Operação Mãos Limpas

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A Operação Mãos Limpas (em italiano: Mani pulite), inicialmente chamada Caso Tangentopoli (em português, 'cidade do suborno' ou 'cidade da propina', termo cunhado por Piero Colaprico, cronista do jornal la Repubblica, referindo-se à cidade de Milão), foi uma investigação judicial de grande envergadura realizada na Itália. A operação teve início em Milão [1][2] e visava esclarecer casos de corrupção durante a década de 1990 (no período de 1992 a 1996) na sequência do escândalo do Banco Ambrosiano, revelado em 1982, que implicava a Máfia, o Banco do Vaticano e a loja maçônica P2.[3]

A Operação Mãos Limpas, coordenada pelo Procurador da República Antonio Di Pietro e pelo juiz Giovanni Falcone, morto em atentado pelo crime organizado em 1992, levou ao fim da chamada Primeira República Italiana (1948 – 1994) e a profundas mudanças no quadro partidário, com o desaparecimento de vários partidos políticos. Muitos políticos e industriais cometeram suicídio quando os seus crimes foram descobertos,[1][2] enquanto outros se tornaram foragidos, dentro e fora do país.

História[editar | editar código-fonte]

Deflagrada após testemunhos do dissidente da KGB Vladimir Bukovski e do ex-mafioso Tommaso Buscetta, a operação descobriu licitações irregulares e o uso do poder público em benefício particular e de partidos políticos. Comprovou ainda que empresários pagavam propinas a políticos para vencer licitações de construção de ferrovias, auto-estradas, prédios públicos, estádios e obras civis em geral.[4]

Com apoio e sob pressão da opinião pública, a Mãos Limpas teve como consequências o fim da chamada Primeira República e a extinção de muitos partidos políticos, levando muitos industriais, políticos, advogados e magistrados à prisão, enquanto outros envolvidos realizaram fugas espetaculares e 12 pessoas se suicidaram.[4] Na tentativa de calar as testemunhas, a máfia siciliana cometeu  vários assassinatos,  incluindo os dos juízes Giovanni Falcone (o primeiro juiz a colher depoimentos do ex-mafioso Buscetta) e Paolo Borsellino.  Durante a campanha da operação Mãos Limpas, 2 993 mandados de prisão foram expedidos; 6 059 pessoas estiveram sob investigação, incluindo 872 empresários, 1 978 administradores locais e 438 parlamentares, dos quais quatro haviam sido primeiros-ministros.[5]

A publicidade gerada pela operação Mãos Limpas revelou à opinião pública que a vida política e administrativa de Milão - e da Itália em geral - estava mergulhada na corrupção, com o pagamento de propinas para a concessão de todos os contratos do governo, daí a criação do termo "Tangentopoli" ou "cidade do suborno".

A operação Mãos Limpas chegou a alterar a correlação de forças na disputa política da Itália, reduzindo o poder de partidos que haviam dominado o cenário político italiano. Todos os quatro partidos no governo em 1992, a Democracia Cristã (DC), o Partido Socialista Italiano (PSI), o Partido Social-Democrata Italiano e o Partido Liberal Italiano, desapareceram posteriormente, de algum modo. O Partido Democrático da Esquerda, o Partido Republicano e o Movimento Social Italiano foram os únicos partidos de expressão nacional a sobreviver, e apenas o Partido Republicano manteve a sua denominação.

Referências

  1. a b «Como foi a mega-operação italiana que teria inspirado a 'Lava Jato'?». G1 Política. 19 de novembro de 2014. Consultado em 22 de outubro de 2015. 
  2. a b «Como foi a mega-operação italiana que teria inspirado a 'Lava Jato'?». BBC. 15 de novembro de 2014. Consultado em 22 de outubro de 2015. 
  3. «Operação Mãos Limpas no Brasil». midianews. 17 de novembro de 2014. Consultado em 22 de outubro de 2015. 
  4. a b «Corrupção na Itália». muco - museu da corrupção. Consultado em 22 de outubro de 2015. 
  5. «Moro ‘esquece’ Lava Jato e foca na Mãos Limpas». Gazeta do Povo. 29 de julho de 2015. Consultado em 22 de outubro de 2015. 

Ver também[editar | editar código-fonte]