Operação Abafa

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Operação Abafa foi o nome dado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso à diversas tentativas de paralisar a Operação Lava Jato e o combate à corrupção no Brasil.

Em maio de 2017, Barroso já havia alertado que as críticas a delações premiadas da Operação Lava Jato são parte de uma "operação abafa" para desacreditar os delatores. Na opinião do ministro, as críticas ao instrumento servem para intimidar os colaboradores e impedir que contem o que sabem sobre crimes.[1] No inicio de agosto de 2017, em participação em um simpósio de direito, o ministro afirmou que "A operação abafa é uma realidade visível e ostensiva no Brasil de hoje. Há muita resistência às mudanças que precisam ser feitas".[2][3]

Em 22 de agosto de 2017, o ministro do STF Luís Roberto Barroso afirmou, em entrevista no programa Conversa com Bial ao apresentador Pedro Bial da Rede Globo, que existe uma "grande Operação abafa" cujo objetivo seria paralisar a Operação Lava Jato. Barroso disse ainda que "a sociedade tem que estar mobilizada. A Lava-Jato sobreviveu pela sociedade e pela imprensa. Há uma semente plantada, nunca mais será como antes". Barroso ainda destacou a coragem do país em não "empurrar a poeira para debaixo do tapete" e em avançar com as investigações. "Talvez nenhum país no mundo tenha tido a coragem de fazer o que o Brasil está fazendo. Temos que aproveitar essa oportunidade com determinação. Vamos criar um país em que a integridade é o ponto de partida."[4][5]

Em discussão na sessão plenária do dia 26 de outubro de 2017, Barroso acusou o também ministro Gilmar Mendes de ser leniente com os crimes de colarinho branco e de mudar de jurisprudência de acordo com o réu, em referência ao fato de Mendes haver concedido a soltura de vários presos na Operação Lava Jato.[6]

Em abril de 2018 Barroso disse que há uma "operação abafa" em curso no Brasil para tentar desmobilizar o combate à corrupção. Segundo o ministro, o primeiro passo dessa operação foi contra a possibilidade de restrição do foro privilegiado. O ministro, assim como a maioria dos ministros da Corte, são contrários ao foro privilegiado. Ainda segundo o ministro, como "isso se tornou uma tendência irreversível", a estratégia da operação mudou para tentar acabar com a execução da pena após a condenação em segunda instância. Barroso defende o cumprimento da pena depois da condenação em segunda instância. "O processo vai começar no primeiro grau e não vai acabar nunca", disse ao participar do painel sobre corrupção na Brazil Conference, conferência organizada por alunos brasileiros das universidades de Harvard e do MIT em Cambridge.[7][8][9][10]

Referências

  1. «"Operação abafa" quer desacreditar delatores, diz ministro Barroso». Consultor Jurídico. 30 de maio de 2017. Consultado em 26 de agosto de 2017 
  2. Marcelo Osakabe (3 de agosto de 2017). «'Operação abafa' contra corrupção é realidade ostensiva, diz Barroso em SP». Uol. Consultado em 26 de agosto de 2017 
  3. «'Operação abafa' contra corrupção é realidade ostensiva, diz Barroso». Estadão. 3 de agosto de 2017. Consultado em 20 de maio de 2018 
  4. «Barroso defende mobilização da sociedade contra 'grande operação abafa' da Lava-Jato». Amaerj. 25 de agosto de 2017. Consultado em 20 de maio de 2018 
  5. Freitas, Carolina. «Barroso afirma na TV que Lava-Jato é vítima de "operação abafa"». Valor Econômico. Folha da manhã. Consultado em 20 de maio de 2018 
  6. «Barroso diz que Gilmar é leniente com crime de colarinho branco». Veja. 27 de outubro de 2017. Consultado em 27 de outubro de 2017 
  7. «Barroso diz que há uma 'operação abafa' em curso contra combate à corrupção». Agência Brasil. Correio Braziliense. 7 de abril de 2018. Consultado em 20 de maio de 2018 
  8. Alexandra Bicca (7 de abril de 2018). «Nos Estados Unidos, Barroso diz que há "operação abafa" em curso». Valor Econômico. Consultado em 20 de maio de 2018 
  9. Diogo Mainardi e Mario Sabino. «A 'operação abafa' no STF, segundo Barroso». O Antagonista. Consultado em 20 de maio de 2018 
  10. «Nos EUA, Barroso afirma que não se deve 'glamourizar o crime'». Exame. Abril. 7 de abril de 2018. Consultado em 20 de maio de 2018