O Vampiro

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Página de título de 1819 por Sherwood, Neely, and Jones, London.

O Vampiro (originalmente em inglês: The Vampyre) é uma obra de ficção de prosa curta escrita em 1819 por John William Polidori. A obra é muitas vezes vista como a progenitora do gênero vampiro romântico de ficção de fantasia. A obra é descrita por Christopher Frayling como "a primeira história de sucesso para fundir os elementos díspares de vampirismo em um gênero literário coerente".[1]

Personagens[editar | editar código-fonte]

  • Lord Ruthven — um suave nobre britânico, o vampiro
  • Aubrey — um jovem cavalheiro rico, órfão
  • Ianthe — uma linda mulher grega que Aubrey encontra em suas viagens com Ruthven
  • Irmã de Aubrey — que fica noiva do Conde de Marsden
  • Conde de Marsden — que também é Lord Ruthven

Enredo[editar | editar código-fonte]

Aubrey, um jovem inglês, se reúne com Lord Ruthven, um homem de origens misteriosas que entrou na sociedade londrina. Aubrey acompanha Ruthven a Roma, mas o deixa depois de Ruthven seduzir a filha de um amigo em comum. Aubrey viaja para a Grécia, onde ele é atraído por Ianthe, a filha de um estalajadeiro. Ianthe diz a Aubrey sobre as lendas do vampiro. Ruthven chega à cena e pouco depois Ianthe é morta por um vampiro. Aubrey não liga Ruthven com o assassinato e se une a ele em suas viagens. O par é atacado por bandidos e Ruthven é mortalmente ferido. Antes de morrer, Ruthven faz Aubrey fazer um juramento de que ele não irá falar de sua morte ou qualquer outra coisa que ele saiba sobre Ruthven por um ano e um dia. Olhando para trás, Aubrey percebe que todos que conheceram Ruthven acabaram sofrendo.

Aubrey retorna a Londres e fica espantado quando Ruthven aparece logo em seguida, vivo e bem. Ruthven lembra a Aubrey de seu juramento de manter sua morte em segredo. Ruthven, em seguida, começa a seduzir a irmã de Aubrey enquanto Aubrey, incapaz de proteger sua irmã, tem um colapso nervoso. Ruthven e a irmã de Aubrey estão engajados para se casar no dia do término do juramento. Pouco antes de morrer, Aubrey escreve uma carta para sua irmã revelando a história de Ruthven, mas a carta não chega a tempo. Ruthven se casa com a irmã de Aubrey. Na noite de núpcias, ela é encontrada morta, drenada de seu sangue — e Ruthven desapareceu.

Publicação[editar | editar código-fonte]

O Vampiro foi publicado pela primeira vez em 1 de abril de 1819 por Henry Colburn no The New Monthly Magazine, com a falsa atribuição: "Um Conto de Lord Byron". O nome do protagonista da obra, Lord Ruthven, ajudou nesta hipótese, pois aquele nome foi originalmente usado no romance de Lady Caroline Lamb, Glenarvon (da mesma editora), na qual uma figura mal-disfarçada de Byron também foi nomeada Lord Ruthven. Apesar das repetidas objeções por Byron e Polidori, a autoria muitas vezes foi sem esclarecimento.

O conto foi publicado pela primeira vez em forma de livro por Sherwood, Neely, and Jones, em Londres, Paternoster-Row, em 1819 em oitavo como O Vampiro; Um Conto em 84 páginas. A notação na capa observava que "Entrou no Stationers' Hall em 27 de março de 1819". Inicialmente, o autor foi dado como Lord Byron. As impressões posteriores removeram o nome de Byron e acrescentaram o nome de Polidori para a página de título.

