Operação Spoofing

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Operação Spoofing é uma operação policial brasileira deflagrada pela Polícia Federal em 23 de julho de 2019, com o objetivo de investigar as invasões às contas de Telegram de autoridades brasileiras e de pessoas relacionadas à operação Lava Jato.[1] A operação foi assim batizada pois spoofing siginifica falsificação tecnológica que procura enganar uma rede ou uma pessoa fazendo-a acreditar que a fonte de uma informação é confiável quando, na realidade, não é.[1] De acordo com a Polícia Federal, mais de mil celulares foram atacados, com mais de cinco mil chamadas maliciosas realizadas de um mesmo provedor de VoIP (voz sobre IP).[2]

Investigação[editar | editar código-fonte]

Acesso às contas do Telegram[editar | editar código-fonte]

Na decisão que autorizou a prisão temporária de quatro suspeitos, o Juiz Vallisney de Oliveira, da 10ª Vara da Justiça Federal, de Brasília, diz que as investigações apontaram que os supostos hackers tiveram acesso ao código enviado pelos servidores do aplicativo Telegram para o celular das vítimas fazendo inúmeras ligações via robô para o número de telefone das vítimas, a fim de que a linha ficasse ocupada e a ligação contendo o código de ativação do serviço Telegram Web fosse direcionada para a caixa postal da vítima. Uma vez recebida a mensagem na caixa postal da vítima, os hackers então, podem aceder a essa secretária eletrônica a fim de conseguir o código que permitirá abrir o aplicativo.[3] As chamadas dos hackers para os celulares das vítimas foram feitas com um serviço Voip, que permite fazer uma ligação a partir da internet e criar um "disfarce" para o número que está ligando. Por isso, as vítimas informaram que receberam várias ligações de seu próprio número. [4]

O método utilizado pelos hackers já era conhecido: em 2011, o jornal britânico "News of the World" encerrou suas atividades após ficar comprovado que a publicação teve envolvimento direto na invasão das caixas de mensagens de diversas pessoas públicas e do noticiário.[2] Além disso, em 2018, uma palestra do especialista Martin Vigo na tradicional conferência de segurança digital DEF CON, em Las Vegas, provou que era possível hackear a caixa postal de qualquer pessoa para driblar a segurança de serviços de internet.[2]

Especialistas em segurança digital, porém, não acreditam que o modus operandi tenha sido exatamente este, já que fazer este mesmo procedimento em mais de 1.000 celulares, um por um, em poucos meses, é improvável.[5]

Repasse de informações ao The Intercept[editar | editar código-fonte]

Ver artigo principal: Vaza Jato

Em junho de 2019, o periódico virtual The Intercept publicou matéria com vazamento, de fonte anônima, de conversas no aplicativo Telegram entre o ex-juiz Sérgio Moro e o promotor Deltan Dallagnol no âmbito da Operação Lava Jato com evidências de "discussões internas e atitudes altamente controversas, politizadas e legalmente duvidosas da força-tarefa da Lava Jato".

Em 23 de julho de 2019, a PF deflagrou a operação, prendendo 4 pessoas, e apontando movimentação suspeita de R$ 600 mil por dois desses suspeitos de espionar Moro (esses dois suspeitos são casados).[6]

Em 24 de julho de 2019, órgãos de imprensa noticiaram que Walter Delgatti Neto, o "Vermelho", confessou à Polícia Federal que foi o responsável pela invasão do celular do ministro Sergio Moro e de várias outras autoridades.[7][8][9]

O hacker preso posteriormente confirmou à Polícia Federal ter passado ao site The Intercept as informações furtadas.[10][11][12]

Além de Sergio Moro e de vários procuradores, a atuação do hacker afetou importantes autoridades dos três poderes, incluindo o presidente Jair Bolsonaro, ministros do STF e do STJ, Raquel Dodge, Rodrigo Maia e Davi Alcolumbre.[13][14][15]

