Nyctaginaceae

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[[Imagem:
Nyctaginaceae - Jalapa
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Classificação científica
Reino: Plantae
Clado: Tracheophyta
Clado: Spermatophyta
Clado: Angiospermas
Clado: Eudicotiledônias
Clado: Superasterídeas
Ordem: Caryophyllales
Família: Nyctaginaceae
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O Wikispecies tem informações sobre: Nyctaginaceae

A família Nyctaginaceae, descrita em 1789 por Antoine Laurent de Jussieu (Juss.), pertence à ordem de plantas angiospérmicas Caryophyllales. Trata-se de ervas, árvores, arbustos, com flores vistosas de grande potencial ornamental e medicinal, destacando-se os gêneros Boerhaavia, Bougainvillea, e Mirabilis (a famosa planta “maravilha”).

Descrição botânica[editar | editar código-fonte]

A família Nyctaginaceae possui representantes arbustos, árvores e herbáceas. As folhas são opostas ou alternas, simples e sem estípulas. É caracterizada pelo antocarpo que se origina do espessamento da região basal das sépalas, onde se encerra o fruto, este último de caráter membranáceo.

Diversidade taxonômica[editar | editar código-fonte]

As Nyctaginaceae contém 30 gêneros, com cerca de 400 espécies, e são encontradas em geral nas regiões quentes do globo, mas em maior diversidade nas extensões do neotrópico e do oeste árido da América do Norte. No neotrópico, em maioria concentram-se os arbustos e árvores de baixo porte dos gêneros Neea, Guapira, e Pisonia, além de outros gêneros endêmicos da América do Sul. Já na América do Norte a variedade em nível genérico é maior, onde localizam-se as espécies mais reconhecidas. A quantidade de espécies em cada gênero de Nyctaginaceae segue um padrão de diversidade chamado "curva oca" (hollow curve), e, no geral, a maioria das espécies são raras. Os poucos gêneros grandes são diferentes em relação à distribuição geográfica e variam morfologicamente. Porém, também existem muitos gêneros de baixa diversidade.[1]

Gêneros[editar | editar código-fonte]

Relações filogenéticas[editar | editar código-fonte]

Família pertencente à ordem Caryophyllales, inclui 7 tribos: Boldoeae, Bougainvilleae, Caribeeae, Colignonieae, Nyctagineae, Leucastereae e Pisonieae[2],  que suportam aproximadamente 30 gêneros divididos entre 300-400 espécies[1]. Antigamente, Nyctaginaceae estava inclusa na ordem Centrospermae, juntamente com outros representantes de ovário súpero, mas foi alocada na ordem Caryophyllales, onde permanece até os dias atuais. O monofiletismo de Nyctaginaceae é sustentado pela presença de antocarpo, este apresentado como autapomorfia do grupo[3]. Essa família é irmã da Família Phytolaccaceae, compartilhando um caractere que é a presença de um único óvulo por placentação basal do carpelo.

Morfologia[4][editar | editar código-fonte]

Em geral, trata-se de ervas, arbustos, árvores e lianas.

Folhas[editar | editar código-fonte]

As folhas são opostas simples, alternadas, geralmente desiguais em tamanho, com pecíolos presentes e as estípulas são ausentes.

Caule[editar | editar código-fonte]

Alguns apresentam intumescências nas regiões proximais aos nós, onde há representantes que possuam espinhos.

Flor[editar | editar código-fonte]

Geralmente cimosa; suas flores podem ser vistosas, unissexuadas (raramente) ou bissexuadas, actinomorfas, monoclamídeas; às vezes protegidas por brácteas (Bougainvillea) ou parecido com um cálice (Mirabilis), cálice (3-)5(-8)-mero, petaloide em geral, gamossépalo, as sépalas podem estar fusionadas formando um túbulo; com prefloração valvar; os estames apresentam o mesmo número das sépalas, dificilmente em número menor ou maior, frequentemente conados, anteras rimosas; disco nectarífero presente; ovário súpero, unicarpelar, uniovulado.

Fruto[editar | editar código-fonte]

O fruto é do tipo antocarpo, indeiscente, carnoso ou coriáceo, apresentando aspecto glandular e viscoso, às vezes possuindo caráter alado. Podem ser pontiagudos.

Sementes[editar | editar código-fonte]

As sementes não apresentam arilo, o embrião formado é curvo ou reto. O endosperma escasso, em contrapartida, o perisperma se faz abundantemente presente, de aspecto raramente gelatinoso ou farináceo

Reprodução[editar | editar código-fonte]

As flores unissexuais podem estar presentes ou ausentes. Em geral é monoico. As flores dessa família são polinizadas por borboletas ou por himenópteros (abelhas, vespas ou formigas e até por mariposas), enquanto que os pássaros apenas pilham as flores, não constituindo-se como polinizadores legítimos. A dispersão de suas sementes pode ser realizada pelo vento (anemocoria), endozoocoria ou epizoocoria.

Distribuição[editar | editar código-fonte]

Nyctaginaceae está presente nos climas tropicais e subtropicais, sendo muito presente no México, Antilhas, América Central e Sul.

