O Ilustre Gaudissart

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Ir para: navegação, pesquisa
L'Illustre Gaudissart
O ilustre Gaudissart (PT)
Autor(es) Honoré de Balzac
Idioma Francês
País  França
Série Scènes de la vie de province
Editor Charles Gosselin
Lançamento 1833
Edição portuguesa
Tradução Adolfo Casais Monteiro
Editora Inquérito
Lançamento 1941
Páginas 79
Cronologia
La Rabouilleuse
La Muse du département

L'Illustre Gaudissart é um texto curto de Honoré de Balzac ("não é propriamente uma história, é apenas um retrato"),[1] surgido primeiramente em 1833 em sua versão original, depois encurtado e integrado em 1843 ao tomo VI de A Comédia Humana, no subgrupo dos Parisienses na vida privada, associado à Musa do departamento.

Comentário[editar | editar código-fonte]

Essa narrativa em forma de panfleto satírico caricatura um caixeiro-viajante que supostamente representa o homem da Monarquia de Julho. Félix Gaudissart é hiperativo, seduz, é eficaz, como a sociedade moderna a qual Balzac frequentemente ironiza, cujo materialismo frenético ele deplora, e que produz por produzir, sem conhecer o propósito de sua agitação. Gaudissart sabe tudo, já visitou todos os lugares, conhece tudo, mas não compreende tudo. Só tem talento para o comércio e a venda, como se vê em sua brilhante estreia, quando ele salva César Birotteau do desastre.

Balzac alcança aqui na escrita aquilo que Honoré Daumier obtinha com o desenho: uma caricatura de um personagem capaz de vender não importa o que, mas que se encontra confrontado com alguém mais esperto que ele e que, à força de vender o vento, acabará por comprá-lo ele mesmo. Um velho vinhateiro da Touraine consegue vender-lhe vinho que ele não produz há muito tempo.

Trecho da obra[editar | editar código-fonte]

O caixeiro-viajante, personagem desconhecida na Antiguidade, não será uma das figuras mais interessantes criadas pelos costumes da época atual? [...] O caixeiro-viajante não é para as ideias o que as nossas diligências são para as coisas e os homens? Ele as veicula, movimenta-as, fá-las chocarem-se umas com as outras; capta, no centro luminoso, sua carga de raios e semeia-os através das populações adormecidas. Esse piróforo humano é um sábio ignorante, um mistificador mistificado, um sacerdote incrédulo que por isso mesmo melhor discorre sobre os seus mistérios e os seus dogmas."[2]

Referências

  1. Paulo Rónai, Prefácio de O Ilustre Gaudissart
  2. Balzac, A Comédia Humana, Vol. 6 da edição organizada por Paulo Rónai.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • (fr) Roger J. B. Clark, « Un Modèle possible de l’illustre Gaudissart », L'Année balzacienne, 1969, p. 183-6.
  • (fr) Shoshana Felman, « Folie et discours chez Balzac : L’illustre Gaudissart », Littérature, 1972, no 5, p. 34-44.
  • (fr) Jorge Pedraza, « Boniments balzaciens : L’Illustre Gaudissart », Langues du XIXe siècle, Toronto, Centre d’Études du XIXe siècle Joseph Sablé, 1998, p. 69-81.
  • (fr) Albert Prioult, « Du Mémorial Catholique à L’Illustre Gaudissart », L’Année balzacienne, 1975, no 263-78.
  • (en) Andrew Watts, « An Exercise in International Relations, or the Travelling Salesman in Touraine: Balzac’s L’Illustre Gaudissart », Currencies: Fiscal Fortunes and Cultural Capital in Nineteenth-Century France, Oxford, Peter Lang, 2005, p. 161-73.
  • (pt) Honoré de Balzac. "A comédia humana". Org. Paulo Rónai. Porto Alegre: Editora Globo, 1954. Volume VI

Ligações externas[editar | editar código-fonte]