Opinião científica a respeito do aquecimento global

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A terra está inequivocamente aquecendo.

A opinião científica atual a respeito da mudança climática é de que o nosso sistema climático está inequivocamente esquentando e que essa mudança é, com mais de 90% de certeza, causada por atividades humanas que aumentam as concentrações de gases estufa na atmosfera, tais como desflorestamento e queima de combustíveis fósseis.[1] [2] Esse consenso científico é expresso em relatórios de síntese, instituições científicas de relevo nacional ou internacional e pesquisas de opinião entre cientistas do clima. Cientistas individuais, universidades e laboratórios contribuem para a opinião científica geral através de suas publicações revisadas por pares, e as áreas de consenso coletivo e certeza relativa estão sumarizadas nesses relatórios de alto nível.

Academias de ciência e sociedades científicas nacionais e internacionais investigaram a opinião científica atual, em particular a respeito do aquecimento global. Algumas investigações confirmaram largamente a posição do IPCC (Intergovernmental Panel on Climate Change ou Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas)[3] [4] de janeiro de 2001, que afirma que "um corpo cada vez maior de observações nos dá uma visão geral de um mundo em aquecimento e sofrendo outras mudanças no sistema climático. Recentes evidências indicam que o aquecimento observado nos últimos 50 anos é consequência de atividades humanas"[5] .

As principais conclusões do IPCC a respeito do aquecimento global foram as seguintes:

  • As temperaturas médias da superfícia subiram 0.6 ± 0.2 °C desde o final do século XIX, e 0.17 °C por década nos últimos 30 anos.
  • "Há evidências recentes e mais fortes de que o aquecimento observado nos últimos 50 anos é atribuída, em grande parte, a atividades humanas, em particular a emissão de gases estufa, dióxido de carbono e metano."
  • Se as emissões de gases estufa continuarem o aquecimento também continuará, de forma que as temperaturas subirão de 1.4 °C a 5.8 °C entre 1990 e 2100. Acompanhando esse aumento da temperatura, haverá maior frequência de fenômenos climáticos extremos e um aumento no nível do mar. Em suma, os impactos do aquecimento global serão significantemente negativos, especialmente devido aos maiores valores de aquecimento.

Nenhuma instituição científica de reconhecimento nacional ou internacional manteve uma opinião dissidente.[6] A última instituição a acatar essa opinião foi a Associação Americana de Geólogos do Petróleo, que alterou em 2007 seu relatório de 1999, no qual rejeitava a possibilidade de um aquecimento global antropogênico. Há, contudo, grupos de indivíduos fora de instituições nacionais ou internacionais que expressaram suas opiniões dissidentes e seus contra-argumentos em documentos tais quais petições públicas.

Relatórios de Síntese[editar | editar código-fonte]

Relatórios de síntese são avaliações da literatura científica que compilam os resultados de uma série de estudos isolados tendo por fito alcançar um amplo nível de entendimento ou descrever o estado do conhecimento de um determinado assunto.

Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas[editar | editar código-fonte]

Em fevereiro de 2007, o IPCC disponibilizou um sumário de seu Quarto Relatório de Avaliação que ainda será publicado. De acordo com esse resumo, o Quarto Relatório de Avaliação descobriu que as ações humanas são "muito provavelmente" a causa do aquecimento global, com um nível de certeza de 90%. O aquecimento global nesse caso é indicado por um aumento de 0,75 graus nas temperaturas globais médias nos últimos 100 anos.[7] O The New York Times relatou que "a principal rede de cientistas estudiosos do clima concluiu pela primeira vez que o aquecimento global é inequívoco e que a atividade humana e sua principal causa, com grande probabilidade, tendo sido uma das principais causas do aumento das temperaturas desde 1950."[8] Um jornalista aposentado do The New York Times, William K Stevens, escreveu que "o Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas revelou que a probabilidade era de 90 a 99% de que as emissões de gases estufa, como dióxido de carbono, expelido por escapamentos e chaminés, eram a causa dominante do aquecimento observado nos últimos 50 anos. No linguajar do Painel, esse nível de certeza é rotulado como "muito provável". Apenas raramente as previsões científicas fornecem uma resposta mais definitiva do que essa, ao menos nesse ramo das ciências, e isso descreve o ponto final, até então, de uma progressão."[9]

