O Casarão

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O Casarão
Informação geral
Formato Telenovela
Duração 40 minutos aproximadamente
Criador(es) Lauro César Muniz
País de origem  Brasil
Idioma original (português brasileiro)
Produção
Diretor(es) Daniel Filho
Jardel Mello
Elenco
Tema de abertura "O Casarão", Dori Caymmi
Exibição
Emissora de televisão original Rede Globo
Transmissão original 17 de junho10 de dezembro de 1976
N.º de episódios 168

O Casarão é uma telenovela brasileira produzida e exibida pela Rede Globo entre 7 de junho e 10 de dezembro de 1976, em 168 capítulos, substituindo Pecado Capital e sendo substituída por Duas Vidas.[1] Foi a 17ª "novela das oito" exibida pela emissora. Escrita por Lauro César Muniz e dirigida por Daniel Filho e Jardel Mello, com Daniel Filho como diretor-geral.

Exibição[editar | editar código-fonte]

O Casarão foi reapresentada numa versão compacta de somente 18 capítulos, entre 21 de março e 9 de abril de 1983, contra 168 capítulos da exibição original. Substituindo Sol de Verão, de Manoel Carlos, protagonizada por Jardel Filho, que veio a falecer, em 20 de fevereiro de 1983, durante a exibição da novela, abalando a todos e antecipando o término da novela, e a emissora ainda não tinha uma novela substituta pronta. Louco Amor, a substituta oficial, estrearia somente 3 semanas depois, em 11 de abril de 1983.

Enredo[editar | editar código-fonte]

Gtk-paste.svg Aviso: Este artigo ou se(c)ção contém revelações sobre o enredo.

Marco na renovação da linguagem das telenovelas, a história mostra as questões vividas por cinco gerações de uma família no norte de São Paulo, tendo como trama central o romance entre Carolina (Sandra Barsotti) e João Maciel (Gracindo Jr.), um talentoso artista plástico que não se conforma com o provincianismo da cidade de Sapucaí, onde é ambientada a trama.

Com idas e vindas no tempo, a novela se desenvolve em três épocas distintas, apresentadas simultaneamente, e atores diferentes interpretam os mesmos personagens em cada fase. No período entre 1900 e 1910, Maria do Carmo (Analu Prestes), mãe de Carolina, é obrigada pela família a se casar com o engenheiro Eugênio (Edson França), mesmo sendo apaixonada pelo português Jacinto (Tony Correa). Na década que vai de 1926 a 1936, a jovem Carolina, pressionada, repete a história da mãe e desiste de fugir com João Maciel, casando-se com Atílio (Dennis Carvalho), comerciante com carreira política ascendente.

Terceira etapa[editar | editar código-fonte]

No ano de 1976, Carolina (agora representada por Yara Cortes) mantém ainda grande vitalidade, apesar da idade avançada. De longe, ela acompanha o sucesso de João Maciel (interpretado agora por Paulo Gracindo), recortando os jornais que informam sobre as andanças do artista. Por outro lado, Atílio (vivido agora por Mário Lago) está acometido por doenças da velhice e bastante abalado pela perda de seu prestígio na cidade, vivendo das lembranças de um passado distante. O personagem é a imagem do casarão, condenado à destruição pela chegada dos novos tempos. Já João Maciel se mostra ainda em pleno vigor e mantém o mesmo idealismo dos 20 anos, embora não disfarce certo amargor diante da realidade.

Boêmio inveterado, casou-se cinco vezes, mas conserva uma fantasia em relação à Carolina. Sua volta a Sapucaí significa o reencontro com um passado mal resolvido. Depois de muitos desacertos ao longo da trama, e com a morte de Atílio, Carolina e João Maciel realizam o sonho de ficar juntos.

