Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha
| Nuno Rocha | |
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| Nome completo | Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha |
| Nascimento | |
| Morte | 5 de julho de 2016 Cascais, Portugal |
| Nacionalidade | Portuguesa |
| Ocupação | Jornalista, escritor, professor |
Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha (Porto, 13 de fevereiro de 1933 – Cascais, 5 de julho de 2016[1]) foi um jornalista, professor e escritor português. Destacou-se na época anterior e posterior ao 25 de Abril de 1974, tendo sido um nome de destaque na defesa da liberdade de imprensa[2] e distinguido com o prémio World Press Freedom Hero[3].
Trabalhou na redação de diversos jornais, como O Primeiro de Janeiro, Diário Popular e Diário de Lisboa, e foi ainda fundador do jornal Tempo (1975) e cofundador do Correio da Manhã (1979)[4] [5].
No ensino, Nuno Rocha foi diretor da Escola de Jornalismo da Universidade Independente e lecionou tanto em Portugal como em Espanha[1].
Vida pessoal
[editar | editar código]Nuno Augusto Ferreira Alves Rocha nasceu no Porto, a 13 de fevereiro de 1933, e morreu a 5 de julho de 2016, aos 83 anos, no hospital de Cascais.[6]
Foi uma das personalidades mais marcantes do mundo do jornalismo, área na qual exerceu durante 16 anos, enveredando depois para o ensino da mesma, na Universidade Independente. Escreveu ainda diversas obras.[7]
Nuno Rocha foi uma figura reconhecida internacionalmente pelo empreendedorismo e irreverência jornalística, que marcaram o meio do jornalismo.[1]
Contextualização histórica
[editar | editar código]Nuno Rocha viveu num dos períodos mais agitados da história portuguesa – o 25 de Abril de 1974 –, tendo-se revelado uma figura ativa na turbulência pré, durante e pós-revolução.[2]
Na sequência do seu forte posicionamento político e convicção nos seus princípios, o jornalista foi preso no dia 13 de abril de 1975, pelo COPCON, durante 17 horas, em Caxias[8], por ter tentado fundar o jornal Tempo. A sua posterior libertação reforçou a sua posição como defensor da autonomia e liberdade de imprensa.[9]
Carreira jornalística
[editar | editar código]Nuno Rocha iniciou a sua carreira jornalística em 1954, no diário O Primeiro de Janeiro, [10]onde trabalhou durante seis anos. Posteriormente, trabalhou em mais redações do Diário Ilustrado, Diário Popular e Diário de Lisboa, onde escreveu as edições de domingo e conheceu o jornalista Francisco Pinto Balsemão.[11]
Após o 25 de Abril de 1974, Nuno Rocha era caracterizado como um jornalista conservador e controverso, que desempenhou um papel importante na renovação da imprensa portuguesa. A 29 de maio de 1975, fundou o jornal Tempo, assumindo a função de diretor.[4] O jornal distinguiu-se pela sua linha editorial e ideológica de centro-direita, marcada pela defesa da liberdade de expressão, numa época em que existia uma forte polarização política em vésperas do “Verão Quente”. O Tempo alcançou uma grande influência e chegou a vender mais de 100 mil exemplares semanais, criando uma forte concorrência com outros jornais como o Expresso e o Jornal, tornando-se uma das principais referências da imprensa portuguesa, num período pós-revolução.[9]
Em 1979, Nuno Rocha foi também um dos fundadores do diário Correio da Manhã, juntamente com Carlos Barbosa e Vítor Direito[5], que futuramente veio a afirmar-se como um dos jornais mais populares do país[12]. Para além da sua atividade jornalística, desempenhou várias funções em diversas organizações de imprensa, como a Associação de Jornalistas Europeus, o Sindicato Nacional dos Jornalistas e a Casa da Imprensa.[13]
Carreira no ensino
[editar | editar código]Após ter vendido o jornal que fundou, Tempo,, Nuno Rocha foi diretor da Escola de Jornalismo da Universidade Independente, onde foi também professor de unidades curriculares ligadas ao jornalismo e, em 1996, fundou a revista Media XXI. Posteriormente, lecionou também em Espanha.[1] [4] [14]
Reconhecimento
[editar | editar código]Nuno Rocha foi jornalista, com uma importância incomum no processo da liberdade de imprensa durante o Governo do Estado Novo. Destacou-se, sobretudo, com a fundação do jornal Tempo em maio de 1975[1] [4], na ajuda ao Correio da Manhã em 1979 [12] [4] e, devido ao seu papel como presidente da Associação de Jornalistas Europeus e dirigente do Sindicato Nacional dos Jornalistas e da Casa da Imprensa.[15]
Ficou reconhecido a nível nacional e, apesar de ter morrido há 11 anos, em 2016, continua a ser um nome citado em muitas ocasiões. A sua atuação foi preponderante e necessária, chegando a fazer frente a um governo autoritário e repressivo, existente no país anteriormente, que usava os jornais como principal meio de propaganda do regime, lutando pela liberdade e imparcialidade da imprensa.[15]
No ano de 2000, foi-lhe atribuído o prémio World Press Freedom Hero pelo International Press Institute[16], devido ao seu contributo na promoção da liberdade de imprensa durante o Estado Novo, ajudando a tornar os media neutros e objetivos. [15]
