

  1. área central;
  2. área intermediária;
  3. área de expansão.

A Folha Industrial e o bairro Varjão cumprem um papel especializado dentro da Nova Marabá. Abrigam estruturas indústrias que se instalaram ao longo da rodovia Transamazônica.

Área central[editar | editar código-fonte]

A área central da Nova Marabá é composta basicamente por duas áreas, com organização singular: a primeira área são os bairros dos setores militares; e a segunda são as folhas planejadas.

Setores militares[editar | editar código-fonte]

Os setores militares foram as primeiras áreas ocupadas da Nova Marabá. Foram construídos para abrigar os familiares dos militares que estavam em combate na região contra os guerrilheiros comunistas.

São três os bairros militares: Vila Militar Presidente Castelo Branco; Vila Militar Presidente Costa e Silva; e Vila Militar Presidente Médici. Estão localizados nas partes mais altas da Nova Marabá, sendo assim seguros contra grandes enchentes. Contam com um ótimo sistema viário, dispondo também de sistemas de saúde e espaços de vivência de boa qualidade. Detém alguns dos melhores índices de desenvolvimento humano e de renda do município.[5]

Além das áreas residenciais, os setores militares também abrigam o comando da 23ª Brigada de Infantaria de Selva e o 33º Pelotão de Polícia do Exército (33º Pel PE). Há também como parte dos setores militares as sedes dos Batalhão de Infantaria de Selva (52º BIS) e logístico (23º BLog), além da sede do 1º Grupamento de Artilharia de Campanha (1º GAC).

As folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são as unidades básicas (bairros) da Nova Marabá. Planejadas segundo os conceitos modernistas, desempenham desde funções tipicamente residenciais, até funções administrativas e comerciais. Foram construídas para abrigar as populações da Velha Marabá que são continuamente afligidas pelas cheias.

O abandono do projeto e do planejamento traçado para a ocupação beneficiou as folhas que foram primeiramente ocupadas. Estas folhas – fls 17, 20, 21, 26, 27, 28, 29, 30, 31, 32 - dispõem de estrutura e nível de organização razoável, além de ser o centro comercial e político-administrativo do município de Marabá.[5]

As folhas ocupadas posteriormente tornaram-se áreas periféricas e com poucos recursos, pelo menos durante os primeiros anos de sua ocupação. Não houve uma ordenação suficiente durante a ocupação dos espaços das folhas periféricas, tanto que ocuparam áreas destinadas a funcionar como "esponjas" (áreas baixas e próximas a canais) foram extensamente ocupadas. Como consequência obras para correção e drenagem dos canais, demandam que as famílias que moram próximas a estes locais sejam remanejadas.[7]

Desde meados da década de 2000 há um processo de desconcentração espacial do comércio na Nova Marabá. Anteriormente basicamente concentrado nas fls 32, 31, 30, 28 e 27 (todas localizadas na VP-8), após a duplicação das avenidas tronco VP-3, VE-2 e VP-7, novos setores comerciais surgiram. Houve também uma desconcentração especializada, como a que se instalou nas rodovias Transamazônica e BR-155. Nas margens destas rodovias instalaram-se serviços mecânicos para suprir a demanda de motoristas e caminhoneiros que utilizam as rotas.[7]

Área intermediária[editar | editar código-fonte]

A área intermediária da Nova Marabá é composta das demais folhas do distrito, que dispõem de menor infraestrutura, mas que no entanto ainda refletem a organização inicial do distrito.[7]

Esta parte do distrito é composta pelas seguintes folhas: 5, 6, 7, 8, 9, 10, 11, 12, 13, 14, 15, 16, 18, 19 e 34 (esta última, uma antiga invasão). Tais folhas possuem linhas de transporte coletivo regulares, acesso á saúde e educação, mas no entanto ainda são carentes de recursos.[7]

Área de expansão[editar | editar código-fonte]

A supervalorização das áreas planejadas na Nova Marabá e a especulação formada em torno das áreas de expansão acabou formando grandes regiões periféricas no distrito. Surgiram inúmeras invasões e áreas de expansão ordenada (loteamentos/condomínios) que circundam praticamente toda a Nova Marabá. Essas áreas foram oficialmente anexadas ao distrito da Nova Marabá a partir do Plano Diretor de 2006.[8]

Dividem-se em três categorias distintas de ocupação: a primeira delas, são as áreas antigas e de ocupação espontânea, como é o caso da Folha 33, do bairro Perseverança (Vila da PRF) e do bairro Alzira Mutran (junção das ocupações do km-06, Km-07 e Araguaia/Fanta)[9]; a segunda categoria, são as áreas de ocupação espontânea recentes, como é o caso da Folha 25, Folha 35, do bairro Bandeira (popularmente conhecido como Nossa Senhora Aparecida ou Coca-Cola); a terceira categoria reúne as áreas de ocupação planejada, que estão localizados às margens da rodovia Transamazônica, no sentido Marabá – São João do Araguaia, com destaque neste sentido aos loteamentos Cidade Jardim, Delta Park, Total Ville Marabá e ao bairro Universitário (abriga os novos campus da UNIFESSPA e do IFPA).

Referências

  1. ALMEIDA, José Jonas (2008). A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais. [S.l.]: USP 
  2. «Joaquim Guedes». Arco Web 
  3. a b «A influência do governo federal sobre cidades na Amazônia: os casos de Marabá e Medicilândia». Núcleo de Altos Estudos Amazônicos/Periódicos UFPA 
  4. «A Fundação de Marabá». Marabá Online 
  5. a b c d e f «A cidade de Marabá sob o impacto dos projetos governamentais (1970-2000)». Universidade Federal da Grande Dourados 
  6. «Marabá». Marabá Gospel 
  7. a b c d e f g «Relatório de Avaliação de PDP – Município de Marabá» (PDF). Ministério das Cidades 
  8. a b «Lei Nº. 17.213 de 09 de Outubro de 2006: Institui o Plano Diretor Participativo do Município de Marabá, cria o Conselho Gestor do Plano Diretor e dá outras providências.» (PDF). Secretaria de Estado de Integração Regional, Desenvolvimento Urbano e Metropolitano 
  9. «PMM entrega títulos definitivos a moradores do Alzira Mutran». Jus Brasil