O casarão, personificação da ação do tempo na vida dos personagens, e ele próprio um personagem da história, é destruído. De arquitetura colonial, a casa é inicialmente sede de uma rica fazenda que, no decorrer de 76 anos, vai se depreciando, perdendo sua extensão, transformando-se, ao final, na sede de um empreendimento imobiliário. Suas terras são divididas em pequenos lotes, vendidos para a construção de casas de campo. Um fatalismo histórico marca sua vida: sua construção e apogeu coincidem com a implantação de uma estrada de ferro; em contraponto, na atualidade, uma nova ferrovia deverá passar justamente no local onde está o imóvel, forçando sua demolição.

Também tem destaque na trama a influência da Igreja Católica na sociedade brasileira. Nas três épocas de O Casarão, existe a participação ativa de padres: na primeira e na segunda fases, a igreja é representada pelo vigário Felício (Hélio Ary); na terceira, pelo padre Milton (Nilson Condé).

Trama censurada[editar | editar código-fonte]

Além de acompanhar a evolução da família de Deodato Leme (Oswaldo Loureiro), a novela apresentava um viés feminista, abordando o papel da mulher na sociedade em épocas diferentes. A personagem Lina (Renata Sorrah), por exemplo, desafia o conservadorismo. Casada com Estevão (Armando Bógus), ela se apaixona por Jarbas (Paulo José) e decide viver com o homem que ama, recebendo todo o apoio da avó, Carolina, numa identificação de propósitos entre as duas. A história envolvendo Lina, Estevão e Jarbas foi prejudicada pela Censura Federal que, por não permitir o tema do adultério feminino em novelas, proibiu até que Renata Sorrah contracenasse com Paulo José. Lina era casada com Estevão e se apaixonava por Jarbas durante uma viagem. Os censores recomendaram que Lina pedisse o divórcio. Segundo Renata Sorrah, a personagem, além de não poder se apaixonar por alguém estando ainda casada, também não podia fazer uso de anticoncepcionais. Em depoimento ao site Memória Globo, a atriz ressaltou a importância das novelas na disseminação de informações e na quebra de preconceitos.

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Elenco[editar | editar código-fonte]

Primeiro período: 1900[editar | editar código-fonte]

Segundo período: 1926-1936[editar | editar código-fonte]

Terceiro período: 1976[editar | editar código-fonte]

Música[editar | editar código-fonte]

Nacional[editar | editar código-fonte]

  1. "Fascinação" - Elis Regina
  2. "Latin Lover" - João Bosco
  3. "Menina do Mato" - Márcio Lott
  4. "Carolina" - Aquarius
  5. "Quibe Cru" - Chico Batera
  6. "Só Louco" - Gal Costa (tema de abertura)
  7. "Nuvem Passageira" - Hermes Aquino
  8. "Coisas da Vida" - Rita Lee
  9. "Tangará" - Coral Som Livre
  10. "A Dor a Mais" - Francis Hime
  11. "Capricho" - Nara Leão
  12. "O Casarão" - Dori Caymmi
  13. "Retrato" - Sueli Costa

Internacional[editar | editar código-fonte]

  1. "The Hands Of Time (Brian's Song)" - Perry Como
  2. "Theme From S.W.A.T." - Music Corporation
  3. "Forever Alone" - Steve McLean
  4. "I Need To Be In Love" - Carpenters
  5. "Call Me" - Andrea True Connection
  6. "Angel" - Jullian
  7. "When You're Gone" - Maggie MacNeal
  8. "Living" - Alain Patrick
  9. "I'm Easy" - Keith Carradine
  10. "My Life" - Michael Sullivan
  11. "Honey, Honey" - ABBA
  12. "Girl Of The Past" - Peter McGreen
  13. "California Dreamin'" - The Vast Majority
  14. "Miss You Nights" - Cliff Richard
  15. "Nostalgia" - Francis Goya
  16. "Sharing The Night Together" - Arthur Alexander

Referências

  1. «O Casarão». Teledramaturgia. Consultado em 15 de dezembro de 2015 


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