Olmiro Palmeiro de Azevedo

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Olmiro Palmeiro de Azevedo
Nascimento 29 de abril de 1895
Montenegro
Morte 12 de maio de 1974
Cidadania Brasil
Alma mater
Ocupação advogado, escritor, poeta,

Olmiro Palmeiro de Azevedo (Montenegro, 29 de abril de 1895Caxias do Sul, 12 de maio de 1974) foi um poeta, jornalista, político, advogado e jurista brasileiro.

Biografia[editar | editar código-fonte]

Carreira[editar | editar código-fonte]

Formado pela Faculdade Livre de Direito de Porto Alegre, exerceu a promotoria pública em Vacaria e ocupou o 1º Tabelionato de Porto Alegre, sucedendo a seu pai, coronel Luiz Augusto de Azevedo.[1]

Transferiu-se para Caxias do Sul em 1919 com sua nomeação para o cargo de juiz distrital,[2] e desde então desempenhou na cidade uma série de funções. Foi presidente do diretório do Partido Libertador, vereador e presidente da Câmara,[3] membro da Junta Governativa na Revolução de 1930,[4] sub-chefe de polícia da 10ª Região do estado em 1936,[5] presidente da Junta de Conciliação e Julgamento em 1937,[6] presidente da Liga de Defesa Nacional em 1942.[7]

Foi ainda membro da comissão de construção da primeira hidráulica da cidade,[8] um dos fundadores do Rotary Clube e seu primeiro presidente,[9] colaborador na criação do Instituto de Rádio-Diagnóstico e Radioterapia,[10] um dos fundadores da Associação Atlética Banco do Brasil,[11] e presidente da OAB-Caxias do Sul,[1] permanecendo à frente da entidade por quase vinte anos.[12] Foi o primeiro professor de Economia Política e Direito Comercial na Faculdade de Direito de Caxias do Sul.[1] e chefe do Departamento Jurídico do Banco do Brasil,[13] função em que se aposentou.

Casado com Rita Falcão, teve os filhos Márcio, Renan, Myriam e Vera.[3] Seus obituários foram unânimes em louvá-lo como eminente advogado, literato e homem público.[4][14][15] Seu sepultamento teve grande acompanhamento.[4]

Atividades culturais[editar | editar código-fonte]

Colaborador nos jornais Correio do Povo e Diário de Notícias,[2] membro do Ateneu Literário,[16] membro de honra da Academia Caxiense de Letras,[17] e membro da Academia Rio-Grandense de Letras,[3] foi "ativo participante do movimento cultural caxiense".[3]

Na edição de 1950 da Festa da Uva, que comemorava os 75 anos da colonização italiana no Rio Grande do Sul, foi presidente da Comissão de História e Cultura, responsável pela organização de uma mostra histórica em um pavilhão especial,[18] e presidente do juri de escolha da Rainha.[19] Na edição de 1958 participou do juri de escolha da Rainha.[20]

Um dos fundadores e primeiro vice-presidente da Sociedade de Cultura Artística em 1931,[21] presidente em 1937,[22] convidado para a Mesa Diretora do Congresso Literário Caxiense em 1957 na qualidade de representante dos poetas e escritores locais,[23] no mesmo ano foi indicado delegado da Comissão Estadual de Folclore,[24] membro da Comissão Pró-Criação da Faculdade de Economia em 1956,[25] e membro do juri do I Salão Popular de Belas Artes em 1959.[26] Em 1962, a convite da Editora Globo, escreveu uma sinopse histórica sobre a cidade como introdução do Guia Turístico de Caxias do Sul.[27]

Manejando brilhante retórica,[28] discursou em muitas cerimônias e eventos públicos na qualidade de orador oficial. Em 1925 discursou na abertura das comemorações dos 50 anos da colonização italiana.[29] Na Festa da Uva de 1934 fez a saudação à Rainha,[30] foi orador oficial da Associação Atlética Banco do Brasil,[11] na inauguração do novo edifício do Foro de Caxias em 1956[31] e do novo anexo do Hospital Pompeia em 1958,[32] no II Rodeio da Poesia Crioula em 1958 como representante do Município, encarregado de dar as boas-vindas aos participantes,[33] e na inauguração da Academia de Arte Poética, Oratória e Literatura da Escola Normal São José em 1959.[34]

Obra poética[editar | editar código-fonte]

Sua poesia tem um perfil modernista com uma temática regionalista,[35] recebendo referências de Raul Bopp,[36] Agripino Grieco e Tristão de Ataíde. Sua obra está reunida nos livros Veio d'Água (1926) e Vinho Novo (1936).[2] Em 1978 a Universidade de Caxias do Sul em conjunto com o Instituto Estadual do Livro recolheram sua obra publicada e inéditos dispersos no volume póstumo Vinho Velho, com apresentação de Jayme Paviani.[3] No lançamento do livro, Luís Alberto De Boni recordou dele como "uma das figuras mais expressivas da cidade por vários anos".[37]

