Operação Savana

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Operação Savana
Guerra sul-africana na fronteira
Guerra de Independência de Angola
Guerra Civil Angolana
Op Savannah Map.png
Avanço das tropas sul-africanas e da UNITA durante as batalhas da Operação Savana
Data 9 de agosto de 1975 a janeiro de 1976
Local Angola
Desfecho Vitória angolana (MPLA)
Situação Terminado
Beligerantes
Flag of South Africa (1928–1994).svg África do Sul
Flag of UNITA.svg UNITA
Bandeira da FNLA.svg FNLA
Flag of Zaire.svg Zaire
Flag of Zambia.svg Zâmbia
Flag of the United States.svg Estados Unidos
Flag of Angola.svg Angola (MPLA)
Flag of Cuba.svg Cuba (FAR)
Flag of the Soviet Union.svg União Soviética
Flag of Katanga.svg FNLC
Comandantes
Flag of South Africa (1928–1994).svg Constand Viljoen
Flag of South Africa (1928–1994).svg Ben de Wet Roos
Flag of South Africa (1928–1994).svg Jan Breytenbach
Flag of UNITA.svg Jonas Malheiro Savimbi
Bandeira da FNLA.svg Holden Roberto
Flag of Angola.svg Agostinho Neto
Flag of Angola.svg França Ndalu
Flag of Cuba.svg Jorge Risquet Valdés
Flag of Cuba.svg Raúl Arguelles
Forças
Flag of South Africa (1928–1994).svg3.000
Flag of UNITA.svg Nº desconhecido
Bandeira da FNLA.svg Nº desconhecido
Flag of Zaire.svg Nº desconhecido
Flag of Cuba.svg FAR: 3000
Flag of Angola.svg FAPLA: Nº desconhecido
Flag of Katanga.svg Nº desconhecido
   

A operação Savana foi uma intervenção militar realizada pela Força de Defesa da África do Sul em 1975-1976 no âmbito da Guerra sul-africana na fronteira, da Guerra de Independência de Angola e da subsequente Guerra Civil Angolana.

Com vitória decisiva do MPLA, apoiado principalmente por Cuba e União Soviética, sobre as forças combinadas da UNITA, FNLA, Zaire e África do Sul, com o apoio de Zâmbia e Estados Unidos, a operação foi vital para a proclamação da independência e consequente libertação de Angola.

A operação também serviu para dar terreno e fortalecer a UNITA, que seria o principal rival do MPLA na guerra civil que iniciava, sendo também o grande ponto de inflexão da FNLA, que ficou desestabilizada.

Intervenção militar[editar | editar código-fonte]

O envolvimento da Força de Defesa da África do Sul (SADF) em Angola, como parte dos confrontos correlacionados com a Guerra sul-africana na fronteira, começou em 1966, quando a Organização do Povo do Sudoeste Africano (SWAPO) iniciou uma luta armada pela independência da Namíbia. Os militantes da SWAPO fundaram um braço armado, o Exército Popular de Libertação da Namíbia (PLAN), que operava a partir de bases na Zâmbia e na zona rural da Ovambolândia.[1][2]

Com a perda da administração colonial portuguesa como aliada e a possibilidade de novos regimes simpatizantes da SWAPO nas ex-colônias de Lisboa, Pretória reconheceu que perderia a barreira (ou cordão sanitário, como era denominado pela própria SADF) entre o Sudoeste Africano e os Países da Linha da Frente.[2][3][4][5] O PLAN poderia buscar refúgio em Angola, e a África do Sul seria confrontada com outro regime hostil, com uma fronteira aberta potencialmente militarizada, permitindo a passagem livre de guerrilheiros namibianos.

