O Independente
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| Periodicidade | Semanário |
|---|---|
| Formato | Berlinense |
| Sede | Lisboa |
| País | Portugal |
| Fundação | 20 de maio de 1988 |
| Fundador(es) | Miguel Esteves Cardoso Paulo Portas Pedro Paixão Manuel Falcão |
| Proprietário | SOCI - Sociedade Independente de Comunicação |
| Idioma | Português |
| Término de publicação | 1 de setembro de 2006 |
O Independente foi um jornal semanário português, fundado em 1988, detido pela SOCI - Sociedade Independente de Comunicação, fundada e presidida por Luís Nobre Guedes.[1] O seu primeiro número foi publicado a 20 de maio de 1988 e o último no dia 1 de setembro de 2006. O seu primeiro diretor foi Miguel Esteves Cardoso, coadjuvado por Paulo Portas (que viria a ser o segundo diretor) e sendo subdiretor Manuel Falcão.
A editora SOCI - Sociedade de Comunicação Independente, S.A., constituída em fevereiro de 1988, tinha como acionistas a Cerexport (Nobre Guedes), Joaquim Silveira, Carlos Barbosa, Miguel Anadia, Francisco e Pedro Fino e Frederico Mendes de Almeida.[2]
O projeto influenciou sobremaneira o jornalismo português, ao assumir-se como um contraponto conservador e elitista, mas simultaneamente libertário e culto, à imprensa esquerdista que prevalecia na época. Teve como colaboradores nomes como Agustina Bessa Luís, Vasco Pulido Valente, António Barreto, João Bénard da Costa, Constança Cunha e Sá, Inês Teotónio Pereira, Maria Filomena Mónica, Paulo Pinto Mascarenhas, Pedro Rolo Duarte, Inez Dentinho, João Miguel Fernandes Jorge, Joaquim Manuel Magalhães, M. S. Lourenço, Manuel João Ramos, Maria Afonso Sancho, Leonardo Ferraz de Carvalho, Pedro Ayres Magalhães, Rui Vieira Nery, Vasco Rato, Vítor Cunha ou Edgar Pêra. Atribuiu uma enorme importância à fotografia, contando com o trabalho de fotógrafos importantes como Inês Gonçalves, Daniel Blaufuks, João Tabarra e Augusto Alves da Silva.[3]
Na década de 1990 quase todas as semanas surgia uma manchete denunciando uma figura pública (ministros, governantes, políticos), casos de corrupção, uso indevido de fundos públicos. Várias pessoas terão sido acusadas justamente, mas outras foram consideradas inocentes pelos tribunais e o jornal foi sujeito a vários processos por difamação.[4] Enquanto Portas e Helena Sanches Osório faziam estremecer os alicerces do governo de Aníbal Cavaco Silva, com a denúncia semanal e impiedosa de escândalos políticos, Miguel Esteves Cardoso ocupava-se da parte cultural, no destacável Vida; outras vezes fazia dupla com Paulo Portas em entrevistas a figuras da política e cultura portuguesa.[5] Foi um dos principais responsáveis pelo declínio do cavaquismo, facto que mais tarde iria tornar extremamente difíceis as relações entre o CDS-PP liderado por Paulo Portas, que acabou por iniciar uma carreira política, e o PSD. Teve também um papel na transformação do CDS em Partido Popular.[3]
Após a saída de Portas, o jornal teve como diretores, sucessivamente, Constança Cunha e Sá, Isaías Gomes Teixeira, Inês Serra Lopes, novamente Miguel Esteves Cardoso e, por fim, Inês Serra Lopes de novo. No início do século XXI entrou em declínio e a consequente queda de vendas (apenas 9 mil nos últimos meses e apenas 1% de audiência), além das baixas vendas, o jornal teve de ainda pagar várias indemnizações a pessoas que se consideravam injustamente acusadas. Em Abril de 2001, O Independente foi adquirido, livre de passivo, à Media Capital por um grupo de investidores encabeçado por Inês Serra Lopes.[3][6]
A derradeira manchete do jornal diz: "Ponto final" e as suas primeiras páginas contam a história do próprio jornal. Esse último número (955) contém as despedidas de vários jornalistas e colaboradores bem como uma selecão de primeiras páginas.[7][8]
Legado
[editar | editar código]A influência do jornal reflete-se na edição de vários livros, escritos com o objetivo de estudar o impacto d'O Independente na política e na sociedade portuguesa. Um deles é O Independente: A Máquina de Triturar Políticos, lançado em 2015, da autoria de Filipe Santos Costa e Liliana Valente.[3]
Em 2024, foi projetado o regresso do jornal, em formato online, liderado pela última diretora, Inês Serra Lopes, mas acabou por não avançar.[9]
Referências
- ↑ «Táctico e advogado de empresas». Diário de Notícias. 12 de maio de 2005. Consultado em 9 de junho de 2011. Arquivado do original em 31 de outubro de 2014
- ↑ TVI24
- ↑ a b c d Renascença (14 de dezembro de 2015). «"Indy". O jornal onde os políticos se "esfaqueavam" comandados por um "Marcelo 2.0" - Renascença». Rádio Renascença. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ «Tribunal iliba jornal "O Independente"». Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ Notícias, 24. «Uma história de "O Independente", o jornal que nasceu para acabar de vez com o cavaquismo». 24 Notícias. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ Dinis, David. «O Independente. A "derrota espetacular"». Observador. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ PÚBLICO (30 de agosto de 2006). «Jornal "O Independente" sai pela última vez esta sexta-feira». PÚBLICO. Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ «Falência do "O independente "». Consultado em 3 de janeiro de 2026
- ↑ Ferreira, Marta Leite (12 de janeiro de 2024). «O Independente volta em formato digital com Inês Serra Lopes na direcção». PÚBLICO. Consultado em 3 de janeiro de 2026
Ligações externas
[editar | editar código]- O Independente: muito mais que uma “máquina de triturar políticos” do PSD e do PS (Sarah Adamopoulos, 21/01/2016, blog Patrícula elementar)
