Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis

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Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis
Versão de 1830 dos Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis
Autor(es) Valério Máximo
Idioma Latim
Assunto Virtudes
Género Manual

Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis (em latim: Factorum ac dictorum memorabilium libri IX ou De factis dictisque memorabilibus or Facta et dicta memorabilia) de Valério Máximo (ca. 20 a.C. - 50 d.C.) foi escrito ca. 30 ou 31. É uma coleção de aproximados 1 000 contos que Valério escreveu durante o reinado de Tibério (r. 14–37).[1] As histórias são uma variedade de anedotas ilustrando como os romanos antigos viviam. Enquanto a maioria das histórias são da vida romana, ele também escreveu algumas histórias estrangeiras no final de alguns capítulos. Muitos deles são da vida grega e muitos dos biografados são filósofos ou reis famosos gregos.[2]

Várias das histórias se relacionam com assuntos morais que se igualam aqueles do Antigo e Novo Testamento. Valério refere-se a suas histórias como "exemplos" que eram para ser usados como guia moral. O trabalho de Valério na preservação dos valores morais da República Romana do passado foi amplamente popular através do Iluminismo. As pessoas liam o trabalho de Valério como guia prático em suas tarefas diárias para viver uma vida moral.[3] Esse trabalho foi especialmente usado como referência por altores e oradores profissionais.[1]

É estimado que o trabalho de Valério nestes nove livros levou mais de uma década. Ele obteve material de Cícero, e de Tito Lívio, Salústio, Pompeu Trogo, Marco Terêncio Varrão e outros historiadores antigos. Cada um dos nove livros têm vários capítulos. Cada capítulo é esboçado e agrupado tematicamente e contêm várias histórias ilustrando o tema.[4][5] Esse trabalho é o uso mais antigo conhecido de um sistema de organização hierárquica para tópicos de um livro. Há um total de 91 capítulos cobrindo uma ampla variedade de assuntos retirados da vida romana.[6] Valério organizou seus capítulos focados em virtudes particulares, morais e hábitos imorais, práticas religiosas, superstições e tradições antigas.[5] Há uma guia temático no fim da obra.[7]

Assuntos[editar | editar código-fonte]

Presságios[editar | editar código-fonte]

Lupa Capitolina: loba com Rômulo e Remo
Um ginete rodeado por pássaros de bom augúrio, ao qual se aproxima uma Nice levando louros de vitória. Cílice lacônio de figuras pretas, c.550–530 a.C.

Um exemplo dos temas abordados por Valério é suas histórias sobre presságios. Ele nota que as observâncias de presságios tinham conexão com a Religião na Roma Antiga desde que muitos homens acreditavam que eles eram da providência divina. Valério relata que presságios desempenharam um importante papel quando Roma foi destruída pelos gauleses em 390 a.C.. O senado estava deliberando se dever-se-ia mover Roma para Veios ou reconstruir os muros da cidade. Enquanto a questão estava sendo deliberada algumas coortes retornaram de seu serviço de guarda. O centurião deles então começou a gritar no lugar de reunião, "porta-estandarte, levante o estandarte; este é o melhor lugar para nós ficarmos." A cidade foi reconstruída no mesmo lugar então, desde que interpretaram suas palavras como um presságio.[8]

Auspícios[editar | editar código-fonte]

No capítulo 4 do livro primeiro, Valério trata sobre a superstição em auspícios. Auspícios significam "observações de pássaros." Advém das palavras latinas avis (pássaro) e spicere (observar ou vigiar). Antes de fazer algo de grande importância, os romanos "tomaria os auspícios" de modo a determinar o que os deuses aprovavam. Isso foi uma examinação do comportamento dos pássaros na fuga e alimentação.[9] Foi interpretado pelo áugure como a vontade dos deuses.