Com a União Soviética e os Estados Unidos armando facções importantes prevendo a iminente Guerra Civil Angolana, o conflito se transformou em um grande campo de batalha da Guerra Fria. A África do Sul ofereceu assessoria e assistência técnica à UNITA, enquanto várias tropas de combate cubanas entraram no país para lutar ao lado do MPLA, de cariz marxista. Moscou também equipou seus aliados angolanos com armas pesadas. A ajuda americana à UNITA e à FNLA foi inicialmente realizada com a Operação IA Feature, mas esta foi encerrada pela Emenda Clark em outubro de 1976.[6] A ajuda não retornaria até a revogação da Emenda Clark em 1985. A China retirou posteriormente os seus conselheiros militares no Zaire, findando o seu apoio tácito à FNLA.[7]

O instrutores cubanos começaram a treinar o PLAN na Zâmbia em abril de 1975, e o movimento conseguiu 3.000 novos recrutas já no final de abril. A atividade de guerrilha intensificou-se, com a movimentação pelos boicotes eleitorais ocorrendo na Ovambolândia, acontecendo o assassinato do ministro chefe daquele bantustão. A África do Sul respondeu convocando mais reservistas e colocando de prontidão as forças de segurança existentes ao longo da fronteira. Os ataques a Angola tornaram-se comuns depois de 15 de julho de 1975.[8]

Suporte à UNITA e FNLA[editar | editar código-fonte]

Consequentemente, com a assistência secreta dos Estados Unidos através da Agência Central de Inteligência (CIA), os sul-africanos optaram por auxiliar militarmente a UNITA e a FNLA, numa tentativa de garantir um governo pró-África do Sul em Luanda.[1] Em 14 de julho de 1975, o primeiro ministro da África do Sul, Balthazar Vorster, aprovou secretamente a venda de armas para a FNLA e a UNITA no valor de 14 milhões de dólares,[9][10] dos quais os primeiros embarques chegaram à Angola em agosto de 1975.

Ocupação do complexo Ruacaná-Calueque[editar | editar código-fonte]

A Operação Savana iniciou-se informalmente em 9 de agosto de 1975, quando uma patrulha de 30 homens da SADF deslocou-se para uma área a 50 quilômetros ao sul de Angola, lançando um ataque que resultou na ocupação do complexo hidroelétrico Ruacana-Calueque, além de outras instalações no rio Cunene.[1][11] O complexo hidroelétrico era estratégico para a Ovambolândia, que dependia do fornecimento de água e energia vindos de Angola. As instalações haviam sido concluídas no início de 1975 com financiamento sul-africano.[12] Vários incidentes hostis da UNITA e da SWAPO contra os trabalhadores estrangeiros forneceram a justificativa para a ocupação.[13] A defesa da instalação no sul de Angola também foi a justificativa da África do Sul para a montagem do primeiro destacamento permanente de unidades regulares da SADF dentro de Angola.[14][15]

Em 22 de agosto de 1975, a SADF iniciou a "Operação Balão de Observação II" (ou Sausage II), um grande ataque contra a SWAPO no sul de Angola. Após essa operação, em 4 de setembro de 1975, o primeiro ministro Vorster autorizou que a UNITA e a FNLA recebessem formação militar, aconselhamento e assistência logística, enquanto ajudassem os sul-africanos a combater a SWAPO.[2][16]

Entretanto, o MPLA ganhou terreno contra a UNITA no sul de Angola e, em meados de outubro, controlava 12 das províncias de Angola e a maioria das cidades.[17] O território da UNITA estava encolhendo, restando o centro de Angola, tornando-se evidente que não tinha qualquer capacidade de capturar Luanda no dia da independência, fato que nem os Estados Unidos nem a África do Sul estavam dispostos a aceitar.[18]

A SADF estabeleceu um campo de treino perto de Cuíto (a época com o nome de Silva Porto) e preparou defesas no Huambo (ainda com o nome Nova Lisboa). Eles montaram a unidade de ataque móvel "Morcego-Raposa" para repelir a aproximação das unidades das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA), com as quais entraram em conflito em 5 de outubro, garantindo assim Huambo para a UNITA.[1][19]

Força Operacional Zulu[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalhão Búfalo
Veículo de guerra sul-africano Eland MK7 andando pelas ruas do Lubango, em 1975.

