Olímpia da Armênia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Saltar para a navegação Saltar para a pesquisa
Olímpia
Ὀλυμπιάς
Rainha consorte armênia
Reinado 354/358 - 361
Cônjuge Ársaces II
Dinastia arsácida
Nascimento século IV
Morte 361
Pai Ablávio
Religião Cristianismo

Olímpia[1] (em grego: Ὀλυμπιάς; transl.: Olympias; fl. século IV - m. 361[2]), também conhecida como Olímpias[3] ou Olímpia, a Velha[4] para distingui-la de sua sobrinha de mesmo nome Olímpia, a Diaconisa, foi uma nobre cristã romana. Através de seu pai, Olímpia era relacionada com a dinastia constantiniana e por casamento se vinculou à dinastia arsácida da Armênia.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Soldo de Constante I (r. 337–350)
Soldo de Constâncio II (r. 324–361)

Era uma grega,[2] filha do rico cretense Ablávio[5] com mulher desconhecida. Teve ao menos um irmão conhecido chamado Seleuco.[6] Nasceu e cresceu em Constantinopla ou Antioquia[7] Pouco antes da morte do imperador Constantino (r. 306–337), Ablávio organizou, junto do imperador, o casamento de sua filha com Constante I (r. 337–350), um dos filhos do imperador.[8] Quando Constantino morreu em maio de 337, foi sucedido por seus filhos e entre eles estava Constante. Em 338, com a queda de Ablávio no contexto do expurgo dos membros da família imperial, o casamento não foi realizado. No entanto, Constante tomou conta de Olímpia.[4]

O rei Ársaces II (r. 350–368) foi grandemente favorecido por Constâncio II que suspende todos os impostos[2] sobre as terras dos reis armênios na Anatólia.[1] Como sinal da renovada aliança política cristã ariana[3] entre armênios e romanos, Constâncio deu Olímpia a Ársaces como noiva imperial. Constâncio, em sua honra, emitiu medalhas especiais com a imagem de Olímpia, mãe de Alexandre, o Grande, nas quais estava a inscrição latina OLYMPIAS REGINA (rainha Olímpia). O católico reinante, Narses I, o Grande, foi enviado por Ársaces II para trazer Olímpia de Constantinopla à Armênia.[2] Ao chegar na Armênia em data desconhecida, casou-se com o rei; aos autores da PIRT, o casamento pode ser datado em 354,[9] enquanto outro sugerem 358.[10]

Apesar disso, o rei já era casado com a nobre Faranjem, a ex-esposa do sobrinho do príncipe Gnelo. Para os romanos, Olímpia era a esposa legítima e a rainha consorte;[11] Moisés de Corene afirma que Olímpia era a primeira esposa.[12] Faranjem sentiu rancor e grande inveja de Olímpia e após o nascimento de seu filho e sucessor real Papas, conspirou para matá-la por envenenamento. Mas, Olímpia era cautelosa e aceitava apenas as comidas e bebidas trazidas por suas criadas. Incapacitada de fazer-lhe mal, Faranjem aproximou-se de um presbítero da corte chamado Mirjiunique (Mrjiwnik) que envenenou-a em 361, durante sua comunhão,[2][13] e recebeu como recompensa a vila de Goncunque, em Taraunita.[11]

Referências

  1. a b Kurkjian 2008, p. 103.
  2. a b c d e Hovannisian 1997, p. 89.
  3. a b Nordgren 2004, p. 385.
  4. a b Smith 2004, p. 73.
  5. Martindale 1971, p. 3-4.
  6. Moret 2003, p. 207.
  7. Millar 1993, p. 210.
  8. DiMaio 1998.
  9. Martindale 1971, p. 642.
  10. Garsoïan 2004, p. 88.
  11. a b Fausto, o Bizantino século V, IV.XV.
  12. Moisés de Corene 1978, p. 280.
  13. Kurkjian 2008, p. 105.

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

  • Garsoïan, Nina (2004). «The Aršakuni Dynasty (A.D. 12-[180?]-428)». In: Richard G. Hovannisian. Armenian People from Ancient to Modern Times, vol. I : The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. ISBN 978-1-4039-6421-2 
  • Hovannisian, Richard G. (1997). Armenian People from Ancient to Modern Times. vol. I: The Dynastic Periods: From Antiquity to the Fourteenth Century. Nova Iorque: Palgrave Macmillan. ISBN 978-1-4039-6421-2 
  • Martindale, J. R.; Jones, Arnold Hugh Martin; Morris, John (1971). The prosopography of the later Roman Empire - Vol. I AD 260-395. Cambridge e Nova Iorque: Cambridge University Press 
  • Moisés de Corene (1978). Thomson, Robert W., ed. History of the Armenians. Cambrígia, Massachusetts; Londres: Harvard University Press 
  • Moret, P.; B. Cabouret (2003). «Sertorius, Libanios, iconographie: a propos de Sertorius, journée d'étude, Toulouse, 7 avril 2000». Presses Univ. du Mirail 
  • Smith, W.; H. Wace (2004). A Dictionary of Christian Biography, Literature, Sects and Doctrines N to S Part Seven. Whitefish, Montana: Kessinger Publishing