Uma história romana que Valério escreve é sobre a fundação de Roma por Rômulo e Rômulo e Remo. Ele relata que a fundação da cidade foi baseada em auspícios. Remo foi o primeiro a "tomar os auspícios" ao ver seus abutres. Rômulo depois viu 12 abutres. Rômulo alegou que tinha uma reivindicação maior, pois viu uma quantidade maior, mesmo embora Remo tenha sido o primeiro a avistar abutres.[9]

Outra história "estrangeria" que Valério escreve neste tema para uma comparação é a fundação da cidade de Alexandria no Egito. Foi fundada por Alexandre, o Grande em 331 a.C.. O arquiteto era Dinócrates. Ele relata que quando Dinócrates estava indo desenhar uma grande cidade no Egito, ele não tinha cal para usar para escrever. Em vez disso, ele usou uma grande quantidade de cevada e organizou os planos no chão. Um grupo de pássaros veio de um lago próximo e começou a cevada e o áugure egípcio interpretou isso como indício de abundância de alimentos para a futura cidade.[8]

Modéstia[editar | editar código-fonte]

Valério escreve sobre o tema da modéstia no capítulo 5 do livro 4 sobre o fato de que não havia assentos separados para os Pais Conscritos (senadores romanos) no teatro. Isso ocorreu dos primórdios de Roma no século VIII a.C. até o tempo do consulado de Cipião Africano e Tibério Semprônio Longo em 194 a.C.. Apesar disso, nenhum membro da plebe sentou em frente aos Pais Conscritos. O respeito dele por esta tradição também foi mostrada quando um dia Lúcio Quíncio Flaminino sentou-se muito atrás no teatro: ele foi situado ali, pois foi removido do senado romano por Catão, o Velho e Lúcio Valério Flaco. Flaminino já havia mantido o ofício de cônsul e era o irmão do Tito Quíncio Flaminino (cônsul em 198 a.C.), que tinha derrotado Filipe V da Macedônia (r. 221–179 a.C.) na Segunda Guerra Macedônica em 197 a.C.. Apesar de sua expulsão, em respeito a sua proeminência, toda a audiência colocou Flaminino à frente de modo que nenhum estivesse em sua frente.[10]

Valério ilustra outra história de modéstia quando ele escreve de Caio Terêncio Varrão. Varrão devastou a República Romana quando começou a batalha de Canas contra Aníbal, uma das piores batalhas da história registrada. Seu senso de vergonha não o permitiu aceitar a ditadura, mesmo embora fosse oferecida a ele; as pessoas da república atribuíram a grande derrota à ira dos deuses. Na inscrição sob sua máscara mortuária é mostrado que seu bom caráter lhe trouxe mais honra que muitos dos homens que tornar-se-ia ditadores.[10]

Valério relata outra história de modéstia quando o rei Hierão II de Siracusa ouviu sobre a desastrosa derrota romana na batalha do Lago Trasimeno. Ele imediatamente enviou 70 000 alqueires de trigo, 50 000 de cevada e ca. 190 quilos de ouro. Assim que o ouro foi aceito e não retornou ele apresentou-o na forma de uma estátua de vitória. Foi então que os romanos aceitaram-o por motivos religiosos.[10]

Maternidade[editar | editar código-fonte]

Pintura do século XVIII retratando Cornélia proclamando "estas são minhas joias" em referência a seus filhos
Pintura de Ticiano sobre o estupro de Lucrécia

Outro exemplo dos temas de Valério é quando escreve histórias sobre os pais romanos e a afeição deles para com suas crianças. Uma exemplo está no capítulo 4 do livro 4 quando, ao tratar da pobreza, relata a história dos irmãos Gracos, Caio e Tibério. Nesta história é relatado como um dia Cornélia Africana, a mãe deles (ela era filha de Cipião Africano), foi incomodada por uma dama hóspede que estava exibindo suas elegantes joias. Cornélia pacientemente suportou esta dama até seus filhos vierem para casa da escola. Então, apresentando-os a esta dama, ela proclamou orgulhosamente, "Estas são minhas joias."[11]

Outro exemplo no capítulo 8 do livro 8 é sobre o filósofo Sócrates. Ele escreve dele mostrando um lado íntimo que não competia com sua estatura, pois, como Valério coloca, nenhuma parte da sabedoria foi escondido dele. Ele mostra como Sócrates ceta fez um cavalinho de pau de cana para seus filhos. Ele então brincou com eles mostrando o lado parental de Sócrates.[12]

