Octavia E. Butler

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Octavia E. Butler

Octavia Estelle Butler (22 de Junho de 194724 de Fevereiro de 2006), nascida nos Estados Unidos da América, foi uma escritora afro-americana, consagrada por seus livros de ficção científica feminista, e por inserir a questão da diferença e do racismo em suas histórias.

Primeiros Anos[editar | editar código-fonte]

Octavia Estelle Butler nasceu em 22 de junho de 1947, em Pasadena, na Califórnia, filha única de Octavia Margaret Guy, uma empregada doméstica, e Laurice James Butler, um engraxate. O pai de Butler morreu quando ela tinha sete anos, ela foi, assim, criada por sua mãe e avó materna num ambiente que ela chamaria posteriormente de estritamente Batista.[1]

Mesmo que tendo crescido na comunidade racialmente integrada de Pasadena permitiu a Butler experienciar uma diversidade cultural e étnica no meio da Segregação racial nos Estados Unidos, ela conheceu o funcionamento da supremacia branca quando acomapanhava sua mãe ao trabalho e presenciava-a entrando em casas de pessoas brancas pelas portas dos fundos e quando falavam a ela ou dela de maneiras desrespeitosas.[2] [3] Diversas vezes, a mãe de Butler trazia para casa livros e revistas que as famílias brancas tinham jogado fora para sua jovem filha ler.[4]

Desde muito cedo, uma timidez quase paralizante tornou difícl para Butler se socializar com outras crianças. Sua [awkwardness], junto com uma pequena dislexia que tornava seus trabalhos escolares um tormento, a fez acreditar que ela era "feia e estúpida, desajeitada e socialmente sem esperança". Eventualmente, ela cresceu até ter 1.8m de altura, se tornando alvo fácil para bullies.[5] Como resultado, ela frequentemente passava seu tempo lendo na Biblioteca Pública de Pasadena[6] e escrevendo resmas e resmas de páginas em seu "grande caderno rosa".[5] Cativada, a princípio, por contos de fada e estórias equestres, rapidamente ela se interessou por revistas de ficção científica como Amazing, Magazine of Fantasy & Science Fiction e Galaxy e começou a ler histórias de Zenna Henderson, John Brunner e Theodore Sturgeon.[4] [7]

Aos dez anos, ela implorou a sua mãe que a comprasse uma máquina de escrever Remington na qual "escreveu [suas] histórias a dois dedos".[5] Aos doze anos, ao assitir a versão televisionada do filme Devil Girl from Mars, se convenceu de que poderia escrever uma história melhor, então escreveu o rascunho do que, mais tarde, se tornaria a base para seus romances da série Patternist.[7] Alegremente desavisada dos obstáculos que uma escritora negra e mulher poderia encontrar,[8] ela se tornou insegura pela primeira vez aos treze anos quando sua bem-intencionada tia Hazel lhe transmitiu a realidade da Segregação em cinco palavras: "Querida... Negros não podem ser escritores." Mesmo assim, Butler perseverou em seu desejo de publicar uma história, chegando a pedir ao seu professor de ciências do ensino fundamental, Sr. Pfaff, que digitasse o primeiro manuscrito que ela enviou a uma revista de ficção científica.[5] [9]

Após terminar o ensino médio na Escola John Muir em 1965, Butler trabalhou durante o dia e frequentou a Universidade Pública de Pasadena (PCC) à noite.[9] Como caloura, Butler ganhou um concurso de contos da universidade, obtendo seu primeiro dinheiro (quinze dólares) como escritora.[5] Ela também teve o "germe da ideia" para o que se tornaria seu romance mais vendido, Kindred, quando um jovem colega de classe afro-americano envolvido com o Movimento Black Power ruidosamente criticou gerações anteriores de afro-americanos por terem sido subservientes aos brancos. Como ela explicou em entrevistas posteriores, os comentários do jovem a instigaram a responder com uma história que daria contexto histórico àquela vergonhosa subserviência para que, assim, ela pudesse ser entendida como uma sobrevivência silenciosa, porém corajosa.[3] [10] Em 1968, Butler se formou pela PCC com uma diploma de tecnóloga em artes com foco em história.[1] [4]

Ascensão ao Sucesso[editar | editar código-fonte]

Apesar da mãe de Butler querer que sua filha se tornasse secretária com uma renda estável,[3] ela continou a trabalhar numa série de empregos temporários, preferindo o tipo de trabalho que requeria pouco de sua mente, pois isto lhe permitiria se levantar às duas ou três da manhã para escrever. Ainda sem sucesso, a ausência de críticas úteis levou-a imitar o estilo da ficção científica dominada por homens brancos que ela cresceu lendo.[2] [5] Ela se inscreveu na Universidade Estadual da Califórnia, Los Angeles (UCLA), mas depois passou a assistir aulas de escrita pelo UCLA Extension.

