Operação Carlota

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Operação Carlota (Operación Carlota, em espanhol) foi o codinome da intervenção militar cubana em Angola, em 1975.

História[editar | editar código-fonte]

Grosso modo, este nome apenas baptiza o nome da ponte aérea Cuba-Angola de emergência que o governo da Havana realizou para ajudar o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA) a manter seu poder em Luanda (capital angolana) e lá proclamar a independência de Angola, a [11 de Novembro] de 1975. No entanto, o que era para ser apenas uma intervenção de ajuda ao MPLA para expulsar do território angolano as tropas da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), apoiadas pela África do Sul e da Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA), apoiadas pelo Zaire, transformou-se numa intervenção de larga escala que duraria dezesseis anos e envolveu não apenas soldados cubanos, mas também, médicos, engenheiros e professores.

É importante salientar que a UNITA, o FNLA e o MPLA eram facções rivais que lutavam contra o colonialismo português, mas também lutavam entre si pelo controle da Angola pós-independente. Além das diferenças ideológicas (UNITA: direita; FNLA: centro-direita; MPLA: esquerda), tais facções eram patrocinadas por rivais da arena internacional (UNITA: África do Sul e Estados Unidos; FNLA: Zaire e China; MPLA: Cuba e União Soviética). Outro ingrediente explosivo nesta mistura eram as diferenças tribais que perpassavam tais grupos. Este, em resumo, foram os ingredientes que levaram à sangrenta e duradoura guerra civil angolana.

A ponte aérea de Novembro de 1975 tinha o seguinte trajecto: as tropas e o material bélico cubanos eram embarcados em velhos aviões Britannia no aeroporto da cidade cubana de Holguín, o mais ocidental de Cuba. De Holguín os aviões partiam rumo a Luanda, com escalas em Bridgetown (capital de Barbados), Bissau (lembre-se que Fidel Castro enviou assessores militares cubanos para ajudar o Partido Africano para a Independência da Guiné e Cabo Verde em sua luta contra o colonialismo português na Guiné-Bissau) e em Brazzaville (capital do Congo, então sob um regime de inspiração comunista). A travessia sobre o Atlântico era a parte mais tensa, com os aviões cubanos pousando em África já quase sem combustível (principalmente após o governo de Barbados ter vetado o acesso aos aviões cubanos ao seu território, veto esse feito sob pressão dos Estados Unidos.

O nome "Carlota" deve-se a uma escrava negra que liderou uma revolta de escravos contra o colonialismo espanhol na ilha de Cuba, em 1843. Carlota foi derrotada pelos espanhóis, mas morreu bravamente, com um facão na mão, sem se render. Em 1973, Fidel Castro houve por bem realizar eventos em comemoração aos 130 anos da revolta de Carlota e o nome ficou-lhe na cabeça. Dois anos depois, Castro não duvidou em baptizar de "Carlota" o nome da operação de ajuda ao MPLA angolano.

A aventura africana de Fidel Castro não se limitou a Angola. Em 1978 tropas cubanas lutaram ao lado da Etiópia em sua guerra contra a Somália (Guerra do Ogaden). Assessores militares cubanos também foram enviados, em número reduzido, a países africanos com regimes comunistas ou simpatizantes: Argélia, Guiné, Guiné-Bissau, Benin, Congo, além das já citadas Angola e Etiópia.

O último soldado cubano deixou Angola em 1991.

Ligações externas[editar | editar código-fonte]

Bibliografia[editar | editar código-fonte]

Jay Mallin Sr., Cuba in Angola, Miami: Miami University & Coral Gables, 1987