Valério escreve muitas histórias de outros pais romanos que geralmente são contrários à imagem estereotipada de serem brutais e ríspidos.[13] Alguns destes exemplos estão no capítulo 7 do livro 5 intitulado "O Amor e Indulgência dos Parentes para com Seus Filhos".[14] Ele escreve que os pais reais são aqueles que são benignamente permissivos e mostram indulgência.[13] Ele relata com deleite que este tipo de pai poderia ser encontrado nas ruas de Roma e que estes pais eram tão gentis quanto pais em uma comédia.[15] Ele descreve, contudo, no capítulo 8 do livro 5 sobre pais que eram severos com seus filhos e alguns pais romanos abusivos que eram patriarcas tirânicos matando e assassinando outros, incluindo aqueles de seu próprio sangue. Ele claramente relata estes que são extremamente rigorosos e severos como não mais desempenhando o papel de pais amorosos.[16]

Valério escreve de Lúcio Júnio Bruto, que matou seus filhos por falharem em seus deveres militares, ele deixou o papel de um pai e então podia atuar como cônsul.[17] Outros exemplos dessa mudança de função podem ser encontrados no livro 6. No capítulo 1.5, onde Valério conta a história de Quinto Fábio Máximo Eburno, Eburno tinha mantido os mais altos ofícios públicos com grande esplendor e terminou sua carreira com muita dignidade; contudo, ele tinha punido seus filhos por uma castidade duvidosa. No capítulo 1.6, Valério escreve sobre Públio Atílio Filisco, que foi abusado quando criança. Quando ele tornou-se adulto, Filisco tornou-se um pai rigoroso sobre a castidade Ciente dos atos sexuais pré-matrimoniais de sua filha, ele assassinou-a.[18]

O papel da mulher[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Mulheres da Antiga Roma

No livro 6, ao tratar da Castidade, relata o esteriótipo feminino como sendo bem-comportada e que enfrentaria a morte em vez da desonra. Uma história é a de Lucrécio no capítulo 1.1. Ele escreve que ela foi violentamente forçada a fazer sexo com Sexto Tarquínio, o filho do rei Tarquínio, o Soberbo. Lucrécio não pode suportar a desgraça e cometeu suicídio.[19] Outro exemplo é sobre Hipo, uma mulher grega. Ela cometeu suicídio em vez de ser estuprada por marinheiros bêbados.[20] Valério até mesmo escreveu no livro 2, capítulo 6.14, de como o sati era uma prática modelar admirável para todas as mulheres seguirem em seu dia.[13][21][22]

Homossexualidade[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Homossexualidade na Roma Antiga

Valério escreveu sobre a homossexualidade, que foi uma categoria incomum para os escritores daquele período. Esse aspecto da vida privada foi mantido em segredo. A única relação ao longo destas linhas que foi tolerada por lei era que entre um mestre e seu escravo. Valério, contudo, relatou sobre homossexualidade masculina no exército romano e a classe superior. Ele não relata da homossexualidade feminina nem "lésbicas" como alguns escritores fizerem naquele período.[21]

Exército romano[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Exército romano
Xilogravura de Quiomara impressa por Johannes Zainer ca. 1474

Nas histórias do exército romano, Valério sempre relata personagens militares do alto escalão tomando vantagem de sua posição. No capítulo 1.10 do livro 6, Valério conta a história de Caio Cornélio. Ele foi recompensado quatro vezes com o posto de centurião sênior de sua legião por seus superiores. Contudo, Caio Pescênio, um triúnviro capital (em latim: triumvir capitalis) em 149 a.C., lançou-o na cadeia algemado e acorrentado por ter relações sexuais com um jovem nascido livre. Cornélio não negou as acusações e estava preparado para fazer um sponsio (garantia legal). Ao fazê-lo, Cornélio estava fazendo uma declaração e colocar para baixo uma quantia em dinheiro como garantia da verdade. Se a garantida declaração fosse falsa, o jovem teria de pagar esta quantia. Segundo a declaração dele, o jovem abertamente e de bom grado vendeu seu corpo por dinheiro. Os tribunos recusaram-se a permitir isso, uma vez que eles pensavam que soldados da República Romana não deveriam fazer acordos nos quais eles podiam pagar por prazeres domésticos enfrentando perigos no exterior. Cornélio gastou o resto de sua vida em prisão.[23][24]