Butler finalmente conseguiu uma chance durante o Open Door Workshop da Screenwriters' Guild of America, West, um programa feito para promover escritores de minorias. Sua escrita impressionou um dos professores da Writers Guild, o célebre escritor de ficção científica Harlan Ellison, que a encorajou a participar do Clarion Science Fiction Writers Workshop, um programa de seis semanas na cidade de Clarion, Pensilvânia. Lá, ela conheceu o escritor e, posteriormente, amigo de longa data Samuel R. Delany.[11] Ela também vendeu suas duas primeiras histórias: "Child Finder" a Ellison, para a antologia The Last Dangerous Visions, e "Crossover" a Robin Scott Wilson, o diretor do programa Clarion, que a publicou como parte da antologia Clarion de 1971.[1] [4] [9]

Durante os próximos cinco anos, Butler trabalhou em uma série de romances que, mais tarde, ficaria conhecida como a série Patternist: Patternmaster (1976), Mind of My Mind (1977) e Survivor (1978). Em 1978, ela finalmente conseguiu parar de trabalhar em empregos temporários e viver da sua escrita.[4] Ela deu um tempo na série Patternist para pesquisar e escrever Kindred (1979), mas voltou para terminá-la, escrevendo Wild Seed (1980) e Clay's Ark (1984).

A ascensão à notoriedade de Butler começou em 1984, quando "Speech Sounds" ganhou o prêmio Hugo de Melhor Conto e, além disso, "Bloodchild" ganou os prêmios Hugo, Locus e o prêmio Science Fiction Chronicle Reader de Melhor Novelette. Enquanto isso, Butler viajou à floresta amazônica e aos Andes para fazer pesquisa para o que se tornaria a trilogia Xenogenesis: Dawn (1987), Adulthood Rites (1988) e Imago (1989).[4]

Durante os anos 90, Butler trabalhou nos romances que solidificaram sua fama como escritora: Parable of the Sower (1993) e Parable of the Talents (1998). Em 1995, ela se toronu a primeira escritora de ficção científica a ganhar a bolsa do programa MacArthur Fellows da fundação John D. and Catherine T. MacArthur, cujo prêmio em dinheiro é de $295.000,00.[12] [13]

Em 1999, depois da morte de sua mãe, Butler se mudou para a cidade de Lake Forest Park, em Washington. Seu livro The Parable of the Talents havia ganhado o prêmio Nebula de Melhor Romance da Science Fiction Writers of America e ela tinha planos para mais quatro romances da série: Parable of the TricksterParable of the TeacherParable of Chaos e Parable of Clay. Contudo, depois de várias falhar diversas em começar The Parable of the Trickster, ela decidiu parar de trabalhar na série.[14] Em entrevistas posteriores, Butler explicou que a pesquisa e a escrita dos romances da série sobrecarregaram e deprimiram-na, então ela decidiu, em vez disso, escrever algo "leve" e "divertido". Isto se tornou seu último livro, o livro de ficção científica com vampiros Fledgling (2005).[15]

Morte[editar | editar código-fonte]

Durante seus últimos anos, Butler lutou contra o bloqueio critativo e a depressão, em parte por conta dos efeitos colaterais de sua medicação para pressão alta.[9] [16] Ela continuou escrevendo, e ensinou regularmente no Clarion's Science Fiction Writers' Workshop. Em 2005, ela foi admitida no Hall da Fama Internacional de Escritores Negros da Universidade Estadual de Chicago.[2]

Butler morreu fora de sua casa em Lake Forest Park, Washington, no dia 24 de fevereiro de 2006, aos 58 anos.[17] Reportagens do período foram inconsistentes acerca da causa de sua morte: alguns noticiaram que ela havia sofrido um derrame cerebral fatal, enquanto outros indicaram que ela havia morrido de lesões craniais depois de cair e bater a cabeça em sua passarela. Outra sugestão, esta apoiada pela revista Locus, é que o derrame causou a quando e, consequentemente, as lesões craniais.[18] Depois de sua morte, a Octavia E. Butler Memorial Scholarship, uma bolsa de estudos, foi criada pela Carl Brandon Society para fornecer apoio a estudantes de cor que participem do Clarion West Writers Workshop e do Clarion Writers' Workshop, descendentes do Science Fiction Writers' Workshop original, onde Butler, há 35 anos atrás, havia dado seus primeiros passos.[2] [19]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Kindred (1979)

