Ir para o conteúdo

Oligomenorreia

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.

A oligomenorreia é uma menstruação pouco frequente (ou, no uso ocasional, muito leve).[1] Mais estritamente, são os períodos menstruais ocorrendo em intervalos superiores a 35 dias, definida como a presença de menos de seis a oito menstruações por ano, com apenas quatro a nove períodos em um ano.[1] Os períodos menstruais devem ter sido estabelecidos regularmente antes do desenvolvimento de fluxo infrequente.[1] A duração de tais eventos pode variar.[2]

A oligomenorreia pode ser resultado de prolactinomas (adenomas de hipófise anterior). Pode ser causada por tireotoxicose, alterações hormonais na perimenopausa, síndrome de Prader-Willi e doença de Graves.

O treinamento intenso e prolongado pode levar a uma diminuição da energia disponível no corpo, podendo levar a um estado de estresse físico que afeta o eixo hipotálamo-hipófise-ovariano, resultando em alterações hormonais que podem interromper o ciclo menstrual. Exercícios de resistência, como correr ou nadar, podem afetar a fisiologia reprodutiva de atletas do sexo feminino.

Corredoras,[3][4] nadadoras[5] e bailarinas[6] menstruam com pouca frequência em comparação com mulheres não atléticas de idade comparável ou exibem amenorreia. A redução significativa da gordura corporal, muitas vezes buscada por atletas em esportes que enfatizam a magreza, pode interferir na produção de estrogênio, um hormônio crucial para a regulação do ciclo menstrual. Um estudo mais recente mostra que atletas que competem em esportes que enfatizam a magreza ou um peso específico exibem uma taxa mais alta de disfunção menstrual do que atletas que competem em esportes com menos foco nisso ou indivíduos de controle.[7]

Outra causa da oligomenorreira é a combinação de alta carga de treinamento e ingestão calórica inadequada pode resultar em baixa disponibilidade de energia. Isso ocorre quando o corpo não recebe calorias suficientes para sustentar as demandas do exercício, levando a uma diminuição na produção de hormônios sexuais. O estresse emocional e psicológico, que pode ser exacerbado pela pressão para ter um desempenho atlético, também pode afetar a função hormonal e contribuir para a oligomenorreia.[8]

Atletas que lutam contra distúrbios alimentares, como anorexia ou bulimia, são particularmente suscetíveis à oligomenorreia. A restrição alimentar severa e os comportamentos compensatórios podem levar a uma interrupção do ciclo menstrual.

Um estudo mais recente mostra que atletas que competem em esportes que enfatizam a magreza ou um peso específico exibem uma taxa mais alta de disfunção menstrual do que atletas que competem em esportes que não possuem esse foco, como o futebol ou o basquete. Essa diferença sugere que as pressões sociais e culturais para manter um peso corporal baixo podem contribuir para a desregulação do ciclo menstrual entre essas atletas.

A amamentação tem sido associada à irregularidade dos ciclos menstruais devido aos hormônios que atrasam a ovulação.

Pessoas com síndrome do ovário policístico (SOP) também são propensas a ter oligomenorreia. Embora a SOP não seja exclusiva de atletas, sua presença pode ser um fator complicador em mulheres que já enfrentam desafios relacionados ao ciclo menstrual. A SOP é uma condição na qual os andrógenos (hormônios sexuais masculinos) são liberados em excesso pelos ovários. As pessoas com SOP apresentam irregularidades menstruais que variam de oligomenorréia e amenorreia a períodos muito intensos e irregulares. A condição afeta cerca de 6% das mulheres na pré-menopausa.

A predisposição genética e as variações hormonais individuais também podem desempenhar um papel na ocorrência de oligomenorreia, influenciando a resposta do corpo ao exercício e ao estresse.

Os distúrbios alimentares podem resultar em oligomenorreia. Embora os distúrbios menstruais estejam mais fortemente associados à anorexia nervosa, a bulimia nervosa também pode resultar em oligomenorreia ou amenorreia. Existe alguma controvérsia quanto ao mecanismo da desregulação menstrual, uma vez que a amenorréia pode, às vezes, preceder a substancial perda de peso em algumas anoréxicas.

Efeitos na Saúde

[editar | editar código]

A oligomenorreia pode ter consequências significativas para a saúde das atletas. Sendo elas:

Diminuição da Densidade Óssea: A ausência de menstruação regular pode levar a uma redução na produção de estrogênio, um hormônio essencial para a manutenção da saúde óssea. Estudos mostram que mulheres com oligomenorreia têm maior risco de desenvolver osteopenia e osteoporose, aumentando a probabilidade de fraturas ósseas. [9]

Problemas Cardiovasculares: A oligomenorreia pode estar associada a um aumento do risco de doenças cardiovasculares. A falta de estrogênio pode afetar negativamente a saúde vascular e o perfil lipídico, contribuindo para um maior risco de hipertensão e doenças cardíacas [10]

Impacto Psicológico: A irregularidade menstrual pode causar estresse emocional e psicológico, levando a problemas como ansiedade e depressão. A pressão para manter um desempenho atlético, combinada com a preocupação com a saúde reprodutiva, pode exacerbar esses problemas [11]