No capítulo 1.11 do livro 6, Valério conta a história de Marco Letório Mergo. Comínio e um tribuno da plebe convocou Mergo, uma indivíduo de carreira militar sênior, diante do povo devido suas relações sexuais com homens e mulheres jovens fora de seu casamento. Ele foi processado e enviado à prisão.[23]

No capítulo 1.12 do livro 6, Valério contou a história de Quiomara.[25] Quiomara era a esposa de Ortíago de Galácia. Durante a Guerra Gálata contra a República Romana, em 189 a.C., Cneu Mânlio Vulsão conseguiu vencer e subjugar todos os gálatas. Um de seus centuriões foi encarregado de um grupo de cativos incluindo Quiomara e lhe fez avanços sexuais, mas ela rejeitou-o. Indignado, ele violentou-a. Envergonhado, o centurião então ofereceu um resgate por ela a seus pais.[26] Depois de receber o resgate, enquanto contava as moedas de ouro, Quiomara secretamente sinalizou para seus pais, que o mataram e cortaram a sua cabeça.[25] Ela depois presenteou seu marido com a cabeça do centurião.[26]

Visões políticas[editar | editar código-fonte]

Moeda cunhada por Lúcio Apuleio Saturnino
"Mário em meio as Ruínas de Cartago" por John Vanderlyn

As visões políticas de romanos ordinários basicamente não foram escritas por muitos dos escritores antigos. Valério, contudo, escreveu sobre os costumes populares de Roma como uma sociedade democrática. Ele aponta que os romanos mais pobres tinham sim objetivos sobre como queriam estar e, em última instância, para onde queriam ir.[4]

Um exemplo de como visões políticas eram percebidas em seus dias está na história sobre Sexto Tício, que manteve uma pintura em sua residência de um radical morto chamado Lúcio Apuleio Saturnino, que era popular devido a uma nova reforma agrária que ele havia proposto; Tício acabou processado e punido devido a pintura e as suas visões políticas. Ele escreve que os romanos sentiam um lealdade pessoal para a memórias destes reformadores (como os irmãos Graco). A assembleia dos plebeus sentia que esta memória podia ser desviada se houvesse uma associação ao radicalismo.[4][27][28]

Muitas vezes houve impostores que disseram serem filhos de líderes populistas como Tibério, Caio Mário, Graco e Públio Clódio Pulcro. As pessoas de Roma amavam-os.[29][30] De fato, ele relata que alguém alegou ser o neto de Caio Mário e atraiu uma multidão como o próprio César obteria.[4]

Valério relata as atitudes da aristocracia e o desprezo a que a classe mais baixa foi submetido pela elite romana. Ele demonstra isso com a história sobre Cipião Emiliano. Certo dia Cipião pregou a um grupo de plebeus que, basicamente, eles são nada mais do que apenas um nível acima de ser escravos. Ele contou-lhes que nem mesmo mereciam chamar a Itália de lar deles.[31] Valério mostra um conceito similar com Públio Cornélio Cipião Násica Serapião. A história diz que Násica tratava um homem pobre como ridículo e desprezível, pois suas mãos eram muito ásperas para trabalhos manuais.[32] Valério escreve de ainda outro exemplo onde a aristocrática Cláudia esperava mais das pessoas comuns romanas para terminar a Primeira Guerra Púnica.[33]

Generosidade[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Generosidade (virtude)