A Força Operacional Zulu era um batalhão convencional misto das forças armadas sul-africanas, que contava também com indivíduos da UNITA e da FNLA. Os membros foram treinados por instrutores do 1º Comando de Reconhecimento da Força de Defesa da África do Sul, lideradas pelo coronel Jan Dirk Breytenbach. A unidade concentrou-se em empreender marcha veloz contra qualquer posição angolana.[20]

Em 14 de outubro de 1975, os sul-africanos iniciaram oficialmente a Operação Savana (pois informalmente desde agosto já estavam ocupando territórios ao sul de Angola), quando a Força Operacional Zulu cruzou da Namíbia para o Cuando Cubango. A operação previa a eliminação do MPLA da zona da fronteira sul angolana, depois o sudoeste, a região central e finalmente a captura de Luanda (a facção política que controlasse Luanda seria reconhecida por Portugal no dia da independência como o governo oficial).[21] De acordo com John Stockwell, um ex-agente da CIA, "houve uma estreita ligação entre a CIA e os sul-africanos"[18] e "'altos funcionários' em Pretória afirmaram que a intervenção em Angola tinha sido levada a cabo após um acordo de 'cooperação' com os Estados Unidos". A intervenção também foi apoiada pelo Zaire e Zâmbia.[22][23]

Com as forças de libertação ocupadas lutando entre si, a SADF avançou muito rapidamente. A unidade Morcego-Raposa juntou-se à invasão em meados de outubro. O território que o MPLA acabara de ganhar no sul foi rapidamente perdido com os avanços sul-africanos.[2][24][25] Depois que os soldados e as armas antitanque sul-africanos ajudaram a deter o avanço do MPLA em Huambo no início de outubro, a Força Operacional Zulu capturou Xangongo (até então denominada Roçadas) no dia 20 do mesmo mês e Lubango (então Sá da Bandeira) em 24 de outubro.

Com os sul-africanos movendo-se rapidamente para Luanda, os cubanos tiveram que encerrar as operação do Centro de Instrução Regional (CIR) em Nadalatando (até então Salazar) apenas três dias após começar o início das operações ali, concentrando a maioria dos instrutores e recrutas angolanos em Luanda.[26] Em 2 e 3 de novembro, 51 cubanos do comando CIR Benguela e sul-africanos tiveram seu primeiro encontro direto perto de Catengue, onde a FAPLA tentou em vão impedir o avanço da Força Zulu. Este encontro levou o comandante sul-africano Breytenbach a concluir que suas tropas haviam enfrentado a melhor oposição organizada das FAPLA até à data.[27]

Durante a campanha, a Força Operacional Zulu avançou 3.159 km em 33 dias e travou 21 batalhas/escaramuças, além de dezesseis ataques apressados ​​e quatorze ataques deliberados. A Força Operacional foi responsável por cerca de 210 mortos, 96 feridos e 50 prisioneiros de guerra do MPLA, enquanto sofreu 5 mortos e 41 feridos.[1][28]

Intervenção cubana[editar | editar código-fonte]

Depois do fracasso do MPLA em Catengue, os cubanos ficaram plenamente cientes da intervenção sul-africana. Em 4 de novembro, Fidel Castro decidiu iniciar uma intervenção sem precedentes, a Operação Carlota. No mesmo dia, um primeiro avião com 100 soldados especialistas em armas pesadas, que o MPLA havia solicitado em setembro, partiu para Brazavile, chegando a Luanda no dia 7 de novembro.[29] Em 9 de novembro, os primeiros 100 homens de um contingente de um batalhão de 652 soldados das Forças Especiais de Elite cubanas foram transportados. Os 100 especialistas e 88 homens das forças especiais foram enviados imediatamente para a frente próxima, localizada em Quifangondo. Eles ajudaram os 850 militares das FAPLA, 200 guerrilheiros da FNLC e um conselheiro soviético que ali estavam.

Com a ajuda dos cubanos e do conselheiro soviético, as FAPLA repeliram decisivamente o ataque conjunto das forças sul-africanas-UNITA e zairenses-FNLA na Batalha de Quifangondo, em 8 de novembro.[30] O contingente sul-africano, 52 homens comandados pelo general Ben de Wet Roos, que havia previsto algum encontro com artilharia na frente norte, teve de ser evacuado por navio em 28 de novembro.[31] O líder do MPLA Agostinho Neto proclamou a independência e a formação da República Popular de Angola em 11 de novembro, tornando-se o primeiro presidente da nação.

