Ofensiva Meuse-Argonne

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Ofensiva Meuse-Argonne
Primeira Guerra Mundial
Meuse-Argonne Offensive - Map.jpg
Mapa da área da batalha em 1918
Data 26 de setembro - 11 de novembro de 1918
Local Floresta de Argonne, França
Desfecho Vitória dos Aliados
Beligerantes
Flag of the United States (1912-1959).svg Estados Unidos
Flag of France (1794–1815, 1830–1958).svg França
Flag of the Siamese Expeditionary Force in World War I (Obverse).svg Sião
Flag of Germany (1867–1919).svg Império Alemão
Comandantes
Henri Gouraud
John J. Pershing
Hunter Liggett
Robert Lee Bullard
Georg von der Marwitz
Max von Gallwitz
Forças
Força Expedicionária Americana e Exército Francês
(1 200 000 soldados)
5º Exército
(450 000 soldados)
Baixas
192 000 baixas (incluindo 26 277 americanos mortos e outros 95 786 feridos) 28 000 mortos
42 000 feridos
56 000 capturados

A Ofensiva Meuse-Argonne, também chamada de Batalha da Floresta Argonne, foi parte da ofensiva final dos Aliados durante a Primeira Guerra Mundial que ocorreu ao longo da Frente Ociental. Toda a ofensiva foi planejada pelo comandante francês Ferdinand Foch que buscou violar a chamada Linha Hindenburg e com isso dar um ultimato e forçar a capitulação dos alemães. Durante setembro e outubro os aliados cruzaram a linha em várias direções (norte, centro e sul) - operações que incluíram a Batalha da Floresta Argonne - e realizaram o que geralmente é lembrada como a Grande Ofensiva (também chamada de "Campanha dos Cem Dias"). A Ofensiva Meuse-Argonne, além das forças americanas, envolveu os exércitos da França, Reino Unido e diversos países do chamado commonwealth (principalmente Canadá, Austrália e Nova Zelândia), bem como a participação da Bélgica, que esteve nas maiores batalhas ao longo de todo o front.

A habilidade dos exércitos franco-britânicos de lutarem ininterruptamente pelos quatro anos do conflito é apontada como a causa do sangrento impasse da Guerra. Essa resistência ajudou a quebrar o espírito de luta dos alemães na Frente Ocidental. A Grande Ofensiva, que incluiu avanços dos britânicos, franceses e belgas ao norte juntamente com a ofensiva franco-americana na Floresta Argonne, são apontadas como o fator decisivo que levou a assinatura do Armistício em 11 de novembro.

Em 26 de setembro os americanos começaram a marchar para Sedan, localizada ao sul; divisões de britânicos e belgas se dirigiram para Gante, na Bélgica no dia 27 e os britânicos e franceses atacaram ao norte da França no dia 28. A escala alcançada pela ofensiva, reforçadas por tropas americanas recém-chegadas, renovou o vigor dos ataques e afastou as esperanças de vitórias por parte dos alemães.

A Ofensiva Meuse-Argonne que reuniu tropas americanas com as do Quarto Exército Francês, foi a maior operação e vitória da Força Expedicionária Americana (AEF) na I Guerra Mundial. O principal efetivo da AEF não entrara em operação antes de 1918. Essa batalha representou o maior comprometimento dos americanos na Guerra e também onde ocorreu o maior número de baixas do país. Mesmo assim, os americanos não eram a maior força no Front. A Ofensiva Meuse-Argonne envolveu 9 divisões americanas do Primeiro Exército (comandado por John Pershing), contra 31 divisões do Quarto Exército Francês (equivalentes a 15[1] divisões americanas), liderados por Henri Gouraud.

O principal esforço americano na Ofensiva Meuse-Argonne ocorreu no chamado Setor Verdun, nas cercanias ao norte da cidade de Verdun, entre 26 de setembro e 11 de novembro de 1918. Outra participação dos americanos foi mais ao norte, quando as 27ª e 30ª divisões do II Agrupamento da AEF auxiliaram as exaustas tropas da Primeira Força Imperial Australiana.[2]

Com a artilharia e os tanques britânicos, combinados com as forças das três nações, os aliados atacaram e capturaram o vilarejo de Montbrehain a seis quilômetros da linha entre Bellicourt e Vendhuille, quando aconteceu a Batalha do Canal de St. Quentin. Das duas batalhas envolvendo os americanos na Grande Ofensiva, essa na verdade foi a mais significativa em termos de se conseguir abrir uma grande brecha na Linha Hindenburg (em 10 de outubro).[3]

Forças em luta em Argonne[editar | editar código-fonte]

Soldados americanos lutando na floresta de Argonne.

As nove divisões americanas (Paterson, 2005) do Primeiro Exército Americano foram comandadas pelo General John J. Pershing até 16 de outubro e depois pelo tenente-general Hunter Liggett. Mais de 1,3 milhão de soldados americanos participaram da batalha. A logística foi planejada e coordenada pelo coronel George Marshall. As forças francesas das 31 divisões do Quarto Exército lideradas por Henri Gouraud, veterano de Dardanelos onde ele havia perdido um braço na batalha, e que ficou conhecido por ter liderado essas forças durante a maior parte de 1916, assumira o comando novamente em julho de 1917.

