O Descobrimento do Brasil (álbum)

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O Descobrimento do Brasil
Álbum de estúdio de Legião Urbana
Lançamento 20 de dezembro de 1993 (1993-12-20)
Gravação Agosto—outubro de 1993 no estúdio Discover, Rio de Janeiro[1]
Gênero(s)
Duração 51:20[2]
Idioma(s) (em português)
Formato(s)
Gravadora(s) EMI-Odeon
Produção
[1]
Certificação 3× Platina - ABPD[3]
Cronologia de Legião Urbana
Música p/ Acampamentos
(1992)
A Tempestade ou O Livro dos Dias
(1996)
Singles de O Descobrimento do Brasil
  1. "Perfeição"
    Lançamento: 1993

O Descobrimento do Brasil é o sexto álbum de estúdio da banda brasileira de rock Legião Urbana, lançado em 1993 pela gravadora EMI-Odeon. No Brasil, foram vendidos mais 950 mil cópias, tornando-o o sétimo álbum mais vendido da banda. Foi premiado com Disco de Platina Triplo pela ABPD.[3]

Contexto[editar | editar código-fonte]

O Descobrimento do Brasil foi o primeiro disco da Legião Urbana sem Jorge Davidson como diretor artístico da EMI-Odeon - agora, ele atuava na Sony Music. Em seu lugar, entrou João Augusto.[4]

O trabalho foi criado num momento de tensão entre a banda e a gravadora. Na época, a empresa havia vendido sua fábrica de discos e agora usava a Fonobras, da concorrente PolyGram. Por coincidência, o produtor Mayrton Bahia trabalhava lá e soube, por meio de um pedido que chegou ao local, que a EMI-Odeon tinha a intenção de lançar uma coletânea da banda à revelia da mesma. Furiosos, os integrantes picharam as paredes da diretoria da empresa, incluindo a frase (em inglês) "Vocês nos tratam como lixo! Nunca mais vocês vão fazer isso!", escrita pelo vocalista, violonista e tecladista Renato Russo.[5]

Por não saberem as consequências que o ato traria para eles, os músicos suspenderam os ensaios até que a gravadora sinalizasse algo. No fim, ela acabou cancelando a coletânea. Esse foi um dos motivos que levou João Augusto a proceder com cautela ao iniciar seu relacionamento com a banda.[6]

Gravação[editar | editar código-fonte]

A banda entrou em estúdio em agosto de 1993 e o álbum já ficou pronto em outubro do mesmo ano.[1] Os músicos experimentaram novos instrumentos no disco, além de tocarem instrumentos uns dos outros. O baterista Marcelo Bonfá tocou teclados, enquanto que o guitarrista Dado Villa-Lobos experimentou o dobro e o bandolim e Renato registrou uma performance na cítara.[7] Trabalhando no disco, tornaram-se um dos primeiros grupos brasileiros a utilizar o Pro Tools em estúdio para corigir imperfeições nas gravações.[8]

Conteúdo[editar | editar código-fonte]

Capa[editar | editar código-fonte]

A capa d'O Descobrimento do Brasil tinha como objetivo transmitir o momento de leveza e otimismo pelo qual a banda passava na época de seu lançamento. Ela traz os três integrantes em um campo florido montado especialmente para o momento, cada um vestindo uma roupa diferente: Renato aparece como um cavaleiro medieval, Dado como um caçador com um bandolim e Marcelo como um camponês. A foto é de Flávio Colker. No dia em que a imagem foi registrada, Dado teve seu carro e seu bandolim levados por um assaltante em frente ao estúdio, forçando a banda a substituir o instrumento na foto.[9]

Encarte[editar | editar código-fonte]

O encarte trazia, na última página, a frase "Ah, but I was so much older then, I'm younger than that now" ("Ah, mas eu era tão mais velho naquela época, sou mais novo que aquilo agora"), retirada da canção "My Back Pages", de Bob Dylan. A banda incluiu também um agradecimento a Leo Jaime (grafado como "Leo Jayme"), que emprestou seu dobro para eles. Há ainda a dedicatória a Tavinho Fialho, baixista de apoio na turnê anterior da banda que morreu em um acidente de carro em 1993.[1]

Música[editar | editar código-fonte]

O disco recebeu o nome de O Descobrimento do Brasil porque veio em uma época em que Renato se recuperava das drogas e os demais integrantes se mostravam otimistas com o futuro. Além disso, conforme Renato disse ao Jornal do Brasil, "a gente acredita no Brasil. Existem muita coisas legais. Ficam querendo que a gente seja ladrão, que seja do jeito que eles são. Nós não somos, não".[10]

A banda tinha como intenção fazer uma obra diferente do lançamento anterior, V, que trazia, segundo eles, "aquelas músicas progressivas, de carga melancólica". A ideia do novo disco, para Renato, era que fosse uma coletânea de singles pop curtos.[8]

