Onissexualidade

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Disambig grey.svg Nota: Não confundir com pansexualidade, nem com bissexualidade, nem com polissexualidade.
Bandeira onissexual

Onissexualidade (português brasileiro) ou omnissexualidade (português europeu) é uma orientação sexual que caracteriza os indivíduos que podem ser atraídos, emocional ou sexualmente, por uma pessoa de qualquer gênero ou sexo, levando em consideração o tipo de tal.[1]

Definição[editar | editar código-fonte]

Características[editar | editar código-fonte]

A omnissexualidade envolve o reconhecimento de gênero, o que significa que uma pessoa omnissexual pensará sobre o gênero da pessoa por quem se sente atraída. Ela não vai levar isso em conta, já que se sente atraída por todos os gêneros, mas pode, em particular, ter uma influência na atração pela pessoa.

Dependendo das pessoas omnissexuais, o gênero pode ser um fator de atração: por ser mais atraído por um ou mais gêneros em particular, por ser atraído por coisas diferentes no outro, dependendo de seu gênero... Também pode induzir um comportamento diferente em um relacionamento, dependendo do sexo da outra pessoa, por exemplo. Esse reconhecimento de gênero é expresso de forma diferente em cada pessoa omnissexual. Onissexuais podem ter preferências afetivas, ou uma frequência de atração por determinados gêneros, com diferentes métodos.

Omnissexualidade e omnirromanticidade[editar | editar código-fonte]

Deve-se também distinguir entre orientação sexual e romântica, sabendo que nem todo mundo sente atração sexual (veja assexualidade). A orientação romântica ligada à omnissexualidade passa a ser denominada omnirromantismo, onirromantismo ou onirromanticidade e segue os mesmos princípios da omnisexualidade, sem envolver atração sexual. Pessoas omnissexuais são frequentemente omnirromânticas semelhantes, e vice-versa, embora essas duas palavras devam ser distinguidas.[2]

Assim, pessoas cuja orientação sexual é omnisexualidade são consideradas "omnissexual" ou "onissexual". E as pessoas cuja orientação romântica é onirromântica ou omnirromântica são chamadas de "onirromântique", "omnirromântique", "omnirromântico" ou "onirromântico".

Etimologia[editar | editar código-fonte]

O prefixo omni vem do latim omnis, que significa “todos”, em referência à atração por todos os gêneros e sexos. Oni- é a versão aportuguesada, assim como em ônibus, onipotência, onívoro, onisciência e onipresença.

Bandeira[editar | editar código-fonte]

Tons de rosa e azul representam espectros feminino e masculino, respectivamente, enquanto o roxo escuro agrupa identidades de gênero não binárias.[3]

Distinção com pansexualidade[editar | editar código-fonte]

Embora essas duas orientações sexuais possam ser usadas popularmente como sinônimos, há uma distinção real a ser feita, que reside no reconhecimento do gênero da outra pessoa. Na verdade, as pessoas pansexuais, ao contrário, não levam isso em consideração. Pode-se dizer que elas se sentem atraídas por todos os gêneros igualmente, mas eles não pensam neste.[4]

Pode-se ainda enfatizar uma história distinta do termo, como é o caso da bandeira.

Embora essa distinção possa parecer apenas uma nuance, ela tem uma importância real no reconhecimento da omnisexualidade, muitas vezes confundida com pansexualidade e, portanto, não reconhecida.[5][6]

Enquanto a atração independente de gênero, também chamada de "cega de gênero", pode ser um fator que define a pansexualidade, a onissexualidade pode abranger uma fluidez sexual, ou ainda, o agrupamento da androssexualidade, ginessexualidade e ceterossexualidade.[7][8][9][10]

Histórico[editar | editar código-fonte]

Nascimento e história dos termos[editar | editar código-fonte]

A primeira aparição do termo onisexualidade data 1959 em "The Holy Barbarians",[11] do poeta Lawrence Lipton. No entanto, a primeira vez que foi usado no contexto da definição atual foi no livro "Sexual Choices: Uma Introdução à Sexualidade Humana"[12] em 1984, então descrito como "um estado de atração por todos os sexos". Na década de 1990, Jimmie Killingsworth empreendeu uma análise do poeta Walt Whitman, encontrando personagem onissexual em Leaves of Grass.[13] Em 2011, The Atlantic notou que sua poesia expressa sexualidade para todos os gêneros, às vezes ainda o mar ou a terra.[14]

Foi somente ao longo dos anos, e particularmente a partir dos anos 2000 graças à Internet, que este termo tomou a descrição atual que implica uma consideração de gênero e que se popularizou, particularmente após a cunhagem independente de omnigénero/onigênero na anglosfera, por volta de 2014, que era sinônimo de pangênero, ou ainda poligênero.[1][6][15] Com a saída do armário de Brendon Urie e Janelle Monáe como pansexuais, a mídia começou a popularizar termos não-monossexuais na corrente dominante.[16][17][18][19]

Em 2003, no livro The Queer God, sobre teologia queer, Marcella Althaus-Reid descreve Deus como uma entidade não apenas não-habitual mas também omnissexual, além das categorias multitudinais onipotente e onipresente.[20]