Valério deu exemplo de generosidade no capítulo 8 do livro 5.[34] Valério escreve que generosidade é dada para aqueles que são pobres.[35] A palavra latina para generosidade é liberalitas, enquanto o deus do vinho é Líber. Ambas as palavras originaram-se de liber, significando "livre". Aqui ele conta a história de como, após os romanos capturarem a Ásia do rei Antíoco III, o Grande (r. 222–187 a.C.) em 190 a.C., eles deram uma grande porção dos territórios para o rei aliado deles Eumenes II de Pérgamo (r. 197–159 a.C.) como um presente permanente.[34]

Outro exemplo da generosidade que Valério escreve sobre ocorre após os romanos derrotarem Filipe V da Macedônia (r. 221–179 a.C.). Em 196 a.C., os gregos tinham os Jogos Ístmicos. Aqui Tito Quíncio Flaminino proclamou a independência dos Estados gregos do governo macedônio.[34] Nos jogos, o estádio estava cheio de pessoas e Tito pediu que o arauto fizesse a seguinte proclamação: "O senado e povo romano, e Tito Quíncio Flaminino, seus generais, tendo vendido os macedônios e Filipe, o rei deles, ordenam que a Grécia deve estar livre de guarnições estrangeiras, não sujeitas a tributos, e deve viver sob seus próprios costumes e leis."[34]

Bondade e compaixão[editar | editar código-fonte]

Dracma de Filipe V da Macedônia (r. 221–179 a.C.)
Perseu da Macedônia (r. 179–168 a.C.)

Os temas no capítulo 1 do livro 5 são a bondade e compaixão; Valério deu vários exemplos baseados nestes conceitos. Ele considerou-os virtudes menores que a generosidade, embora companheiras dela. Valério escreve que bondade é mostrada para aqueles que estão em pedido e compaixão é para aqueles cuja sorte virou-se com eles. Ele considerou a generosidade como tendo ela derivado seu nome de um deu, e deve receber a maior aprovação destas três.[36]

Uma história romana é onde Valério dá um exemplo de generosidade, bondade e compaixão. Aqui ele explica que um dia o senado romano recebeu a oferta de uma grande soma em resgate para a libertação de 2 743 soldados cartagineses e recusou-a. O senado libertou os soldados aos representantes que tinham vindo pegá-los, e perdoou seus crimes. Os representantes estavam atônitos e mesmo admitiram que eles mesmos não teriam sido tão bondosos e generosos.[36]

Outra história romana na qual Valério escreve sobre bondado é onde o rei Sífax da Numídia Ocidental morreu na prisão em Tibur (moderna Tivoli, Itália) em 201 a.C.. O senado deu-lhe um funeral estatal com uma tumba apropriada. Outra história similar na qual Valério escreve sobre compaixão é onde o senado enviou um questor para Alba Longa (no Lácio) em 167 a.C.. Lá, o rei Perseu da Macedônia (r. 179–168 a.C.) foi banido e morreria logo depois. Eles queriam dar-lhe honras e providenciar um funeral estatal a ele.[36]

Gratidão[editar | editar código-fonte]

Valério dá exemplos de gratidão no capítulo 2 do livro 5. Um exemplo é quando Valério escreve sobre como Cápua estava sendo sitiada por Quinto Fúlvio Flaco; havia duas mulheres campanianas que tinham sentimentos bondosos por Roma. Eles devotaram muito de seu tempo e propriedade para o benefício dela. Uma era Véstia Ópia, uma mulher casada com uma família, que trabalhou todos os dias para o exército romano. Outra era Clúvia Fácula, uma prostituta, que forneceu comida aos prisioneiros de guerra romanos. Quando Cápua foi derrotada, o senado romano devolveu a liberdade e propriedade delas e recompensou-as. Estas mulheres foram louvadas em uma importante reunião do senado em 210 a.C..[37]

Valério deu outro exemplo de gratidão quando escreveu de Quinto Fábio Máximo Verrucoso (ca. 280–203 a.C.), chamado "o Temporizador" (Cunctator). Fábio morreu em 203 a.C. após ser cônsul por cinco mandatos. Muitas pessoas de Roma generosamente deram dinheiro para sue funeral em gratidão por sua liderança. Quando ainda estava vivo, mostrou gratidão para mostrar a gratidão de seu excelente serviço para o povo romano, um referendo das plebes deu poder igual para seu mestre da cavalaria Marco Minúcio Rufo como co-ditador em 217 a.C..[38]