O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lembra Nuno Rocha como “um nome incontornável na história do jornalismo português” e anuncia que este “teve um papel muito importante na construção de um país plural, livre e democrático depois da Revolução de Abril”. Na opinião de Rebelo de Sousa “Nuno Rocha deixa a sua marca na imprensa e, através dela, em particular do Tempo, perpetua a sua memória na sociedade portuguesa”.[12] [15]
Prémios
[editar | editar código]- World Press Freedom Hero, atribuído pelo International Press Institute.[16]
Obras
[editar | editar código]• França - A Emigração Dolorosa (Lisboa, 1965); [17]
• Guerra em Moçambique: Um repórter na zona dos combates (Lisboa,1969); [18]
• Memórias de um ano de revolução: Itinerário de um jornalista em luta por um jornal (Lisboa, 1975); [19]
• O jornalismo como romance: Pessoas e paisagens (Lisboa, 1983); [20]
• Timor-Timur: 27.ª Província da Indonésia (Lisboa, 1987); [21]
• Timor – O fim do Império (Lisboa, 1999). [22]
Legado
[editar | editar código]O legado de Nuno Rocha baseia-se na modernização da imprensa portuguesa pós-25 de Abril, através da criação de meios de comunicação que marcaram uma era e contribuíram para a amplificação mediática em Portugal. A fundação do semanário Tempo, em 1975, é reconhecida como um marco no jornalismo nacional, pela forma como introduziu novas dinâmicas editoriais e abriu caminho a modelos de jornalismo de opinião e de mercado no período democrático. [9] [15] [12]
Sob a sua direção, o Tempo chegou a vender mais de 100 mil exemplares, tornando-se um dos semanários mais influentes da época. [4] [7]
Além do seu trabalho como editor, Nuno Rocha destacou-se como formador e impulsionador de profissionais, tendo deixado uma influência duradoura nas gerações seguintes de jornalistas. O reconhecimento público e institucional que recebeu reforça a importância do seu contributo para a liberdade de imprensa e para a estruturação dos media portugueses.[1] [4] [14]
Referências
- 1 2 3 4 5 6 FILIPE, C. (5 de junho de 2016). «Morreu Nuno Rocha, fundador do Tempo». jornaldenegocios. Consultado em 25 de novembro de 2025
- 1 2 JOSÉ (9 de julho de 2016). «portadaloja: O Tempo acabado de Nuno Rocha». portadaloja. Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ INSTITUTE, I.P. (10 de setembro de 2020). «NUNO ROCHA». ipi.media (em inglês). Consultado em 25 de novembro de 2025
- 1 2 3 4 5 6 7 IMPRENSA, C.P. (5 de julho de 2016). «Morreu Nuno Rocha, repórter por vocação e fundador do Tempo». CLUBE PORTUGUÊS DE IMPRENSA. Consultado em 19 de novembro de 2025
- 1 2 MIRANDA, C.A.S. (Março, 2012). «Revisão no Correio da Manhã e respectivas revistas» (PDF). REPOSITÓRIO RUN. p. 11. Consultado em 18 de novembro de 2025
- ↑ DN, R. (5 de julho de 2016). «Morreu Nuno Rocha, fundador do jornal "Tempo"». DIÁRIO DE NOTÍCIAS (em inglês). Consultado em 27 de outubro de 2025
- 1 2 OBSERVADOR (5 de julho de 2016). «Morreu Nuno Rocha, jornalista fundador do Tempo». Observador. Consultado em 26 de outubro de 2025
- ↑ DN, R. (5 de julho de 2016). «Nuno Rocha foi preso a 13 de abril de 1975». Diário de notícias. Consultado em 22 de novembro de 2025
- 1 2 3 TEMPO (2019). «Última Edição | Tempo». hemerotecadigital;cm-lisboa. Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ DIGITAL, H. (1 de março de 1969). «Hemeroteca Digital - O Primeiro de Janeiro». Hemeroteca Digital; cm-lisboa. Consultado em 10 de novembro de 2025
- ↑ JORNALISTAS, S. (4 de julho de 2016). «Morreu o jornalista Nuno Rocha – Sindicato dos Jornalistas». SINDICATO DOS JORNALISTAS. Consultado em 10 de novembro de 2025
- 1 2 3 4 RTP, L. (5 de julho de 2016). «PR lamenta morte de Nuno Rocha, "nome incontornável" no jornalismo português». RTP. Consultado em 20 de novembro de 2025
- ↑ WITKOWSKI, K. (11 de julho de 2016). «IPI World Press Freedom Hero Nuno Rocha dies at 83». IPI MEDIA. Consultado em 24 de outubro de 2025
- 1 2 LUSA, Z. (5 de julho de 2016). «Morreu o jornalista Nuno Rocha, fundador do jornal Tempo». ZAP Notícias - Atualidade, mundo, ciência, saúde, desporto. Consultado em 25 de novembro de 2025
- 1 2 3 4 5 LUSA, P. (5 de julho de 2016). «Morreu Nuno Rocha, o jornalista fundador do "Tempo"». PÚBLICO e Lusa. Consultado em 23 de novembro de 2025
- 1 2 INSTITUTE, I.P. (2025). «2025 World Press Freedom Heroes». ipi.media (em inglês). Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1965). «França A Emigração Dolorosa | Trade Stories». tradestories.pt. Consultado em 25 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1969). «Livros: "Guerra em Moçambique: um repórter na zona dos combates" - autor: Nuno Rocha, jornalista do vespertino lisboeta 'Diário Popular'». ultramar.terraweb.biz. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1975). «Memórias de um ano de Revolução | Trade Stories». tradestories.pt. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1983). «ROCHA (NUNO) – O JORNALISMO COMO ROMANCE | Livraria Candelabro». Candelabro. Consultado em 23 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1987). «Rocha, Nuno - Timor - Timur. 27ª Província da Indonésia». Homem dos livros. Consultado em 27 de novembro de 2025
- ↑ ROCHA, N. (1999). «Livros Ultramar - Guerra Colonial: Descolonização - 'TIMOR - O FIM DO IMPÉRIO', de Nuno Rocha - Lisboa 1999 - Muito Raro;». Livros Ultramar - Guerra Colonial. Consultado em 27 de novembro de 2025