É possível encontrar distinções anteriores a cunhagem independente, em que omnissexualidade era definida como atração independente de gênero,[21] ou ainda que o prefixo omni tem origem pan-europeia enquanto pan pan-americana.[1] Contudo, omnissexualidade e pansexualidade eram usadas intercambiavelmente, incluindo adetentemente atrações dependentes ou conscientes de gênero.[22]

Um termo para descrever sexualidade, usando o mesmo prefixo, aparece na década de 1920, usando o sufixo futuente, vindo do latim futuēre, foder. Omnifutuente, ou onifutuente, seria alguém tolerante a práticas sexuais com todos os sexos ou capaz de praticar atividades homossexuais e heterossexuais.[23][24]

Celebração[editar | editar código-fonte]

A omnisexualidade e o omniromantismo ou oniromantismo (a oniromanticidade ou omniromanticidade) são celebrados durante o mês do orgulho, e têm seu próprio dia de celebração, 6 de junho, comemorado a partir de 2020, segundo calendários que circulam nas redes. 21 de março também foi declarado como dia da visibilidade ou consciência onisexual, através do Reddit.

Referências[editar | editar código-fonte]

  1. a b c «» Omni». Consultado em 16 de agosto de 2020 
  2. «Omniromantisme | Wiki | LGBT+ France Amino». LGBT+ France | aminoapps.com. Consultado em 10 de maio de 2020 
  3. Reid-Smith, Tris (21 de janeiro de 2020). «Pride flags: The biggest guide to LGBT+ rainbow flags and what they all mean». Gay Star News (em inglês). Consultado em 10 de maio de 2020 
  4. «What Is the Difference Between Pansexuality And Omnisexuality?». Affinity Magazine (em inglês). 11 de julho de 2017. Consultado em 16 de agosto de 2020 
  5. Lacey, Pippa (11 de julho de 2017). «What Is the Difference Between Pansexuality And Omnisexuality?». Affinity Magazine (em inglês). Consultado em 10 de maio de 2020 
  6. a b Africa, Dr Rae OsbornAssociate Professor of Biology PhD in Quantitative Biology at in United StatesDr Rae Osborn was educated in South; Zoology, the United States She holds Honors Bachelor of Science degrees in. «Difference Between Omnisexual and Pansexual | Difference Between» (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2020 
  7. «What Is Ceterosexuality?». WebMD (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021 
  8. «A handy Guide to Flags – Channel Islands Pride». www.channelislandspride.org. Consultado em 25 de março de 2021 
  9. SAPO. «Poliamoroso, demissexual, arromântico e outras 20 caracterizações sexuais». MAGG. Consultado em 25 de março de 2021 
  10. by (18 de setembro de 2018). «5 Myths and Facts About Pansexuality». Sydney Gay Counselling (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021 
  11. LAWRENCE LIPTON (1959). THE HOLY BARBARIANS. Universal Digital Library. [S.l.]: JULIAN MASSNER, INC 
  12. Nass, Gilbert D.; Libby, Roger W.; Fisher, Mary Pat (fevereiro de 1984). Wadsworth Health Sciences Division, ed. Sexual choices: an introduction to human sexuality (em inglês). [S.l.: s.n.]  Faltam os |sobrenomes1= em Editors list (ajuda)
  13. Aspiz, Harold (1 de abril de 1991). «KILLINGS WORTH, M. Jimmie. Whitman's Poetry of the Body: Sexuality, Politics, and the Text.». ANQ: A Quarterly Journal of Short Articles, Notes and Reviews (2): 98–100. ISSN 0895-769X. doi:10.1080/0895769X.1991.10542654. Consultado em 25 de março de 2021 
  14. Hudson, John (28 de setembro de 2011). «Fox Wins GLAAD Award for Its Literally Cartoonish Depiction of Gays». The Atlantic (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021 
  15. «Omnisexual». LGBTA Wiki (em inglês). Consultado em 10 de junho de 2020 
  16. «Everything You Need to Know About Pansexuality». Billboard (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021 
  17. «Celebrities Are Identifying as Pansexual, Here's What That Means». PAPER (em inglês). 27 de abril de 2018. Consultado em 25 de março de 2021 
  18. Villarreal, Daniel (27 de fevereiro de 2020). «What is pansexual? What is the difference between pansexual and bisexual? We got answers!». LGBTQ Nation. Consultado em 25 de março de 2021 
  19. Networks, Hornet (27 de abril de 2018). «Janelle Monae's Coming Out Has People Asking Google, 'What Is Pansexual?'». Hornet. Consultado em 25 de março de 2021 
  20. Althaus-Reid, Marcella (junho de 2004). The Queer God (em inglês). [S.l.]: Routledge. pp. 52–53 
  21. «The student's guide to LGBT lingo». Mustang News (em inglês). 1 de novembro de 2013. Consultado em 17 de maio de 2021 
  22. Girl, Lady Geek (15 de dezembro de 2013). «Deadpool Is Pansexual, But I'm Not Excited About It». Lady Geek Girl and Friends (em inglês). Consultado em 17 de maio de 2021 
  23. «OMNIFUTUANT | Definition of OMNIFUTUANT by Oxford Dictionary on Lexico.com also meaning of OMNIFUTUANT». Lexico Dictionaries | English (em inglês). Consultado em 25 de março de 2021 
  24. «BISSEXUAL X HERMAFRODITA: QUAL A DIFERENÇA? - DIFERENÇA». pt.campusintifada.com. Consultado em 25 de março de 2021