Os inimigos alemães permaneciam com cerca de apenas 50 por cento das forças no início do conflito. A 117ª Divisão, que enfrentou a 79ª Divisão americana durante a primeira fase, contava apenas com 3,3 mil soldados. A moral variava bastante nas diversas unidades alemãs. As forças da Frente Ocidental mantinham a moral alta, ao contrário da Frente Oriental. A resistência alemã foi aumentada para cerca de 450 mil soldados com o reforço do Quinto Exército Alemão comandado pelo General Georg von der Marwitz.

Objetivo[editar | editar código-fonte]

Em Sedan, o objetivo era a captura de ferrovias e interromper a linhas de abastecimento dos alemães na França e Flanders.

Primeira fase: 26 de setembro a 3 de outubro[editar | editar código-fonte]

O ataque americano começou às 5:30 do dia 26 de setembro. Os resultados foram variáveis: Os agrupamentos V e III alcançaram a maioria dos seus objetivos, mas a 79ª Divisão não conseguiu capturar Monfuncton, a 28ª Divisão "Keystone" encontrou forte resistência dos inimigos e a 91ª Divisão "Wild West" foi obrigada a evacuar a vila de Epinonville após avançar por oito quilômetros. Montfaucon d'Argonne foi capturada no primeiro dia pela 37ª Divisão "Buckeye". No dia seguinte, a maior parte do Primeiro Exército não conseguiu resultados positivos. A 79ª Divisão enfim conseguiu tomar Monfuncton e a 35ª Divisão "Sante Fe" capturou as vilas de Baulny, Hill 218 e Charpentry. Em 29 de setembro, seis novas divisões alemãs foram mobilizadas para rechaçar o ataque americano, com a quinta Guarda e a 52ª Divisão atacando a 35ª Divisão. A adjacente ofensiva francesa ficou temporariamente confusa quando um dos generais morreu. O progresso inicial dos franceses foi lento, mas depois ultrapassaram as tropas americanas.

Segunda fase: 4 de outubro até 26 de outubro[editar | editar código-fonte]

Um avião alemão Hannover CL III caído entre Montfaucon e Cierges, no dia 4 de outubro.
O 328 Regimento de Infantaria da 82ª Divisão avança na captura de Hill 223 em 7 de outubro de 1918.

A segunda fase da batalha começa em 4 de outubro, quando as divisões americanas da primeira fase foram substituídas pelas divisões de reserva dos Agrupamentos I e V. Os americanos efetuaram uma série de ataques frontais e finalmente romperam a principal defesa do inimigo (o Kriemhilde Stellung da Linha Hindenburg), entre 14-17 de outubro. No fim de outubro os americanos avançaram cinquenta quilômetros e finalmente "limparam" a floresta Argonne. Isto foi durante a operação em que o cabo (mais tarde sargento) Alvin York realizou a sua famosa captura de 132 prisioneiros alemães (encenada por Gary Cooper no filme de 1941, Sergeant York).[4] No flanco esquerdo os franceses avançaram 30 quilômetros e cruzaram o Rio Aisne.

Terceira fase: 26 de outubro até 10 de novembro[editar | editar código-fonte]

As forças americanas se reorganizaram em dois exércitos. O primeiro, liderado pelo general Ligett, deveria continuar se movendo pela ferrovia Carignan-Sedan-Mezieres. O segundo, com o Tenente-General Robert L. Bullard, tomou o rumo de Metz. Os dois exércitos encontraram o que restou de 31 divisões alemãs. Os americanos capturaram as fortificações do inimigo em Buzancy. O objetivo, Sedan e sua estratégica ferrovia, foi atingido em 6 de novembro.

A batalha na História[editar | editar código-fonte]

Das batalhas isoladas, essa é provavelmente a mais sangrenta da história americana, com grande número de mortos de soldados do país.[5]

Referências

  1. Venzon, Anne Cipriano (1999). The United States in the First World War: An Encyclopedia. [S.l.: s.n.] p. 620 
  2. «Hindenburg Line and Montbrehain, 27 September – 5 October 1918». Australians on the Western Front 1914–1918: An Australian journey across the First World War battlefields of France and Belgium. Department of Veteran's Affairs, Australian Government. Novembro de 2008 
  3. «30th-Divison in WWI». Battlefield Tour Guide. Arquivado do original em 19 de maio de 2008 
  4. Fleming, Thomas (outubro de 1993). «Meuse-Argonne Offensive of World War I». HistoryNet.com. Military History 
  5. American War Dead, from the Historical Atlas of the Twentieth Century at Matthew White's Homepage|url=http://users.erols.com/mwhite28/warsusa.htm

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

O Commons possui uma categoria contendo imagens e outros ficheiros sobre Ofensiva Meuse-Argonne
  • Ferrell, Robert H. (2007). America's Deadliest Battle: The Meuse Argonne, 1918. Lawrence: University press of Kansas 
  • Lengel, Edward G. (2008). To Conquer Hell. Nova York: Henry Holt 
  • Palmer, Fredrick (1919). Our Greatest Battle: The Meuse Argonne. Nova York: Dodd, Meade