Ingratidão[editar | editar código-fonte]

Valério tratou o tema da ingratidão no capítulo 3 do livro 4. Valério escreveu que Cipião Emiliano, neto do famoso general Cipião Africano, tinha destruído duas cidades maiores, Numância e Cartago, que eram grande ameaças para Roma. Contudo, mais tarde ele encontrou a morte em Roma em circunstâncias misteriosas em 129 a.C.. Nunca houve alguém no Fórum Romano que vingou sua morte.[39]

Valério escreveu de outro exemplo de ingratidão em relação a Públio Cornélio Cipião Násica Serapião. Násica tinha liderado um grupo de senadores conservadores do senado romano para matar o tribuno populista dos plebeus Tibério Graco em 133 a.C.. Ele logo depois teve que se retirar da vida pública, pois o povo de Roma tinha jugado seus méritos injustamente. Násica, um pontífice máximo, foi para Pérgamo ostensivamente como um diplomata e nunca retornou. Ele morreu lá, mas nunca perdeu seu país, pois o povo romano era tão ingrato para o que ele considerou um grande feito que ele tinha feito a eles.[40]

Crimes infames[editar | editar código-fonte]

Valério escreve vários exemplos de crimes infames no capítulo 1 do livro 8 e como eles se relacionam com o ciúme.[41] Um exemplo relatado afirma que Marco Horácio foi considerado culpado de matar sua irmã. Horácio foi absolvido do crime quando ele apelou ao público. Em uma batalha defendendo Roma, Horácio derrotou os irmãos Curiácios e matou-os. Sua irmã estava prometida à um deles e chorou copiosamente, ouvindo de sua morte. Horácio então matou-a devido sua amor prematuro com o inimigo. As pessoas de Roma achavam que esta era uma punição severa porém, justa ao invés de um crime real da República Romana. Horácio recebeu glória por não apenas matar os irmãos Curiácios, o inimigo, mas por matar sua irmã.[42] Neste caso o povo romano estava agindo como o guardião estrito da castidade.[41]

Outro caso relatado por Valério é onde o povo romano estava agindo como um juiz laxista e injusto. Neste caso Sérvio Sulpício Galba estava sendo duramente denunciado na rostra por Lúcio Escribônio Libão, tribuno da plebe em 149 a.C.. Catão, o Velho apoiou as acusações do tribuno em um grande discurso em uma assebleia romana como é relatado em suas Origens. Galba cometeu um crime de guerra atroz contra os lusitanos. Ele tinha feito um acordo de paz com eles, mas então massacrou 8 000 deles enquanto era governador da Hispânia em 150 a.C.. Galba, sendo um grande orador em seu próprio direito, tinha nenhuma defesa real para seus crimes. Através de suborno e trazendo seus filhos e a criança órfão de um parente diante do público em um discurso de misericórdia, ele procurou sua absolvição.[41]

Outro caso onde Valério registra crimes da história antiga é sobre Caio Coscônio, pretor em 89 a.C. e governador da Ilíria de 78 a 76 a.C.. Ele foi acusado de desgoverno sob a Lei Serviliana em 101 a.C.. Não houve dúvida que ele foi culpado; contudo, ele recitou um poema sobre seu acusador, Valério Valentino, e conseguiu uma absolvição. O poema era sobre como Valério seduziu um jovem em uma toga listrada e uma jovem mulher liberta. Valério foi então condenado pela absolvição de Coscônio.[43]

Comportamento ultrajante[editar | editar código-fonte]

Dracma de Aníbal de Tarento

Valério relata no capítulo 5 do livro 9 sob Histórias Estrangerias que Alexandre, o Grande teve três estágios de arrogância. Um foi que ele olhou para baixo sobre seu pai Filipe II da Macedônia e clamou que Júpiter Amom era seu pai verdadeiro. Outro foi que ele recolheu o vestir e o comportamento dos persas. E ainda outro que ele alegou ser um deus, e não um ser humano.[44]

