Nuno Vasconcellos

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Nuno Rocha dos Santos de Almeida e Vasconcellos é um empresário português com uma carreira voltada para a área de telecomunicações, mídia, tecnologia e imobiliário tanto em Portugal como no Brasil.. É presidente do portal de notícias IG.

Família[editar | editar código-fonte]

Filho de Luíz Fernando Teuscher de Almeida e Vasconcelos,[1] fundador do jornal Expresso e da televisão SIC, do Grupo Impresa, e de Isabel Rocha dos Santos[2], e neto de João Rocha dos Santos, fundador da Sociedade Nacional de Sabões. Foi casado com Maria Alexandra Mascarenhas. Tem três filhos: Diana Mascarenhas de Almeida e Vasconcellos (12 de Fevereiro de 1996) e Luísa Mascarenhas de Almeida e Vasconcellos (7 de Novembro de 2003), com Maria Alexandra, e Nuno Luiz Strand de Almeida e Vasconcellos (4 de agosto de 2018), com a sua esposa Rafaela Strand de Almeida e Vasconcellos.

É afilhado de Francisco Pinto Balsemão, seu padrinho de casamento, presidente e maior acionista da Impresa, que detém o Expresso e a estação de televisão SIC.

Formação[editar | editar código-fonte]

Nasceu em Lisboa, onde viveu até aos 11 anos. Nesta época, foi para a Bélgica, onde cursou secundário num colégio interno. Depois frequentou um colégio militar nos Estados Unidos, no Estado da Georgia. Fez o bacharelato em Gestão de Empresas no Curry College, em Boston, Estados Unidos. Nuno é devoto de Nossa Senhora e Santo António, "padroeiro" de Lisboa e dos negócios. Considera o poeta Fernando Pessoa o seu mestre.

Carreira[editar | editar código-fonte]

Do lado da família Rocha dos Santos, Nuno Vasconcellos tinha uma participação importante no Grupo Industrial Sociedade de Sabões (SNS), do qual seu bisavô fundou em conjunto com Marques de Souza. Em 1978, a SNS era conhecida como o maior grupo privado português. Já na parte Vasconcellos, tinha laços com o grupo Impresa. Luiz Vasconcellos foi um dos fundadores e acionista do "Expresso" em 1973 com Pinto Balsemão e vice-presidente do Grupo Impresa até falecer.

Nuno iniciou carreira na Andersen Consulting em 1987, onde ficou oito anos. Em 1991, liderou sua primeira grande operação financeira. Fez um spin-off da então Sociedade Nacional de Sabões e criou um family-office, sociedade financeira, em Londres para gerir de forma profissionalizada os investimentos da sua família do lado materno. Participou também em diversas operações realizadas com o Banco Privado, do qual seu pai e padrinho Francisco Balsemão eram sócios, com investimentos exitosos na Jerônimo Martins e na Brisa.

Em 1995, lançou a sucursal portuguesa da empresa norte-americana Heidrick & Struggles, dedicando-se à gestão de talento. Ganhou seus primeiros milhões de dólares aos 32 anos, quando fez o IPO da Heidrick & Struggles, do qual era um dos 200 sócios da companhia.

A ascensão profissional de Nuno foi apadrinhada pelo banqueiro Ricardo Salgado, com quem se alinhou no Espirito Santo Financial Group. Além de principal acionista do Banco Espírito Santo (BES) e na Portugal Telecom SGPS, Nuno Vasconcellos pilotou projetos imobiliários em Portugal, Angola, Estados Unidos, África do Sul, foi membro do conselho de administração de várias empresas em seu país e diretor do Automóvel Clube de Portugal.

Projeção no mercado[editar | editar código-fonte]

Aos 41 anos, depois de quase 20 anos trabalhando em multinacionais, Nuno pediu um investimento à família para criar o Ongoing Strategy Investments. O grupo teve um crescimento rápido e se beneficiou da venda de vários ativos, como a área de cabo da Portugal Telecom, a venda da Vivo, a maior empresa de celular do Brasil. Em 2007, a Ongoing apresentou resultados líquidos de 375 milhões de euros e entrou no top 10 de empresas portuguesas. O sucesso projetou Nuno como figura pública. Neste mesmo ano, a família Rocha dos Santos já era apontada como a 21ª mais rica do país.

Nuno travou uma batalha pelo controle da maior empresa de midia em Portugal. O estremecimento com o tio Balsemão, presidente da Impresa, começou quando Nuno Vasconcellos propôs um aumento de capital na companhia com objetivo de reduzir dívida e capitalizar a Impresa. Balsemão reprovou o atrevimento do afilhado de querer ampliar a sua participação acionária na empresa e rompeu relações. Vasconcellos vendeu, então, sua participação na Impresa, mas ainda tentou adquirir 35% das ações da Media Capital, mas a ERC (Entidade Reguladora de Comunicação Social) não permitiu, alegando  que se constituiria um "excesso de concentração".

O Grupo Ongoing era multisetorial, mas estava focado em áreas de Telecomunicações, Mídia e Tecnologia quando integrava o conselho de administração da Portugal Telecom (Pharol), empresa de que era o segundo maior acionista, com uma participação superior a 10% [3]. O maior acionista era o Banco Espírito Santo, instituição em que Nuno também era um grande acionista. No setor dos meios de comunicação, detinha o jornal Diário Económico e o canal de televisão Etv [4], líder do mercado de informação econômica em Portugal, e uma posição de quase 30% no Grupo Impresa.

