Oficleide

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Oficleide

O oficleide, oficleido, oficlídeo ou oficlide, também conhecido popularmente como figle é um instrumento musical de sopro da família dos metais. Seu nome se origina do grego óphis,eós (serpente) + kleís,kleidós (chave), já que o instrumento apresenta uma forma semelhante à de uma cobra com chaves ao longo do corpo.

Consta que o oficleide foi inventado na França, em 1817, pelo luthier Jean Hilaire Asté, para um concurso musical promovido pelo rei Luís XVIII. O instrumento empolgou os eruditos da época. Berlioz, Wagner, Verdi, Rossini e Mendelssohn escreveram especialmente para o oficleide, antecessor da família dos saxofones, que desembarcou no Brasil por volta de 1850, com as primeiras bandas de música. Com sua sonoridade grave foi acolhido nas baixarias (contracanto na parte grave do instrumento[1]) dos grupos de choro inaugurais, no contraponto harmônico aos cavaquinhos e violões.[2]

A primeira aparição escrita desse instrumento em uma orquestração foi na ópera Olímpia, de Gaspare Spontini, em 1819. Outras célebres composições para o oficleide são Elias e Sonho de uma Noite de Verão, de Felix Mendelssohn, além da Sinfonia Fantástica, de Berlioz. Também Verdi e Wagner compuseram para oficleide.

Família de oficleides

No Brasil, durante a segunda metade do século XIX e as primeiras décadas do século XX, o oficleide foi muito utilizado pelos músicos de choro. Na fase de consolidação desse gênero musical, o oficleide só perdia em popularidade para a flauta, o violão e o cavaquinho[3]. Foi o instrumento em que se delineou uma das características mais marcantes do gênero - o contracanto denominado baixaria, hoje habitualmente realizado pelos violões de sete cordas.

O oficleide foi utilizado pelo construtor de instrumentos belga Antoine Joseph Sax (Dinant, 6 de novembro de 1814 — Paris, 7 de fevereiro de 1894), mais conhecido como "Adolphe" Sax, como ponto de partida para criar o saxofone. No oficleide, Sax adaptou uma boquilha de clarinete no lugar do bocal, dando ao instrumento um timbre sonoro que se situa entre os metais e as madeiras. E assim nasceu o saxofone.

Referências

  1. Variações sobre o maxixe. Por Guerra Peixe. Artigo originalmente publicado em O Tempo, São Paulo, 26 de setembro de 1954.
  2. Carta Capital, nº 906, 22 de junho de 2016, p. 51.
  3. O choro - Reminiscências dos chorões antigos, 1936, de Alexandre Gonçalves Pinto.

Ver também[editar | editar código-fonte]


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