Infertilidade: A oligomenorreia pode dificultar a concepção, uma vez que a ovulação pode ser irregular ou ausente. Isso pode ser uma preocupação significativa para atletas que desejam engravidar no futuro [12]

Síndrome do Exercício Excessivo: A oligomenorreia é frequentemente um sinal de síndrome do exercício excessivo, que pode incluir uma combinação de desnutrição, amenorreia e problemas psicológicos. Essa síndrome pode levar a uma série de complicações de saúde, incluindo fadiga crônica e diminuição do desempenho atlético [13]

Desregulação Hormonal: A oligomenorreia pode ser um indicativo de desregulação hormonal mais ampla, que pode afetar não apenas a saúde reprodutiva, mas também outros sistemas do corpo, resultando em problemas metabólicos e endócrinos [14]

Abordagem e Tratamento

[editar | editar código]

O manejo da oligomenorreia em atletas envolve uma abordagem multidisciplinar, que pode incluir ajustes na dieta, modificação do regime de treinamento e, em alguns casos, intervenção médica com reposição hormonal e medicamentos. É fundamental que treinadores e profissionais de saúde estejam cientes dos riscos associados à oligomenorreia e promovam a saúde reprodutiva das atletas, incentivando um equilíbrio saudável entre treinamento e nutrição.

Referências

  1. a b c thefreedictionary.com > oligomenorrhea This dictionary is citing Gale Encyclopedia of Medicine. 2008
  2. Berek JS, Adashi EY, Hillard PA (1996). Novak's Gynecology 12th ed. Baltimore: Williams & Wilkins. ISBN 0-683-00593-6 
  3. Dale E, Gerlach DH, Wilhite AL (1979). «Menstrual dysfunction in distance runners». Obstet Gynecol. 54 (1): 47–53. PMID 313033. doi:10.1097/00006250-197907000-00013 
  4. Wakat DK, Sweeney KA, Rogol AD (1982). «Reproductive system function in women cross-country runners». Med Sci Sports Exerc. 14 (4): 263–9. PMID 7132642. doi:10.1249/00005768-198204000-00002 
  5. Frisch RE, Gotz-Welbergen AV, McArthur JW, et al. (1981). «Delayed menarche and amenorrhea of college athletes in relation to age of onset of training». JAMA. 246 (14): 1559–1563. PMID 7277629. doi:10.1001/jama.246.14.1559 
  6. Warren MP (1980). «The effects of exercise on pubertal progression and reproductive function in girls». J. Clin. Endocrinol. Metab. 51 (5): 1150–1157. PMID 6775000. doi:10.1210/jcem-51-5-1150 
  7. Torsiveit, MK (2005). «Participation in leanness sports but not training volume is associated with menstrual dysfunction: a national survey of 1276 elite athletes and controls». British Journal of Sports Medicine. 39 (3): 141–147. PMC 1725151Acessível livremente. PMID 15728691. doi:10.1136/bjsm.2003.011338 
  8. O sistema reprodutivo feminino é altamente sensível a estresses. De fato, anormalidades reprodutivas, incluindo menarca tardia e amenorreia ocorrem entre 6% e 79% das mulheres engajadas em atividades de alto rendimento (Nattiv, 2007). Além de anormalidades de hormônios sexuais, atletas com amenorreia exibem também distúrbios neuroendócrinos no eixo hormônio do crescimento (GH)-fator de crescimento semelhante à insulina (IGF-I) (Stafford, 2005; Waters et al., 2001) e no padrão de lipoproteínas séricas (Friday et al., 1993). O desequilíbrio das concentrações de hormônios sexuais pode acarretar, entre outros, prejuízos na densidade mineral e na microarquitetura óssea com consequente aumento do risco de fraturas (Ackerman et al., 2011; Stafford, 2005), infertilidade reversível, redução de hormônios secretados pela tireoide e risco aumentado de carcinoma no endométrio (Brucker-Davis et al., 2001).
  9. Loucks, Anne B (2006). "The effect of energy availability on reproductive function in women." Journal of Sports Sciences, 24(7), 703-711. [S.l.]: PubMed 
  10. Nattiv, A., et al. (2007). "American College of Sports Medicine position stand: The female athlete triad." Medicine & Science in Sports & Exercise, 39(10), 1867-1882.
  11. Warren, M. P., & Perlroth, N. E. (2001). "The female athlete triad." Current Sports Medicine Reports, 1(3), 165-171.
  12. Misra, M., & Klibanski, A. (2014). "Anorexia nervosa and the hypothalamic-pituitary-gonadal axis." Journal of Clinical
  13. Mountjoy, M., et al. (2014). "The IOC consensus statement on relative energy deficiency in sport (RED-S): 2014." British Journal of Sports Medicine, 48(7), 491-497.
  14. Kelsey, J. L., et al. (2006). "Menstrual dysfunction in athletes: a review." Clinical Journal of Sport Medicine, 16(5), 439-445.