Reforços sul-africanos[editar | editar código-fonte]

Veículo de guerra sul-africano Eland MK7 andando pelas ruas do Lobito, em 1975.

Em 6 e 7 de novembro de 1975, a Força Operacional Zulu capturou as cidades portuárias de Benguela (terminal do Caminho de Ferro de Benguela) e Lobito. As vilas e cidades capturadas pela SADF foram entregues à UNITA. No centro de Angola, ao mesmo tempo, a unidade de combate Morcego-Raposa se moveu 800 quilômetros ao norte, em direção a Luanda.[14] Naquele momento os sul-africanos perceberam que Luanda não poderia ser capturada no dia da independência, em 11 de novembro, considerando encerrar o avanço das tropas e recuar. Mas em 10 de novembro de 1975, Vorster cedeu ao pedido urgente da UNITA para manter a pressão militar com o objetivo de capturar o máximo de território possível antes da iminente reunião da Organização da Unidade Africana.[32] Assim, a Força Operacional Zulu e a unidade Morcego-Raposa continuaram indo para o norte com dois novos grupos de batalha formados para agir no interior (unidades Raio-X e Laranja), "[havendo] poucas razões para pensar que as FAPLA seriam capazes de impedir que esta força conjunta capturasse Luanda dentro de uma semana".[33] Entre novembro e dezembro de 1975, a presença da SADF em Angola contava com tropas somadas de 2.900 ou 3.000 soldados.[1][34]

Depois que a província de Luanda foi dada como livre da frente formada pelas forças sul-africanas, da UNITA e da FNLA, a Força Zulu enfrentou uma resistência tenaz dos cubanos e do MPLA contras as posições em Sumbe (até então Novo Redondo). Os primeiros reforços cubanos chegaram em Porto Amboim, apenas a alguns quilômetros ao norte de Sumbe, rapidamente destruindo três pontes que cruzavam o rio Queve, efetivamente parando o avanço do sul-africano ao longo da costa em 13 de novembro de 1975.[35] Apesar dos esforços concertados em avançar para o norte, para tomar definitivamente Novo Redondo, a SADF não conseguiu romper as defesas das FAPLA.[36][37][38] Num último avanço bem sucedido, uma unidade operacional sul-africana e tropas da UNITA capturaram Luena (até então denominada Luso), no Caminho de Ferro de Benguela, em 11 de dezembro, que mantiveram até 27 de dezembro.[1][39]

Fim do avanço sul-africano[editar | editar código-fonte]

Em meados de dezembro, a África do Sul ampliou o recrutamento militar obrigatório, chamando os reservistas.[40][41] "Uma indicação da gravidade da situação ... é que uma das mais extensas chamadas militares da história da África do Sul está ocorrendo agora".[42] No final de dezembro, os cubanos tinham desembarcado em Angola 3.500 a 4.000 soldados, dos quais 1.000 estavam assegurando a província de Cabinda, e, eventualmente, a luta começou a virar a favor do MPLA.[43][44] Além de estar "atolado" na frente sul,[45] o avanço sul-africano parou, "com todas as tentativas dos grupos combate Laranja e Raio-X de imprimir vitórias no interior sendo frustradas, por causa de inúmeras pontes destruídas".[46] Além disso, a África do Sul teve que lidar com outros dois grandes reveses: a crítica da imprensa internacional sobre a operação e a mudança associada às políticas dos EUA. Após a descoberta das tropas da SADF em Angola, a maioria dos endossantes africanos e ocidentais recusaram continuar a apoiar os sul-africanos devido à publicidade negativa das ligações com o governo do apartheid.[47] A liderança sul-africana sentiu-se traída, com um membro do congresso dizendo: "Quando a ficha caiu, não havia um único Estado disposto a ficar com a África do Sul. Onde estavam os EUA? Onde estavam Zaire, Zâmbia ... e outros países amigos da África do Sul?"[48]