A história foi um sucesso popular imediato, em parte por causa da atribuição de Byron e em parte porque explorava as predileções do horror gótico do público. Polidori transformou o vampiro de um personagem folclórico para uma forma que é reconhecida hoje — um demônio aristocrata que ataca entre a alta sociedade.[1]

A história tem sua gênese no verão de 1816, o Ano sem Verão, quando a Europa e partes da América do Norte passaram por uma anomalia climática severa. Lord Byron e seu jovem médico, John Polidori se hospedaram na Villa Diodati no Lago Genebra e foram visitados por Percy Bysshe Shelley, Mary Shelley, e Claire Clairmont. Mantidos dentro da casa pela "incessante chuva" daquele "molhado, verão monótono",[2] ao longo de três dias em junho, os cinco viraram-se para dizer contos fantásticos, e em seguida, escrever o seu próprio. Alimentados por histórias de fantasmas, como Fantasmagoriana, Vathek de William Beckford e quantidades de láudano, Mary Shelley, em colaboração com Percy Bysshe Shelley,[3] produziram o que se tornaria Frankenstein, ou O Moderno Prometeu. Polidori foi inspirado em uma história fragmentada de Byron, Fragment of a Novel (1816), também conhecida como "A Fragment" e "The Burial: A Fragment", e em "duas ou três manhãs ociosas" produziu "O Vampiro".[4]

Influência[editar | editar código-fonte]

A obra de Polidori teve um imenso impacto sobre as sensibilidades contemporâneas e foi lançada através de numerosas edições e traduções. Uma adaptação surgiu em 1820 com o romance de Cyprien Bérard, Lord Ruthwen ou Les Vampires, falsamente atribuído a Charles Nodier, que em seguida escreveu sua própria versão, Le Vampire, uma peça de teatro que teve enorme sucesso e provocou uma "mania vampiresca" em toda a Europa. Inclui as adaptações operísticas de Heinrich Marschner (Der Vampyr) e Peter Josef von Lindpaintner (Der Vampyr), ambas publicadas no mesmo ano e chamadas de "O Vampiro". Nikolai Gogol, Alexandre Dumas, e Aleksey Tolstoy todos produziram contos de vampiros, e os temas no conto de Polidori continuariam a influenciar Drácula de Bram Stoker e, eventualmente, todo o gênero de vampiros. Dumas faz referência a Lord Ruthven em O Conde de Monte Cristo, indo tão longe a ponto de afirmar que sua personagem "A Condessa G..." havia conhecido pessoalmente Lord Ruthven.[5]

Adaptações teatrais[editar | editar código-fonte]

Na Inglaterra, a peça de teatro de James Planché, The Vampire, or The Bride of the Isles encenada pela primeira vez em Londres em 1920, no Lyceum Theatre,[6] com base em Le Vampire de Charles Nodier, que por sua vez foi baseado em Polidori.[7] Esses melodramas eram satirizados em Ruddigore, de Gilbert e Sullivan (1887), um personagem chamado Sir Ruthven que deveria raptar uma donzela, ou morreria.[8]

Em 1988, o dramaturgo estadunidense Tim Kelly criou uma adaptação de desenho ambiente de O Vampiro para o palco, popular entre os teatros comunitários e clubes de drama escolares.[9]

Referências

  1. a b Frayling, Christopher (1992), Vampyres: Lord Byron to Count Dracula, ISBN 0-571-16792-6, London: Faber & Faber 
  2. Shelley, Mary (1831), Frankenstein introdução a Terceira ed.  
  3. Owchar, Nick (11 de outubro de 2009), The Siren's Call: An epic poet as Mary Shelley's co-author. A new edition of 'Frankenstein' shows the contributions of her husband, Percy, Los Angeles Times 
  4. Byron, George Gordon (1997), Morrison, Robert; Baldick, Chris, eds., The Vampyre and Other Tales of the Macabre, ISBN 0-19-955241-X, Oxford: Oxford University Press 
  5. Dumas, Alexandre, «Capítulo XXXIX», O Conde de Monte Cristo 
  6. Roy, Donald (2004). "Planché, James Robinson (1796–1880)". Oxford Dictionary of National Biography. Oxford University Press
  7. Summers, Montague; Nigel Suckling. «The Vampire in Literature». Montague Summers' Guide to Vampires. Consultado em 20 de janeiro de 2015 
  8. Bradley, p. 731; Polidori and Planché are precursors to and context for Gilbert. Veja Williams, Carolyn. Gilbert and Sullivan: Gender, Genre, Parody, p. 277, Columbia University Press (2010) ISBN 0231148046
  9. Kelly, Tim. «The Vampyre, Samuel French Inc.». Consultado em 20 de janeiro de 2015 

Ligações externas[editar | editar código-fonte]