O Sonho da Câmara Vermelha

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'紅樓夢 (Hóng lóu mèng)
O Sonho da Câmara Vermelha
JiaXu01.jpg
Uma página da edição de Jiaxu
Autor (es) China Cao Xueqin (曹雪芹)
Idioma Chinês
País China
Género Romance
Lançamento Século XVIII
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O Sonho da Câmara Vermelha ou Hung (Hong) Lou Meng (em chinês tradicional: 紅樓夢; chinês simplificado: 红楼梦; pinyin: Hónglóu mèng; literalmente "O Sonho da Mansão Vermelha"; originalmente intitulado de chinês tradicional: 石頭記; chinês simplificado: 石头记; pinyin: Shítóu jì; literalmente "O Registro da Pedra"), é uma obra-prima da literatura chinesa e um dos Quatro Grandes Romances Clássicos (chinês: 四大名著, pinyin: si4 da4 ming2 zhu4) da China. O livro foi escrito em meados do Século XVIII, durante a Dinastia Qing, e tem sua autoria atribuída a Cao Xueqin (曹雪芹). Esta obra é reconhecida como o ponto mais alto dos romances clássicos chineses.[1] "Vermelhologia" é o campo de estudo dedicado exclusivamente a esta obra. [2]

O romance circulou em cópias manuscritas com vários títulos até sua impressão em 1791. Enquanto os primeiros 80 capítulos foram escritos por Cao Xueqin, Gao E, que preparou a primeira e segunda edições impressas com seu sócio Cheng Weiyuan em 1791–2, adicionou 40 capítulos a mais ao romance.[3]

Acredita-se que o conteúdo da história seja semi-autobiográfica descrevendo o destino da própria família do escritor e, por extensão, da dinastia Qing[4]. Como o autor detalha no primeiro capítulo, o livro se destina a ser um memorial para as mulheres que ele conheceu em sua juventude: amigas, familiares e serviçais. O romance é memorável, não só pelo seu enorme elenco de personagens (a maioria deles do sexo feminino) e pelo âmbito psicológico, mas também pela sua precisa e detalhada observação da vida e das estruturas sociais típicas da aristocracia chinesa do século XVIII.[5]

Por causa da inquisição literária prevalecente na China das dinastias Ming e Quing, o livro foi primeiro publicado anonimamente[carece de fontes?] e somente depois atribuída a sua autoria[carece de fontes?].

História[editar | editar código-fonte]

O tema principal gira em torno de um triângulo amoroso entre a personagem principal, Jia Baoyu, que ama sua prima adoentada Lin Daiyu, porém está predestinado a se casar com outra prima, Xue Baochai. Este triângulo amoroso tem como pano de fundo o declínio do clã (família) Jia, cujos antepassados foram feitos duques, e no início do romance, este clã está entre as mais ilustres famílias na capital.

Uma cena da história, ilustração de Xu Baozhua.

Linguagem[editar | editar código-fonte]

A história é escrita em chinês baihua (ou chinês vernacular), ao invés de chinês clássico, apesar de seu autor ser bem versado no chinês clássico, com trechos no estilo semi-wenyan, e é uma das obras que ajudaram a estabelecer a legitimidade do chinês baihua. Os diálogos são escritos em um dialeto de Pequin vivo com influências do Mandarim de Nanjing. No começo do século XX, lexicógrafos utilizaram o texto para estabelecer o vocabulário da nova língua padronizada e reformistas usaram o romance para promover a escrita vernacular.[6]

Temas[editar | editar código-fonte]

No capítulo de abertura do romance, um dístico é introduzido:

Verdade torna-se ficção quando a ficção é verdade;
Real torna-se irreal onde o irreal é real.

Como um crítico aponta, o dístico significa "uma divisão não rígida e determinística entre falsidade e verdade, realidade e ilusão, mas a impossibilidade de se fazer essa distinção em qualquer mundo, ficcional ou real."Predefinição:Sfnb O nome da família principal, Jia (賈, pronunciado jiǎ), é um homónimo com o caractér jiǎ 假, significando falso ou fictício; isso se reflete em uma outra família com o sobrenome Zhen (甄, pronunciado zhēn), um homófono para a palavra "real" (真). Foi sugerido que a família do romance é tanto um reflexo realístico e um uma versão ficcional ou "sonhada" da própria família de Cao.

Termos[editar | editar código-fonte]

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O romance é normalmente chamado de Hung Lou Meng ou Hong Lou Meng, literalmente O Sonho da Câmara Vermelha. A câmara vermelha, é uma expressão idiomática que designava as salas protegidas onde as filhas das famílias abastadas viviam.[7]

A história se refere a um sonho tido por Baoyu, fixados em uma "câmara vermelha", onde o destino de muitos das personagens do sexo feminino é prenunciado.

A palavra "câmara" é também muitas vezes traduzidas como "mansão", devido à grande dimensão de significados da palavra chinesa "樓". Porém, o termo "mansão" não traduz corretamente a atmosfera da hisória e é considerada um erro de tradução por Zhou Ruchang.[8][9]

O nome da família principal, "賈", é um homônimo do caractere chinês "假", que significa falsidade ou ficção. E isso sugere que Cao Xueqin quis demonstrar que essa família é um misto de ficção e realidade da sua própria família.

Notes[editar | editar código-fonte]

  1. Li Liyan. «The Stylistic Study of the Translation of A Dream of Red Mansions». «伟大不朽的古典现实主义作品《红楼梦》是我国古典小说艺术成就的最高峰。» 
  2. Jonathan Spence, The Search for Modern China (New York: Norton, 1990), 106–110.
  3. David Hawkes, "Introduction," The Story of the Stone Volume I (Penguin Books, 1973), pp. 15–19.
  4. Jonathan D. Spence, Ts'ao Yin [Cao Yin] and the K'ang-Hsi Emperor: Bondservant and Master (New Haven,: Yale University Press, 1966) is a study of Cao's grandfather
  5. «About the Novel, Introduction» (html) (em inglês). CliffsNotes. Consultado em 13 de maio de 2009. 
  6. «Vale: David Hawkes, Liu Ts'un-yan, Alaistair Morrison». China Heritage Quarterly of the Australian National University. 
  7. «词语“红楼”的解释 汉典» (html) (em chinês). ZDIC.NET. Consultado em 13 de maio de 2009. 
  8. Zhou, Ruchang. 红楼夺目红 作家出版社 [S.l.] p. 4. ISBN 7506327082. 
  9. Zhou, Ruchang. 红楼小讲 中华书局 [S.l.] p. 200. ISBN 9787101055665. 

Notas e referências

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Geral e Introdutório[editar | editar código-fonte]

  • C.T. Hsia, Ch VII, "The Dream of the Red Chamber," in The Classic Chinese Novel: A Critical Introduction (1968; rpr. Ithaca, NY: East Asia Program, Cornell University, Cornell East Asia Series, 1996. ISBN 1885445741), pp. 245–297..
  • Schonebaum, Andrew; Lu, Tina (2012). Approaches to Teaching the Story of the Stone (Dream of the Red Chamber) (New York: Modern Language Association of America). ISBN 9781603291101. 
  • Anthony Yu, "Dream of the Red Chamber," in Barbara Stoller Miller, ed., Masterworks of Asian Culture (Armonk, NY: M.E. Sharpe), pp. 285–299.

Estudos Críticos[editar | editar código-fonte]

Ligações Externas[editar | editar código-fonte]

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