Oogênese

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Ovogênese (ou oogênese) é o processo biológico de formação das células reprodutoras femininas, os ovócitos, nos animais. Ovogênese na mulher tem início durante a vida intra-uterina, continuando posteriormente de uma forma cíclica a partir da puberdade até à menopausa.[1] Na ovogênese ocorre uma sequência de eventos pelos quais as ovogônias se transformam no final em óvulos.

A ovogênese divide-se em três fases: multiplicação, crescimento e maturação.

Proliferação ou Multiplicação[editar | editar código-fonte]

Durante a vida intra-uterina as células germinativas primordiais que se originam do endoderma do saco vitelínico - logo após o primeiro mês de gestação - migram para o ovário em desenvolvimento e diferenciam-se em ovogônias. No início da vida fetal, entre o segundo e o sétimo mês de gestação, uma série de divisões mitóticas produzem cerca de 7 milhões de ovogônias. Após o sétimo mês, esse número cai abruptamente, e continua a cair após o nascimento. Durante a infância, a maioria dos ovócitos torna-se atrésico; somente cerca de 400.000 estão presentes no início de puberdade, e menos de 500 serão ovulados.[2]

Crescimento[editar | editar código-fonte]

A maioria das ovogônias morre e algumas sobrevivem e passam pelo período de crescimento, quando aumentam de tamanho e iniciam a meiose, parando na prófase I, precisamente na fase diplóteno.

Nesse período, as ovogônias acumulam substâncias de reserva (vitelo) e consequentemente aumentam de tamanho, transformando-se em células maiores denominadas ovócitos primários. Ao nascimento, todos os ovócitos primários já completaram a prófase da primeira divisão meiótica, estágio em que permanecerão até a puberdade.

Logo que o ovócito primário se forma, ele está envolto por uma camada única de células granulosas epiteliais e uma camada menos organizada de células tecais mesenquimatosa, sendo denominado folículo primordial. Concomitantemente com o crescimento do ovócito ocorre um aumento no número de células granulosas foliculares, que forma camadas concêntricas ao redor do ovócito.

Maturação[editar | editar código-fonte]

Na puberdade, sob estímulo hormonal, a célula germinativa passa a ficar envolta por uma camada mais numerosa de células foliculares cúbicas (folículo primário). Quando o ovócito primário é envolto por duas ou mais camadas de células foliculares, essa camada é denominada granulosa. As células foliculares passam a secretar glicoproteínas, formando a zona pelúcida entre a granulosa e o ovócito.

O ovócito termina a primeira divisão meiótica, levando à formação de duas células filhas de tamanhos desiguais. Uma dessas células, o ovócito secundário, recebe a maior parte do citoplasma; a outra, o primeiro corpo polar, praticamente não recebe citoplasma. O ovócito secundário começa então a segunda divisão meiótica e para na metáfase II. O ovócito secundário é envolto pelo folículo De Graaf, que se caracteriza pelo aparecimento de um espaço intercelular denominado antro.

Fases da oogênese

A diminuição do hormônio folículo estimulante (FSH), devido ao aumento de estrógeno produzido pelos folículos, e o aumento brusco no teor do hormônio luteinizante (LH) secretado pela hipófise anterior leva a ocorrência da ovulação (expulsão pelo folículo maduro de um ovócito que é capitado pela tuba uterina). Após o ovócito ser liberado, ele segue para a tuba, e geralmente é fecundado na ampola da tuba uterina. Se for fecundado, a meiose II prossegue e dividem-se em segundo corpúsculo polar, que então degenera-se, e o óvulo (união entre o ovócito secundário e o espermatozoide). Se não fecundado, o ovócito secundário é degenerado e absorvido.

Oogênese em outros animais[editar | editar código-fonte]

Diferentemente dos seres humanos e na maioria dos mamíferos, em que somente são produzidos alguns ovócitos durante a vida de um indivíduo, em outras espécies, tais como os ouriços-do-mar e as rãs, a fêmea rotineiramente produz centenas ou milhares de óvulos de uma vez.

Ovos de peixes e anfíbios são derivados de uma população de células-tronco ovogônias que pode gerar um novo grupo de ovócitos cada ano. Por exemplo, na rã Rana pipiens, a oogênese dura três anos (nos dois primeiros anos o ovócito aumenta de tamanho gradualmente e no terceiro ano, o rápido acúmulo de vitelo no ovócito faz com que o ovócito inche, atingindo um tamanho grande). Ovócitos de anfíbios podem permanecer anos no estágio diplóteno da prófase meiótica. A progesterona, secretada pelas células foliculares, é a responsável pelo recomeço da meiose no oócito primário dos anfíbios.

Em insetos, existem muitos tipos diferentes de oogênese. Drosophila e mariposas, por exemplo, sofrem oogênese meroística (as conexões citoplasmáticas permanecem entre as células produzidas pelo ovogônio).

Em mamíferos, a ovulação pode ser estimulada pelo ato físico da copulação ou ser periódica, como ocorre com a maioria dos animais. Nesta última, a fêmea apenas ovula em épocas específicas do ano, chamadas de estro. Em humanos e em outros primatas, a característica periodicidade na maturação e liberação de óvulos é chamada ciclo menstrual.

Referências Bibliográficas[editar | editar código-fonte]

  1. Junqueira & Carneiro. Histologia básica.
  2. Silverthorn, D. Fisiologia Humana, 5a. Ed., Artmed Editora, 2010.
  3. GILBERT. Scott F. Biologia do desenvolvimento. 5ª ed.Ed.FUNPEC, Ribeirão Preto, SP, 2003.
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  1. “A produção de óvulos”, em Arquivos de Sexologia de Magnus Hirschfeld acessado a 1 de junho de 2009
  2. Langman. Embriologia Médica.