Série Earthseed

  • Parable of the Sower (1995)
  • Parable of the Talent (1998)

Série Xenogenesis

Re-lançada em 2000 com o título de "Lilith's Brood"

  • Dawn (1987)
  • Adulthood Rites (1988)
  • Imago (1989)

Série Patternist

  • Patternmaster (1976)
  • Mind of My Mind (1977)
  • Survivor (1978)
  • Wild Seed (1980)
  • Clay's Ark (1984)

Bloodchild and other stories

  • Bloodchild (vencedora dos prêmios Hugo, Nebula e Locus)
  • The Evening and the Morning and the Night
  • Near of Kin
  • Speech Sounds (vencedora do prêmio Hugo)
  • Crossover

Ver também[editar | editar código-fonte]

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b c Gant-Britton, Lisbeth. "Butler, Octavia (1947– )." African American Writers. Ed. Valerie Smith. 2nd ed. Vol. 1. New York: Charles Scribner's Sons, 2001. 95-110.
  2. a b c d "Butler, Octavia E. (Estelle) 6/22/1947-2/24/2006." Encyclopedia of African-American Writing: Five Centuries of Contribution: Trials and Triumphs of Writers, Poets, Publications and Organizations, 2nd Ed. Ed. Shari Dorantes Hatch. Amenia , NY: Grey House, 2009.
  3. a b c Butler, Octavia E. "An Interview with Octavia E. Butler." Charles H. Rowell. Callaloo 20.1 (1997): 47-66.
  4. a b c d e f Pfeiffer, John R. "Butler, Octavia Estelle (b. 1947)." Science Fiction Writers: Critical Studies of the Major Authors from the Early Nineteenth Century to the Present Day. Ed. Richard Bleiler. 2nd ed. New York: Charles Scribner's Sons, 1999. 147-158.
  5. a b c d e f Butler, Octavia E. "Positive Obsession." Bloodchild and Other Stories. New York : Seven Stories, 2005. 123-136.
  6. Smalls, F. Romall. "Butler, Octavia Estelle." The Scribner Encyclopedia of American Lives. Ed. Arnold Markoe, Karen Markoe, and Kenneth T. Jackson. Vol. 8: 2006-2008. Detroit: Charles Scribner's Sons, 2010. 65-66.
  7. a b McCaffery, Larry and Jim McMenamin. "An Interview with Octavia Butler." Across the Wounded Galaxies: Interviews with Contemporary American Science Fiction Writers. Ed. Larry McCaffery. Urbana: U of Illinois P, 1990.
  8. Belle, Dixie-Anne. "Butler, Octavia Estelle (1947–2005)." Encyclopedia of the African Diaspora: Origins, Experiences, and Culture. Ed. Carole Boyce Davies. Vol. 1. Santa Barbara, CA: ABC-CLIO, 2008. 235-236.
  9. a b c d Logan, Robert W. "Butler, Octavia E." Black Women in America: A Historical Encyclopedia, 2nd ed. Ed. Darlene Clark Hine. Oxford: Oxford U P, 2005.
  10. See, Lisa. "PW Interviews: Octavia E. Butler." Publishers Weekly. December 13, 1993.
  11. Davis, Marcia. "Octavia Butler, A Lonely, Bright Star Of the Sci-Fi Universe" The Washington Post 28 Feb. 2006.
  12. Holden, Rebecca J, and Nisi Shawl. Strange Matings: Science Fiction, Feminism, African American Voices, and Octavia E. Butler. Seattle, WA : Aqueduct Press, 2013.
  13. Fry, Joan. "Congratulations! You've Just Won $295,000: An Interview with Octavia Butler." Poets & Writers Magazine (March/April 1997).
  14. Butler, Octavia E. "'Radio Imagination': Octavia Butler on the Politics of Narrative Embodiment." Interview with Marilyn Mehaffy and Ana Louise Keating. MELUS 26.1 (2001): 45–76.
  15. Butler, Octavia. "Science Fiction Writer Octavia Butler on Race, Global Warming, and Religion." Interview by Juan Gonzalez and Amy Goodman. Democracy Now! 11 November 2005.
  16. "Butler, Octavia 1947–2006." Black Literature Criticism: Classic and Emerging Authors since 1950. Ed. Jelena O. Krstovic. 2nd ed. Vol. 1. Detroit: Gale, 2008. 244-258. Gale Virtual Literature Collection.
  17. Fox, Margalit. "Octavia E. Butler, Science Fiction Writer, Dies at 58." New York Times 1 March 2006.
  18. "Obituaries" Issue 543; Vol.56 No.4
  19. "The Octavia E. Butler Memorial Scholarship Fund." The Carl Brandon Society website.
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