Ocorrência no Brasil[5][editar | editar código-fonte]

Das sete tribos, quatro ocorrem no território brasileiro, em 11 gêneros, sendo quatro endêmicos (Andradea, Leucaster e Ramizia - Tribo Leucastereae; Belemia - Tribo Bougainvilleae) da floresta atlântica do Sudeste. Dois gêneros (Mirabilis e Boerhavia) são compostos por espécies consideradas naturalizadas, de ampla dispersão no mundo. Os gêneros Guapira, Pisonia, Neea (Tribo Pisonieae) e Bougainvillea (Tribo Bougainvilleae) são os mais ricos em espécies e estão distribuídos por diversas regiões do Brasil. Já Reichenbachia (Leucastereae) ocorre no Brasil em áreas de Mato Grosso do Sul próximas da fronteira do Brasil com Bolívia e Paraguai.

Região Norte

Gênero Boerhavia

Gênero Bougainvillea

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia

Região Nordeste

Gênero Ramisia

Gênero Boerhavia

Gênero Bougainvillea

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia

Gênero Andradea

Região Centro-Oeste

Gênero Boerhavia

Gênero Bougainvillea

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia

Gênero Reichenbachia

Região Sudeste:

Gênero Leucaster

Gênero Ramisia

Gênero Boerhavia

Gênero Bougainvillea

Gênero Belemia

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia

Gênero Andradea

Região Sul:

Gênero Boerhavia

Gênero Bougainvillea

Gênero Guapira

Gênero Mirabilis

Gênero Neea

Gênero Pisonia


Lista de espécies brasileiras[editar | editar código-fonte]


Adaptação/Caracteres Evolutivos[editar | editar código-fonte]

Na América no Norte ocorre o clado xerófila, sendo muito conhecido devido a sua abundância em condições secas ou desérticas, utilizando a via metabólica C4. A diversificação do clado xerófila pode ter começado no Oligoceno e Mioceno. [6]

Importância Econômica[editar | editar código-fonte]

No gênero Boerhaavia, tem-se a espécie Boerhaavia diffusa, sendo uma planta invasora de cultura. É muito utilizada como uma planta medicinal, conhecida como Erva-Tostão, mas pode ser identificada também pelos nomes Batata-de-porco, Pega-pinto e Tangaraca, tendo como principal função, expulsar os vermes, particularmente contra lombrigas, ou sendo utilizadas para o tratamento de diarreia e hepatite. Outras espécies desse mesmo gênero são utilizadas no preparo de um refrigerante no Ceará. Há também o gênero Neea, encontrado no cerrado brasileiro, suas folhas servem para o preparo de um tipo de chá.

Quanto à ornamentação, a que mais se destaca é a Bougainvillea glabra, sendo conhecida popularmente como, Primavera, Três-Marias, ou ainda como Riso-do-prado no Nordeste. É uma espécie nativa do Brasil, com brácteas altamente coloridas em rosa, lilás, vermelho ou em pequenas flores brancas, sendo utilizada em vasos e jardineiras.

Destaca-se também o gênero Mirabilis com a famosa “maravilha” (Mirabilis jalapa), sendo também conhecida por “bonina” no Nordeste. Trata-se de uma planta herbácea, com flores em cor branca, vermelha, rosa e lilás, sendo empregadas em vasos e jardineiras, além de ser uma planta utilizada na formação de maciços em muros. Suas folhas novas, quando cozidas, são comestíveis. As raízes possuem aplicações na medicina popular, com propriedades diuréticas, antidiarréica, antidisentérica, antileucorréica e antisifilítica.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b Douglas, Norman; Spellenberg, Richard (2010-06). «A new tribal classification of Nyctaginaceae». TAXON. 59 (3): 905–910. ISSN 0040-0262. doi:10.1002/tax.593018  Verifique data em: |data= (ajuda)
  2. Douglas, Norman A.; Manos, Paul S. (2007-5). «Molecular phylogeny of Nyctaginaceae: taxonomy, biogeography, and characters associated with a radiation of xerophytic genera in North America». American Journal of Botany (em inglês). 94 (5): 856–872. doi:10.3732/ajb.94.5.856  Verifique data em: |data= (ajuda)
  3. Rodman, James E. (1990-8). «CENTROSPERMAE REVISITED, PART I». TAXON (em inglês). 39 (3): 383–393. ISSN 0040-0262. doi:10.2307/1223085  Verifique data em: |data= (ajuda)
  4. Marchioretto, Maria Salete (2011). «A família Nyctaginaceae Juss. no Rio Grande do Sul, Brasil» (PDF). Revista Pesquisas, Série Botânica 
  5. «Flora do Brasil 2020». floradobrasil.jbrj.gov.br. Consultado em 13 de novembro de 2019 
  6. Drummond, Chloe (2012). «The Age and Origins of Arid Adaptations and Gypsum Endemism in Nyctaginaceae Inferred Using Relaxed Molecular Dating». Senior Symposium 

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

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