Veio d'Água foi elogiado pelo crítico Moysés Vellinho pelo seu uso lírico da cor, da paisagem e de temas da história local e pelo fato de o poeta ter-se livrado das amarras formais e saído "em busca de um ritmo, marcado pelas vozes e acentos da terra que nos rodeia", concluindo dizendo que "esse ambiente de pura écloga, que é a Serra, na altura em que se fixou a colonização italiana, o sr. Olmiro de Azevedo começou a revelar ao Rio Grande através do verso".[35] Ele e Ernani Fornari foram os primeiros literatos a cantar em verso a história da colonização italiana no estado, o que José Clemente Pozenato julgou fazê-los merecedores de serem conhecidos por todos,[38] acrescentando que Azevedo havia captado "flagrantes inesquecíveis da alma de Caxias", e por isso devia ser lido em todas as escolas, pois "a cidade só teria a ganhar mantendo viva a memória deste poeta".[39] Mário Gardelin o chamou de "inesquecível e adorado poeta",[40] dono de "uma inspiração fecunda e serena", "de verso límpido e puro", em que "a poesia corre como um bom vinho".[41] Em 1978 um de seus versos foi gravado na medalha comemorativa da Festa da Uva deste ano.[42]

Homenagens[editar | editar código-fonte]

Em 1967 um retrato seu foi instalado na sede da Sociedade Caxiense de Mútuo Socorro, quando foi declarado sócio honorário.[43] Em 1969 era o mais antigo advogado em atividade em Caxias, e ao comemorar seu aniversário foi homenageado com a instalação de um retrato na sede do Foro, sendo chamado de "um dos mais brilhantes advogados de nosso estado",[44] e outro retrato na sede da OAB, em reconhecimento dos relevantes serviços prestados ao município e dos muitos anos dedicados à entidade.[45] No mesmo ano foi convidado pela UCS para dar uma palestra sobre sua obra literária.[46]

Seu falecimento em 1974 foi marcado por sessão solene da Câmara de Caxias, aprovada por unanimidade, quando recebeu muitos elogios pela sua dedicação e serviços à cidade e suas contribuições culturais.[47] Em 1976 foi homenageado paraninfando postumamente a turma de formados da Faculdade de Direito da UCS,[48] como "uma justíssima homenagem a um dos homens mais brilhantes que atuou na Justiça gaúcha".[49] Em 1991 Mário Gardelin o destacou como "uma das nossas mais belas vocações jurídicas",[50] e sua trajetória e a de outras personalidades foi resgatada em uma exposição de fotografia organizada pelo Arquivo Histórico Municipal como uma programação paralela da Festa da Uva, quando foi citado como "nome sempre lembrado nos meios judiciários pela coerência, justeza e competência com que sempre atuou em defesa da justiça e da dignidade humana".[2] Em 1992 a Biblioteca Pública Municipal incluiu algumas poesias no Projeto Poetas Caxienses, ao lado dos principais poetas locais.[3] Recebeu homenagem na Feira do Livro de Caxias do Sul de 2003.[51]

Seu nome batiza uma rua,[52] um Diploma de Honra ao Mérito criado pela OAB de Caxias do Sul para distinguir profissionais que completam vinte anos no exercício exemplar da advocacia,[53] e o auditório da OAB.[54]