Valério escreve outra história estrangeria sobre Xerxes I. Para mostrar seu comportamento ultrajante e arrogância, ele conta como Xerxes convocou todos os líderes da Ásia. Quando esta para declarar guerra à Grécia, ele contou-lhes, "Eu não quero [que] as pessoas pensem que I estou agindo em minha própria iniciativa, então eu trouxe vocês juntos aqui. Mas lembrem que esse é seu dever de obedecer-me em vez de persuadir-me." Valério relata que na invasão Xerxes sofreu tamanha derrota que alguém poderia perguntar se suas palavras já eram tão arrogantes e estúpidas.[45]

Valério ainda escreve sobre outra história estrangeria de Aníbal e quão arrogante ele estava após seu sucesso na batalha de Canas. Ele conta como Aníbal teve desilusão de grandeza e então não recebeu qualquer dos seus concidadãos diretamente. Ele apenas comunicou através de um intermediário. Ele mesmo insultou seu comandante de cavalaria Maárbal, que tinha dito na frente de sua tenda em voz alta que ele tinha planejado as coisas de modo que Aníbal estaria jantando no Capitólio de Roma dentro de alguns dias.[46]

Referências

  1. a b Walker 2004, p. xiii.
  2. Walker 2004, p. xix.
  3. Walker 2004, p. xxii.
  4. a b c d Walker 2004, p. xvii.
  5. a b Walker 2004, p. vii Tabela de Conteúdos.
  6. «A short history of information retrieval» (em inglês). Consultado em 14 de agosto de 2014 
  7. Walker 2004, p. 355.
  8. a b Walker 2004, p. 17.
  9. a b Walker 2004, p. 14.
  10. a b c Walker 2004, p. 142.
  11. Walker 2004, p. 138.
  12. Walker 2004, p. 291.
  13. a b c Walker 2004, p. xv.
  14. Walker 2004, p. 189.
  15. Walker 2004, p. 193.
  16. Walker 2004, p. 191.
  17. Valério Máximo 30/31, V.8.1.
  18. Walker 2004, p. 199.
  19. Walker 2004, p. 198.
  20. Valério Máximo 30/31, 6.1..
  21. a b Walker 2004, p. xvi.
  22. Valério Máximo 30/31, 2.6.14.
  23. a b Walker 2004, p. 200.
  24. Valério Máximo 30/31, 6.1.10.
  25. a b Valério Máximo 30/31, 6 ext. 2.
  26. a b Walker 2004, p. 201.
  27. Walker 2004, p. 271.
  28. Valério Máximo 30/31, 8.8.1.damn. 3.
  29. Valério Máximo 30/31, 9.7.1 e 7.2.
  30. Valério Máximo 30/31, 9.15. 1-4.
  31. Valério Máximo 30/31, 6.6.2.3.
  32. Valério Máximo 30/31, 7.5.2.
  33. Valério Máximo 30/31, 8.1. damn. 4.
  34. a b c d Walker 2004, p. 155.
  35. Walker 2004, p. 157.
  36. a b c Walker 2004, p. 157.
  37. Walker 2004, p. 165.
  38. Walker 2004, p. 166.
  39. Valério Máximo 30/31, 4.1.12.
  40. Valério Máximo 30/31, 3.2.17.
  41. a b c Walker 2004, p. 266.
  42. Valério Máximo 30/31, 8.1.abs.1.
  43. Walker 2004, p. 268.
  44. Valério Máximo 30/31, 9.5. ext.1.
  45. Valério Máximo 30/31, 9.5.ext.2.
  46. Valério Máximo 30/31, 9.5.ext.3.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Valério Máximo (30/31). Nove Livros de Feitos e Dizeres Memoráveis. [S.l.: s.n.]  Verifique data em: |ano= (ajuda)
  • Walker, Henry John (2004). English translation of Valerius Maximus' Memorable Deeds and Sayings: One Thousand Tales from Ancient Rome. [S.l.]: Hackett Publishing. ISBN 0-87220-674-2