Nyctanthes arbor-tristis
Árvore-triste
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| Classificação científica | |||||||||||
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| Nome binomial | |||||||||||
| Nyctanthes arbor-tristis Linnaeus | |||||||||||
| Sinónimos[1] | |||||||||||
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Nyctanthes arbor-tristis comummente conhecida como árvore-triste[2] é uma planta arbustiva, da família das Oleáceas, pertencente ao tipo fisionómico dos microfanerófitos, nativa do Sul do continente asiático.
Nomes comuns
[editar | editar código]Além de ser conhecida como «árvore-triste», dá ainda pelos seguintes nomes comuns: «açafroeira» (nome que partilha com as espécies Curcuma longa e Crocus sativus),[3] árvore-da-tristeza[2], jasmim-da-noite[2] e jasmim-florido-nocturno[2].
Apesar de poder contar com nomes alusivos ao jasmim, mercê das suas flores fragrantes, esta espécie não pertence ao género botânico dos jasmins, Jasminum.
Etimologia
[editar | editar código]Quanto ao nome científico desta espécie:
- O nome genérico, Nycthantes, provém do grego antigo, resultando da aglutinação dos étimos νῠ́ξ que significa «noite»[4] e ἄνθος, que significa «flor» [5] por alusão às suas flores que desabrocham ao anoitecer.[6]
- O epíteto específico, arbor-tristis, provém do latim, tratando-se de uma justaposição dos étimo, arbŏr, que significa «árvore»[7] e tristis que significa «triste».[8]
Do que respeita aos nomes comuns «jasmim-na-noite» e «jasmim-florido-nocturno», tais ficam-se a dever às flores brancas e fragrantes desta planta, que, no seu perfume, lembram o jasmim e que têm a particularidade de florescerem ao anoitecer,[9] com tendência para caírem ao amanhecer.[10]
Já o nome comum «árvore-triste» trata-se de tradução do sobredito epíteto espécifico.[2]
Descrição
[editar | editar código]A árvore-triste é um arbusto ou uma pequena árvore que pode atingir até 10 metros de altura, caracterizando-se pela sua casca escamosa de coloração acinzentada.[9]
Do que respeita às folhas, estas ocupam um posicionamento oposto e um feitio simples, medindo entre 6–12 centímetros de comprimento e 2–6,5 centímetros, apresentando-se com margem inteira.[9]
As suas flores são perfumadas, apresentando uma corola de cor esbranquiçada, com cinco a oito lóbulos e um centro de pigmentação laranja-avermelhado.[9] Estas flores são produzidas em cachos de dois a sete exemplares, com flores individuais que se abrem ao anoitecer e fecham ao amanhecer.[9]
O fruto da árvore-triste é uma cápsula achatada de cor acastanhada, com formato de coração ou arredondado, com cerca de 2 centímetros de diâmetro.[9] A cápsula é bilobada, contendo cada lóbulo uma única semente.[9]
Distribuição
[editar | editar código]É nativa do Sudoeste do continente asiático, marcando presença entre os territórios da Índia, Paquistão,[9] Leste dos Himalaias, alastrando-se até ao Vietname, Tailândia, China e a Sumatra.[2]
Ecologia
[editar | editar código]Privilegia os matorrais pedregosos e as florestas paleotropicais, embora também se encontre dispersa em meios relativamente urbanizados, como parques, mercê das suas reconhecidas qualidades ornamentais.[2]
Usos e importância histórica
[editar | editar código]Historicamente, as flores desta planta foram usadas na Índia, quer na comida, quer para tingir a tecidos em tons de amarelo.[10]
Na tradição hindu, a árvore-triste é uma árvore sagrada, trazida do Céu por Krishna para a sua mulher Satyabhâma, por causa do delicado perfume das suas flores.[10] Com efeito, as flores desta espécie são usadas no culto prestado a várias divindades hindus.[10]
No seu Colóquio dos simples e drogas e coisas medicinais da Índia de 1563, o botânico português Garcia da Orta, tomou conhecimento desta espécie, tendo mencionado as lendas locais, da região de Goa, a seu respeito:[10]
| “ | (...) dizem que esta árvore foi filha de um homem, grande senhor, chamado Parizataço; e que se enamorou do sol, o qual a deixou, depois de ter com ela conversação, por amores doutra; e ela se matou, e foi queimada (como nesta terra se costuma) e da cinza se gerou esta árvore, as flores da qual aborrecem o sol, que em sua presença não aparecem. | ” |
Referências
[editar | editar código]- ↑ «Nyctanthes arbor-tristis - Jardim Botânico da UTAD». Consultado em 22 de junho de 2025
- 1 2 3 4 5 6 7 «Jardim Botânico UTAD | Espécie Nyctanthes arbor-tristis». Jardim Botânico UTAD. Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ S.A, Priberam Informática. «açafroeira». Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ «nyct-». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ «ἄνθος». WordSense Dictionary (em inglês). Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ «NParks | Nyctanthes arbor-tristis». www.nparks.gov.sg. Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «arbŏr - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 22 de junho de 2025
- ↑ Olivetti, Olivetti Media Communication-Enrico. «Tristis - ONLINE LATIN DICTIONARY - Latin - English». online-latin-dictionary.com (em inglês). Consultado em 22 de junho de 2025
- 1 2 3 4 5 6 7 8 «Nyctanthes arbor-tristis in Flora of Pakistan @ efloras.org». www.efloras.org. Consultado em 22 de junho de 2025
- 1 2 3 4 5 Barroqueiro, Deana (2020). História dos Paladares Volume 1. Lisboa: Prime Books. p. 438. 486 páginas. ISBN 978-989-655-429-3