Nuno Vasconcellos, então presidente da Ongoing, se juntou a Ricardo Salgado, ex-líder do Grupo Espírito Santo (GES), para travar a Oferta Pública de Aquisição (OPA) da Sonaecom sobre a Portugal Telecom, em 2007. Com pouco mais de 2% das ações e ajuda de alguns private equities ingleses, usou a sua posição no grupo para votar contra a OPA da Sonae sobre a PT. O empresário articulou uma engenhosa ação com a criação de uma associação de pequenos acionistas minoritários da PT, com 1% de capital (cedido por Nuno), e convenceu a opinião pública que a OPA seria desfavorável à Portugal Telecom. A associação era composta também por políticos de diferentes linhas ideológicas, o que lhe trouxe maior credibilidade. A artimanha custou caro a Nuno, que passou a ser alvo frequente do jornal Público, controlado pela Sonae.

A projeção fez com que integrasse a Clinton Global Initiative, movimento criado em 2005 pelo ex-presidente dos EUA Bill Clinton, com o objetivo de estabelecer uma comunidade de líderes global para encontrar soluções inovadoras para os desafios mais prementes no mundo. Foi o único empresário português a participar no encontro anual de 2010, em Nova Iorque.[5]

Integra a Maçonaria como membro da Loja Mozart, n.º 49, da Grande Loja Legal de Portugal, na qual foi Venerável Mestre.[6][7].

Em 2008, criou também uma gestora de fundos em Luxemburgo com investimentos da família e alguns parceiros institucionais. Os montantes não são oficiais, mas chegou a ultrapassar os 500 milhões de euros. Nuno chegou a ter também uma participação acionista no Milenium BCP, maior banco português, e apoiou Paulo Teixeira Pinto na guerra contra Jardim Gonçalves. Conseguiu vender a sua participação antes da queda do banco.

Foi também membro da OI e participou ativamente no negócio da venda da Vivo, do qual era acionista por meio da Portugal Telecom com 50%. Foi um dos responsáveis por aumentar a venda de uma proposta inicial de 5,7 bilhões de euros para 7,5 bilhões de euros.

Reviravolta nos negócios[editar | editar código-fonte]

Ao mesmo tempo que o seu grupo ganhava importância também acumulou resistências, polêmicas e inimigos. O Ongoing entrou em quase todas as guerras empresariais ao longo de sua trajetória.

A falência em Portugal do Grupo Ongoing ocorreu em 2016 pela inesperada derrocada do Banco Espírito Santo. Uma das empresas controladoras do banco acaba devendo a Portugal Telecom 950 milhões de euros, sem conhecimento das outras partes envolvidas. O montante não foi pago e derrubou a Portugal Telecom e o Banco Espírito Santo, levando todo o mercado financeiro português quase ao ponto de ruptura, arrastando empresas familiares à falência. Os dois maiores ativos da Ongoing em Portugal eram exatamente esses.

Apesar do bombardeio inimigo contra Nuno, Jorge Silva Carvalho, ex-diretor do Serviço de Informações Estratégicas de Defesa (SIED), alega em seu livro "Ao serviço de Portugal",que o empresário era um agente secreto a serviço da República portuguesa. Desde então, Carvalho conta o seu lado da história, rebatendo a versão de que Nuno o contratou para ter acesso a informações privilegiadas de mercado.

Jorge Carvalho se refere ao interesse da Ongoing num negócio na Grécia em 2010: a construção das infraestruturas do porto de Astakos. A negociação estava sendo feita com dois ex ministros russos, visando uma parceria entre o governo russo e governo brasileiro dentro de um acordo bilateral entretanto já assinado de troca de matéria-prima entre as duas nações. Nuno Vasconcellos foi acusado de pedir a Silva Carvalho, diretor geral do SIED, o equivalente à CIA americana ou MI6 Inglés, informações das Secretas sobre os russos. Esta informação constituiria segredo de Estado e não podia ser passada. A denúncia, no entanto, se apoiava em um e-mail fraudulento apresentado pelo deputado Sérgio Souza, do PS, correspondência mais tarde desqualificada pela comissão parlamentar de inquérito e pelo próprio tribunal. Nuno Vasconcellos, que era acusado de ser o corruptor ativo, foi  absolvido do crime, o único pelo qual respondia. O processo se arrastou durante cinco anos e arranhou a imagem pública de Nuno.

Em 2017, sem chances de recuperação em seu país, Nuno resolveu tomar frente de suas 15 empresas no Brasil, onde já vivia desde 2011. Assume a responsabilidade dos negócios que também estavam em grandes dificuldades, pede um empréstimo e recupera a operação delas.No Brasil, detém o portal IG [8] e participa em 29,9% no capital da EJESA, empresa que publica os jornais O Dia, Meia Hora e o site Brasil Econômico.

Em 2018, quase recuperado, Nuno fez um investimento no Hopi Hari, um dos maiores parques temáticos da América do Sul, que está em situação de recuperação judicial. O parque localizado em Vinhedo, interior de São Paulo, estava fechado em 2017, quando o empresário decidiu apostar no negócio. O empreendimento está em franca evolução.


Referências


Ligações externas[editar | editar código-fonte]