Principais batalhas e incidentes[editar | editar código-fonte]

Batalha de Quifangondo[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Batalha de Quifangondo

Em 10 de novembro de 1975, um dia antes da independência de Angola, a FNLA tentou capturar a província de Luanda, à altura com maior parte do território sob domínio do MPLA. Forças de artilharia terrestres e aviões da Força Aérea da África do Sul ajudaram a ofensiva que se mostrou terrivelmente malsucedida para os invasores; eles foram repelidos pelas FAPLA, assistidas por cubanos que tinham armas superiores que haviam chegado recentemente no país. A artilharia sul-africana, antiquada devido ao embargo da ONU, não era páreo para os lançadores de foguetes cubanos BM-21 de longo alcance e, portanto, não poderia influenciar o resultado da batalha.

Batalha de Ebo[editar | editar código-fonte]

Os militares cubanos, antecipando um avanço sul-africano (sob a direção do tenente Christopher du Raan) em direção à cidade de Ebo, estabeleceram posições ali na travessia do rio para impedir qualquer ataque. A força de artilharia defensora, equipada com uma bateria BM-21, pistola de campo de 76 mm e várias unidades antitanque munidos com com RPG-7, destruiu cinco a seis carros blindados em 25 de novembro, matando 5 e ferindo 11 soldados sul-africanos.

O segundo no comando do carro tripulado pelo tenente Jaco "Bok" Kriel, o cabo Gerrie Hugo e Richard "Flappie" Ludwig procuraram ao norte uma rota alternativa para atravessar o rio. Os veículos militares atolaram, mas conseguiram se retirar da lama. Sem que eles soubessem, isso aconteceu bem na frente das posições angolanas e cubanas. Aparentemente, apenas por questões estratégicas dos angolanos que preferiram não os atacar, é que se salvaram de um fim certo. A tropa sob comando de Johann du Toit avançou em direção à ponte para dar suporte à tropa sob liderança de Hannes Swanepoel, que se posicionou taticamente para ataque, porém todos ficaram presos nas lamas do terreno. As lamas danificaram os veículos, expondo os soldados sul-africanos à artilharia conjunta do MPLA e Cuba, ao ponto de representar severas baixas de pessoal e equipamentos. Esta foi a primeira derrota de grande nível sul-africana da Operação Savana.[49]

Ponte 14[editar | editar código-fonte]

Veículo das FAPLA incendiado em uma estrada do Cuanza Sul, em 1975.

Após a emboscada em Ebo, a unidade de combate Morcego-Raposa, começou a tentar invadir o Rio Nhia na "Ponte 14", uma passagem estratégica perto do quartel-general das FAPLA, ao norte de Quibala. A batalha pela Ponte 14, que se seguiu, foi responsável pelas muitas ações ferozes travadas para a expulsão das forças cubanas e angolanas das zonas do referido do rio, os empurrando para as cabeceiras do mesmo.[11][1][50] No início de dezembro, a unidade de combate Morcego-Raposa tinha se infiltrado na região, infringindo fogo nas posições das armas de bateria das FAPLA.[51] A situação forçou o comandante cubano Raúl Arguelles a suspender uma contra-ofensiva e ordenar uma redistribuição via Ebo, instruindo suas unidades a se retirarem do Nhia. Sua morte subsequente em uma explosão de minas terrestres causou muita confusão em alguns setores da linha de defesa da Ponte 14, como resultado de uma série de falhas de comunicação. Enquanto isso, sapadores sul-africanos começaram a consertar a ponte em 11 de dezembro, apesar da forte oposição dos FAPLA. De manhã, a situação cubana havia piorado com o avanço rápido da unidade de combate Morcego-Raposa.[52] Por volta das 7 da manhã, as tropas defensoras foram atacadas. Artilharia pesada atingiu as margens do norte, varrendo várias posições de morteiros e pelo menos um caminhão de munição. Os cubanos, apoiados pelas armas ZPU-4 e BM-21 Grad, percorreram a estrada principal com mísseis Sagger guiados por fio para impedir o avanço sul-africano. No entanto, uma coluna de doze carros blindados Eland-90 apoiados por infantaria rompeu as defesas angolanas e cubanas da ponte. Estima-se que várias centenas de cubanos perderam suas vidas durante o ataque; a SADF teve 4 mortos.[53]

