Operação Weitsprung

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
(Redirecionado de Operação Long Jump)
Ir para: navegação, pesquisa
Os alvos da Operação Long Jump reunidos em Teerã (esq. p/ dir): Stalin, Roosevelt e Churchill.

Operação Weitsprung foi o nome de código de um complô nazista fracassado ocorrido durante a Segunda Guerra Mundial, uma tentativa abortada de captura ou assassinato dos 'Três Grandes' Franklin Roosevelt, Winston Churchill e Josef Stalin, durante a Conferência de Teerã, em novembro de 1943.[1] O assassinato conjunto foi autorizado por Adolf Hitler e dirigido e planejado por Ernst Kaltenbrunner, o chefe da RSHA, órgão que comandava as polícias nazistas, a Gestapo, o SD e a SS.

O plano foi aprovado depois que a espionagem alemã quebrou o código secreto de comunicação da Marinha dos Estados Unidos durante o mês de outubro de 1943 e descobriu que os três líderes planejavam um encontro entre eles na capital do Irã, em novembro, para fazer o planejamento final da guerra.[2]

O Obersturmbannführer-SS Otto Skorzeny – famoso mundialmente um mês antes por resgatar Benito Mussolini da fortaleza-prisão onde havia sido colocado pelos italianos após sua deposição e levá-lo à Alemanha – foi escolhido por Kaltenbrunner para comandar a ação, que também teve a participação do espião alemão Elyesa Bazna (conhecido pelo codinome Cícero), que transmitiu de Ancara, na Turquia, onde atuava, a Berlim, o local e a data do encontro dos três líderes Aliados.

Entrementes, a espionagem soviética logo tomou conhecimento do plano alemão, através de agentes infiltrados. As primeiras pistas vieram do agente e integrante da resistência ucraniana Nikolai Kuznetsov, que passando-se por um oficial da Wehrmacht na Ucrânia ocupada pelos nazistas, fez amizade com um oficial da SS, descrito como falador e bebedor, que lhe deu alguns detalhes sobre o plano quando encontrava-se bêbado.[3]

Otto Skorzeny

Em Teerã, um espião soviético de 19 anos, Gevork Vartanian, que desde os 16 trabalhava para a inteligência soviética, havia recrutado uma pequena equipe de agentes no Irã (então Pérsia), onde seu pai, também espião, tinha a fachada de ser um rico mercador. O grupo de Vatanian localizou o comando avançado de radio-operadores infiltrados por Skorzeny, que havia sido lançado de paraquedas sobre a cidade de Qom, a 60 km da capital, e os seguiu até Teerã, onde o comandos nazistas instalaram-se numa villa providenciada pela rede de espionagem alemã local.

O grupo interceptou e gravou as comunicações feitas entre os radio-operadores e Berlim e após a decodificação das mensagens, ficaram sabendo que uma segunda equipe deveria ser lançada de paraquedas, desta vez comandada pelo próprio Skorzeny, para levar à cabo o atentado. Skorzeny inclusive já havia visitado Teerã incógnito, numa missão de reconhecimento, mas havia sido identificado e seguido pela equipe de Vartanian.[2] Com isso, todas as comunicações alemãs foram interceptadas pelos serviços de inteligência britânico e soviético.

Neste meio tempo entretanto, um dos agentes alemães enviou uma mensagem cifrada a Berlim, avisando que acreditava estar o grupo sob a vigilância dos serviços secretos inimigos e a missão acabou sendo abortada. Skorzeny considerou que a primeira parte da operação que estava sendo feita em Teerã não era adequada e que a surpresa havia sido perdida, não acreditando mais que o complexo plano pudesse funcionar.[4]

Por seu trabalho em impedir a realização da Operação Long Jump e posteriormente por serviços prestados durante a Guerra Fria, Gevork Vartanian foi condecorado com a Estrela Dourada e o título de Herói da União Soviética.[2]

Referências

  1. Nikolai Dolgopolov. «How "The Lion And The Bear" Were Saved». Rossiiskaya Gazeta 
  2. a b c «Tehran-43: Wrecking the plan to kill Stalin, Roosevelt and Churchill». RIA Novosti 
  3. Havas, Laslo (1967). Hitler's Plot to Kill the Big Three. Cowles Book Co  p. 164
  4. Havas, Laslo, Hitler's Plot to Kill the Big Three

Ver também[editar | editar código-fonte]