A abertura "Vinte e Nove" cita o alcoolismo de Renato, assim como "Só Por Hoje", cujo título reproduz o lema dos Alcoólicos Anônimos.[9] "Perfeição" recebeu um clipe com a mesma temática florida da capa do disco, sendo este o último a ser produzido pela banda.[8]

A faixa "Um Dia Perfeito" reflete o otimismo do disco e traz um coral infantil formado por Nico e Mimi, filhos de Dado, e seus amigos Gabri, Antonio, Rafa, Pedro e Juju.[9]

"Love in the Afternoon" é uma homenagem a Tavinho. O álbum também foi dedicado a ele.[1][11][12]

Faixas[editar | editar código-fonte]

TítuloMúsica Duração
1. "Vinte e Nove"  Renato Russo 3:43
2. "A Fonte"  Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá, Renato Russo 3:56
3. "Do Espírito"  Dado Villa-Lobos; Marcelo Bonfá, Renato Russo 3:22
4. "Perfeição"  Dado Villa-Lobos; Marcelo Bonfá, Renato Russo 4:37
5. "O Passeio da Boa Vista"  Dado Villa-Lobos; Renato Russo 2:02
6. "O Descobrimento do Brasil"  Renato Russo, Marcelo Bonfá 5:03
7. "Os Barcos"  Dado Villa-Lobos; Renato Russo 2:52
8. "Vamos Fazer um Filme"  Renato Russo 4:21
9. "Os Anjos"  Dado Villa-Lobos, Renato Russo 2:04
10. "Um Dia Perfeito"  Dado Villa-Lobos, Renato Russo 3:25
11. "Giz"  Marcelo Bonfá, Renato Russo, Dado Villa-Lobos 3:23
12. "Love in the Afternoon"  Dado Villa-Lobos; Renato Russo 4:26
13. "La Nuova Gioventú"  Marcelo Bonfá, Renato Russo, Dado Villa-Lobos 4:03
14. "Só Por Hoje"  Dado Villa-Lobos, Dado Villa-Lobos 4:03
Duração total:
51:32[2]

Ficha técnica[editar | editar código-fonte]

Fonte:[7]

  • Renato Russo - vocais, violão, baixo, teclados, cítara em "Love in the Afternoon" e "Só Por Hoje"
  • Dado Villa-Lobos - guitarras, baixo, violão, bandolim em "Vinte e Nove", "O Descobrimento do Brasil", "Vamos Fazer um Filme", "Giz" e "Só Por Hoje; dobro em "Só Por Hoje"
  • Marcelo Bonfá - bateria, percussão, teclados em "Perfeição", "A Fonte", "O Descobrimento do Brasil", "Vamos Fazer um Filme", "Um dia Perfeito" e "Love in the Afternoon".
  • Flávio Colker - foto de capa[9]

Turnê[editar | editar código-fonte]

A turnê d'O Descobrimento do Brasil foi a última da banda e teve Gian Fabra no baixo, substituindo Tavinho.[13]

Segundo o empresário Rafael Borges, Renato "queria e não queria fazer shows". Chegou a marcar datas que coincidiam com jogos do Brasil na Copa do Mundo. Na época, ele achava que nunca entregava o que podia no palco e sempre considerava que a plateia lhe dava mais do que recebia.[13]

O último show da Legião Urbana se deu no palco do Reggae Night, em Santos, litoral do estado de São Paulo. Eventualmente, latas começaram a ser arremessadas na banda. Quando Renato foi atingido, ele se deitou no chão, ocultando todo o seu corpo da plateia, e assim cantou por 45 minutos. O público só via o seu braço, que ele levantava para checar as horas e mostrar a todos que aguardava ansiosamente pelo fim da apresentação.[13]

Vendas e certificações[editar | editar código-fonte]

País Certificação Vendas
 Brasil (Pro-Música Brasil)

3× Platina[3]

430.000+[14]

Referências

  1. a b c d e Fuscaldo 2016, p. 82.
  2. a b Fuscaldo 2016, p. 87.
  3. a b c «Legião Urbana». ABPD. Consultado em 28 de março de 2010 
  4. Fuscaldo 2016, p. 90.
  5. Fuscaldo 2016, p. 81.
  6. Fuscaldo 2016, p. 81-82.
  7. a b Fuscaldo 2016, p. 83.
  8. a b c Fuscaldo 2016, p. 85.
  9. a b c d Fuscaldo 2016, p. 84.
  10. Fuscaldo 2016, p. 80.
  11. «Os músicos convidados». renatorusso.com.br. 24 de março de 2016 
  12. Villa-Lobos, Dado (30 de agosto de 2014). Dado Villa-Lobos - Memórias de Um Legionário. [S.l.]: Mauad. p. 280 
  13. a b c Fuscaldo 2016, p. 86.
  14. «Historia: Legião Urbana». Legiaourbanasite. Consultado em 7 de outubro de 2016