Os eventos da Ponte 14 foram posteriormente dramatizados pela África do Sul no filme em africâner "Brug 14", de 1976. A ação foi reencenada usando militares nacionais. Durante a realização do filme, nas proximidades da cidade de Belém, no Estado Livre de Orange, o capitão Douw Steyn ficou gravemente ferido quando um tiro acidental de um Eland foi disparado e um pedaço dos estilhaços danificou permanentemente seu músculo da panturrilha.

Batalha do Luso[editar | editar código-fonte]

Em 10 de dezembro de 1975, a unidade de combate rápido sul-africana Raio-X seguiu o curso do Caminho de Ferro de Benguela, partido do Cuíto para o leste, indo até até Luena (até então denominada Luso).[54] O contingente sul-africano incluía uma esquadra blindada de apoio à infantaria, unidades de artilharia, engenheiros e tropas auxiliares da UNITA. O seu principal objectivo era o de tomar o Aeroporto Comandante Dangereux,[55] que mais tarde passou a servir de ponto de abastecimento, até os sul-africanos terem finalmente partido de Angola no início de janeiro de 1976.

Batalhas envolvendo a Força Zulu no oeste[editar | editar código-fonte]

Durante a Operação Savana ocorreram inúmeros confrontos no oeste e sudoeste, principalmente em Moçâmedes e Tômbua, nos finais de outubro de 1975, entre o grupo de batalha da SADF sob comando do coronel Jan Breytenbach e posições dispersas do MPLA.

A província do Namibe jamais conseguiu ser totalmente tomada pelos sul-africanos, tornando-se uma área vital na proclamação de independência do MPLA. Por fim, os homens de Breytenbach deixaram-na e conseguiram avançar três mil quilômetros sobre o solo angolano em trinta e três dias.

Incidente de Ambrizete[editar | editar código-fonte]

A Marinha da África do Sul não planejava se envolver na operação de terra, mas após a fracassada intervenção do Exército da África do Sul na Batalha de Quifangondo, a força naval teve que ser empregada para evacuar apressadamente o pessoal do exército por mar, que estava sendo pressionado pelas forças conjuntas do MPLA e Cuba, deixando muitas armas abandonadas. A cidade de Nezeto (até então denominada Ambrizete), a norte de Luanda, foi escolhida como ponto de encontro para evacuação para soldados envolvidos na batalha de Quifangondo. As fragatas SAS President Kruger e SAS President Steyn foram para a área, onde utilizaram barcos infláveis ​​e um helicóptero Westland Wasp para resgatar 26 soldados que aguardavam na praia, em 28 de novembro de 1975.[1][56][57] O petroleiro de reabastecimento SAS Tafelberg forneceu apoio logístico às fragatas, resgatando armas em Ambriz, que haviam sido rebocadas para o Zaire, levando-as para Walvis Bay. O sucesso desta operação de evacuação foi bom, dado que a marinha sul-africana conseguiu penetrar na costa angolana somente por trabalho de um único espião, chamado Dieter Gerhardt.

O general-chefe sul-africano da operação, Constand Viljoen, externou muita preocupação sobre a segurança de seus soldados e canhões de campanha abandonados, chamando a Operação Savana de "a noite mais difícil de toda a minha carreira operacional".[58]

Resultados[editar | editar código-fonte]

A África do Sul continuou a prestar apoio à UNITA, tentando garantir que a SWAPO não estabelecesse nenhuma base no sul de Angola.[1]

A Força de Defesa Sul-Africana reconheceu 28 mortos e 100 feridos durante a Operação Savana.[59]

Já a Força Operacional Zulu depois do conflito teve seu nome alterado para Força Operacional Bravo, e mais tarde tornou-se a base do 32º Batalhão da África do Sul.

Referências

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