Referências

  1. a b c Santarem, Michelle Luisa Grezzana. Faculdade de Direito de Caxias do Sul/RS : indícios da história e da cultura acadêmica (1959-1967). Mestrado. Universidade de Caxias do Sul, 2015, pp. 93-94
  2. a b c d "Nesta exposição, muitas imagens da Caxias antiga". Pioneiro, 03/01/1981
  3. a b c d e f "Memória". Folha de Hoje, 12/05/1994
  4. a b c "Dr. Olmiro Palmeiro de Azevedo". Jornal de Caxias, 18/05/1974
  5. Gardelin, Mário. "Os sangrentos sucessos de Antônio Prado". Jornal Ponto Inicial, 06/05/2004
  6. Gardelin, Mário. "Efemérides". Folha de Hoje, 06/01/1994
  7. Ponzi, Luiz Carlos. "Ponto da história". Gazeta de Caxias, 16-22/03/2002
  8. "Afastado". Pioneiro, 24/01/1959
  9. "Rotary Clube Caxias do Sul chega aos 60 anos com uma mulher na presidência". Gazeta de Caxias, 25/04-01/05/1998
  10. "Inaugurado o Instituto de Rádio-Diagnóstico e Radioterapia Caxias do Sul". Pioneiro, 04/04/1953
  11. a b "Associação Atlética Banco do Brasil". A Época, 14/03/1954
  12. Dutra, Laudir. "OAB Caxias do Sul promove 12ª Mostra de Cinema e Direitos Humanos". Jornal Ponto Inicial, 26/08/2019
  13. "Superintendência é criada para centralizar decisões". Pioneiro, 10/04/1996
  14. Gardelin, Mário. "Poemas e clarins". Pioneiro, 25/05/1974
  15. "Maineri, João Luiz. "Poetas do Direito". Pioneiro, 18/05/1974
  16. "Morte de Olmiro, o poeta". Correio Riograndense, 15//05/1974
  17. Albuquerque, Dynarte de Borba e. "Academia Caxiense de Letras". Folha de Hoje, 22/06/1994
  18. "O Pavilhão Histórico - Cultural será o Relicário de nossa tradição regional". Pioneiro, 24/02/1950
  19. "A Rainha da Festa da Uva". Pioneiro, 11/02/1950
  20. "Escolha da Rainha". Pioneiro, 22/02/1958
  21. "Sociedade de Cultura Artística de Caxias do Sul". Pioneiro, 13/12/1952
  22. "Foi homenageado o diretor da sucursal do Diário de Notícias". Folha do Nordeste, 25/07/1937
  23. "Congresso Literário Caxiense<". Pioneiro, 01/06/1957
  24. "Comissão Estadual de Folclore". Pioneiro, 06/07/1957
  25. "Faculdade de Economia". Pioneiro, 11/02/1956
  26. "I Salão Popular de Belas Artes de Caxias do Sul". Caxias Magazine, mai/1959
  27. "Guia Turístico de Caxias do Sul". Pioneiro, 09/06/1962
  28. "Homenagem ao Dr. Julio R. Cruz". Pioneiro, 15/08/1959
  29. Cancian, Paulo. "3º Grupo comemora 55 anos". Tempo Todo, 15-21/07/2005
  30. "Uma festa que vem de longe". Gazeta de Caxias, 13-19/09/1997
  31. "Inauguração do Novo Foro". Pioneiro, 04/08/1956
  32. "Inaugurações no Hospital Nossa Senhora de Pompéia". Pioneiro, 22/02/1958
  33. "Instala-se hoje em Caxias o 2º Rodeio da Poesia Crioula". Pioneiro, 28/06/1958
  34. "Inaugurada a Academia de Arte Poética, Oratória e Literatura". Pioneiro, 06/06/1959
  35. a b Vellinho, Camila Lima. Modernismo e Regionalismo na crítica literária do sul-rio-grandense. Mestrado. Universidade Federal do Rio Grande do Sul, 2011, pp. 58-59
  36. Longhi, Ary. "Poetas Caxienses". Pioneiro, 28/11/1953
  37. De Boni, Luiz A. "Livros". Jornal de Caxias, 11/11/1978
  38. Pozenato, José Clemente. "Trem da Serra". Folha de Hoje, 31/03/1990
  39. Pozenato, José Clemente. "Rascunho de personagem". Folha de Caxias, 13/05/1989
  40. Gardelin, Mário. "Sobrenomes portugueses XII". Folha de Hoje, 22/07/1990
  41. Gardelin, Mário. "O Poeta". Pioneiro, 27/07/1963
  42. "Eberle lança medalha especial". Correio Riograndense, 22/02;1978
  43. "Sociedade Caxiense de Mútuo Socorro completa hoje seu 80º aniversário". Caxias Magazine, 11/11/1967
  44. "Homenagem a advogado". Pioneiro, 12/04/1969
  45. "Olmiro de Azevedo rasgará folhinha". Pioneiro, 19/04/1969
  46. "A Universidade na Semana da Pátria". Pioneiro, 30/08/1969
  47. "Câmara homenageou memória de Olmiro de Azevedo". Jornal de Caxias, 18/05/1974
  48. "Bacharelandos de Direito 1976". Jornal de Caxias, 18/12/1976
  49. "Dia 23 formatura de Direito". Pioneiro, 18/12/1976
  50. Gardelin, Mário. "Do ensino de há vinte e oito anos". Folha de Hoje, 08/03/1991
  51. "A maior festa do saber". Gazeta de Caxias, 12/09/2003
  52. Prefeitura Municipal de Caxias do Sul. "Lei nº 2.292 de 19 de maio de 1976". Jornal de Caxias, 29/05/1976
  53. "Após Sessão Magna da OAB/RS, Lamachia prestigia Baile do Advogado em Caxias do Sul". OAB-RS, 13/08/2012
  54. "OAB/RS fará implantação da Comissão Regional de Direito Ambiental em Caxias do Sul". OAB-RS, 13/08/2008