A Associated Press afirmou que há uma projeção de aumento de 7 a 23 polegadas (17,8 a 58,4 centímetros) até o fim do século. Um aumento adicional de 3,9 a 7,8 (9,9 a 18,8 centímetros) polegadas é possível se o recente padrão de derretimento de geleiras polares continuar.[10]

U.S. Global Change Research Program (Programa Norte-americano de Pesquisa sobre Mudança Climática)[editar | editar código-fonte]

O U.S. Global Change Research Program relatou em junho de 2009[11] que:

Observações demonstram que o aquecimento do clima é inequívoco. O aquecimento global observado nos últimos 50 anos é devido, sobretudo, à emissão de gases estufa produzidos pela ação humana. Essas emissões são oriundas, principalmente, da queima de combustíveis fósseis (carvão, petróleo e gás) e são agravadas pelo desflorestamento, por práticas agricultoras e outras atividades.


O relatório, que trata dos efeitos da mudança climática nos Estados Unidos, também diz:

Mudanças de natureza climática já foram observadas globalmente e nos Estados Unidos. Tais mudanças incluem aumento na temperatura do ar e da água, redução dos dias de geada, aumento na frequência e intensidade de chuvas pesadas, aumento no nível do mar, redução na cobertura de neve, geleiras, pergelissolos e gelo do mar. Um período mais longo sem gelo nos lagos e rios, alongamento de outras estações, e aumento de vapor de água na atmosfera também foram observados. Nos últimos 30 anos, as temperaturas subiram mais rápido que em qualquer outro período, com as temperaturas médias de inverno nas grandes planícies tendo subido mais de 7°F. Algumas das mudanças ocorreram mais rápido do que as avaliações anteriores sugeriam.


Arctic Climate Impact Assessment[editar | editar código-fonte]

Em 2004, a instituição intergovernamental Arctic Council e a ONG Arctic Science Committee publicaram um relatório de síntese do Arctic Climate Impact Assessment:

As condições climáticas no passado fornecem evidência de que os crescentes níveis de dióxido de carbono na atmosfera estão associados ao aumento das temperaturas globais. As atividades huamans, sobretudo de queima de combustíveis fósseios (carvão, petróleo e gás natural) e secundariamente o desflorestamento, aumentaram a concentração de dióxido de carbono, metano, e outros gases estuda na atmosfera... Há um consenso científico internacional de que a maioria do aquecimento observado nos últimos 50 anos é passível de ser atribuído às atividades humanas."[12]


Declarações de Organizações[editar | editar código-fonte]

Declarações Conjuntas de Academias de Ciências[editar | editar código-fonte]

Desde 2001, 32 academias nacionais de ciência se uniram para publicar declarações em conjunto confirmando a existência de um aquecimento global antropogênico, e urgindo as nações do mundo a reduzir as emissões gases estufa. Os signatários dessas alegações foram as academias nacionais de ciência de 32 países.

  • 2009: Antes das negociações que ocorreriam durante o COP 15 em Copenhague em dezembro de 2009, as academias nacionais de ciência das nações G8+5 publicaram uma declaração conjunto dizendo que "a mudança climática e o uso de fontes de energia renováveis são desafios cruciais para o futuro da humanidade. É essencial que os líderes mundiais concordem a respeito da redução de emissões necessária para combater as consequências negativas da mudança climática antropogênica". A declaração cita o Quarto Relatório de Avaliação do IPCC de 2007, e afirma que "a mudança climática está ocorrendo ainda mais rápido do que antes era estimado; as emissões globais de CO2 desde 2000 foram mais altas do que mesmo as mais altas previsões, o gelo do ártico tem derretido de forma muito mais rápida do que era projetado, e o aumento no nível do mar se tornou mais rápido." Os 13 signatários eram as mesmas academias nacionais de ciência que publicaram as declarações em conjunto de 2007 e 2008.

Referências[editar | editar código-fonte]