Preso pela Polícia Federal, Walter Delgatti Neto reconstituiu em depoimento como invadiu as contas do aplicativo Telegram do ministro Sérgio Moro: segundo seu depoimento, ele começou os ataques por um promotor de Justiça (Marcel Zanin) que teria sido o responsável pelo oferecimento de uma denúncia contra ele pelo crime de tráfico de drogas. A partir da conta de Marcel Zanin, ele teve acesso a um grupo no Telegram chamado "Valoriza MPF". A partir do grupo, invadiu um dos procuradores que teria o telefone do deputado federal Kim Kataguiri (DEM-SP). Ao acessar a conta do deputado, chegou ao número do ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes. Pela agenda do ministro, o hacker conseguiu os telefones do ex-procurador-geral da República Rodrigo Janot e, a partir dele, chegou aos contatos de integrantes da Força-Tarefa da Lava-Jato, entre eles o do procurador Deltan Dallagnol. Só então Delgatti obteve o número da autoridade cuja conta invadida motivou o início das investigações: Sérgio Moro.[16]

Ele informou ainda que repassou essas informações, de forma anônima, ao jornalista Glenn Greenwald[17] após conseguir seu contato com a ex-deputada federal Manuela D'Ávila.[18] Horas depois, em nota divulgada via sua conta no Twitter, Manuela confirmou que "repassou o contato do renomado jornalista investigativo Glenn Greenwald" a um hacker que invadiu seu celular.[18]

Walter Delgatti, o hacker da Lava Jato, responsável por roubar informações de importantes autoridades dos três poderes, possui também extensa ficha criminal, incluindo crimes de estelionato e de falsificação de documentos. [19]

Ver também[editar | editar código-fonte]

Referências

  1. a b «Polícia Federal prende quatro em operação que investiga invasão do celular de Sergio Moro», Globo, G1, 23 de julho de 2019 .
  2. a b c «"Receita de ataque" expõe limitações e amadorismo de hackers que acessaram mensagens do Telegram», Globo, G1, 26 de julho de 2019 .
  3. «"Spoofing": como foi a invasão do celular de Sérgio Moro, segundo a decisão judicial que mandou prender 4 suspeitos», Globo, G1 .
  4. «Joice Hasselmann diz que teve celular clonado em ação de hacker» 🔗, Gazeta do povo .
  5. El País Para especialistas em segurança digital, faltam elementos no relato de hacker
  6. «PF aponta movimentação suspeita de R$ 600 mil por casal suspeito de hackear Moro», Gazeta do povo .
  7. «Líder dos hackers confessou crimes». Exame. Abril. 24 de junho de 2019. Consultado em 24 de junho de 2019 
  8. «PF diz que preso confessou invasão ao celular de Moro e de autoridades». G1. Globo. 24 de junho de 2019. Consultado em 24 de junho de 2019 
  9. «Líder dos hackers confessou crimes». O Antagonista. 24 de junho de 2019. Consultado em 24 de junho de 2019 
  10. «Preso diz à PF que entregou de forma anônima a jornalista mensagens interceptadas». G1. Globo. 26 de junho de 2019. Consultado em 26 de junho de 2019 
  11. «Hacker diz à polícia que deu a site acesso a conversas de Moro». Estadão. O Estado de São Paulo SA. 25 de junho de 2019. Consultado em 25 de junho de 2019 
  12. «Hacker diz ter dado mensagens a Greenwald». O Antagonista. 25 de junho de 2019. Consultado em 25 de junho de 2019 
  13. «PF identifica invasão nos celulares de presidentes de STJ, Câmara e Senado; PGR também foi alvo». G1. Globo. 26 de junho de 2019. Consultado em 26 de junho de 2019 
  14. «Rodrigo Maia, Alcolumbre e presidente do STJ também foram alvo de hackers». Estadão. O Estado de São Paulo SA. 25 de junho de 2019. Consultado em 25 de junho de 2019 
  15. «976 hackeados». O Antagonista. 26 de junho de 2019. Consultado em 26 de junho de 2019 
  16. «Rota do hacker: preso relata sequência de ataques até a Lava Jato», Globo, Play .
  17. «Preso diz à PF que entregou de forma anônima a jornalista mensagens interceptadas», Globo, G1, 26 de julho de 2019 .
  18. a b «Hacker diz que Manuela D'Ávila intermediou contato com Glenn Greenwald; ex-deputada confirma», Globo, G1, 26 de julho de 2019 .
  19. Extensa, ficha criminal revela hacker da Lava Jato autor de múltiplos golpes 171, Folha, 29 de julho de 2019 .